Mineradora de Eike Batista começa a demitir em Minas Gerais

MMX

 Agência O GLOBO, Glauce Cavalcanti

RIO — A MMX, mineradora de Eike Batista, começou a demitir nesta sexta-feira, afirma Agostinho José de Sales, presidente do Sindicato Metabase de Brumadinho (MG). A companhia, continua ele, anunciou em reunião realizada esta tarde em Belo Horizonte a dispensa de 120 funcionários ligados à operação do complexo minerário de Serra Azul.

Os funcionários voltaram ontem ao trabalho, após um período de 30 dias em férias coletivas. A medida teria sido tomada, segundo a MMX, por conta da retração no preço do minério de ferro no mercado internacional e restrições operacionais da empresa. Com isso, as atividades em Serra Azul foram paralisadas. Em fevereiro último, a lavra foi suspensa em parte da mina por decisão da Secretaria de Meio Ambiente de Minas Gerais.

— A empresa está parada. Mas não vão demitir todo mundo. Na terça-feira, o Ministério Público do Trabalho fará uma vistoria na mina — explica Sales. — A posição da MMX sobre os demais funcionários só deve ser anunciada depois disso.

A mineradora trabalhava com a possibilidade de que o embargo à lavra no complexo minerário de Serra Azul pudesse ser suspenso até a data prevista para o retorno dos colaboradores ao trabalho, disse Renato Gonzaga, gerente de Relações com Investidores da MMX, na semana passada. Na ocasião, ele afirmou ainda que caso isso não se confirmasse, a companhia avaliava dar férias remuneradas aos funcionários no mês de outubro, reconhecendo que sem operar o passivo da empresa cresce.

A Secretaria de Meio Ambiente de Minas Gerais, no entanto, diz que o embargo não será retirado até que todos os questionamentos ambientais sejam esclarecidos. A interdição das operações de lavra foi pedida após a identificação de danos causados a pequenas cavernas subterrâneas na área da mina. O órgão solicitou à mineradora estudo que avaliasse a relevância dessas cavidades. O documento entregue pela MMX não respondeu por completo às questões levantadas, de acordo com a Secretaria. A companhia precisou entregar novo relatório explicativo, detalhando esclarecimentos sobre outros 40 itens. O prazo para análise deste material, que chegou ao órgão ambiental mineiro na semana passada, é de até 120 dias.

A conduta da MMX nas negociações com a Secretaria mineira de Meio Ambiente parece ter mudado, afirma uma fonte próxima: “Antes, eles tinham pressa. Traziam todas as informações rapidamente, pois diziam que não podiam fechar a mina. Agora, o discurso é que não aguentam mais a situação devido à crise do minério de ferro. Estão mais lentos”. Levando em conta o número de trabalhadores e famílias impactadas pelo entrave operacional, continua a fonte, seria viável fechar um acordo para solucionar a questão ambiental. O problema incluiria, porém, outros fatores afetando a saúde financeira da mineradora.

O preço do minério de ferro segue caindo no mercado internacional. Até ontem, a queda acumulada no ano chegava a 39%, valendo US$ 81,40 a tonelada seca. No início de 2014, saía a US$ 133,41. As ações da MMX também perderam mais de 88% em valor desde janeiro. Hoje os papéis estão cotados a R$ 0,48. No mercado, crescem os rumores de que a empresa estaria perto de entrar em recuperação judicial.

O Sindicato Metabase de Brumadinho se esforça para conter as demissões na MMX. Para isso, protocolou documento solicitando o cancelamento das dispensas de trabalhadores. Vai aguardar o posicionamento formal da mineradora para solicitar uma reunião de urgência junto à Delegacia Regional do Trabalho de Minas Gerais.

— Não recebemos queixas de trabalhadores demitidos. Muitos pediram para serem incluídos na lista de corte. Eles temem que a empresa quebre, e que eles fiquem sem receber o que têm direito — conta Sales.

Procurada, a companhia ainda não se manifestou.

A divulgação dos resultados da MMX relativos ao segundo trimestre deste ano está marcada para o próximo dia 15. Na data deve ser também anunciado o novo plano de negócios da mineradora. Eike segue como controlador da companhia, com 57,42% do capital.

FONTE: http://www.msn.com/pt-br/dinheiro/other/mineradora-de-eike-batista-come%C3%A7a-a-demitir-em-minas-gerais/ar-BB8Cc7N

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