Tsulama da Samarco: muito mais de que um desastre anunciado

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No dia 31 de Agosto postei um comentário sobre a divulgação de um relatório preparado por um painel de especialistas contratados pelas mineradoras envolvidas no incidente ambiental causado pelo TsuLama da Mineradora Samarco (Aqui!).  Pois bem, neste domingo (04/09) a Folha de São Paulo publiquei um artigo assinado pelo repórter especial Marcelo Leite onde ele também nos apresenta a sua análise dos resultados do referido relatório (Aqui!).

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Dentre os aspectos destacados por Marcelo Leite um que me chamou a atenção foi o fato de que o rompimento que ocorreu no dia 5 de Novembro de 2015 foi precedido de 13 “incidentes” na barragem de Fundão entre Julho de 2010 e Julho de 2015. Em outras palavras, todos esses incidentes deveriam ter ligado uma luz de alerta bem vermelha nos escritórios da Mineradora Samarco e de suas proprietárias, a Vale e a BHP Billiton. Mas em vez disso, o que de fato ocorreu foi aplicação tácita da política de tocar a canoa até ver onde ia dar. E o resultado disso todos nós agora sabemos.

Marcelo Leite também dá uma pincelada sobre o papel que painel de especialistas deu ao tal abalo sísmico que ocorreu no dia em que o TsuLama se deu, comprando a ideia de que o evento atuou como um gatilho para algo que iria ocorrer de forma inevitável em face do uso descuidado da barragem de Fundão. Segundo Marcelo Leite, estaríamos então diante de um desastre anunciado.

É nesse quesito do “desastre anunciado” em que eu divirjo da análise que este artigo traz. Na verdade os eventos que ocorreram em Mariana no dia 05 de Novembro não tiveram nada a ver com um desastre. O que se consumou naquele dia foi uma combinação de irresponsabilidade corporativa combinada com a absoluta certeza de impunidade. Qualquer definição que omita essas duas variáveis é complacente com os atos e fatos perpretrados pelas mineradoras até aquele dia e depois dele.

Não podemos esquecer que até este momento, a Mineradora Samarco (e por consequência proprietária a Vale e a BHP Billiton) continua se omitindo de suas responsabilidades sociais e ambientais. E, pior, sob os olhos complacentes de governos e autoridades. Enquanto isso, o relógio continuava correndo e a próxima estação chuvosa se aproxima trazendo perigos incalculáveis para os ecossistemas e cidades que continuam sob o espectro da lama que ainda poderá escapar dos lugares onde se encontra bloqueada.

Um pensamento sobre “Tsulama da Samarco: muito mais de que um desastre anunciado

  1. […] Tsulama da Samarco: muito mais de que um desastre anunciado (domingo, 4/set) Marcos Pedlowski […]

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