Governo Bolsonaro comete equívoco estratégico ao precarizar o INPE

ministro-astronautaO ex-astronauta e vendedor de travesseiros Marcos Pontes é um dos artífices dos ataques perpetrados pelo governo Bolsonaro ao Inpe

A inconformidade do alto escalão do governo Bolsonaro com a ciência produzida pelos pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) ficou evidente com a demissão do seu então diretor, o físico Ricardo Galvão em agosto de 2019.

De lá para cá, uma série de movimentos indicam que a opção preferencial do presidente Jair Bolsonaro, secundado pelo ministro “lost in space“, o ex-astronauta e atual vendedor de travesseiros, o oficial da reserva Marcos Pontes, é de asfixiar financeiramente o Inpe, na provável e vã esperança de que não haverá mais monitoramento de qualidade na mudança da cobertura vegetal da Amazônia brasileira.

A coisa é tão explícita que a Agência Espacial Brasileira decidiu cortar para zero o orçamento de pesquisa, desenvolvimento e capital humano do Inpe  para 2021.  Com isso, não haverá para que os pesquisadores do instituto possam aprimorar suas capacidades para responder aos crescentes desafios científicos que estão emergindo por causa do avanço da franja de desmatamento e degradação dos ecossistemas amazônicos.

Outra colossal e onerosa besteira que bem exemplifica a disposição de sabotar o Inpe foi o gasto de R$ 145 milhões pelo Ministério da Defesa para a aquisição de microssatélites para fazer um serviço que já é feito com mais qualidade e precisão em São José dos Campos. 

O pior é que brevemente ficará dolorosamente evidente que o governo brasileiro precisará cada vez mais da expertise e da respeitabilidade internacional que o Inpe e seus pesquisadores possuem, até para se defender de novas descobertas que virão a público sobre o grau de destruição dos ecossistemas amazônicos.

A verdade é que o governo Bolsonaro, ao sabotar abertamente a capacidade funcional do Inpe, está dando um tiro (de bazuca) no próprio pé. É que em todos os anos em que foi permitido que desenvolvesse suas pesquisas sem graves intromissões ideológicas, os pesquisadores do Inpe atuaram não apenas como um instituto de excelência científica, mas com um órgão de Estado. 

E há que se notar que, por mais que se queira impedir o avanço da ciência, as rodas que movem o avanço do conhecimento científico sempre são mais fortes do que os desejos dos governantes de plantão. Em outras palavras, não há como brecar o avanço da ciência, e quando muito pode-se torná-lo mais lento.

Finalmente, há que ficar claro que a defesa do Inpe sintetiza hoje a defesa da ciência nacional e as possibilidades de que o Brasil possa ter um destino que não seja apenas ser terra arrasada pela dependência na venda de commodities agrícolas e minerais.

Marcos Pontes, o ministro astronauta é um soldado “missing in action” na guerra contra o COVID-19

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O ministro da Ciência e Tecnologia, o ex-astronauta Marcos Pontes, era mais vocal e presente vendendo travesseiros do que agora defendendo o papel da ciência na superação da pandemia causada pelo COVID-19

Em meio às muitas declarações sem qualquer fundamento científico que partem de representantes do governo Bolsonaro no tocante ao combate do coronavírus, a começar pelo próprio presidente, um ministro tem estado particularmente calado em meio ao debate sobre o papel da ciência para que o Brasil chegue à respostas robustas para superarmos esta pandemia mortal. 

Falo aqui do dublê de astronauta aposentado e ministro da Ciência e Tecnologia, e ainda tenente-coronel reformado da Força Aérea Brasileira, Marcos Pontes.  Pontes tem assistido em silêncio sepulcral não apenas à declarações que desconsideram aspectos elementares do saber científico sobre as possíveis formas de controle do coronavírus, mas também no tocante aos seguidos cortes que têm sido realizados no orçamento para o sistema nacional de ciência e tecnologia.

marcos pontes 1O ministro da Ciência, Marcos Pontes, em visita ao Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais de Campinas (SP) (Foto: Helen Sacconi/EPTV Campinas) 

O astronauta transformado em vendedor de travesseiros chegou ao ministério de Ciência e Tecnologia no mínimo com o benefício da dúvida por parte das lideranças científicas brasileiras. Mas após 15 meses e poucos dias de mandato à frente do “Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações” (MCTIC), Pontes não fez nada até agora que justificasse isso.

A gestão de Pontes à frente do MCTIC é, no mínimo, pouco memorável, o que é muito grave se formos levar em conta as pesadas demandas que estão sendo colocadas sobre a comunidade científica nacional a partir da eclosão da pandemia do COVID-19. A hora seria de termos um ministro que ocupasse, junto com o da Saúde, um papel de destaque no oferecimento de explicações sólidas que servisse para dirimir quaisquer dúvidas sobre os caminhos a serem seguidos para que o governo federal possa responder aos desafios psotos de forma cientificamente informada.

Desconfio que Marcos Pontes, tal como vários outros ministros estão fazendo, optou por adotar uma posição distante para evitar choques com o chamado “setor ideológico” do governo Bolsonaro, preservando assim o seu cargo de ministro. Se for isso mesmo, estamos muitíssimo mal parados, pois este tipo de posição deixa os cientistas não apenas mal financiados para realizar pesquisas fundamentais sobre o coronavírus, mas principalmente desamparados no tocante à necessária validação do papel da ciência na solução dos problemas postos pela pandemia.

Na hora que mais precisamos dela, governo Bolsonaro impõe mais cortes à ciência brasileira

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Governos em todas as partes do mundo estão neste momento procurando saídas científicas para a pandemia do Coronavírus, o que implica em alocar mais recursos para os sistemas nacionais de ciência e tecnologia.  Mas como o Brasil possui hoje um governo que objetivamente despreza a contribuição da ciência para a resolução dos grandes problemas nacionais, o que temos é mais cortes de bolsas de pós-graduação, sendo o que informa o “Direto da Ciência“.

Segundo o que informa o “Direto da Ciência”, a direção da CAPES está abandonando uma portaria anterior  que foi negociada com o Fórum Nacional de Pró-Reitores de Pesquisa e Pós-Graduação (Foprop), entidade que reúne pró-reitores de pós-graduação de cerca de 250 instituições brasileiras. 

É preciso lembrar que os valores das bolsas de pós-graduação são relativamente baixos e não trazem consigo nenhum tipo de direito trabalhista, jogando esses anos de formação altamente especializada em uma espécie de limbo trabalhista. De quebra, os bolsistas, mesmo aqueles que estudam doenças altamente contagiosas, realizam suas atividades sem a proteção de planos de saúde, o que deixa por conta deles os custos de tratamento para acidentes ou enfermidades adquiridas durante o período de vigência das bolsas.

O impressionante é que atravessamos um momento em que o orçamento das agências de fomento já estão precarizados por causa de vários anos de desinvestimento. Ao aprofundar os cortes nas bolsas, o governo Bolsonaro contribui para a aceleração da destruição do sistema nacional de pós-graduação. 

E tudo isso em um momento em que o mundo atravessa uma das piores crises sanitárias da história recente com a pandemia do coronavírus. E justamente neste momento de grande demanda para o desenvolvimento de medicamentos e instrumentos de testagem, o governo Bolsonaro decide aprofundar a crise financeira da ciência brasileira. Se isso não for atentar contra a segurança nacional, eu não sei o que poderá ser.

Finalmente, é preciso notar que há vários não se vê a presença pública do ministro da Ciência e Tecnologia, o astronauta Marcos Pontes.  Essa ausência não seria nada se uma pasta tão estratégica para a conjuntura que atravessamos não estivesse sendo completamente asfixiada.

Satélites tornam inútil qualquer tentativa de ocultação do que está acontecendo na Amazônia

03/07/2019 Coquetel de recepção para celebrar o 243º AniversMarcos Pontes, o dublê de ministro e turista espacial, interferiu na autonomia do Inpe para agradar o presidente Jair Bolsonaro, mas não impedirá a vigilância dos satélites que o Brasil não controla.

Todo o esforço que o governo Bolsonaro está realizando para ocultar o avanço explosivo da franja de desmatamento na Amazônia brasileira é inútil por um simples fato: o Brasil não controla os diversos satélites que monitoram diariamente a região.

Uma prova disso é o vídeo abaixo que mostra a situação na Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, de São Félix do Xingu que teria perdido 2.300 ha por causa do desmatamento ocorrido somente em julho de 2019.

 

Assim, em vez de interferir na autonomia do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o que o governo Bolsonaro deveria fazer é recolocar os servidores do IBAMA e do ICMBIO em campo para impedir a devastação que está ocorrendo sob os olhares cúmplices do anti-ministro do Meio Ambiente, o improbo Ricardo Salles e, por que não, do ministro Marcos Pontes da Ciência e Tecnologia.

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Aliás, ou fazem logo isso ou o Brasil brevemente sofrerá pesadas punições comerciais pelo que está sendo feito contra a Amazônia.

A censura ao Inpe busca esconder a alta eficiência das políticas anti-ambientais do governo Bolsonaro na devastação da Amazônia

03/07/2019 Coquetel de recepção para celebrar o 243º AniversO presidente Jair Bolsonaro e o ministro Marcos Pontes sinalizam que irão censurar os dados de desmatamento produzidos do Inpe. Ao fazer isso, eles tentam esconder o alto sucesso das políticas anti-ambientais do governo Bolsonaro.

Alguém no governo Bolsonaro deve ter lido a fábula do menino Peter que com um dos seus dedos num buraco formado em um dique de proteção, impedindo que a água do mar invadisse a região em que vivia na Holanda. É que só assim se pode entender a disposição de censurar os dados produzidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) sobre o explosivo desmatamento que ocorre ao longo de 2019 na porção brasileira da bacia Amazônica.

É que tomando a fábula holandesa o Inpe é apenas um dos buracos no dique da mentira que se pretende criar para esconder o sucesso (notem que eu disse o sucesso) das políticas do governo Bolsonaro para acelerar o desmatamento na Amazônia. Ao se censurar o Inpe restarão vários buracos que farão esse dique desmoronar. A verdade é que a anunciada censura do Inpe que não mais poderá (dependendo da vontade de Jair Bolsonaro) divulgar publicamente os dados de desmatamento vai se provar rapidamente um tiro no pé do governo Bolsonaro.

Reafirmo que o Inpe é apenas um dos institutos de pesquisa que possuem ferramentas de monitoramento contínuo do avanço do desmatamento da Amazônia brasileira.  E, pior, o Inpe tem agido escrupulosamente como instituto de pesquisa público e preservado o Brasil de maiores vergonhas ao divulgar os dados que gera de forma não apenas organizada, transparente, mas, também, de forma bastante pragmática.

Se tivesse de culpar alguém nesse imbróglio envolvendo os dados de desmatamento, o presidente Jair Bolsonaro deveria culpar a própria eficiência. É que ele apontou um ministro do Meio Ambiente que eficientemente desmontou estruturas de governança e sucateou com velocidade meteórica as estruturas de comando e controle que existiam na Amazônia e no Cerrado.  A consequência disso foi que todos os “drivers” que estavam moderadamente contidos nas últimas décadas puderam agir com completa liberdade, consumindo florestas nativas como a voracidade de um bando de saúvas bravas. 

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Paralisação de estruturas de proteção ambiental causou aumento explosivo do desmatamento na Amazônia.

Em outras palavras, o que o Inpe tem feito é medir o grande sucesso das políticas anti-ambientais acertadas por Jair Bolsonaro com seus grupos de apoio político dentro de atores díspares como madeireiros, garimpeiros e latifundiários.  É essa a realidade que as ações aparentemente alopradas de Jair Bolsonaro e do dublê de ministro de Ciência e Tecnologia e turista espacial,  Marcos Pontes, de condenar a forma de divulgação dos dados de desmatamento pelo Inpe é só uma tentativa canhestra de esconder o sol com a peneira.

Já se sabe que a real questão por detrás do esperneio do governo Bolsonaro acerca da exposição do seu próprio sucesso é o medo de que parceiros comerciais importantes, a começar pela União Europeia, tomem medidas punitivas contra os produtos agrícolas brasileiros por causa da devastação que está sendo permitida nba Amazônia. Mas como alguém que já participou da publicação  vários artigos científicos sobre a perda de cobertura vegetal na Amazônia posso adiantar que censurar o Inpe só vai acelerar e aprofundar os problemas que o Brasil vai enfrentar por causa do que está sendo impulsionado pelo governo Bolsonaro com suas políticas anti-ambientais. 

Entretanto, como bom senso é algo que inexiste no governo Bolsonaro, tenho certeza de que a censura ocorrerá e os custos econômicos e políticos serão imensos. Melhor seria celebrar o próprio sucesso e deixar o Inpe documentá-lo de forma autônoma.

Ao atacar Marcos Pontes, Silas Malafaia dá testemunho de porque ciência e religião devem ficar sob os cuidados de quem entende

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A imagem acima mostra a Xilogravura de Flammarion, que é assim chamada porque a sua primeira aparição foi documentada em 1888 no livro L’atmosfera: météorologie populaire (“A Atmosfera: Meteorologia Popular”), de autoria de Camille Flammarion. Ela mostra um homem medieval com seu bastão, vestido como um peregrino, que olha para o céu como se estivesse encoberto por uma cortina, ele olha como se quisesse conhecer o outro lado da Terra, o que está oculto, o que há além do próprio planeta Terra.

Uma das poucas declarações lúcidas pronunciadas por um membro do governo Bolsonaro foi dada pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, que rebateu as declarações da ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, de que “que a igreja evangélica perdeu espaço na História ao “deixar” a Teoria da Evolução entrar nas escolas sem ser questionada.” [1]. Fontes, enquanto o responsável pelas questões relacionadas à ciência e tecnologia do governo Bolsonaro, rebateu de forma educada dizendo algo que deveria ser senso comum entre qualquer cidadão do Século XXI ao afirmar que “… do ponto de vista da ciência, são muitas décadas de estudo para formar a Teoria da Evolução desde o início. Ou seja, não se deve misturar ciência com religião.”

Essa declaração do ministro da Ciência e Tecnologia que nada tem de extraordinária causou um posicionamento do Pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo   e apoiador de primeira hora da candidatura de Jair Bolsonaro, que usou sua página oficial na rede social Twitter para tentar ensinar a Marcos Fontes a diferença entre “lei” e “teoria” para, em seguida, questionar a validade da Teoria da Evolução de Charles Darwin (ver imagem abaixo) [2].

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Uma nota inicial é que por cerca de 17 anos fui o encarregado de ministrar a disciplina “Fundamentos da Metodologia da Pesquisa” no Programa de Pós-Graduação em Políticas Sociais da Universidade Estadual do Norte Fluminense.  E a enunciação das principais diferenças entre “leis”, “teorias”, “hipóteses”, “conceitos” e variáveis” era uma dos primeiros conteúdos que apresentava aos participantes da referida disciplina. A razão para isso era e é bem simples: a maioria dos leigos em ciência não sabem diferenciar uma coisa da outra, o que contribui para a criação de graves distorções na produção de conhecimento científico. É que quem não sabe o básico do básico em termos de formação do conhecimento científico, não terá como produzir ciência.

Por isso ao ler o tweet do Pastor Silas Malafaia me dividi entre um momento de pasmo e outro de dúvida. O pasmo ficou por conta da ação de um pastor tentando ensinar ciência ao ministro da Ciência e Tecnologia. Já a dúvida ficou por conta do quão certo ou errado o Pastor Silas Malafaia em questionar a “verdade” da Teoria da Evolução ao colocá-la num plano inferior ao ocupado pelas leis da ciência.  E, pior, se o Pastor Silas Malafaia estivesse certo, eu teria que procurar todos os participantes das 17 edições que participaram da disciplina “Fundamentos da Metodologia da Pesquisa” que ofereci na Uenf.

Felizmente hoje existem as chamadas ferramentas de busca na internet, e fiz o que toda pessoa deveria fazer antes de escrever sobre algo que não entende, no caso do Pastor Silas Malafaia, ciência.  

Uma busca rápida com os termos “leis”, “teoria” e “ciência” no Google ofereceu “apenas” 26 milhões de links para serem acessados. Se o Pastor Silas Malafaia tivesse tido a curiosidade de acessar pelo menos um desses 26 milhões de links, ele provavelmente não teria tentando desacreditar a Teoria da Evolução da forma tão tosca quanto tentou.

É que, colocando em miúdos, teorias e leis não estão em condições hierárquicas disparatadas como Malafaia tentou dar a entender.  É que leis e teorias científicas apenas tratam de elementos distintos de construção do conhecimento dito científico, sendo o principal deles o fato de que “enquanto as teorias científicas explicam fenômenos da natureza, as leis são descrições generalistas desses fenômenos.” [3].  

E mais importante: teorias científicas são construídas inicialmente como um modelo ideal da realidade, mas só “sobrevivem” se resistirem a seguidos testes relativos à sua validade e replicabilidade.  Além disso, dado que a ciência assume a possibilidade de aperfeiçoamento mediante à eliminação de erros, teorias podem ser aperfeiçoadas ao longo do tempo ou, simplesmente, serem abandonadas por serem refutadas por outras teorias com maior capacidade de explicação sobre um dado fenômeno.

E quando se fala da Teoria da Evolução, pode-se até não gostar da explicação que ela oferece sobre o processo que origina e afeta a dinâmica evolutiva das espécies que vivem na Terra. Entretanto, a Teoria da Evolução já sobreviveu a basicamente todos os testes concernentes à sua validade e sua aplicação universal. Isso não quer dizer que outra teoria não possa competir por uma explicação melhor. Entretanto, não há como disputar boa parte dos seus postulados teóricos, pois os mesmos já foram extensamente demonstrados empiricamente.  E aí é que mora o maior perigo para leigos que tentem adentrar o domínio da ciência. É que a boa ciência deve resistir tanto à testes teóricos como empíricos, não havendo espaço para o sobrenatural nesse tipo de verficação.

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Charles Darwin (1809-1882), naturalista britânico que convenceu a comunidade científica da ocorrência da evolução e propor uma teoria para explicar como ela se dá por meio da seleção natural e sexual.

Assim, o que parece ficar demonstrado neste ataque de Silas Malafaia a  Marcos Pontes é que parece ser mais prudente que o pastor se atenha à religião e o ministro à questão da ciência. Se ambos fizerem isso, é possível que o produto final seja melhor para ambos. E, principalmente, ninguém passará vergonha por falar do que não entende.

Por fim, aos que se interessarem em conhecer mais sobre o processo de formação e evolução da ciência moderna, sugiro a leitura do livro “A Ciência e a Filosofia dos Modernos” do filósofo italiano Paolo Rossi (atenção para o fato de que não é o mesmo Paolo Rossi, o centroavante que destroçou as esperanças brasileiras no Estádio de Sarriá na Copa do Mundo de 1982!) [4]. Considero esse livro excelente para que se entenda os fundamentos da ciência moderna e sempre recorro a ele quando tenha dúvidas sobre o assunto.