Marcos Pontes, o ministro astronauta é um soldado “missing in action” na guerra contra o COVID-19

MarcosPontes

O ministro da Ciência e Tecnologia, o ex-astronauta Marcos Pontes, era mais vocal e presente vendendo travesseiros do que agora defendendo o papel da ciência na superação da pandemia causada pelo COVID-19

Em meio às muitas declarações sem qualquer fundamento científico que partem de representantes do governo Bolsonaro no tocante ao combate do coronavírus, a começar pelo próprio presidente, um ministro tem estado particularmente calado em meio ao debate sobre o papel da ciência para que o Brasil chegue à respostas robustas para superarmos esta pandemia mortal. 

Falo aqui do dublê de astronauta aposentado e ministro da Ciência e Tecnologia, e ainda tenente-coronel reformado da Força Aérea Brasileira, Marcos Pontes.  Pontes tem assistido em silêncio sepulcral não apenas à declarações que desconsideram aspectos elementares do saber científico sobre as possíveis formas de controle do coronavírus, mas também no tocante aos seguidos cortes que têm sido realizados no orçamento para o sistema nacional de ciência e tecnologia.

marcos pontes 1O ministro da Ciência, Marcos Pontes, em visita ao Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais de Campinas (SP) (Foto: Helen Sacconi/EPTV Campinas) 

O astronauta transformado em vendedor de travesseiros chegou ao ministério de Ciência e Tecnologia no mínimo com o benefício da dúvida por parte das lideranças científicas brasileiras. Mas após 15 meses e poucos dias de mandato à frente do “Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações” (MCTIC), Pontes não fez nada até agora que justificasse isso.

A gestão de Pontes à frente do MCTIC é, no mínimo, pouco memorável, o que é muito grave se formos levar em conta as pesadas demandas que estão sendo colocadas sobre a comunidade científica nacional a partir da eclosão da pandemia do COVID-19. A hora seria de termos um ministro que ocupasse, junto com o da Saúde, um papel de destaque no oferecimento de explicações sólidas que servisse para dirimir quaisquer dúvidas sobre os caminhos a serem seguidos para que o governo federal possa responder aos desafios psotos de forma cientificamente informada.

Desconfio que Marcos Pontes, tal como vários outros ministros estão fazendo, optou por adotar uma posição distante para evitar choques com o chamado “setor ideológico” do governo Bolsonaro, preservando assim o seu cargo de ministro. Se for isso mesmo, estamos muitíssimo mal parados, pois este tipo de posição deixa os cientistas não apenas mal financiados para realizar pesquisas fundamentais sobre o coronavírus, mas principalmente desamparados no tocante à necessária validação do papel da ciência na solução dos problemas postos pela pandemia.

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