Anglo American demite centenas de trabalhadores em Conceição do Mato Dentro

boletim forte

A possibilidade que a Anglo American venda suas operações no Brasil já vem sendo anunciada desde que Cynthia Carroll foi demitida do cargo de CEO da empresa. É que uma das causas da sua demissão estão as bilionárias perdas que foram causadas pela aquisição das minas de ferro em Conceição do Mato Dentro e do mineroduto Minas-Rio.

Agora que os preços mundiais do minério de ferro estão deprimidos a Anglo American está adotando a cartilha conhecida para manter seus lucros bilionários: vendas de ativos problemáticos e demissões de trabalhadores.

Como a Anglo American é a principal parceira da Prumo Logística no Porto do Açu, pode ser que as demissões que estão ocorrendo no lado de lá do mineroduto Minas Rio cedo ou tarde tenham efeitos igualmente perniciosos para os trabalhadores e para as comunidades locais em São João da Barra.  E aviso que não se trata de torcer contra o Porto do Açu ou, menos ainda, desejar que o sofrimento já imposto ao povo sanjoanense em nome de um suposto processo de desenvolvimento seja ampliado.  Nada disso! Trata-se apenas de ligar os pontos e fazer um prognóstico. 

Metabase paralisa mina em Conceição do Mato Dentro para protestar contra demissões na Anglo American  

Os diretores do Sindicato Metabase de Itabira e Região estão desde ontem, 3 de fevereiro, em Conceição do Mato Dentro em manifestação contra a Anglo American que ameaça demitir aproximadamente 400 trabalhadores. Alguns, inclusive, já começaram a fazer as homologações rescisórias esta semana.O presidente do Metabase, Paulo Soares de Souza (PSB) se reuniu com os trabalhadores nesta quinta-feira, parou os ônibus que iam para a mina e discursou a favor da manutenção do emprego.

Segundo informações divulgadas pela diretoria do Metabase, a Anglo está abrindo um “pacote de terror” ao iniciar uma demissão em massa.  “Após os trabalhadores terem contribuído com seu suor, concordarem com reajuste salarial abaixo da inflação no último Acordo Coletivo de Trabalho, abriram mão da jornada de 6hs nos turnos de revezamento em troca da empregabilidade, a empresa vem com seu pacote de terror efetuando demissão em massa nas minas de Conceição do mato Dentro”, divulgou a direção da entidade.

Para o Metabase de Itabira e Região, não há justificativa para as demissões na Anglo American. Segundo a entidade, a própria empresa apontou um cenário de recuperação nas vendas e no preço do minério de ferro no ano passado, o “que torna ainda mais injustificável as demissões”.

FONTE: http://www.viacomercial.com.br/anglo-american-sindicato-metabase-protesta-contra-demissoes-em-conceicao-do-mato-dentro/#prettyPhoto

Minas-Rio, nas duas pontas do mineroduto quem sofre e perde são os pobres

A matéria abaixo é do jornal O TEMPO  e é assinada pela jornalista Juliana Baeta e trata de de algo que foi praticado ao cansaço no V Distrito de São João da Barra: a remoção de pessoas pobres de terras que ocupavam por sua vida inteira para entregá-las, neste caso, à Anglo American. O exame do conteúdo da matéria mostra ainda a existência de negócios mal explicados e à ação da justiça para beneficiar a empresa bilionária  e não a camponesa idosa.

Agora uma coisa que a matéria aponta e que deverá acender mais luzes vermelhas entre os donos do Porto do Açu, qual seja a notícia de a Anglo American agora reconhece publicamente que o sistema Minas-Rio não é sua prioridade.  Em outras palavras, que a Anglo American pode se livrar do abacaxi representado pelas minas de Conceição de Mato Dentro a qualquer momento.

A pergunta que fica para as duas pontas do mineroduto da Anglo American é a seguinte: por que então expulsar camponeses pobres de suas terras e colocá-los ao final da sua vida em condição de completa humilhação e desrespeito? A resposta pode ser muito simples… “AS TERRAS”!

 

Anglo American despeja idosa para não ‘atrapalhar’ expansão de mina

Ação envolveu 20 PMs para retirar a mulher de 85 anos de casa e aconteceu um dia depois de a mineradora afirmar que o Minas-Rio não é sua prioridade

expropriação

Natalina Pelo menos 20 policiais militares realizaram a ação de reintegração de posse na propriedade de Natalina nesta quarta-feira Natalina Natalina, de 85 anos, que nasceu e morou em Conceição do Mato Dentro durante toda a sua vida, foi retirada de sua casa pela PM nesta quarta-feira Natalina Antes do despejo, Natalina recebe apoio de outros moradores da região e dos advogados populares

JULIANA BAETA

Cerca de 20 policiais militares estiveram em Conceição do Mato Dentro, na região Central de Minas, nesta quarta-feira (9) para despejar uma idosa de 85 anos de sua casa em uma ação ajuizada pela mineradora britânica Anglo American. A propriedade dela fica na área onde será feita a expansão da mina do projeto Minas-Rio e está no meio de uma negociação confusa entre a mineradora e familiares da idosa.

Natalina Ferreira da Silva, que nasceu e viveu na cidade até então, foi retirada de sua propriedade junto a seus dois filhos que têm deficiência mental. Um deles precisou ser medicado às pressas durante a ação. Por ter mal de Parkinson, ele teve uma crise de tremedeira após ficar nervoso com a situação.

A idosa, que também sofre de problemas cardíacos e outros males causados pela idade avançada, está se sentindo muito mal e é acompanhado de perto por advogados que se uniram para tratar da questão. Como a mineradora também não liberou o dinheiro depositado para que ela possa adquirir uma nova moradia, Natalina terá que ir para a casa de um familiar em Vespasiano, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, junto aos filhos. Se não fosse isso, ela ficaria na rua.

Negociação

O advogado Élcio Pacheco, que acompanha o caso, explica que em 2011, um sobrinho distante de Natalina firmou um contrato que ele classifica como arbitrário com funcionários da Anglo para vender a propriedade. “Quando estourou a onda de mineração na região e muitas pessoas ouviram dizer que estavam sendo pagas boas quantias de indenização, muitos picaretas vieram atrás de dinheiro. Um deles é este parente de dona Natalina, que nunca havia sequer vindo à região antes disso”, conta.

Conforme Pacheco, o sobrinho assinou um contrato representando a família junto a funcionários da Anglo que estavam na região. Desde então, ele está desaparecido. A ação foi suspensa pelos advogados em 2012. “Mas agora, três anos depois, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais decidiu reverter essa decisão e confirmou o despejo”, explica.

Com a “venda” das terras por um familiar não registrado, a família de Natalina amarga um prejuízo de mais de R$ 5 milhões. Um inquérito policial será aberto para que o parente desaparecido seja investigado. “O que aconteceu foi um festival de nulidade. Esse parente se juntou a funcionários da Anglo para dar um golpe na família. A empresa deveria, no mínimo, ser obrigada a reassentar a família, mas nem isso eles estão fazendo”, diz ainda o advogado. Como a liminar referente a reintegração de posse é provisória, os advogados entrarão com recursos para tentar reverter a decisão.

Esta não é a primeira vez que a empresa tenta despejar Natalina de sua propriedade. Os advogados populares do Coletivo Margarida Alves, que também acompanham os conflitos relacionados a ações de despejo na região, lembram que há anos Natalina e a família sofrem pressão por parte da Anglo American para deixar o imóvel.
Segundo o coletivo de advogados, a mineradora chegou a afirmar que liberaria o dinheiro depositado judicialmente se a família desistisse de todas as ações ajuizadas contra a empresa.

Resposta

A Anglo American informou que “a reintegração na posse do imóvel da Anglo American Minério de Ferro Brasil, até então ocupado pelo núcleo familiar” de Natalina foi feita por dois oficiais de Justiça acompanhados pela Polícia Militar “e se deu de forma pacífica e respeitosa”.

A empresa ainda afirma que o contrato de venda e compra do imóvel foi assinado em 2011 e que desde então a mineradora “tentou, por diversas vezes, negociar com a Sra. Natalina, filhos, filhas, genros, noras e procurador para que a propriedade fosse desocupada de forma voluntária”.

Segundo a Anglo American, houve o pagamento de “um valor considerável” no ato da assinatura do contrato, mas a assessoria não soube informar para quem este valor teria sido pago. Além disso, a empresa informa que o restante do valor “deverá ser depositado em juízo devidamente corrigido e disponível ao núcleo familiar assim que eles cumprirem com o contratado com a Anglo American”.

Projeto

O Minas-Rio é um complexo minerário composto por mina, em Conceição do Mato Dentro, minerotudo e porto, em São João da Barra (RJ). O mineroduto é o maior do mundo, com 537 quilômetros de extensão ligando as duas pontas do projeto. A ação de despejo da idosa aconteceu um dia depois que o executivo-chefe da mineradora, Mark Cutifani afirmou que “o custoso projeto Minas-Rio”, de US$ 8,8 bilhões, não é a prioridade número um para a companhia. No ano passado, o especial “Um mineroduto que passou em minha vida” publicado por O TEMPO e O Tempo Online, mostrou o rastro de destruição deixado pelo Projeto Minas-Rio nas 32 cidades por onde passa.

FONTE: http://www.otempo.com.br/cidades/anglo-american-despeja-idosa-para-n%C3%A3o-atrapalhar-expans%C3%A3o-de-mina-1.1187463

Depois de Mariana o medo se espalha. Barragem da Anglo American em Conceição do Mato Dentro causa alarme

Comunidade rural não dorme com medo de barragem ceder 

Suspeitas de trincas em estrutura e questionamento do MPMG reforçam temor

CONCEIÇÃO DO MATO DENTRO/ Por JOÃO RENATO FARIA,  ENVIADO ESPECIAL

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Quando a dona de casa Marlene Carvalho, 59, passa as mãos calejadas pelo rosto, fica evidente que ela está cansada. Desde o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, na região Central de Minas, no último dia 5, ela não consegue dormir direito. O medo é que a tragédia que devastou o distrito de Bento Rodrigues se repita na sua casa, que fica na comunidade de Água Quente, em Conceição do Mato Dentro. Apesar de estar oficialmente na região do Alto Jequitinhonha, a cidade fica a 167 km da capital. O imóvel simples será um dos primeiros a serem atingidos pela onda de rejeitos caso a barragem construída há cerca de dois anos, como parte da operação Minas-Rio, da mineradora Anglo American, ceda. Todo o vilarejo seria soterrado em nove minutos.

“Aqui, acabou o sossego. Como é que dorme sabendo que pode acontecer uma coisa dessas?”, questiona Marlene. A preocupação é compartilhada pelas 46 famílias que moram no lugarejo, atingido duramente pela instalação da indústria de extração de minério de ferro. Em pé de guerra com o empreendimento desde o início da operação, os moradores desconfiam do estado da barragem. Problemas como licenciamentos ambientais concedidos de forma acelerada e o descumprimento de condicionantes estabelecidas em contrato também são alvos de questionamentos do Ministério Público de Minas Gerais.

“Pessoas que trabalham lá dentro nos disseram que ela tinha pelo menos três trincas grandes”, diz o lavrador José Helvécio Cesário, 57, marido de Marlene. Ele visitou Bento Rodrigues após a tragédia. “Eu já tinha medo, mas fiz questão de ir ver de perto o que pode acontecer com a gente. Foi muito triste ver aquela devastação”.

Moradora de Água Quente desde que nasceu, Maria das Graças Reis, 67, reclama da falta de um sistema de alerta com sirenes. “Não instalaram nada, porque falam que não precisa preocupar, que é tudo seguro. Mas não é o que falavam em Mariana? A verdade é que, se essa barragem estourar, a lama vai levar a gente embora, não dá nem tempo de correr”, lamenta.

Proprietário de uma fazenda que também seria atingida por um eventual rompimento, o comerciante Lúcio Guerra Júnior, 49, diz que o Plano de Ação Emergencial (PAE) da Anglo American detalha que, como está localizada em um vale, com pouquíssimos obstáculos no caminho, a comunidade seria engolida em nove minutos. Água Quente está a 3 km do dique da represa.

Relembre

Mineroduto. Em 2014, um caderno especial de O TEMPO mostrou as dificuldades da comunidade de Água Quente com a instalação do mineroduto que liga a mina ao porto de São João da Barra (RJ).

Atividade trouxe problemas

Não é só o risco de um rompimento que provoca temores nos moradores de Água Quente. Problemas típicos de cidade grande, como acidentes de trânsito e violência, têm tirado o sossego do lugarejo.

“Aqui nunca tinha tido crime. Mas no começo do ano me assaltaram, levando R$ 500 em dinheiro e uma moto que eu tinha. Isso é gente que veio para cá por causa da mina”, diz o lavrador José Lúcio Reis, 47. Ele também se acidentou duas vezes com os veículos da Anglo American.

“Em um deles, eu fui atropelado e quebrei a clavícula. Fiquei três meses parado, disseram que iriam me ajudar, mas nem aqui para ver como eu estava vieram”, conta Reis, que não registrou boletim de ocorrência do acidente.

Mineradora nega risco de rompimento

A mineradora Anglo American, responsável pela construção da barragem, negou em nota que a construção ofereça qualquer risco e garantiu que não existem trincas que ameacem a integridade da estrutura de contenção de rejeitos do Sistema Minas-Rio.

“Ela foi projetada, construída e é operada em conformidade com rigorosos critérios e requisitos de segurança, e conta com atestado de declaração de estabilidade emitido por empresa especializada”, afirma.

Ainda segundo a empresa, a barragem passa por fiscalizações anuais de técnicos da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) e do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), sendo que a última foi realizada no dia 31 de julho deste ano. Além disso, a Anglo American garante ter equipes de prontidão na área da mina para atendimentos de emergência. 

FONTE: http://www.otempo.com.br/cidades/comunidade-rural-n%C3%A3o-dorme-com-medo-de-barragem-ceder-1.1181178

Mariana e São João da Barra: em meio a minas, minerodutos e portos, agoniza o Neodesenvolvimentismo neoextrativista

porto do açu

A tragédia social e ambiental causada pela explosão de duas lagoas de rejeitos tóxicos em Mariana (MG) possui paralelos que merecem ser analisados com o que temos vivido no Norte Fluminense, mais precisamente no V Distrito de São João da Barra. 

É que se à primeira vista não há qualquer ligação meritória de ser notada, eu aponto que o caso é justamente o contrário, tantas são as coisas que ligam esses dois casos. Então vejamos os pontos de ligação:

  1. Em Mariana temos uma mina que é explorada por uma “joint venture” formada pela Vale e pela mineradora australiana BHP Billiton, a Mineradora Samarco, que transporta o minério extraído por meio de um mineroduto que termina em Anchieta (ES), e é ali exportado via o Porto de Ubú. 
  2. Em São João da Barra, temos um porto controlado por uma corporação estudanidense (a EIG Global Partners que aqui se apresenta como Prumo Logística Global) que irá exportar minério extraído por uma corporação sul africana, a Anglo American, que transporta o minério extraído em Conceição do Mato Dentro (MG) por um mineroduto operado pela Ferroport, uma joint venture formada pela Prumo Logística Global e por ela própria (i.e., Anglo American).

Então o que temos unindo Mariana, Conceição do Mato Dentro em Minas Gerais com Anchieta no Espírito Santo e São João da Barra no Rio de Janeiro? Além de minas de minério de ferro, minerodutos e portos, eu acrescentaria graves riscos sociais e ambientais, com episódios ocasionais que misturam tragédia humana, graves prejuízos ao ambiente natural e omissão dos responsáveis, sejam eles privados ou estatais.

Além disso, o que está acontecendo  nessas minas, minerodutos e portos expõe de forma emblemática os intestinos do modelo Neoextrativista disfarçado de Neodesenvolvimentismo que embalou boa parte dos investimentos de infraestrutura que foram e estão sendo realizados por todo o território nacional desde o início do governo Lula para transformar o Brasil na maior potência mundial de commodities.

Assim, o que foi enterrado ontem em Mariana não foram apenas casas, seres humanos e seus sonhos de vida, mas um modelo de inserção do Brasil na economia globalizada. É justamente esse modelo Neoextrativista que começou a sangrar quando a China iniciou a esfriar sua demanda por commodities minerais e agrícolas que estrebucha diante de nós. O problema é que como não existe uma alternativa pensada a um modelo que se esgotou muito mais rápido do que seus mentores pensavam que iria, teremos provavelmente que continuar imersos na lama que tudo isto efetivamente representa para o Brasil.

Um pequeno consolo que eu tenho é que, dado o tamanho da tragédia que ocorreu em Mariana, é provável que determinados processos que dormitavam em gavetas empoeiradas agora ganhem “tracking” e velocidade, de forma que possamos finalmente ver alguns desdobramentos concretos para a reparação dos graves prejuízos que já foram causados pelo Neoextrativismo contra os segmentos mais pobres e politicamente marginalizados da população brasileira, seja em Mariana, Conceição do Mato Dentro, Anchieta ou São João da Barra. 

Rede que defende atingidos pelo mineroduto Minas-Rio denuncia ações da Anglo American em Conceição do Mato Dentro (MG)

ANGLO AMERICAN, EM CONCEIÇÃO DO MATO DENTRO, É SINÔNIMO DE DESRESPEITO E VULNERALIZAÇÃO DE PESSOAS

ATINGIDOS

Voltamos a público para alertar a população de Conceição do Mato Dentro que a prática de fragmentação de comunidades, com frequência utilizada pela mineradora Anglo American, está atingindo agora o meio urbano. O argumento principal continua sendo a ameaça de desemprego. Os fatos nos levam a crer que se busca obter a desestabilização política e social como tática para se obter a liberação de anuências em desconformidade com as leis municipais e os protocolos /acordos assumidos anteriormente.

A estratégia da fragmentação de conterrâneos e da transformação deles, pela perda da identidade que os unia e a adoção da lógica da empresa (de romper os laços de reconhecimento entre partes valorizadas de uma mesma comunidade), conseguiu cindir a cidade, transformar cidadãos, famílias, diferentes grupos sociais, em sujeitos antagônicos e, algumas vezes, adversários desafiados à revanche.

No ardor de legitimar suas aberrações, a Anglo ameaça desempregar e rescindir contratos de aluguel /prestação de serviços. Atira todos ao caos e, de forma antiética e estúpida, ameaça atirar-nos no fratricídio.

O projeto Minas-Rio é pau que nasceu torto. Foi elaborado a toque de caixa pela MMX, com tecnologias ultrapassadas e com o discurso de baixo custo logístico em razão da utilização do mineroduto que não considerou as consequências e impactos ambientais sistêmicos. Chegou a Conceição de forma disfarçada enquanto fazenda de criação de cavalos de raça. Comprou terras com valores díspares e vendia a ideia de negócio sustentável do ponto de vista social e ambiental.

À medida que obtinha licenças, facilitadas pelo governo estadual e uma sucessão de prefeitos, a Anglo American foi assumindo seu caráter coronelista, a ponto de tripudiar de autoridades, particularmente daquelas mais complacentes, que acreditavam ou passavam a ideia de terem boa fé em quem, os fatos vêm demonstrando, não é merecedor de tanta consideração.

Parece patente agora que a Anglo American quer passar seu negócio pra frente, da mesma forma que Eike Batista o fez em 2008, ajustando as tratativas e licenças ambientais, antes de vender o projeto Minas-Rio, e dar início ao seu depois frustrado enriquecimento. A Anglo American quer porque quer obter a anuência (sem que tenha sido feito Estudo de Impacto Ambiental) da Etapa 3 do empreendimento quando ainda não licenciado a Etapa 2. A pretensão de ocupação do território pela empresa parece algo tão desordenado quanto a reprodução de células cancerígenas.

Qual a justificativa para um empreendimento exigir duas (02) novas licenças de acréscimo de áreas antes mesmo de completar um ano de licença de operação de uma área que, segundo estudos da própria empresa seria equivalente a 05 anos de exploração?

Agora, o aviso de férias coletivas de 200 empregados da empresa mineradora, mesmo que tenha sido garantido a eles os direitos assegurados pela legislação trabalhista, passou a ser utilizado como ameaça e justificativa para transpor o controle de legalidade e o esvaziamento de valores de solidariedade a tantos outros trabalhadores rurais que tiveram seus empregos e produção ameaçados pelos impactos causados pela mesma empresa. São os Antônios, Zés, Marias, Ritas, Anas, Raimundos, Pedros, Bentos e tantos outros que tiveram e continuam tendo suas vidas, destinos e produção inviabilizada por tantos anos e sem quaisquer garantias, nem mesmo de que a lei seria cumprida.

Lamentamos que o mesmo clamor social não tenha ocorrido em novembro de 2013 quando 172 trabalhadores foram resgatados em obras da Anglo American, em condições análogas à de escravo, incluindo 100 haitianos e 72 nordestinos. Tampouco os conceicionenses manifestaram-se diante da reincidência do flagrante em maio de 2014, com mais 185 trabalhadores submetidos a condições análogas às de escravo pela fiscalização do Ministério do Trabalho e pelo Ministério Público do Trabalho. http://reporterbrasil.org.br/2014/05/fiscalizacao-volta-a-flagrar-escravidao-em-megaobra-da-anglo-american/

E o muitos continuam assistindo da janela, sem estranhar o massacre de conterrâneos, considerando normal este processo de dominação econômica, jurídica, política, social, territorial. Alguém se pergunta o que está por trás das férias coletivas da Anglo… Da interrupção de compromissos…

-A inviabilidade da produção em razão da escassez de água que levou o interrupção na captação do Rio do Peixe para uso no mineroduto?

– A redução de gastos já anunciada publicamente desde julho/2015 para viabilizar maior lucratividade?
– O plano de fragmentação maciça da comunidade para deixar novamente acéfala uma cidade?
– Dividir cidadãos e transformar a cidade em uma arena de gladiadores?
– Chantagear para superar limitações legais?
– Responsabilizar os atingidos e os técnicos encarregados do controle de legalidade a responsabilidade da redução dos 53.000 postos de trabalhos em todo o mundo já anunciada pela empresa desde julho de 2015. http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/mineradora-anglo-american-ira-demitir-53-000-em-todo-o-mundo

A Anglo que pretende encurralar a administração pública municipal e os órgãos licenciadores é a mesma que recusou-se a participar de audiência pública do Sapo no dia 02 de julho de 2015, ocasião em que teria obrigação de informar aos cidadãos e interessados o projeto de expansão da Mina do Sapo (Etapa 2).

É também a mesma que recusou-se a participar da reunião convocada pelos secretários estaduais, membros da comunidade e da Mesa Estadual de Diálogo e Negociação Permanente sobre Ocupações Urbanas e no Campo no dia 26/05/2015 em Conceição do Mato Dentro .

É a mesma que continua se recusando a cumprir as condicionantes, compromissos públicos e obrigações legais assumidas.

Não iremos nos calar diante de tantas irregularidades. Somos todos conceicionenses.

REAJA – REDE DE ARTICULAÇÃO E JUSTIÇA AMBIENTAL DOS ATINGIDOS PELO PROJETO MINAS-RIO

FONTE: http://conflitosambientaismg.lcc.ufmg.br/noticias/anglo-american-em-conceicao-do-mato-dentro-e-sinonimo-de-desrespeito-e-vulneralizacao-de-pessoas/

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E aí, governador Pimentel, é água ou mineroduto?

charge MG

por Luiz Paulo Guimarães de Siqueira*

Minas Gerais enfrenta talvez a pior crise hídrica de sua história. Em pleno janeiro, período normalmente chuvoso e com abundância de água, o estado registra que cerca de 140 municípios já adotaram medidas de restrição e limitação no fornecimento de água.

Sem dúvida, esta situação não surge fortuitamente, mas sim, reflexo de uma longa trajetória de ausência de planejamento público por parte do Estado e, também, fruto de gestões marcadas por deixar Minas, literalmente, em choque.

A grave situação de falta d’água está mais intensa na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Se, por um lado, se constitui como a região de maior adensamento populacional, por outro, a RMBH juntamente com o Colar Metropolitano se configuram como a região de maior intensidade das atividades minerárias no estado.

De acordo com o 2º Relatório de Gestão e Situação dos Recursos Hídricos de Minas Gerais, publicado pelo IGAM em janeiro de 2015, a mineração foi o quinto setor que mais obteve outorgas para uso de água em 2013. Mas, somente analisar o número de usos outorgados podem nos levar a uma interpretação equivocada sobre quem são os atores que mais consomem água em MG. Pois não podemos deixar de levar em conta que há uma significativa diferença entre o volume de água outorgado para atender o consumo humano, por exemplo, do que o volume utilizado para atender a exploração mineral.

Neste contexto, chama a atenção a petulância das grandes corporações da mineração de optarem pela utilização de minerodutos para exportar nossos minérios. Para quem não conhece, minerodutos são grandes tubulações que transportam minério diluído em volumosas quantidades de água, formando uma polpa de minério, semelhante à borra de café, sabe?

Como o minério precisa ser diluído e bombeado por água, os minerodutos precisam manter a pressão para conduzir o minério. E é por isso, que para além do alto consumo de água para a formação da polpa do minério, os minerodutos inerentemente causam diversos impactos ambientais. Pois para manter a pressão do bombeamento, os dutos têm de desviar dos morros, percorrendo dessa maneira os vales, que são as regiões onde estão concentrados os cursos d’água, brejos, nascentes, as melhores áreas de plantio e moradia.

Em Minas, há hoje diversos minerodutos de pequeno porte, como o caso do projeto da MMX em São Joaquim de Bicas, que provocou grandes transtornos na região, destruindo nascentes e prejudicando produtores rurais e o abastecimento de água. Mas há, também, minerodutos de grande porte, que levam os minérios da mina até o litoral, onde são exportados através dos portos. No caso dos grandes minerodutos, o estado conta atualmente com 8 projetos, 4 já em operação e mais 4 que pleiteiam as licenças ambientais. Sobre estes, vamos tentar entender como funcionam e o quanto de água estão tirando dos mineiros.

A Vale/Samarco possuem 3 minerodutos ligando a Mina Alegria, em Mariana, até o porto de Ubú, no Espirito Santo. Depois de anos destruindo os mananciais de Mariana e Ouro Preto, essas mineradoras não tiveram alternativa a não ser captar água instalando uma adutora para utilizar 82% do potencial hídrico do Rio Conceição no distrito de Brumal, em Santa Bárbara.

Moradores da região alegam que na época de estiagem o rio termina, literalmente, no ponto de captação para o duto. São utilizados para a funcionamento dos 3 minerodutos cerca de 4.400m³/hora. Não se pode esquecer que em 2010, um dos minerodutos da Samarco/Vale rompeu no município de Espera Feliz, causando um grande desastre ambiental jorrando lamas de minérios, inviabilizando o abastecimento público da cidade e ocasionando a mortandade de toda biodiversidade afetada.

A multinacional Anglo American se orgulha em dizer que é dona do maior mineroduto do mundo. Com cerca de 525 km, o projeto Minas-Rio parte de Conceição do Mato Dentro até o Porto de Açu em São João da Barra (RJ). A mineradora capta 2.500m³/hora da região e desde sua chegada tem causado grandes transtornos e prejuízos às comunidades no entorno. Tem o orgulho de dizer que o processo de licenciamento ambiental do projeto possui 364 condicionantes e que, diga-se de passagem, sem quase nenhum cumprimento.

Ao iniciar a operação do mineroduto em 2014, foram visíveis as consequências no ambiente, com drásticos assoreamentos dos córregos, mortandade de peixes, de gado e a inviabilização do uso social da água na região.

A Ferrous Resources, empresa de capital estritamente estrangeiro, pleiteia a instalação de um mineroduto partindo de Congonhas até um porto em Presidente Kennedy (ES). Inicialmente, seu projeto era de partir de Brumadinho, através da exploração da Serra da Moeda, também conhecida como Monumento Natural Mãe D’água, mas graças à forte resistência das comunidades quilombolas e do Abraço da Serra da Moeda a mineradora foi obrigada a ajustar seu projeto.

A Ferrous, que em seu projeto alega a intenção de possuir dois dutos, vai captar 3.400m³/hora do Rio Paraopeba, manancial fundamental para o abastecimento da RMBH. Em seu processo de negociação com as famílias atingidas a mineradora possui um legado de sistemáticas violações de direitos humanos, sendo alvo, por exemplo, de representações do Ministério Público Federal.

Além disso, o mineroduto ameaça a segurança hídrica de milhares de comunidades rurais e cidades inteiras como é o caso de Viçosa e Conselheiro Lafaiete. As prefeituras de Paula Cândido e Viçosa, assim como as Câmaras Municipais, estão empenhadas para impedir o retrocesso que representa a passagem do mineroduto na região, ajuizando inclusive ações judiciais contra a mineradora.

A Manabi, que pretende instalar uma mega-mina em Morro do Pilar, também pleiteia a instalação de um mineroduto para transportar o minério de ferro. Marcado por grandes tensões, o processo de licenciamento ambiental do empreendimento tem sido feito na marra, causando muita polêmica.

Entre os vários motivos destacam-se a iminência de destruição de fragmentos de mata atlântica primária, a negligência da existência de comunidades tradicionais e destruição de trechos do patrimônio histórico e cultural da Estrada Real. A Manabi pretende captar cerca de 2.850m³/hora, degradando ainda mais a bacia do Rio Santo Antônio já tão afetada por grandes empreendimentos.

Em 2014, a Prefeitura de Açucena revogou as autorizações concedidas à mineradora após a compreensão que somente destruições o empreendimento deixaria à cidade.

O povo do semiárido mineiro parecia a salvo destes tipos de empreendimentos, pois a região apresenta sérias dificuldades de acesso à água e se já não bastasse a árdua luta dos geraizeiros e comunidades tradicionais contra as eucalipteiras que, sem nenhum pudor, tratam de grilar grandes terras no Vale do Jequitinhonha e Norte de Minas. Mas as mineradoras não ligam muito para a dificuldade de abastecimento do povo não.

A Sul Americana Metais (SAM), do grupo Votorantim, pretende explorar 25 milhões de toneladas de minério de ferro por ano no município de Grão Mogol. E por incrível que pareça, a ousadia da mineradora não tem limites, pretende escoar o minério através de um mineroduto. Serão captados da região 6.200m³/hora para viabilizar o empreendimento.

Lamentavelmente, o IBAMA é condescendente com esse crime e tem conduzido de forma arbitrária o licenciamento, chegando a marcar audiências para fevereiro de 2015, em um gesto de que planeja licenciar o mineroduto às pressas. O Ministério Púbico Estadual e laudos de pesquisadores da UFMG e UNIMONTES denunciam o não reconhecimento de comunidades tradicionais no processo e a inviabilidade de se instalar um empreendimento desta natureza em um local onde, simplesmente, não há água.

Se somarmos os volumes de água utilizados por estes projetos chegaremos ao escandaloso valor de 19,350m³/hora.

De acordo com o diagnóstico dos Serviços de Água e Esgoto do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, do Ministério das Cidades, o consumo médio per capita de água, em Minas Gerais, é de 159 litros por dia. Ou seja, o valor consumido por estes projetos minerários equivale ao abastecimento de cerca de 2.900.000 mineiros ou, o suficiente para atender a demanda de quase 50% da RMBH.

Quando se pergunta às mineradoras do porque de se optar pelo transporte via minerodutos, a resposta, obviamente, é meramente e exclusivamente econômica. Segundo dados das próprias empresas, o custo operacional para se transportar minério de ferro via ferrovia é, em média, de 18,00 US$/ton, já por minerodutos, a média é de 2,00 US$/ton.

Ou seja, a implantação de minerodutos nada mais é que uma estratégia de maximizar o lucro dos acionistas destas grandes corporações. Quem ficar sem água no caminho que se vire…

Os minerodutos possuem algo em comum. Além de todos os projetos possuírem inquéritos instaurados no Ministério Público, ambos estão sendo licenciados pelo IBAMA, mas contaram e ainda tem contado até o momento com o apoio do Governo do Estado.

Uma das características do choque de gestão foi utilizar todo o aparato da máquina pública para beneficiar, à revelia da legislação ambiental, os empreendimentos minerários privados.

Os Governos do PSDB (Aécio Neves 2003 – 2010 e Antônio Anastasia 2011 – 2014) assinaram decretos que declaram de utilidade pública as implantações dos minerodutos para fins de desapropriação e, ainda, colocam a serviço das mineradoras a empresa estatal CODEMIG para realizar o serviço sujo.

Os decretos, assim como a emissão das outorgas para uso de água emitido pelo IGAM, foram assinados antes mesmo da concretização dos processos de licenciamento ambiental, ou seja, sem saber se há a viabilidade ambiental e técnica dos empreendimentos, o Estado tratou de reconhecê-los como fatos consumados.

Ao longo de dois anos, a Comissão Extraordinária das Águas da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realizou um importante e valioso trabalho sobre a questão hídrica no estado.

Em seu relatório e a partir das audiências públicas realizadas, ficou nítida a compreensão e o posicionamento categórico da Comissão em relação aos minerodutos, pois estes representam graves retrocessos na politica estadual de recursos hídricos e devem ser contundentemente impedidos.

Com a demarcação das áreas denominadas “faixa de servidão para mineroduto”, milhares de pessoas estão com sua soberania ameaçada e seus projetos de vida em risco.

Em todas as regiões do estado onde estas mineradoras projetam a implantação destes empreendimentos têm encontrado forte contestação e resistência popular. O que é natural, visto que as comunidades não são envolvidas nos processos de escolha e não possuem o menor controle sob suas riquezas minerais.

O atual modelo de mineração adotado pelo Estado Brasileiro não tem nada a oferecer ao Brasil, a não ser um rastro de miséria e destruição social e ambiental ao povo brasileiro.

Governador Fernando Pimentel, o senhor foi eleito sob o lema “ouvir para governar”, e muitos dos que estão sofrendo com as mazelas da mineração em Minas creditaram e acreditaram neste lema ajudando a eleger este novo Governo.

O povo mineiro já fez a sua opção, não quer assistir às suas águas, casas, nascentes, plantações, culturas, memórias, suor, comunidades e minérios entrando pelo cano; queremos sim, o quanto antes, nos livrarmos destes projetos que nada tem a nos oferecer e empenharmos conjuntamente para garantir a segurança hídrica do estado e isto, significa, definitivamente, enterrarmos de vez esta infeliz ideia de mineroduto.

*Membro da Coordenação da Campanha Pelas e Contra o Mineroduto da Ferrous e militante do Movimento Pela Soberania Popular Frente à Mineração (MAM)

FONTE: http://campanhapelasaguas.blogspot.com.br/2015/01/e-ai-governador-e-agua-ou-mineroduto.html

O Tempo: Mineroduto vai gastar uma Montes Claros e meia de água

Para levar minério de Grão Mogol (MG) para Ilhéus (BA) serão necessários 6.200 m3 por dia

Mineroduto Minas Rio

Uso. Em Minas, há quatro minerodutos em operação, que utilizam água de quase uma BH; há projeto para construção de mais dois

Em plena crise hídrica, mais um mineroduto pode receber licença para funcionar em Minas Gerais e usar mais água para transportar minério para fora do Estado. Nesta quinta à noite foi realizada em Grão Mogol, Norte de Minas, uma audiência pública que faz parte do processo de licenciamento do projeto Vale do Rio Pardo, da Sul Americana de Metais (SAM). A empresa já tem outorga da Agência Nacional de Águas (ANA) para captar até 6.200 m³ de água por hora na barragem de Irapé, construída no rio Jequitinhonha.

Por ano, o projeto usará cerca de 50 milhões de m³, o suficiente para abastecer uma cidade e meia do porte de Montes Claros. O município, também no Norte de Minas, tem cerca de 400 mil habitantes e consome cerca de 30 milhões de m³ por ano, segundo Estudo de Impacto Socioambiental encomendado pelo deputado Rogério Correa.

Captação

O mineroduto será o segundo maior do país, atrás apenas do Minas-Rio, da Anglo-American, que é também o maior do mundo, mas vai ser o campeão em uso de água. Os três da Samarco, já em operação, têm outorga para captar 4.900 m³ por hora. Já o Minas-Rio capta 2.500 m³ por hora.

Em abril do ano passado, em audiência pública realizada na Assembleia Legislativa, a mineradora informou que o volume que será retirado corresponde a 14% do volume outorgável da barragem de Irapé.

Naquela época, quando a crise hídrica ainda não era tão grave, já havia preocupação dos deputados e do Ministério Público em relação ao alto uso de água em uma região que tradicionalmente sofre com a seca. Nesta quinta, o deputado Rogério Correa voltou a dizer que o rio Jequitinhonha não comporta o projeto. “O rio está à míngua”, afirma.

A audiência desta quinta à noite faz parte do processo para obtenção de licença prévia (LP), o primeiro passo para viabilizar o projeto. Em abril de 2014, a empresa previa que a licença sairia até o fim do ano e o início da operação era esperado para 2017. Nesta quinta, a assessoria de imprensa informou que não há nova previsão para o licenciamento. A empresa não informou se houve alterações no projeto inicial.

Projeto Extensão
O projeto inicial prevê um mineroduto que corta 21 cidades, em Minas Gerais e na Bahia, até chegar ao porto em Ilhéus. Serão 25 milhões de toneladas de minério por ano.
Minério da região tem baixo teor de ferro

O minério que será retirado da região de Grão Mogol tem baixo teor de ferro, cerca de 20%. Para comparar, o minério retirado de Carajás, no Pará, tem 65% de ferro. Para ser bem aceito no mercado internacional, ele será beneficiado e enriquecido antes de ser transportado e exportado.

Como o processo de beneficiamento encarece a produção, a empresa optou pelo transporte via mineroduto, que é bem mais barato. A explicação foi apresentada pela empresa em audiência pública na Assembleia Legislativa no an passado. As jazidas da região seriam suficientes para 25 anos de exploração. O investimento previsto no projeto é de US$ 3 bilhões. A SAM foi criada em 2006 e é controlada pela chinesa Honbridge Holdings.

FONTE: http://www.otempo.com.br/cmlink/hotsites/crise-estrutural-do-brasil/mineroduto-vai-gastar-uma-montes-claros-e-meia-de-%C3%A1gua-1.989671

Na crise da água, IBAMA pode autorizar mais um mineroduto em Minas

Foto: Mídia Ninja/ Canal de transporte de minério através da água terá 482 km e atravessará 21 municípios

Filipe Ribeiro Sá Martins, Grão Mogol (MG)

No auge do debate sobre o uso da água, o estado de Minas Gerais pode receber mais um mineroduto. O Projeto Vale do Rio Pardo, empreendimento que prevê um mineroduto de 482 km do Norte de Minas até a Bahia, está prestes a obter a licença prévia do IBAMA. 

Está marcada para a próxima quinta (5), no município de Grão Mogol, uma audiência pública para apresentar à população a atualização do EIA/RIMA do Projeto Vale do Rio Pardo, considerado o maior projeto de mineração a céu aberto do norte de Minas e o segundo maior mineroduto do Brasil. O projeto é da empresa Sul Americana de Metais S/A – SAM.

Essa nova atualização traz uma expansão na estrutura e na exploração mineral do projeto aumentando ainda mais os seus impactos e colocando em risco todo o abastecimento de água da região. Movimentos sociais e entidades ambientais denunciam que os principais pontos questionados na primeira apresentação do licenciamento, em 2012, sequer foram considerados. 

Pesquisadores apontam que o empreendimento vai afetar povos tradicionais da região, conhecidos como Geraizeiros, que dependem do cerrado vivo para sua reprodução. “O licenciamento não leva em consideração que o projeto vai iniciar um processo de desertificação na região, pelo uso e contaminação dos solos e dos mananciais”, afirma Alexandre Gonçalves, agrônomo e membro da Comissão Pastoral da Terra, uma das muitas entidades que lutam contra o empreendimento na região. 

O Ministério Público Estadual (MPE) entrou com uma ação civil pública solicitando a suspensão do licenciamento ambiental da SAM em abril do ano passado, apontando diversas estratégias utilizadas pela empresa para burlar impedimentos na legislação ambiental.

O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) acompanha o caso na região desde o início dos debates e afirma que têm feito denúncias ao Ibama e ao Ministério Público. “Tememos um verdadeiro crime socioambiental, com violações sistemáticas dos direitos humanos. A forma intensiva de exploração mineral é um ataque à soberania, levando nossa água e nossa biodiversidade pelos canos”, Elane Rodrigues, coordenadora estadual do MAB. 

Entenda
O Projeto Vale do Rio Pardo prevê a construção de uma mina para extração do minério de ferro no município de Grão Mogol, local onde o minério será também beneficiado, e a construção do mineroduto que atravessará 21 municípios. A SAM já tem a outorga, ou seja, o direito de uso, de 6.200 mm³/hora de água da Barragem de Irapé, localizada no município. O valor representa 14% de toda a capacidade de cessão da água da barragem, que está instalada no rio Jequitinhonha, um dos maiores da região, responsável por abastecer milhares de famílias e comunidades, que vivem basicamente da agricultura familiar.
FONTE: http://brasildefato.com.br/node/31203

A multinacional Anglo American e sua peculiar forma de mostrar gratidão

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Quem circula hoje pela BR-356 entre Campos dos Goytacazes e a entrada para o Porto do Açu pode ver dois outdoors colocados pela multinacional Sul Africana Anglo American para supostamente agradecer a força recebida na construção co mineroduto Minas-Rio. 

Tudo estaria muito bonito se hoje o Jornal Valor Econômico não tivesse publicado uma matéria informando que a Anglo American está demitindo 12 mil dos seus trabalhadores no Brasil, justamente aqueles que estiveram envolvidos na construção do Minas-Rio. E justamente no período que antecede as festas natalinas.

Baita forma de mostrar gratidão, não acham? E notem que no outdoor está escrito que mineração e pessoas fazem a diferença. Imaginem então se não fizessem! Mas uma coisa é certa. A imagem que supostamente um empresário mineiro agradecido, bem que poderia ser a de um trabalhador da Anglo American saindo da empresa apenas com a roupa do corpo. Se a imagem fosse a que eu estou sugerindo seria pelo menos sincera!

Anglo American vai demitir 12 mil pessoas com fim da obra da Minas-Rio

Por Camila Maia e Thais Carrança | Valor

SÃO PAULO  –  A mineradora Anglo American vai reduzir o número de trabalhadores na operação de minério de ferro Minas-Rio em 12 mil, uma vez que foi concluído o processo de construção do projeto e teve início a produção da commodity, afirmou James Wyatt, porta-voz da Anglo American.

Durante a fase de construção, a operação Minas-Rio empregava 16 mil trabalhadores. Com o fim da obra e o início da produção, a operação passará a empregar 4 mil pessoas. A mudança já está acontecendo ”há alguns meses” e deve continuar gradualmente nos próximos meses, afirmou Wyatt.

“A única razão pela qual o número de funcionários no Brasil será reduzido é porque a Minas-Rio deixou de ser um projeto em construção para um projeto de mineração”, afirmou o porta-voz.

Durante um evento com investidores nesta terça-feira em Londres, a Anglo American afirmou que pretendia reduzir o número de funcionários de 162 mil para 102 mil até 2017. O jornal britânico “Financial Times” acrescentou que, entre os 60 mil empregos reduzidos, 12 mil funcionários trabalhavam na construção da operação no Brasil.

Segundo Wyatt, dos 60 mil empregos a menos na folha de pagamento da empresa, aproximadamente 45 mil se referem à venda de operações, como projetos de minas de platina na África do Sul. Dessa forma, cerca de 3 mil dos 60 mil empregos serão alvo de demissão.

A operação Minas-Rio, que inclui uma mina e uma usina de beneficiamento de minério de ferro nos municípios de Conceição do Mato Dentro e Alvorada de Minas (MG), foi comprada pela mineradora do empresário Eike Batista. Em seu relatório anual de 2013, a companhia afirmou que empregava no Brasil 23,6 mil pessoas, entre funcionários e terceirizados. 

FONTE: http://www.valor.com.br/empresas/3810046/anglo-american-vai-demitir-12-mil-pessoas-com-fim-da-obra-da-minas-rio#ixzz3LVgsLzLm

Comunidades de Conceição do Mato Dentro ocupam novamente estrada para denunciar truculência da Anglo American

 A comunidade do Turco está fazendo nova paralisação da MG 10.

A empresa Anglo American que havia se comprometido  solucionar o problema e reunir-se com a comunidade,  enviou uma carta com resposta negativa neste último dia 01 de dezembro e não compareceu.

A estrada está bloqueada desde  3 horas da manha de hoje, dia 03/12/2014.

As casas continuam sendo abaladas pelos tremores  do MINERODUTO que provocam rachaduras nas edificações  e colocam em risco  Crianças, idosos e  todo os moradores da comunidade.

Além disso, várias nascentes secaram  e outras foram assoreadas ou até mesmo soterradas pelas diversas obras de implantação do Projeto Minas Rio.

Outra queixa da comunidade é a falta de segurança, transtornos com barulho e  poeira que tem causado internações e adoecimento da comunidade.

jornal
FONTE: http://conflitosambientaismg.lcc.ufmg.br/noticias/comunidades-de-conceicao-do-mato-dentro-ocupam-novamente-estrada-para-denunciar-truculencia-da-anglo-american/