O regaste de Eike Batista: Fundo Mubadala compra Hotel Glória e 29% da OSX

eike

O intrincado mundo das finanças globalizadas de tempos em tempos traz alguns negócios inexplicáveis.  Hoje a mídia corporativa está repercutindo a venda feita por Eike Batista do Hotel Glória e de 29% da OS(X).  Segundo o jornal Valor Econômico também estariam em curso negociações a venda do que ainda resta a Eike na OGPar (ex OG(X)), a petrolífera que começou o afundamento do conglomerado EBX),  da CC(X) (empresa de carvão) e da MM(X) (a mineradora que passou a perna na Anglo American em Conceição do Mato Dentro) (Aqui!).

Alguém pode dizer que essas operações refletem apenas a tentativa de Eike Batista de se livrar dos verdadeiros pepinos corporativos em que suas empresas se tornaram. Até aí tudo bem, mas o que ganha com isso o Fundo Mubadala? É que com a crise do petróleo até os sheiks de Abu Dabhi devem estar colocando as suas barbas de molha ao escolher ativos para despejar seus petrodólares.

Eu suspeito que essa passagem de ativos deve estar ligada a questões mais complexas do que a simples derrocada de Eike Batista, pois não há como investir em um hotel semidestruído ou em empresas com mais dívidas do que ativos ser visto racionalmente como um bom investimento. Em outras palavras, tem mais caroço nesse angu do que podem ver inicialmente os nossos olhos pouco treinados para entender os meandros da especulação financeira global.

Mas a pergunta que não quer calar: o que farão os donos do Mubadala com o que restou da MM(X) e da OS(X) no Porto do Açu e em Conceição do Mato Dentro?

As lições da queda de Eike Batista

Por Juliano Medeiros*

Em lista divulgada no mês de março de 2012, Eike Batista era considerado o 8º homem mais rico do mundo, com um patrimônio estimado em R$ 34,5 bilhões de reais. Nos últimos meses, porém, tem estampado os jornais devido à decadência de seu império.

As empresas do grupo EBX somam prejuízos de quase R$ 25 bilhões. Apesar disso, as abordagens mais comuns na grande imprensa atribuem à “personalidade” de Eike as razões de sua derrocada: excesso de confiança decorrente do sucesso, a busca desenfreada por mais lucros e a falta de cautela diante investimentos arriscados…

Seria muito simples se o fracasso do maior grupo econômico privado do Brasil pudesse ser atribuído apenas à personalidade de seu principal executivo. A questão, porém, é que essa explicação não corresponde à verdade do fenômeno.

No controle do grupo EBX, Eike entrou de corpo e alma no mercado de capitais, um mercado sempre considerado de risco. Enfrentou uma brutal crise econômica expandindo e diversificando investimentos.

Nessa empreitada encontrou apoio de players de peso na bolsa de valores, além, claro, de generosos financiamentos públicos.

Segundo matéria publicada pela revista Exame, apenas entre 2005 e 2012, Eike Batista captou investimentos de 26 bilhões de dólares para as empresas que levou à bolsa. Também financiou o conglomerado com empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que chegam a R$ 10,4 bilhões.

Há muitas versões sobre as razões da queda de Eike, mas poucas delas chegam ao “X” da questão (com o perdão do trocadilho, já que o empresário tem um livro com esse nome).

A verdade é que Eike aproveitou-se da absurda dinâmica que comanda o mercado de ações e que permite que uma empresa recém-criada acumule “valor” equivalente a de grupos tradicionais com décadas no mercado. Um bilionário da especulação, com um império pouquíssimo produtivo, com exceção da MMX, mineradora vendida recentemente.

Além disso, a remuneração de seus executivos seguia uma lógica insana: enquanto outras multinacionais oferecem bônus atrelados ao crescimento de longo prazo das companhias, Eike distribuía dividendos atrelados ao preço das ações no curto prazo.

O resultado é que vários executivos da EBX ficaram milionários antes mesmo que a empresa tivesse extraído uma gota de petróleo. Tudo graças à valorização artificial – isto é, especulativa – das ações das empresas de Eike.

Alguns dirão que “essas são as regras do jogo”, que Eike está colhendo os frutos de uma estratégia arriscada. Acontece, porém, que neste “jogo” estão envolvidos milhões de empregos e enormes quantidades de recursos públicos oferecidos através de empréstimos (recursos que poderiam ser direcionados à infraestrutura nacional ou à ampliação de direitos como saúde e educação). Por isso é necessário discutir se este é um “jogo” interessante para o Brasil e o mundo.

No início, Eike foi financiado por grandes fundos privados. Não demorou muito para que fosse impulsionado também pelo BNDES.

Isso porque os governos petistas apostaram na estratégia dos “campeões nacionais”, preconizada pelo ex-presidente da instituição, Luciano Coutinho, que visava privilegiar grandes grupos econômicos privados que deveriam ser fortalecidos com a anunciada intenção de conter a internacionalização da economia brasileira.

Uma estratégia aparentemente bem-intencionada, mas com trágicas repercussões sobre o conjunto das cadeias produtivas nacionais. Isto porque, diferente de outros países que adotaram a mesma estratégia com suas empresas de ponta, o governo investiu nos gigantes do setor primário-exportador (a JBS Friboi, na exportação de carnes, ou Vale, na exportação de minério, por exemplo), aprofundando a monopolização – vide a quebra de diversos pequenos frigoríficos pelo país afora – e a fragilidade externa, já que quanto maior o grupo, mais dependente do mercado de ações, e assim, das flutuações do mercado internacional.

Claro que diante da explosão do preço das commodities no mercado internacional, a partir de 2005, era de se prever que os financiamentos seriam concentrados em empresas que exportassem esses bens (grãos, carne, minério de ferro, petróleo, etc.). Além disso, esperava-se que o boom das commodities pudesse acelerar os investimentos em infraestrutura, o que acabou não acontecendo – nesse caso a solução de Dilma foi a privatização de portos, aeroportos e rodovias.

Além disso, essa estratégia veio acompanhada de desindustrialização e fortalecimento do setor primário-exportador, um péssimo negócio para o Brasil.

Um país da periferia do sistema deveria investir no fortalecimento de cadeias produtivas capazes de aumentar a competitividade externa, diminuir a vulnerabilidade de nossa economia e ampliar o investimento produtivo, único gerador de empregos.

A queda de Eike, portanto, não se explica apenas pelas opções equivocadas do empresário. Ela é também expressão do fracasso de uma estratégia na qual estavam todos envolvidos, governo, acionistas e executivos de grandes grupos econômicos: a estratégia de apostar nuns poucos grupos econômicos, que apesar de concentrarem boa parte dos investimentos públicos e privados, não tem dado o retorno esperado.

Num tempo em que o mundo todo – de Piketty a Obama – consideram necessárias profundas mudanças nas “regras do jogo” o Brasil vai na contramão da história.

Como lembrou um intelectual de esquerda, o lulismo fez seus milionários: alguns deram certo – na JBS Friboi, TAM, Ambev, etc. – e outros não. Essa história toda ainda precisará vir à tona.

Que a debacle de Eike Batista sirva como alerta àqueles que ainda acreditam que apostar em “poucos e bons” é o melhor caminho.

*Historiador, é Secretário de Comunicação da Executiva Nacional do PSOL.

FONTE: http://www.viomundo.com.br/politica/juliano-medeiros-queda-de-eike-e-de-um-modelo-fracassado.html

MMX, mineradora de Eike Batista, continua trajetória morro abaixo

MMX tem prejuízo de R$86 milhões no 3º trimestre

MMX, a única que já dá dinheiro

MMX: no segundo trimestre, o prejuízo havia sido de R$ 1,9 bilhão

Juliana Schincariol, da REUTERS

Rio de Janeiro – A mineradora MMX informou nesta terça-feira que teve prejuízode 86 milhões de reais no terceiro trimestre, ante resultado negativo de 1,2 bilhão de reais um ano antes.

No segundo trimestre, o prejuízo havia sido de 1,9 bilhão de reais.

“Este resultado no trimestre é fundamentalmente consequência do teste de recuperabilidade de ativos realizado pela companhia no segundo trimestre, desdobrando em um reconhecimento de impairment de 1,8 bilhão de reais”, disse a MMX em seu relatório de resultados.

As vendas de minério de ferro foram de 839,4 mil toneladas no terceiro trimestre, queda de 61 por cento na comparação anual.

Desta forma, a receita líquida caiu 75 por cento na mesma base de comparação, a 83,6 milhões de reais.

O Ebitda (sigla em inglês PARA lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado ficou negativo em 142,2 milhões de reais, ante negativo em 69,8 milhões de reais no terceiro trimestre de 2013.

FONTE: http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/mmx-tem-prejuizo-de-r-86-milhoes-no-3o-trimestre

Ex- secretário de meio ambiente vira réu por favorecer MMX… em Minas Gerais

Adriano Magalhães vira réu por prevaricação

 Bruno Porto – Hoje em Dia

Flávio Tavares – 19/9/2012

Adriano Magalhães vira réu por prevaricação
Adriano Magalhães Chaves teria retardado processos contra a MMX, acusa o MP

O juiz da 8ª Vara Criminal de Belo Horizonte acatou denúncia do Ministério Público de Minas Gerais (MP) contra o ex-secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável Adriano Magalhães Chaves e outros quatro ex-funcionários da pasta. Todos são suspeitos de prevaricação. Adriano Magalhães foi titular do Meio Ambiente durante a gestão do ex-governador Antonio Anastasia (PSDB).

A denúncia alega que eles “associaram-se para o fim específico de cometer crimes, retardar e deixar de praticar, indevidamente, atos de ofício para satisfazerem interesses pessoais e de terceiros”. Sob o comando do ex-secretário, autos de fiscalização e infração emitidos contra a mineradora MMX, de Eike Batista, teriam sido ocultados, facilitando a emissão das licenças ambientais, afirma o MP. Tais ações também teriam impedido a interrupção das atividades da empresa. Os documentos também não eram lançados no sistema público de informações ambientais.

O processo tramita em segredo de justiça. No site do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), consta que o julgamento foi agendado para 27 de fevereiro. A pena prevista para prevaricação é de detenção de três meses a um ano.

O Hoje em Dia teve acesso à denúncia apresentada pelo MP, resultado da “Operação Espeleo”, onde constam trechos de interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça.

As escutas revelaram conversas em que a Subsecretária Estadual de Gestão e Regularização Integrada, Maria Cláudia Pinto, que também é ré no processo, afirma que estava “enrolando” o MP, e que o embargo das obras da MMX nas minas em Serra Azul, solicitado após vistorias, não ocorreu porque Adriano Magalhães teria impedido.

A denúncia alega que pelo menos três autos de infração foram lavrados após vistoria no chamado Sistema Serra Azul da mineradora, onde duas minas operavam em uma área que pertence a três municípios: Igarapé, São Joaquim de Bicas e Brumadinho. Todos solicitavam o embargo das obras pelo potencial de causar danos irreparáveis ao patrimônio cultural e natural. O local é rico em cavernas e material espeleológico.

O primeiro auto de infração solicitando a paralisação das atividades foi lavrado em 27 de julho de 2012 após analistas ambientais da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) fiscalizarem o empreendimento. Em 13 de dezembro de 2013, nova fiscalização apontou supressão de quatro grutas e, em outras três, a averiguação foi impossibilitada por se encontrarem em área de grande instabilidade.

Os técnicos concluíram que a degradação se agravou pelo não embargo das atividades, determinado há mais de um ano, e emitiram novo auto de infração. Até o dia 31 de março de 2014, a MMX não havia recebido qualquer notificação ou sofrido embargo das atividades, segundo a denúncia. A Semad sustenta que as atividades foram embargadas em fevereiro de 2014.

Defesa dos acusados alega que os clientes são inocentes

Registrado como um dos sete advogados que fazem a defesa do ex-secretário de Meio Ambiente Adriano Magalhães, Leandro Costa Bandeira, que também defende a subsecretária de Gestão e Regularização Integrada, Maria Cláudia Pinto, disse que tanto o processo judicial quanto as interceptações telefônicas, embora autorizados pela Justiça, são ilegais.

“Vou me limitar a dizer isso (sobre a ilegalidade e falta de fundamento da ação) e discutir e tratar essas questões no processo”, disse. A MMX foi procurada, mas optou por não se manifestar.

Também são réus na ação Anderson Marques Martinez Lara, Luciano Junqueira de Melo e Diego Koiti de Brito Fugiwara. O advogado Jean Gabriel Perboyre Guimarães Starling faz a defesa de Anderson e argumenta que seu cliente apenas cumpriu suas funções. “O Anderson é o que tem o menor grau hierárquico entre os envolvidos. Ele não fez nada além de sua função. Entregou os documentos para seus superiores e aguardou retorno. Se tratava de um caso onde era necessária orientação de cima porque não havia caso semelhante registrado”, disse.

Diego Koiri é representado pelo advogado Leonardo Augusto Marinho Marques, que sustenta a inocência de seu cliente. “Como consta na denúncia, os documentos ficaram apenas 11 dias com o Diego e foram entregues à subsecretária (Maria Cláudia Pinto), que demorou meses para responder ao pedido de orientação. Quem segurou o documento é que tem que explicar os motivos, e não o Diego”, disse.

A defesa de Luciano Junqueira, feita pelo advogado Michel Reiss, preferiu não comentar o caso publicamente.

O Hoje em Dia tentou contato com Adriano Magalhães, que não atendeu aos telefonemas. O ex-secretário assumiu a Semad em janeiro de 2011, onde ficou até 2014. No dia 4 de abril deste, ano foi nomeado chefe da Assessoria de Desenvolvimento Econômico da Governadoria do Estado, cargo ocupado por apenas cinco dias. Em 9 de abril, um dia antes de o MP oferecer a denúncia contra ele à Justiça, o “Minas Gerais”, Diário Oficial do Estado, publicou ato do governador anulando sua nomeação.

Adriano ainda conseguiu uma vaga como suplente no Conselho de Administração da Cemig, cargo que também não ocupa mais.

Atualmente, uma decisão judicial impede que ele e os demais réus assumam cargos públicos. O sucessor de Adriano Magalhães na Secretaria de Meio Ambiente saiu dos quadros do MP. Alceu José Torres Marques era procurador-geral de Justiça de Minas Gerais antes de assumir a Semad.

FONTE: http://www.hojeemdia.com.br/noticias/adriano-magalh-es-vira-reu-por-prevaricac-o-1.286059

MMX em estado de insolvência. E ela não é a única empresa atingida pela queda do preço do minério de ferro

O jornal Folha de São Paulo publicou hoje uma matéria dando conta que a MM(X) de Eike Batista teve um prejuízo de R$ 1,89 bilhão no segundo trimestre de 2014 (Aqui). Esse prejuízo se dá num momento em que a empresa se encontra em recuperação judicial e está sem nenhuma produção nas minas de ferro em Minas Gerais. 

A matéria traz ainda uma informação igualmente relevante no tocante aos problemas sendo vivenciados pelo minério de ferro cujo preço está em queda, tendo saído de 120 para 80 dólares por tonelada, a menor cotação para esta commodity mineral desde de 2009.  Esse contexto fortemente negativo também impactou a Vale que anunciou um prejuízo de R$ 3,4 bilhões por causa da queda do preço do minério de ferro. 

Mas voltando à situação da MM(X), a situação técnica da empresa é hoje de insolvência, apesar das negativas dos advogados da empresa, já que hoje possui um patrimônio negativo de de R$ 563 milhões. Triste destino de uma das últimas empresas ainda controladas pelo ex-bilionário Eike Batista.

Os problemas causados pela baixa cotação do minério de ferro também atingem a Anglo American que investiu pesado na construção do mineroduto Minas-Rio, com um custo declarado de fabulosos R$20 bilhões, e hoje vê todo o investimento feito sob risco, dadas as incertezas que cercam hoje o mercado mundial (Aqui!). Por exemplo, o propalado embarque do primeiro carregamento da Anglo American no Porto do Açu, declarado como tendo sido de 80.000 toneladas, teria rendido magros (para a proporção do investimento feito) US$ 6,4 milhões, antes dos devidos descontos com custos operacionais e impostos. Assim, não vai ser nenhuma surpresa se a Anglo American decidir num futuro próximo se desfazer do mineroduto. A ver!

Eike Batista: Novas estruturas desabam no Império X

Empresário entrega OGX a credores e MMX entra com pedido de recuperação judicial

Jornal do Brasil

De acordo com Gilberto Braga, professor de Finanças do Ibmec/RJ, a recuperação judicial não resolve o problema. “É mais uma grande derrota esse pedido de recuperação, vem em uma hora duplamente ruim, porque é mais uma catástrofe dentro do desmoronamento do Grupo X, e porque o momento do mercado de minério de ferro está ruim no cenário internacional, em termos de preço. Isso torna o futuro dessa empresa totalmente incerto, mesmo em um ambiente de recuperação, porque a saída passaria pela atratividade do negócio”, explica.

O professor lembra que o próprio Eike levava em consideração determinado cenário de mercado que neste momento não se confirma. Se por um lado a recuperação judicial dá uma garantia de que as dívidas não serão executadas no momento, o que dá um fôlego para que a empresa se organize com a supervisão da justiça, por outro ela também não é uma solução, que seria uma retomada da produção internacional, o que neste momento não se mostra possível. 

Se fosse apenas o problema de mercado, em condições normais, a empresa poderia pedir empréstimos, recorrer a linhas de financiamento para se manter a espera de dias melhoras. O problema de mercado aliado a falta de credibilidade do grupo, no entanto, se tornaram mortais, acredita o professor.

“Não obstante os esforços da administração na negociação com credores e na busca por potenciais investidores, o pedido de recuperação judicial configurou-se como a alternativa mais adequada diante da situação econômico-financeira da Companhia”, informou a mineradora. 

No final de agosto, a MMX já tinha anunciado a revisão do plano de negócios para “priorizar as iniciativas geradoras de caixa”. Disse ainda que iria paralisar temporariamente a produção da unidade de Serra Azul, com férias coletivas de 30 dias para os funcionários envolvidos diretamente, em decorrência dos baixos preços do minério de ferro no mercado internacional. No início desta semana, contudo, a empresa informou que as atividades continuarão suspensas após esse período.

A OGPar, ex-OGX, por sua vez, teve a conversão dos R$ 13,8 bilhões de suas dívidas em ações, e deixa de ter Eike como principal acionista. Os credores passam a ter 71,43% da empresa e o restante fica dividido entre o empresário e os minoritários. A ação já estava prevista no plano de recuperação judicial. As ações da empresa também voltarão a ser negociadas na Bovespa, com o código “OGSA3”, mas ainda não há previsão para início. 

Além dos desafios que precisa enfrentar para tentar salvar suas empresas, Eike ainda tem que lidar com diversos processos judiciais, por uso de informação privilegiada para lucrar no mercado financeiro irregularmente, com a OSX e a OGX. Há ainda denúncias de lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e formação de quadrilha, além de processos administrativos na CVM. No mês passado, a Justiça Federal do Rio de Janeiro informou que havia bloqueado R$ 117,3 milhões das contas do empresário no Brasil. A Justiça tinha decretado o bloqueio de bens e ativos financeiros do empresário até o limite de R$ 1,5 bilhão, para garantir recursos para ressarcir danos que tenham sido causados aos acionistas. 

Segundo o MPF, o grupo manipulou o preço das ações da OGX com dados falsos sobre a perspectiva da empresa, causando um prejuízo estimado de R$ 14,4 bilhões aos investidores. A diretoria da empresa prometeu a realização de negócios bilionários em operações de extração de petróleo nas bacias de Campos e Santos. Contudo, a projeção teria sido baseada em informações inverídicas sobre a capacidade de exploração das reservas. Entre 2009 e 2013, foram 55 informes no mercado, com estimativas de grande volume de gás e petróleo a ser extraído em poços controlados pela empresa. Estudos internos realizados pela empresa desde 2011, no entanto, apontavam a inviabilidade econômica das áreas em função dos custos e da operação. Em alguns casos, também era mencionada a inexistência de tecnologia para explorar as áreas.

Em um dos processos judiciais enfrentados por Eike, o da justiça fluminense, a audiência na tem data marcada, 18 de novembro. No mesmo dia, após pronunciamento das testemunhas de defesa e acusação, pode ser realizado o julgamento da ação. A decisão do juiz Flávio Roberto de Souza, da 3ª Vara Criminar da Justiça Federal, informa que o empresário teria utilizado “por duas vezes de informações relevantes, ainda não divulgadas ao mercado, que tinha conhecimento, propiciando para si vantagem indevida mediante a negociação, em nome próprio, com valores mobiliários”. O juiz negou o pedido de anulação da defesa.

O empresário teria arrecadado R$ 197 milhões na primeira negociação irregular de ações da empresa, entre maio e junho de 2013, com lucro indevido entre R$ 123 milhões e R$ 126 milhões. Depois, entre agosto e setembro do mesmo ano, obteve R$ 111 milhões com os negócios irregulares. 

A situação das empresas de Eike Batista, que em 2012 começaram a ficar mal das pernas, desceram a ladeira embaladas por 2013. De sétimo homem mais rico do mundo, Eike pulou para a centésima posição da revista Forbes já no início do ano passado. De acordo com informações do mercado, pelo menos dez executivos saíram das empresas do grupo com mais de R$ 100 milhões, e alguns com mais de R$ 200 milhões. Em resumo, Eike blefou sobre suas empresas, se endividou, inclusive com dinheiro público do BNDES, e conseguiu a recuperação judicial.

O império construído em diversos segmentos da economia, como petróleo, energia e portos, ruiu. No mês passado, Eike informou, em entrevista ao jornal O Globo, que o saldo de sua conta estava em US$ 1 bilhão negativo. 

Entre as muitas empresas do grupo, a MPX, agora Eneva, do setor de energia, foi vendida a um grupo alemão. Do setor naval, a LLX passou para o controle do grupo EIG e negociava suas dívidas, e a OSX demitia funcionários. A CCX, de mineração, havia colocado seus projetos na Colômbia à venda.

FONTE: http://www.jb.com.br/economia/noticias/2013/06/13/eike-batista-o-imperio-em-decadencia/

Dívida trabalhista da MMX chega a R$ 2,5 milhões

Rich Press/Bloomberg

Mina de ferro Serra Azul da MMX, em Minas Gerais

Mina de ferro Serra Azul da MMX: companhia reconhece pagamentos atrasados a 364 credores

Mariana Sallowicz, doEstadão Conteúdo e Mariana Durão, do Estadão Conteúdo

Rio – A terceira companhia de Eike Batista a entrar com pedido de recuperação judicial, a MMX Sudeste, é a única do grupo a apresentar dívidas trabalhistas.

A subsidiária da mineradora MMX reconhece pagamentos atrasados a 364 credores, entre eles, 78 trabalhadores que têm a receber cerca de R$ 2,5 milhões.

A dívida total gira em torno de R$ 440 milhões, de acordo com documento encaminhado à Justiça e obtido pelo jornal “O Estado de S. Paulo”. Os credores ainda podem contestar os valores.

O pedido de recuperação judicial foi entregue na quinta-feira à 1ª Vara Empresarial de Belo Horizonte. A MMX espera que a solicitação seja analisada nos próximos dias.

Caso aprovada a recuperação, ações e execuções judiciais contra a companhia serão suspensas por 180 dias, o que deve dar um fôlego à mineradora, que busca reverter embargos ambientais nas minas de Serra Azul (MG).

Pela lei, a empresa tem até um ano para pagar débitos trabalhistas, vencidos até a data do pedido de recuperação. No caso de salários, o plano deve prever o acerto de vencimentos nos três meses anteriores ao pedido.

Os advogados Eduardo Munhoz, sócio do escritório Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr. e Quiroga Advogados, e Sergio Bermudes estão à frente do processo de recuperação. Além da MMX, a petroleira OGX e o estaleiro OSX já entraram com pedido de proteção judicial.

Na lista de trabalhadores da MMX, o maior valor a ser pago é de R$ 200 mil. Mas a principal dívida é com fornecedores e prestadores de serviços. No topo da lista, está a construtora mineira ARG, que tem a receber R$ 105 milhões.

Na sequência, aparecem a Fidens Engenharia (R$ 76,3 milhões), a Mineradora Rio Bravo (R$ 73 milhões) e a holding MMX Mineração e Metálicos (R$ 29,3 milhões).

Há dívidas de cerca de R$ 700 mil com a Glencore, que foi apontada como uma das interessadas em comprar seus ativos.

Um dos principais credores pessoa física da MMX é José Francisco Viveiros, presidente da Bahia Mineração e ex-executivo da ArcelorMittal.

A relação de Viveiros com a mineradora de Eike começou quando ele vendeu a mina AVG, na Serra Azul (MG), para a MMX Sudeste.

Com o negócio, a MMX passou a deter 40% de um projeto de processamento de finos de minério, conduzido por Viveiros e pelo empresário José Mendes Nogueira.

Após uma desavença na sociedade, a MMX acertou a aquisição dos outros 60% do negócio, por US$ 50 milhões em 78 parcelas. Viveiros conta que a mineradora começou a atrasar os pagamentos em agosto de 2013.

Agora, restam cerca de US$ 20 milhões em aberto. Ele ficou conhecido em 2008, quando virou bilionário com a venda da pequena mineradora J.Mendes para a Usiminas.

FONTE: http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/divida-trabalhista-da-mmx-chega-a-r-2-5-milhoes