Barragem da CSN coloca Congonhas sobre risco grave e iminente

Congonhas

Barragem Casa de Pedra da CSN, situada logo acima da área urbana de Congonhas (MG) é considera como “propensa ao rompimento” desde 2017.

Venho publicando neste blog uma série de análises produzidas pelo arquiteto e urbanista Frederico Lopes Freire (Aqui!, Aqui! e Aqui!).  Inquieto com o que anda vendo e estupefato com a falta de resposta governamental, o arquiteto radicado às margens do Rio Doce em Colatina, norte do Espírito Santo, continua fazendo inspeções visuais em outras grandes barragens de rejeitos, onde acredita continuam persistindo os mesmos sintomas pré-colapso que estavam presentes nas Tsulamas da Mineradora Samarco em Mariana e da Vale em Brumadinho.

Abaixo publico uma imagem que Frederico Lopes Freire analisou, utilizando uma imagem de 02 de dezembro de 2018, as condições em que se encontra a barragem Casa de Pedra que é operada pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) na cidade de Congonhas onde se encontram localizadas as principais obras do escultor Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho.

Barragem Casa de Pedra - Detalhe - # 2 - 02 de dezembro de 2018

Paredes encharcadas e com deformações repetem padrão pré-ruptura de Mariana e Brumadinho.

Além das deformações que já havia identificado em suas análises anteriores, Frederico Lopes Freire identificou graves problemas numa das paredes laterais onde a presença de água está contribuindo para o encharcamento do solo a um ponto no qual a vegetação está morrendo e há o que parece ser um fluxo superficial. Todas essas condições seriam indicativas de que as paredes estão para romper, seguindo os mesmos padrões que ocorreram em Mariana e Brumadinho.

Para quem acha que Frederico Lopes Freire está tomado por um alarmismo infundado sugiro a leitura de uma reportagem escrita pelo jornalista Mateus Parreira, enviado especial do jornal Estado de Minas,  que visitou a cidade de Congonhas em Novembro de 2017 (ver imagem abaixo). Nessa reportagem, Mateus Parreira ofereceu informações importantes sobre as condições precárias do chamado “Plano de Ações Emergenciais” onde inexistiam, por exemplo, sirenes para alertar sobre emergências e sinalização de campo, treinamento adequado, mapas que simulam inundação não indicam pontos de fuga ou clareza nas rotas de fuga e pontos de encontro de eventuais desabrigados (ver infográfico abaixo).

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Assim, chega a ser inacreditável que, a despeito de tanta informação já acumulada sobre o risco grave e iminente que páira sobre Congonhas, ainda seja possível que a partir de uma inspeção visual (por olhos altamente treinados, é verdade), nada realmente de grande porte tenha sido feito pela CSN para diminuir as chances de que a represa Casa de Pedra venha a passar por um processo de ruptura causado pela liquefação de suas paredes.

E é preciso deixar claro que se as análises de Frederico Lopes Freire tem sido publicizadas apenas via este blog, pois ele tem feito um grande esforço para sensibilizar governantes e as empresas proprietários destes mega reservatórios. Mas até aqui seus esforços têm encontrado um muro mais sólido do que os das barragens que romperam ou ameaçam romper. Mas uma coisa é certa: se Casa de Pedra romper seguindo o mesmo padrão de Brumadinho e causar grande destruição humana, ambiental e urbana em Congonhas, não vai ser por falta de aviso.