A Inglaterra, que já vacina, decide fazer um lockdown radical contra a COVID-19. E o Brasil de Bolsonaro? Nada!

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Em que pese o Reino Unido já ter começado o seu processo de vacinação em massa contra a COVID-19, o  primeiro ministro conservador (isto é, de direita) Boris Johnson declarou hoje medidas de lockdown que são as mais extremas desde março de 2019.  As razões para a adoção de medidas que envolvem a permissão de sair de casa apenas uma vez por dia para a maioria dos ingleses por um período de, pelo menos sete semanas, são o espalhamento acelerado da pandemia, a elevação do número de mortos, e o ainda processo ainda relativamente lento de vacinação.

Já no Brasil, que ainda não possui um calendário real para iniciar o seu processo de vacinação (aliás, o governo Bolsonaro sequer conseguiu garantir a compra da quantidade de seringas que seria necessária para garantir o uso das vacinas quando elas forem finalmente liberadas para aplicação), tudo continua ao “Deus dará”, sem medidas reais de confinamento social, e com um presidente da república que continua objetivamente incentivando processos de grande aglomeração, com resultados que são mais do que previsíveis, mas que incluem a elevação do número de pessoas contaminados e do número de mortos pela COVID-19.

Enquanto isso, vejo os partidos políticos (sem distinção de viés ideológico) se ocupando da disputa pelo controle das mesas diretoras da Câmara de Deputados e do Senado Federal, como se nada estivesse ocorrendo de anormal no Brasil, e como se os problemas reais dos brasileiros se concentrem apenas em uma suposta defesa de uma democracia que, no nosso caso, é meramente formal.

Já escrevi antes e repito agora: a questão política central neste momento é obrigar o governo Bolsonaro a reverter a sua opção fiscalista de sabotar a adoção de um massivo processo de vacinação da população brasileira, o que além de fazer sentido do ponto de vista sanitária, é a única forma de colocar o país em um movimento de mudança política progressiva. 

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Enquanto isso não ocorrer, o presidente Jair Bolsonaro poderá continuar tranquilamente com suas performances, seja na praia ou no campo, pois continuará imune à qualquer pressão política real. Afinal de contas, seja quem vencer a eleição da Câmara de Deputados, Baleia Rossi ou Arthur Lira, o governo Bolsonaro continuará controlando a agenda política, impondo ainda mais derrotas e regressões aos trabalhadores brasileiros.

Aos leitores do blog, renovo a minha insistência que aumentem suas medidas de autoproteção (incluindo as medidas de isolamento, uso de máscaras e de asseio pessoal).  É que no imenso Deus dará que está estabelecido no Brasil, não é possível se dar ao direito ao descuido.

Geraldo Venâncio, o sortudo, caiu antes de subir

geraldoAo defender medidas de lockdown para conter a pandemia da COVID-19, o médico Geraldo Venâncio tornou-se uma espécie de “Viúva Porcina” da nova administração municipal ao deixar de ser, sem nunca ter sido. Mas esta condição poderá se mostrar rapidamente um momento de imensa sorte

Li com pouca surpresa a informação de que o experiente Geraldo Venâncio acabou não sendo nomeado para ser o secretário municipal de Saúde no governo de Wladimir Garotinho (PSD).  Apesar das justificativas educadas do sempre educado Dr. Venâncio, não posso deixar de desconfiar que a sua defesa da adoção cientificamente lógica e racional de uma forma mais rígida de isolamento social para conter a expansão da COVID-19 acabou lhe custando  a nomeação.

Mas dada a flagrante onda de irresponsabilidade coletiva que grassa em certos segmentos da sociedade campista, que tendo rendido cenas dantescas de aglomeração em meio à expansão de uma pandemia letal, eu fico com a impressão de que cair antes de subir vai acabar se provando um bafejo de imensa sorte do Dr. Geraldo Venâncio. É que a História não é conhecida por ser clemente com aqueles que podendo conter o espalhamento de doenças letais, optam pelo caminho contrário.

Em tempo: conversando há alguns dias com a minha irmã que é servidora pública lotada na secretaria municipal de Saúde em minha cidade natal, ela me expressou alegria em ter alguém com experiência na área da saúde assumindo o posto de secretários, em vez de um estranho vindo da área da administração de empresas como ocorreu há alguns anos atrás. É que segundo ela, a experiência com um administrador de empresas em um lugar em que a saúde humana deve ser priorizada ficou longe de dar certo.

Aí é que eu fico com a impressão de que Geraldo Venâncio está sendo ainda mais sortudo ao se livrar das pressões que certamente ocorrerão para se priorizar a gestão focada nas relações de custo/benefício em vez do necessário foco na gestão primária da saúde, impedindo com isso a necessidade de se gastar com remédios. Por isso mesmo é que tem horas que cair é melhor do que subir.

Moscou adota confinamento severo e governo da Rússia pagará R$ 1.250,00 mensais a desempregados

putin protectionPresidente da Rússia, Vladimir Putin, veste amarelo e visita unidade de tratamento do coronavírus

Moscou entra em confinamento severo e governo da Rússia irá pagar R$ 1.250,00 mensais para trabalhadores desempregados. Enquanto isso no Brasil, Bolsonaro circula em áreas públicas prometendo decreto para acabar com isolamento social. Adivinhem onde a COVID-19 vai matar mais gente!

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