Rompimento da barragem da Samarco: Desastre em Mariana é o maior acidente mundial com barragens em 100 anos

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O rompimento da barragem de rejeitos da Samarco em novembro de 2015 – que destruiu o distrito mineiro de Bento Rodrigues – é o maior desastre do gênero da história mundial nos últimos 100 anos. Se for considerado o volume de rejeitos despejados – 50 a 60 milhões de metros cúbicos (m³) – o acidente em Mariana (MG) equivale, praticamente, à soma dos outros dois maiores acontecimentos do tipo já registrados no mundo – ambos nas Filipinas, um em 1982, com 28 milhões de m³; e outro em 1992, com 32,2 milhões de m³ de lama. Os dados estão presentes em estudo da Bowker Associates – consultoria de gestão de riscos relativos à construção pesada, nos Estados Unidos – em parceria com o geofisico David Chambers.

Apenas cinco acidentes com barragens de rejeitos excederam 10 milhões de m³ de lançamentos, até hoje, em todo o mundo.

A reportagem é de Noelle Oliveira, publicada por Portal EBC

Acidente de Mariana (MG)

Mas não é apenas nessa métrica (volume de rejeitos) que a tragédia mineira sai negativamente na frente. Em termos de distância percorrida pelos rejeitos de mineração, a lama vazada da Samarco quebra outro recorde. São 600 quilômetros (km) de trajeto seguidos pelo material, até o momento. No histórico deste tipo de acidente, em segundo lugar aparece um registro ocorrido na Bolívia, em 1996, com metade da distância do trajeto da lama, 300 quilômetros.

Acidente Samarco

O ineditismo numérico continua em um terceiro quesito: o custo. O investimento necessário para reposição das perdas ocasionadas pelo desastre, no caso brasileiro, está orçado pela consultoria norte-americana em US$ 5,2 bilhões até o momento. O maior valor contabilizado com a mesma finalidade, após os anos 1990, foi de um acidente com perdas próximas a R$ 1 bilhão, na China. “Essas avaliações não levam em consideração a ‘limpeza’ das áreas afetadas, nem a ‘correção’ de danos diversos os quais os reparos podem não ser economicamente viáveis ou tecnicamente realizáveis”, acrescenta o estudo da consultoria norte-americana.

“Embora os números exatos permaneçam um pouco distorcidos, a diferença de magnitude em relação a catástrofes passadas torna inequivocamente claro que o caso daSamarco é o pior registrado na história sobre essas três medidas de gravidade”, pontuaLindsay Newland Bowker, coordenadora da Bowker Associates. O estudo registra, de 1915 a 2015, um total de 129 eventos com barragens – de 269 conhecidos – e projeta, em média, um acidente grave por ano no período de uma década.

Até 2015, foram registrados 70 eventos “muito graves” com barragens em todo o mundo. A classificação leva em conta o fato de esses acidentes terem ocasionado o vazamento de, no mínimo, 1 milhão de metros cúbicos de rejeitos, cada. De acordo com a pesquisa, enquanto na década que se encerra em 1965 havia sido contabilizado 6 milhões de m³ vazados em desabamentos de barragens, na década que termina em 2015, esse número saltou para 107 milhões de m³.

O estudo prevê que a década que se encerrará em 2025 registre 123 milhões de m³ de vazamentos de barragens de rejeitos. Em termos de quilometragem, também é registrada a tendência de crescimento. Na primeira década pesquisada, eram 126,7 quilômetros tomados por lama de rejeitos. Na última década, foram 722,2 quilômetros totais, já incluindo a falha da Samarco. A expectativa para os dez anos que se encerram em 2025 é de 723,5 km.

“Todas as catástrofes na mineração são ocasionadas por erro humano e falhas ao não se seguir as melhores práticas estabelecidas, o melhor conhecimento, a melhor ciência”, pondera Lindsay.

Samarco e Mariana

A consultora complementa que os acidentes são, também, “falhas dos parceiros públicos”.”Uma das preocupações é que o Brasil permite a utilização de barragens à montante, o método menos estável de construção, com barragens grandes. Trata-se de um desvio aos conhecimentos e práticas globalmente aceitas”, explica. “No caso específico da Samarco, essa instabilidade inerente foi exacerbada por uma taxa de deposição de rejeitos e uma taxa de aumento na barragem muito superiores aos melhores padrões globais”, complementa Lindsay.

O estudo lembra, ainda, outro acidente ocorrido com barragens no Brasil, em setembro de 2014, em Itabirito, também no estado de Minas Gerais. A Herculano Mineraçãoé a responsável pela obra. Na ocasião, dois trabalhadores morreram e um desapareceu.

“As falhas da Samarco e da Herculano são apenas os dois exemplos mais recentes de um Estado que tem falhado na política nacional de mineração. Nenhuma ação foi tomada pelo governo em nível estadual ou federal para a identificar quais foram os problemas e evitar a sua manifestação com novas falhas repentinas”, conclui Lindsay.

Esta semana, o subsecretário de Regularização Ambiental da Secretaria de Meio Ambiente de Minas Gerais, Geraldo Vítor de Abreu, em depoimento à comissão da Assembleia Legislativa do Estado que investiga o desastre da barragem de Mariana, afirmou que Minas Gerais quer proibir o sistema de alteamento de barragens à montante na unidade da Federação. Procurada pelo Portal EBC, a empresa Samarco não se manifestou, até o momento, sobre os dados apresentados pelo estudo da Bowker Associates.

FONTE: http://www.ihu.unisinos.br/550931-rompimento-da-barragem-da-samarco-desastre-em-mariana-e-o-maior-acidente-mundial-com-barragens-em-100-anos

Samarco insiste, mas luta dos atingidos contra diques em Bento Rodrigues continua

Durante primeira audiência de conciliação com MPF, Samarco, Vale e BHP ignoram pauta dos atingidos e cobraram agilidade na liberação do dique que pode alagar comunidade

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O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) participou na tarde desta terça-feira (13) da primeira audiência de conciliação da ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal (MPF) contra a Samarco, a Vale e a BHP  e que pede R$ 155 bilhões em reparação aos danos causados pelo rompimento da barragem de Fundão.

Famílias manifestaram no prédio na 12ª Vara Federal cobrando direito à participação nas decisões. Dos 25 presentes, apenas 9 conseguiram entrar. Mas, a juíza Rosilene Maria Clemente de Souza Ferreira acolheu todas as questões que o MAB apresentou, incluindo Assessoria Técnica em Barra Longa, asfalto para Ponte Nova como necessidade para rota de fuga e questões envolvendo a saúde da população. No entanto, as empresas e sua multidão de advogados pautaram toda a reunião com a nova barragem em Bento Rodrigues.

Apresentado como única solução técnica para impedir a descida de rejeitos para os rios Gualaxo, Carmo e Doce, os diques são questionados por atingidos, movimentos sociais e órgãos ambientais. “Temos a clareza de que o Dique S4 é uma manobra das empresas. Não para garantir a segurança dos atingidos, conforme alegado. Mas, para garantir o futuro da expansão da atividade mineraria, a destruição da memória do crime cometido e o alagamento de um patrimônio cultural e histórico que vai expulsar definitivamente as famílias daquele território”, afirma Thiago Alves, integrante da coordenação estadual do MAB em Minas Gerais.

Thiago Alves ainda questionou o papel do Estado neste processo de debate com as empresas. “Ficou nítido como os governos e seus órgãos estão empenhados em garantir os privilégios da Samarco. Hoje, o Advogado Geral do Estado de Minas foi, claramente, o Advogado Geral da Samarco. Nenhuma palavra sobre a pauta apresentado pelas famílias. Mas, a luta contra os diques em Bento continua. É uma questão de soberania e de respeito à memória das vítimas de um crime”, completou.

Luta por autonomia e participação

Um dos acordos da reunião foi a realização três perícias: para avaliar os danos da tragédia; para verificar se as ações que estão sendo feitas estão de acordo e para avaliar a situação socioeconômica. De acordo com o procurador, estas perícias devem ser custeadas pela Samarco, mas vinculadas ao MPF.

Também ficou acertado a realização de 11 audiências públicas em localidades ao longo do Rio Doce até 16 de dezembro. Cinco delas devem ser feitas em comunidades até a Usina Hidrelétrica de Risoleta Neves, conhecida como Candonga, três em locais após esse ponto e outras três em comunidades tradicionais.

Simone Maria da Silva, atingida e integrante do MAB de Barra Longa, espera que estas reuniões possam ser, de fato, um espaço de reinvindicação e autonomia dos atingidos. Mas, questionou a decisão da realização das perícias. “Como confiar nestes estudos se será a empresa a indicar os nomes? Não faz sentido!”, reclama Simone.

O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) continua mobilizado na bacia do Rio para questionar o processo de violação de direitos que continua crescendo. Respeito à autonomia das famílias, garantia do protagonismo no processo de reparação e punição para os criminosos da mineração é parte deste grande trabalho para reconstruir a Bacia do Rio Doce que cresce cada dia mais da Mariana e foz do Rio Doce.

Com informações do G1.

FONTE: http://tragedianunciada.mabnacional.org.br/2016/09/14/samarco-insiste-mas-luta-dos-atingidos-contra-diques-em-bento-rodrigues-continua/

TsuLama: cada dia uma novidade (ruim)

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Após mais de 10 meses desde a sua ocorrência, o TsuLama causado pela Mineradora Samarco (Vale + BHP Billiton) ainda é capaz de trazer novidades ruins para quem ainda acompanha o maior incidente ambiental da mineração em nível mundial nos últimos 300 anos.

Em matéria assinada pelos jornalistas Estêvão Bertoni e José Marques e publicada pelo jornal Folha de São Paulo ficamos sabendo que a barragem do Fundão, de onde se originou o TsuLama, teve suas operações iniciadas quando a mesma ainda não estava pronta e faltavam itens essenciais para sua operação (Aqui!).

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A matéria informa ainda que já no início de suas operações, a barragem da Mineradora Samarco (Vale+ BHP Billiton) possuía problemas críticos no seu sistema de drenagem, fator que acabou sendo de importância capital na ocorrência do TsuLama em 05 de Novembro de 2015, quase 7 anos depois que Fundão começou a ser operada.

Há que ressaltar aqui que a fiscalização da construção e operação da barragem de Fundão atravessou uma gestão de Aécio Neves, duas de Antonio Anastasia e desembocou na de Fernando Pimentel. Em todo esse tempo, há que se perguntar o que faziam os gestores da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e os técnicos do DNPM . Certamente nada muito apurado em termos de fiscalização, já que se permitiu que não apenas a barragem de Fundão pudesse operar aquém dos critérios técnicos estabelecidos, mas também que a Mineradora Samarco pudesse extrapolar o volume previsto de rejeitos que seriam depositados numa barragem que já não era segura desde o início de sua operação.

O mais impressionante é que beirando completar o primeiro ano de sua ocorrência, o TsuLama da Mineradora Samarco (Vale+ BHP Billiton) permanece objetivamente impune e sem que as medidas básicas para mitigar os seus efeitos sociais e ambientais tenham sido executadas.

Em seu conjunto, esse caso é exemplar de como a omissão do Estado e o descompromisso sóci0-ambiental das mineradores se combinam para gerar destruição em grande escala.  E o pior é que no âmbito do congresso nacional estão sendo tramadas medidas para enfraquecer ainda mais o processo de licenciamento ambiental e o Código de Mineração. Aparentemente um TsuLama só não foi suficiente.

Tsulama da Samarco: muito mais de que um desastre anunciado

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No dia 31 de Agosto postei um comentário sobre a divulgação de um relatório preparado por um painel de especialistas contratados pelas mineradoras envolvidas no incidente ambiental causado pelo TsuLama da Mineradora Samarco (Aqui!).  Pois bem, neste domingo (04/09) a Folha de São Paulo publiquei um artigo assinado pelo repórter especial Marcelo Leite onde ele também nos apresenta a sua análise dos resultados do referido relatório (Aqui!).

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Dentre os aspectos destacados por Marcelo Leite um que me chamou a atenção foi o fato de que o rompimento que ocorreu no dia 5 de Novembro de 2015 foi precedido de 13 “incidentes” na barragem de Fundão entre Julho de 2010 e Julho de 2015. Em outras palavras, todos esses incidentes deveriam ter ligado uma luz de alerta bem vermelha nos escritórios da Mineradora Samarco e de suas proprietárias, a Vale e a BHP Billiton. Mas em vez disso, o que de fato ocorreu foi aplicação tácita da política de tocar a canoa até ver onde ia dar. E o resultado disso todos nós agora sabemos.

Marcelo Leite também dá uma pincelada sobre o papel que painel de especialistas deu ao tal abalo sísmico que ocorreu no dia em que o TsuLama se deu, comprando a ideia de que o evento atuou como um gatilho para algo que iria ocorrer de forma inevitável em face do uso descuidado da barragem de Fundão. Segundo Marcelo Leite, estaríamos então diante de um desastre anunciado.

É nesse quesito do “desastre anunciado” em que eu divirjo da análise que este artigo traz. Na verdade os eventos que ocorreram em Mariana no dia 05 de Novembro não tiveram nada a ver com um desastre. O que se consumou naquele dia foi uma combinação de irresponsabilidade corporativa combinada com a absoluta certeza de impunidade. Qualquer definição que omita essas duas variáveis é complacente com os atos e fatos perpretrados pelas mineradoras até aquele dia e depois dele.

Não podemos esquecer que até este momento, a Mineradora Samarco (e por consequência proprietária a Vale e a BHP Billiton) continua se omitindo de suas responsabilidades sociais e ambientais. E, pior, sob os olhos complacentes de governos e autoridades. Enquanto isso, o relógio continuava correndo e a próxima estação chuvosa se aproxima trazendo perigos incalculáveis para os ecossistemas e cidades que continuam sob o espectro da lama que ainda poderá escapar dos lugares onde se encontra bloqueada.

BHP Billiton, co-proprietária da Samarco, tem perdas bilionárias

Em um artigo publicado hoje no site World Socialist Web, o articulista Mike Head analisou as causas das perdas de cerca de 6,4 bilhões de dólares da mineradora BHP Billiton para o ano fiscal 2015/2016 (Aqui!). Estas perdas são bastante significativas e colocam a mineradora  no segundo pior posto de perdas econômicas entre as empresas australianas listadas em bolsas de valores.

Este resultado se mostra ainda mais dramático se for comparado com o resultado obtido pela BHP Billiton no ano fiscal 2010/2011 quando a empresa alcançou um lucro astronômico de 21,7 bilhões de dólares!

Entre as causas principais desse resultado desastroso foram arroladas a retração no processo de commodities minerais após 2011 e o desastre da Mineradora Samarco em Novembro de 2015 na cidade de Mariana (MG). O papel do incidente ambiental da Samarco é claramente expressivo na má fortuna que se abateu sobre a BHP Billiton, visto que  7,7 bilhões de dólares tiveram que ser alocados para cobrir, entre coisas, as reparações que terão ser pagas no Brasil. 

Como outras mineradoras, a BHP Billiton se tornou diretamente dependente das demandas oriundas do mercado chinês, o que se provou ser uma grande fragilidade quando o apetite da China por commodities minerais arrefeceu.

Para responder a essa crise, a BHP Billiton está tomando o mesmo rumo que qualquer corporação toma quando tempos difíceis aparecem: venda de ativos, redução de investimentos e demissão de trabalhadores. No caso das demissões, a BHP Billiton está estimando que irá demitir em torno de 17,000 trabalhadores, sendo que apenas na Samarco são esperadas 1,200 demissões.

Diante deste quadro todo, as expectativas de retomada das atividades da Samarco que já estavam complicadas agora certamente vão ficar ainda mais complicadas.

 

Atingidos pela Samarco no Vale do Aço sofrem com descaso da empresa

Doenças, morte de animais e a lentidão para recebimento de direitos são denunciadas durante Mutirão de Trabalho de Base

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Areeiros sem nenhuma proteção retiram areia do Rio Doce

Após nove meses do crime em Mariana, cidades atingidas pela Samarco no Vale do Aço mineiro estão sofrendo com a contaminação do Rio Doce. Em algumas cidades a população está consumindo a água com metais pesados. As denúncias não cessam. São várias as doenças de pele que surgem nas pessoas em contato com a água e animais que estão morrendo por estarem consumindo o recurso hídrico.

Atingidos do distrito de Cachoeira Escura, na cidade de Belo Oriente (MG), continuam dragando a água do Rio Doce para retirar areia, sem nenhuma instrução da empresa ou equipamentos de proteção. Como se não bastasse, pedreiros de cidades vizinhas, que usam dessa areia para trabalho, apresentam manchas e feridas na pele.

Na cidade de Naque (MG), muitos pescadores não foram sequer reconhecidos como atingidos pela Samarco. A empresa proibiu a pesca no rio Santo Antônio, afluente do Rio Doce, e não apresentou medidas paliativas para os atingidos. A proibição seria para a recuperação do rio contaminado com a lama tóxica.

Alergias, coceiras e dores estomacais são comuns depois do contato com a água do Rio Doce

Na zona rural de Naque, animais morreram ou ficaram doentes depois de beberem a água do rio. Antes do Rio Doce ficar impróprio para consumo, criações de porcos, gado e galinhas se alimentavam soltos. Hoje, ficam presos e o gasto com compra de ração aumentou. Os pequenos produtores andam quilômetros para buscar água em um brejo para dar aos animais.

Animais estão doentes e morrem depois de beberem água do Rio Doce

“Não estão nos deixando pescar, não nos dão o cartão com o salário. Nossos animais já estão passando fome, daqui uns dias somos nós”, disse Murilo Silva, atingido que até hoje não recebeu nenhuma “visita” da Samarco.

Atingido perdeu posto de trabalho. 

Em São Lourenço, distrito de Bugre (MG), a maioria das famílias é ribeirinhas, quase todos pescavam e/ou plantavam, seja para comercialização, seja para consumo próprio. Muitos perderam animais que ingeriram água do rio ou se alimentaram dos peixes mortos, que na época do rompimento da barragem, se amontoavam na beira do rio. Outro problema apresentado pelos moradores é que a água que eles consomem é retirada de um poço muito próximo ao rio e não recebe nenhum tipo de tratamento. Eles temem que ele também possa ter sido contaminado.

A Samarco, porém, não reconhece os moradores de São Lourenço como atingidos, menos de dez pessoas da localidade recebem a verba de manutenção. Em reunião realizada pela empresa a mesma se recusou até em fazer a análise da água do poço e ainda faltou com o respeito com os presentes.

Os moradores de São Lourenço também utilizavam o rio como lazer, alternativa de água quando faltava e também para transporte. É que o distrito se encontra muito próximo à Cachoeira Escura, basta atravessar o rio de balsa. Inclusive, a maioria das pessoas estuda e trabalha do outro lado do rio. Porém, com a chegada da lama, a balsa ficou dias parada, causando prejuízo para muitos trabalhadores e estudantes. No dia 11 de agosto a balsa parou novamente: encalhou devido o baixíssimo nível de água no rio Doce.

Homens tentam desatolar balsa no rio

Estas denúncias foram feitas durante o Mutirão de Trabalho de Base que o Movimento dos Atingidos por Barragens realiza em toda a extensão da bacia do Rio Doce. “Eu vim do Paraná ver com meus próprios olhos o resultado do crime da Samarco, pois a mídia não mostra. O que aparece é o problema resolvido. Fiquei surpreendido com a real situação. Estas cidades estão a quilômetros da barragem. São muitas pessoas  sofrendo as consequências da negligência da empresa”, afirma Marcelo militante do Movimento dos Atingidos por Barragens do Paraná. 

FONTE: http://www.mabnacional.org.br/noticia/atingidos-pela-samarco-no-vale-do-sofrem-com-descaso-da-empresa

Ecos do Tsulama: Justiça suspende todas as licenças ambientais da Samarco

Quase 10 meses após a erupção do TsuLama, a justiça de Minas Gerais decidiu suspender todas as licenças ambientais da Mineradora Samarco (Vale + BHP Billiton), o que poderá representar um forte obstáculo à retomada das atividades nas minas que a joint venture possui em Mariana (MG).

Essa informação acaba de ser publicada pelo jornal Folha de São Paulo  (Aqui!) que, por sua vez, repercute uma matéria produzida pela agência Reuters (ver reprodução parcial abaixo).

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A decisão da justiça de Minas Gerais implica ainda na necessidade de que a Samarco refaça o processo licenciamento para operar na área onde ocorreu o maior desastre mundial da mineração nos últimos 300 anos. Como continuo recebendo informações de que a situação em Bento Rodrigues está longe de se retornar ao normal já que a Samarco ainda não estabeleceu planos de mitigação e construtoras de estruturas de proteção para evitar novos incidentes como o ocorrido no dia 05 de Novembro de 2015. Em função, os habitantes daquela área estão muito preocupados com a estação chuvosa que se aproxima rapidamente.

Em função desse novo desdobramento, não vou ficar surpreso se a BHP Billiton decidir encerrar sua participação na Samarco, não apenas para diminuir as suas perdas financeiras mas, principalmente, na sua imagem de mineradora preocupada com a boa governança ambiental.

Agora, lamentável mesmo é a demora para que a justiça tome essa medida e outras medidas. A verdade é que até agora os únicos que perderam foram os habitantes da bacia hidrográfica do Rio Doce que tiveram suas vidas reviradas e, em muitos casos, terminadas as suas atividades básicas de sobrevivência como no caso dos pescadores de Regência.

Relações de mineradoras com peemedebistas são ameaça para meio ambiente

Código da Mineração que recebeu grande número de emendas é exemplo da influência das empresas do setor na criação da legislação

por Redação RBA
ARQUIVO/EBC

MarianaTragédia de Mariana é alerta para falta de rigor na regulação do setor da mineração

São Paulo – Para o coordenador do Movimento pela Soberania Popular na Mineração, Jarbas Vieira, o lobby das mineradoras, que buscam influenciar parlamentares no conteúdo de legislações para o setor, como o Código da Mineração (PL 5.807/13), em tramitação no Congresso Nacional, enfraquece a regulação e traz ameaças à soberania nacional e ao meio ambiente.

Em entrevista à Rádio Brasil Atual nesta manhã (11), Vieira explicita as relações próximas das mineradoras em especial com políticos do PMDB, como no caso do relator do código, deputado Leonardo Quintão (PMDB-MG), que nas eleições de 2014 recebeu cerca de R$ 2,8 milhões de doação para campanha.

A situação tende a se agravar após o processo de impeachment liderado pelo PMDB. O código, segundo Vieira, foi um dos projetos que mais receberam emendas durante a sua tramitação, num total de 372 alterações. Dessas, 113 foram encaminhadas por deputados do PMDB. Vieira chama ainda a atenção para a tramitação de outros projetos relacionados ao setor, como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 65/12, que flexibiliza os critérios de licenciamento ambiental para a mineração.

FONTE: http://www.redebrasilatual.com.br/ambiente/2016/08/lobby-das-mineradoras-enfraquece-regulacao-do-setor-2008.html

TsuLama: 9 meses de impunidade para a Vale e a BHP Billiton

Coincidência ingrata maior seria impossível. Enquanto hoje é aberto o megaevento bilionário do Comitê Olímpico Internacional (COI) na cidade do Rio de  Janeiro, os moradores das comunidades atingidas pelo TsuLama da Samarco (Vale + BHP Billiton) sofrem com uma inteira gestação de descaso e impunidade dos responsáveis pelo maior incidente ambiental em escala mundial da mineração nos últimos 300 anos!

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Não esquecer desse megadesastre é uma obrigação, especialmente num país onde as corporações mineradoras continuam reinando livremente. Se não for cobrada a devida responsabilidade da Vale e da BHP Billiton, uma coisa é certa: outros tsulamas virão! E o reservatório de Candonga está ai para nos lembrar dos riscos que persistem.

TsuLama e as chances desperdiçadas de evitar o agravamento dos seus danos

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O jornal O Tempo publicou hoje um duro editorial sob o título de “Jogo de empurra” (Aqui!) sobre a situação de extrema gravidade que está se avizinhando com a proximidade do período chuvoso na região de Mariana onde está depositada parte significativa dos rejeitos que escaparam do reservatório do Fundão da Mineradora Samarco (Vale + BHP Billiton) (ver imagem abaixo).

Editorial O Tempo

Deveria parecer incrível (mas a estas alturas nada que cerca este caso pode ser considerado assim) que após quase 9 meses da erupção do TsuLama ainda não tenham sido estabelecidas estruturas de contenção para o derrame dos rejeitos na calha do Rio Doce. Mas tais estruturas não só não foram construídas, como agora as donas da Samarco (Vale e BHP Billiton) ainda têm o displante de aparecer com uma proposta que implica na transformação do que restou do Distrito de Bento Rodrigues num depósito permanente de rejeitos.

Em outras palavras, a construção de um dique servirá para definitivamente tornar o crime ambiental cometido pelas mineradoras num grande negócio para elas mesmas. Enquanto isso, os moradores de Bento Rodrigues e os proprietários rurais que existem ao longo do caminho dos rejeitos em peões de um jogo de xadrez onde só as corporações podem ganhar.