Michel Moore apresenta “Planet of the Humans”

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O sempre polêmico diretor de cinema estadunidense Michael Moore lançou no “Dia da Terra” (22/04) , o  “Planet of the Humans”, um documentário que parte da premissa de que estamos perdendo a batalha para impedir o processo de mudanças climáticas porque seguimos líderes que nos levaram para um caminho errado  – vender o movimento verde para interesses ricos e empresas americanas. 

Em seus créditos no Youtube, há o alerta para a realidade que temos medo de enfrentar: que, no meio de um evento de extinção causado pela sociedade humana, a resposta do movimento ambientalista tem sido pressionar por soluções de base tecnológicas que não passam de band-aids.  

Removida do debate estaria a única coisa que pode nos salvar: controlar nossa presença e o consumo  que estão fora de controle. Por que essas questões não aparecem claramente?  Segundo Moore,  porque isso seria ruim para os lucros, ruim para os negócios.

O documentário insiste em que os ambientalistas caíram em ilusões, ilusões “verdes”, que são tudo menos verdes, porque temos medo de que isso seja o fim – e depositamos todas as nossas esperanças em biomassa, turbinas eólicas e carros elétricos.  Mas nenhuma quantidade de baterias vai nos salvar, adverte o diretor Jeff Gibbs (ambientalista e co-produtor de “Fahrenheit 9/11” e “Bowling for Columbine”). Este filme urgente e imperdível,  é um ataque frontal total às vacas sagradas do movimento ambientalista têm, segundo Moore, a garantia de gerar raiva, debate e, esperançosamente, disposição para ver nossa sobrevivência de uma nova maneira – antes que seja tarde demais.

O filme conta a história de Al Gore, Bill McKibben, Richard Branson, Robert F. Kennedy Jr., Michael Bloomberg, Van Jones, Vinod Khosla, Koch Brothers, Vandana Shiva, General Motors, 350.org, Arnold Schwarzenegger, Sierra Club, União de Cientistas Interessados, Nature Conservancy, e Elon Musk.

O “Planet of the Humans”  tem uma trilha sonoro com canções de Radiohead, King Crimson, Emerson, Lake & Palmer, Blank & Jones, If These Trees Could Talk, Valentina Lisitsa, Culpit 1, Patrick O’Hearn, The Torquays, Nigel Stanford e muito mais.

 

Sicko, SOS Saúde: aquilo no que querem nos transformar já é realidade nos EUA

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Ninguém mais do que o cineasta Michael Moore já nos mostrou o que aconteceu com a saúde nos EUA a partir da extrema privatização dos serviços hospitalares.  Moore também nos mostrou a contrapartida que aparece sob a forma da saúde pública oferecida em Cuba.  

A extrema contradição entre os dois países foi mostrada ao mundo no filme “SiCKO” que foi lançado em 2007 e até hoje expõe uma realidade que apenas se aprofundou na última década, com mais cidadãos estadunidenses sendo privados de serviços básicos de saúde.

Para quem nunca assistiu ao SiCKO, posto abaixo o filme na íntegra e dublado em português. Para quem não tiver tempo ou vontade de assistir  o filme todo, sugiro que se assista a partir de 1:44:00. 

Mas atenção: se depender dos cortes impostos pelo novo teto constitucional imposto por Michel Temer (com o voto do presidente eleito) e as sinalizações de que os cortes não só serão mantidos, como também aprofundados.

Daí que não é difícil ver que o nosso futuro será cada vez menos parecido com o presente dos cubanos. E  isso ficará ainda mais fácil de ver quando todos os mais de 8.000 cubanos do “Mais médicos” tomarem o rumo de casa.

Fareinheit 11/9: lições em meio aos caos de Michel Moore

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Até onde sei o filme “Farenheit 11/9” do diretor estadunidense Michel Moore ainda não começou a ser mostrado nos cinemas brasileiros. Eu o assisti esta semana numa sessão de cinema em Lisboa, e sai de lá com impressões discrepantes sobre o conteúdo e sobre a forma pela qual Moore construiu o seu argumento sobre os desafios que hoje ameaçam a democracia estadunidense. Em outras palavras, não consegui me decidir se o filme é bom ou ruim. Mas uma coisa eu consegui definir: vale a pena vê-lo.

Além disso, saí de lá com a impressão de que se um filme similar fosse feito no Brasil, o enredo seria muito semelhante, já que Fareinheit 11/9 trata em parte do mistério de como foi possível que um candidato que sempre viveu e se aproveitou do sistema pudesse se apresentar como antisistema e vencer.  Talvez seja porque alguns dos jogadores sejam os mesmos, a começar pelo envolvimento da Cambridge Analytics e do onipresente Steve Bannon.

Além disso, em que pese a narrativa fragmentada e as cenas emprestadas das redes sociais, os que estão hoje mais perdidos do que cachorros que caíram do caminhão de mudanças poderão aprender algumas lições valiosas de como retomar espaços que foram perdidos após mais uma década de aplicação de estratégias que basicamente desmontaram a capacidade de ação organizada da classe trabalhadora em prol de uma sociedade capitalista sem conflitos de classe. Só por esse detalhe, assistir o “Farenheit 11/9″ de Michel Moore.