Projeto internacional liderado pela UFSCar analisa impacto das mudanças climáticas sobre a biodiversidade aquática

Iniciativa, apoiada por Fapesp e National Science Foundation, prevê colaboração com universidades dos EUA e Nova Zelândia

unnamed (14)(Foto: Victor Saito)

Comparando comunidades de insetos em riachos no Brasil e nos Estados Unidos, pesquisa liderada pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) tem como objetivo compreender impactos das mudanças climáticas sobre a organização da biodiversidade aquática, algo ainda pouco conhecido. A iniciativa prevê colaboração com três instituições dos EUA (Universidade da Califórnia, Universidade Estadual da Virgínia e Universidade de Maryland) e uma neozelandesa (Universidade de Canterbury). 

O projeto foi aprovado recentemente para receber apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e da National Science Foundation (NSF), em chamada colaborativa com a temática “Biodiversity on a Changing Planet (BoCP) 2022” (Biodiversidade em um Planeta em Transformação). A liderança é de Victor Satoru Saito, docente no Departamento de Ciências Ambientais (DCAm) da UFSCar.

Com duração de três anos, o projeto prevê estudos – com bolsas de graduação, treinamento técnico e pós-doutorado para as universidades envolvidas – em comunidades biológicas de riachos, principalmente insetos que possuem fase de larva na água e, de adultos, terrestres com asas, como as libélulas. 

O intuito é entender se a organização dessas comunidades, ao longo do tempo, é diferente em locais tropicais e temperados. 

“As espécies são sempre as mesmas ou mudam de mês a mês? Qual a magnitude dessas variações? Há a troca de todas as espécies do verão para o inverno, ou mantêm-se as mesmas?”, exemplifica o pesquisador. 

Para responder a esses questionamentos, os cientistas produzirão amostragens mensais dessas comunidades em riachos nos dois países, de uma forma coordenada e uniforme. Com isso, pretendem estudar todo o ciclo de vida desses insetos – ou seja, da vida aquática à saída da água, como adultos alados, até a reprodução e a inserção de ovos novamente nos riachos. Também estarão no foco as suas demografias (dinâmica da população, com informações como quantidade de indivíduos, natalidade e mortalidade). 

O desconhecimento ainda existente sobre como a biodiversidade de insetos responde diretamente às mudanças climáticas é devido, sobretudo, à falta de estudos coordenados em diferentes latitudes, que permitam uma comparação direta do efeito da temperatura nos organismos. 

“Com os dados coletados, vamos buscar construir modelos que permitam prever como cada comunidade pode responder a futuras mudanças climáticas”, detalha o docente da UFSCar. 

Os locais de análise ainda estão em definição, mas Saito adianta que, aqui no Brasil, serão potencialmente os riachos dentro do Parque Estadual de Intervales, localizado no Sul do estado de São Paulo. “Esta Unidade de Conservação abriga uma Mata Atlântica muito bem preservada e uma bacia hidrográfica bem inserida e conhecida”, justifica. 

Saito conta que os insetos aquáticos costumam ser utilizados como indicadores ambientais. Assim, o estudo também é uma forma de tentar prever como os ecossistemas vão responder a mudanças, para pensar em precauções diante de alterações ecossistêmicas indesejadas, como a perda de espécies de interesse pesqueiro ou a diminuição da qualidade da água. 

O pesquisador explica que, hoje, é muito utilizada a Teoria Metabólica – que indica que o metabolismo dos organismos determina fortemente o que se encontra na Natureza – para elucidar a biodiversidade, mas sabe-se da importância de sua união com outras explicações possíveisconforme já abordado em pesquisas anteriores do próprio Saito.  

“As populações das espécies também sofrem variações em suas abundâncias de forma estocástica (ou seja, imprevisível, de causa desconhecida) -, e é justamente esse ponto que buscamos entender melhor, investigando as relações dessas variações com a temperatura. A ideia é avançar nesses estudos e entender mais sobre o ciclo de vida das espécies, para começarmos a tapar essas lacunas no conhecimento da nossa fauna”, complementa o pesquisador. 

Mais informações sobre o projeto aprovado – intitulado “Entendendo o papel da estocasticidade na montagem de metacomunidades sob efeitos de mudanças globais” – estão disponíveis no site da Fapesp.

Esta matéria aborda contribuição da comunidade da UFSCar à concretização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – Agenda 2030 (ODS14-Vida na Água)

Comportamento dos elementos climáticos da Amazônia ao Tibete mostra que há um processo drástico de mudança em curso

Os pontos de inflexão no sistema climático afetam uns aos outros ao longo de milhares de quilômetros e alguns podem ser superados em breve

groenlandiaA camada de gelo o da Groenlândia, com um quilômetros de altura, também está está descongelando.  Por isso, o estado da camada de gelo da Groenlândia é um dos elementos decisivos no sistema climático. Foto: dpa/Sepp Kipfstuhl/AWI

Por Ingrid Wenzl para o “Neues Deutschland”

Se a floresta amazônica secar, isso terá consequências para todo o planeta. Não só desempenha um papel crucial no ciclo global do carbono, como também é caracterizado por uma imensa diversidade de espécies. Assim como os mantos de gelo da Groenlândia e da Antártica Ocidental, a Circulação de Revitalização do Atlântico (AMOC), que também inclui a Corrente do Golfo , e os recifes de corais tropicais, é um dos 16 principais elementos de inclinação no sistema climático. Em algum lugar entre 1,5 e dois graus de aquecimento global médio em relação aos tempos pré-industriais, os primeiros atingem o chamado ponto de inflexão: a partir daí, os processos utilizados não podem mais ser interrompidos. Desta forma  “os pulmões verdes da terra” são transformados em uma espécie de savana, e as camadas de gelo estão derretendo irrevogavelmente. É possível que já tenhamos ultrapassado os primeiros pontos de inflexão, por exemplo, no caso de recifes de corais tropicais moribundos.

Como mostra um estudo publicado recentemente na revista “Nature Climate Change” , mesmo os elementos que estão geograficamente distantes estão mais interconectados do que se pensava anteriormente. Fala-se das chamadas teleconexões. Milhares de quilômetros se estendem entre a bacia amazônica e o planalto tibetano e, no entanto, eles se influenciam. “Se esquentar na Amazônia, esquentará no Tibete. Há, portanto, uma interação positiva para as temperaturas. É diferente com a precipitação. Se chover mais na região amazônica, menos neve cairá no Tibete”, diz o coautor Jürgen Kurths, do Potsdam Institute for Climate Impact Research (PIK), resumindo a descoberta surpreendente.

Os pesquisadores descobriram que campos de fluxo de grande escala transportam campos de temperatura e precipitação para o Tibete: fortes correntes de vento estimuladas por anticiclones sul-americanos – certos tipos de áreas de alta pressão – os transportam para a África do Sul, e o sistema de monções africano os leva de lá para o Oriente Médio e ventos de oeste na região do Himalaia.

Os cientistas também descobriram que o planalto tibetano vem perdendo estabilidade desde 2008 e está se aproximando de um ponto crítico. “Isso foi negligenciado até agora”, diz Kurths. Ao contrário dos depósitos de gelo de lá, havia uma longa falta de dados confiáveis ​​sobre a cobertura de neve do planalto. Até agora, o foco da ciência tem sido principalmente o derretimento dos pólos, o AMOC e a Amazônia. “O derretimento das geleiras no Tibete tem efeitos enormes em todo o sistema de monções da Índia”, explica o pesquisador de complexidade do PIK. Apesar de sua localização remota, o planalto tibetano é de grande importância como reservatório de água para a vida de muitas pessoas.

“Quando os pólos derretem, sabe-se que eles desencadeiam uma reação em cadeia”, diz Kurths. A alta entrada de água doce no oceano circundante leva a mais estratificação porque é menos densa que a água salgada. Normalmente, grandes quantidades de água superficial fortemente resfriada afundam nas profundezas da Groenlândia porque são mais pesadas que a água abaixo e, a partir daí, fluem de volta para o equador como fundo rico em oxigênio ou águas profundas. A entrada de água doce inibe esse processo e, portanto, enfraquece o AMOC. No entanto, o conhecimento de que a Bacia Amazônica e o Tibete estão ligados climaticamente é novo. Pesquisas intensivas estão sendo realizadas atualmente sobre como os elementos de tombamento influenciam uns aos outros. Quando aumentam, como neste caso, significa que a Humanidade caminha para uma catástrofe ainda mais rápido do que se pensava.

O relatório especial de 1,5 grau do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) de 2019 adverte urgentemente contra ultrapassar a marca de temperatura de 1,5 grau. “Qualquer aquecimento adicional, especialmente acima de 1,5 graus, aumenta o risco de mudanças duradouras ou irreversíveis, como a perda de ecossistemas”, citou o pesquisador climático do “Die Zeit” e membro do IPCC, Hans-Otto Pörtner.

Mesmo ultrapassando temporariamente 1,5 ou 2 graus aumenta o risco de vários elementos do sistema terrestre tombarem em mais de 70% em comparação com um cenário em que as temperaturas permaneçam abaixo desse limite. Esta é a conclusão de Nico Wunderling da PIK e colegas em uma análise de risco publicada na revista Nature Climate Change em dezembro . “Mesmo que conseguíssemos limitar o aquecimento global a 1,5 grau depois de ultrapassar dois graus, isso não seria suficiente, pois o risco de desencadear um ou mais pontos de inflexão global ainda seria superior a 50%”, disse Wunderling.

A equipe de pesquisa usou vários cenários em que a temperatura média global era temporariamente dois a quatro graus mais alta do que antes da industrialização. Isso o aplicou a quatro elementos de inclinação interativos: as camadas de gelo da Groenlândia e da Antártica Ocidental, o AMOC e a floresta amazônica. As camadas de gelo provaram ser particularmente vulneráveis. “Embora demore muito para que a perda de gelo se desenvolva completamente, os níveis de temperatura nos quais essas mudanças são desencadeadas podem ser alcançados em breve”, diz a coautora Ricarda Winkelmann, também do PIK. “Portanto, nossas ações nos próximos anos podem determinar o desenvolvimento futuro das camadas de gelo por séculos ou mesmo milênios.”

De fato, no caso da camada de gelo da Groenlândia, isso é mais avançado do que o esperado: Maria Hörhold, do Alfred Wegener Institute, Helmholtz Center for Polar and Marine Research (AWI) e sua equipe mostram em um estudo publicado na “Nature” em no início do ano, que no norte e centro da Groenlândia foi mais quente na primeira década do século 21 do que nos últimos 1000 anos. »O aquecimento na fase entre 2001 e 2011 difere claramente das flutuações naturais dos últimos 1000 anos. Temíamos isso em vista do aquecimento global, mas a clareza e a concisão são inesperadas”, diz o glaciologista.

A camada de gelo da Groenlândia , com mais de 3.000 metros de altura e um volume de cerca de três milhões de quilômetros cúbicos, desempenha um papel central no sistema climático global. Se continuarmos a emitir tantos gases de efeito estufa quanto emitimos hoje, seu derretimento poderá elevar o nível do mar em 50 centímetros até o final do século.

A destruição da floresta amazônica também está progredindo rapidamente. Em um estudo recente na Science, David Lapola, da Universidade Estadual de Campinas, e sua equipe chegaram à conclusão de que 2,5 milhões de quilômetros quadrados já foram degradados por incêndios, mudanças no uso da terra, desmatamento ou seca extrema. As áreas afetadas agora estão mais secas e, portanto, mais inflamáveis ​​e vulneráveis ​​do que antes, alertam os autores. De sua parte, Kurths vê como principal perigo para a Amazônia sua fragmentação. “Isso significa que toda a floresta tropical está ameaçada”, diz ele.

No entanto, ele está particularmente preocupado com os pontos de inflexão social resultantes das mudanças climáticas: o aumento do nível do mar pode levar milhões de pessoas nas cidades costeiras a fugir. É urgente uma mudança imediata de rumo por parte da política, dos negócios e da sociedade.


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Este texto foi escrito originalmente em alemão e publicado pelo jornal “Neues Deutschland” [Aqui!].

Estudo na Science mostra que ameaças na Amazônia vão muito além do desmatamento

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A área degradada do bioma (38%) é maior do que a desmatada (17 %). Somados, os dois índices indicam que mais da metade das florestas da Amazônia foram destruídas ou alteradas.

Os autores explicam que “durante o processo de degradação, o uso da terra pode ou não mudar, mas a cobertura do solo não muda (a floresta segue sendo floresta)”. O desmatamento significa a conversão total das florestas para outro tipo de uso do solo, como a agricultura ou a pecuária .

Mas, os pesquisadores avisam que é um erro pensar que a degradação causa danos insignificantes em comparação com o desmatamento. Baseando-se em dados de diversos estudos realizados entre 2001 e 2018, quantificando a acumulação de perturbações que alteraram o ecossistema e o funcionamento do bosque, afetando a sua capacidade de armazenar carbono e água.

“Não podemos falar de prevenir o desmatamento sem falar da degradação. O desmatamento zero não é uma meta otimista. Se requer reajustar a discussão sobre a conservação da Amazônia, o processo de degradação já não pode ser ignorado”.

Marcos Pedlowski, Universidad Estatal del Norte Fluminense, Rio de Janeiro

Segundo o estudo, as estimativas sobre emissão de CO 2 e gases de efeito estufa resultantes da perda gradual de vegetação situam-se entre 50 e 200 milhões de toneladas ao ano, um nível comparável à perda de carbono por desmatamento.

“A taxa de acúmulo de carbono pela floresta diminuiu cerca de 30% nos últimos 30 anos. Se continuarmos com este padrão, em mais ou menos 15 anos teremos uma Amazônia emitindo muito mais CO 2 do que absorve ”, afirmou à SciDev.Net David Lapola, ecólogo e líder do estudo.

Lapola, pesquisador do Centro de Investigações Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura da Universidade Estadual de Campinas, explica que o impacto sobre o estoque de carbono diminui a evapotranspiração da floresta, um processo que devolve a água à atmosfera por meio da transpiração das plantas .

“Quando aumenta o CO 2 , teoricamente a planta transpira menos, provocando menos chuva e umidfade. Com isso, podemos observar uma mudança de vegetação: as árvores com maior afinidade com climas úmidos estão desaparecendo e estão surgindo espécies mais resistentes ao clima seco”, revela.

O trabalho também sugere que a degradação ameaça a biodiversidade e provoca impactos socioeconômicos nas comunidades locais, como a ocorrência cada vez mais frequente de eventos extremos, por exemplo, as secas prolongadas anteriores às inundações recordes ocorridas em 2022 na Amazônia brasileira.

As perturbações na floresta podem ter diferentes origens mas danificam-na severamente, por vezes de forma irreversível. Crédito da imagem: Serfor-Peru, imagem de domínio público.

Ante este panorama, os pesquisadores da Amazônia consideram que se bem a meta de desmatamento zero para 2030 do governo brasileiro –mencionada no Foro Económico Mundial de Davos, Suíça, pela ministra de Meiio Ambiente e  Mudança Climática do Brasil, Marina Silva –é importante dentro da agenda ambiental global, falar apenas de ações para combater o desmatamento na região não é suficiente.

“As políticas públicas na Amazônia não podem cobrir apenas o desmatamento”, disse Marcos Pedlowski, geógrafo da Universidade Estadual do Norte Fluminense, ao SciDev.Net., no Rio de Janeiro, coautor de um dos primeiros estudos brasileiros , também publicado em Science , que chamou a atenção sobre o problema da degradação do bioma.

Para Pedlowski, as projeções das próximas décadas vão depender do modelo econômico e social que o Brasil vai adotar.

De acordo com o relatório do Painel Científico da Amazônia, entre os países da Pan Amazônia, o Brasil é responsável por mais da metade da produção de madeira (52%), seguido pelo Equador (11%), Peru (10%) e Bolívia (10%). Venezuela, Colômbia, Suriname e Guiana representam em conjunto o 17% restante.

Mais da metade da seleção extrativa de madeira dos países amazônicos está sendo realizada no Brasil. O país é seguido por Equador, Peru e Bolívia. Crédito da imagem: Serfor-Peru, imagem de domínio público

“Na Amazônia brasileira, a extração seletiva afeta uma grande área de floresta, sendo o segundo fator mais comum de degradação florestal, somente atrás dos chamados efeitos de borda”, destaca o informe.

“Toda essa suposta renda cria muito mais problemas e não gera tanto quanto as pessoas pensam. Os ganhos são superados pelos prejuízos”, garante Pedlowski.

E David Lapola acrescenta que “a degradação favorece alguns, mas oprime muitos”.

Os pesquisadores coincidem em recomendar o desenvolvimento de um sistema de monitoramento das perturbações florestais – imagens medianas de satélite combinadas com um escapamento laser de superfície – e de um modelo de “bosque inteligente”, com a instalação de dispositivos no bosque para monitorar o degradação, especialmente a tala seletiva.

Link para o resumo do estudo na Science


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Este artigo foi produzido pela edição de América Latina e Caribe de  SciDev.Net [Aqui! ].

Compensações climáticas não passam de uma licença para poluir

Mais e mais empresas querem compensar as emissões prejudiciais ao clima. Com esses certificados de CO2, a consciência pode ser acalmada, mas as mudanças climáticas não podem ser detidas

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Tudo é tão lindamente verde aqui – graças às árvores plantadas em outro lugar. Foto: Getty Images/VICTOR de SCHWANBERG/SCIENCE P
Por Manuel Grebenjak para o “Neues Deutschland”

Um voo de Berlim para a metrópole indiana de Mumbai leva cerca de doze horas, incluindo uma passagem. Isso causa danos climáticos de quase quatro toneladas de CO2 por passageiro . Isso é o equivalente a dirigir um carro por dois anos, ou duas vezes o total anual de emissões de CO2 de uma pessoa média na Índia. Um voo de férias, portanto, tem um preço alto para o clima. Viajar com a consciência tranquila, por outro lado, promete compensação climática por meio de certificados de CO2: continue como antes se, em troca, você financiar projetos ecológicos que economizam emissões.

Muitas empresas também preferem investir na compensação de suas emissões prejudiciais ao clima, em vez de reduzi-las elas mesmas. E até mesmo os estados podem melhorar seu equilíbrio climático no âmbito do Acordo Climático de Paris por meio de projetos em outros países. A chave para isso são os chamados certificados de CO 2 . São gerados por projetos que visam contribuir para a proteção do clima, como a expansão das energias renováveis ​​ou a arborização e proteção de áreas florestais para manter sua função de sumidouro de CO 2 . Tais projetos podem ser certificados de acordo com diferentes padrões e reduzir ou vincular CO 2, que pode ser creditado com a compra de um certificado. Este sistema não só lhe dá uma boa consciência, mas também reduz as emissões onde elas são mais eficientes – de acordo com a teoria.

O mercado de indenizações está crescendo rapidamente: só o de indenizações voluntárias atingiu um valor de dois bilhões de dólares em 2021. Agora, uma extensa pesquisa conjunta do “Zeit” e do “Guardian” obscureceu a bela aparência dessas “compensações”: mais de 90% dos certificados de CO2 de projetos de proteção florestal da maior certificadora do mundo Verra, usados ​​pela Netflix, Disney e Gucci, portanto, são inúteis, não economizam emissões. A pesquisa levanta questões importantes, mas a crítica não vai longe o suficiente. Ele afirma que, para que o sistema funcione, “basta alguém garantir que o CO 2 será realmente economizado”. Mas o problema não é tanto o CO2– , mas o fato que certificados são inúteis. O problema é que, em vez de parar as emissões na fonte, aceitamos a compensação em primeiro lugar.

Isso pode ser visto no exemplo da Gucci, que foi considerado pelos jornais Zeit e  The Guardian A empresa de moda afirma que agora é  COneutro. Na verdade, porém, hoje emite mais gases nocivos ao clima do que há alguns anos – atualmente cerca de um milhão de toneladas de CO 2 por ano. Como compra certificados de compensação, ainda pode se considerar neutra em CO 2 .

O futuro das florestas é incerto

Vamos olhar para o futuro: devido à crescente pressão do movimento climático, da sociedade e da política e de metas climáticas mais fortes, mais e mais empresas, setores inteiros como a aviação e também países serão forçados a reduzir suas emissões. Pelo menos é o que se espera. Isso aumentará a demanda por certificados de compensação. Em algum momento, o sistema chegará ao seu limite: a área florestal realmente ameaçada pelo desmatamento – é isso que certificados de proteção florestal como os que a Gucci compra – não é infinita. Eventualmente todas as florestas ameaçadas pelo desmatamento serão destruídas pelo CO 2– Projetos de compensação são protegidos (embora apenas teoricamente, leia mais sobre isso abaixo) e outras opções de compensação também devem ser esgotadas. Ao mesmo tempo, as emissões reais das empresas compensadoras permanecem altas. Graças à compensação, eles realmente não precisam reestruturar sua produção, desde que os políticos e os clientes aceitem essa brecha. Eles têm licença para poluir nossa atmosfera.

Mas simplesmente não há terra suficiente para compensar as emissões de todas as empresas. De acordo com uma análise da ONG ActionAid, a empresa de energia fóssil Shell sozinha teria que reflorestar uma área três vezes maior que a Holanda para seus planos declarados de emissões “líquidas zero”. E mesmo que houvesse espaço suficiente no mundo para tais projetos, levaria muito tempo para que surtissem efeito. Uma árvore leva décadas para fixar uma tonelada de CO 2 . Perdemos um tempo valioso com a mentira da compensação. Porque, no final das contas, a possibilidade de compensação climática tem um efeito principal: cria a ilusão de que nada precisa mudar.

A pesquisa »Zeit« revelou erros no sistema existente. É difícil, se não impossível, calcular a quantidade de emissões efetivamente compensadas por um projeto específico. A adicionalidade é crucial aqui: uma floresta protegida por dinheiro de sistemas de compensação teria sido derrubada de outra forma? O reflorestamento também não seria financiado por fontes estatais? As turbinas eólicas em locais adequados também não seriam financiadas por outras fontes, desde que fossem lucrativas para os investidores?

Além disso, o futuro das florestas é incerto. Ninguém pode garantir que uma floresta protegida ou reflorestada para compensar será preservada a longo prazo: devido ao aquecimento global, os incêndios florestais estão aumentando em todo o mundo. Repetidas vezes, as florestas que fazem parte dos projetos de compensação também são afetadas. Em alguns casos, isso é levado em consideração e são criadas “reservas”, ou seja, mais áreas florestais são disponibilizadas para compensar – mas geralmente muito pouco. Na Califórnia, os incêndios florestais em menos de 10 anos destruíram todas as reservas de 100 anos que o programa de compensação de carbono do estado estava tentando garantir, de acordo com uma análise do grupo de pesquisa CarbonPlan. Só os incêndios florestais em 2020 têm uma estimativa de 127 milhões de toneladas de CO 2liberadas – isso corresponde a um sexto de todas as emissões anuais prejudiciais ao clima na Alemanha.

Questões de justiça

Outro problema são os efeitos de esquiva. O objetivo dos projetos de proteção florestal é proteger áreas específicas contra o desmatamento. Mas se a perda de floresta diminuir em geral porque o desmatamento está se deslocando para outras áreas, nada se ganha. A compensação pode até levar a que mais produtos prejudiciais ao clima sejam produzidos e comprados, afinal pode ser compensado. Fala-se do »efeito rebote«.

Questões de justiça também surgem: CO 2-A compensação é frequentemente usada para atividades não essenciais à vida, como viagens aéreas, ou para produtos de luxo, como no caso da Gucci. Estes devem ser os primeiros que reduzimos no interesse de um futuro digno de ser vivido por todos. Em contraste, a maioria dos projetos de compensação é implementada em países do Sul Global, especialmente na América Latina e na África. Isso leva à “apropriação de terras”, com empresas ocidentais se apropriando de terras usadas por residentes locais, muitas vezes por grupos indígenas, como a Global Forest Coalition (GFC), uma coalizão internacional de ONGs e organizações indígenas. Souparna Lahiri, do GFC, relata que muitas vezes essas comunidades não são suficientemente informadas e não têm o direito de se envolver no planejamento dos projetos:

A compensação climática não é um sistema com erros, o próprio sistema é o erro. Para deter o aquecimento global, devemos reduzir a zero as emissões de nosso sistema energético e de todos os setores da economia, ao mesmo tempo em que detemos a destruição de florestas e outros ecossistemas. A proteção florestal não é uma alternativa à conversão e desmantelamento de indústrias prejudiciais ao clima, mas deve acontecer independentemente disso. Isso requer novos acordos em nível internacional e um adeus a sistemas e atores comprovadamente prejudiciais como Verra, que lucram com a compensação. Souparna Lahiri também confirma isso: a proteção do clima só terá sucesso com uma mudança muito mais rápida para energias renováveis ​​e agricultura sustentável com redução da pecuária. O pré-requisito para isso é o fim de uma política climática, determinada pelos interesses corporativos. Para Lahiri, as pessoas certas para serem responsáveis ​​pela proteção das florestas não são as empresas de compensação, mas as comunidades locais e indígenas: »Elas podem combater as mudanças climáticas com seus conhecimentos tradicionais e devem ser fortalecidas para conservar, proteger e restaurar as florestas, a diversidade biológica e recursos naturais. Porque sabem viver em harmonia com a natureza e estabelecem uma relação simbiótica. Eles devem ser os arquitetos de soluções reais.« para conservar, proteger e restaurar a diversidade biológica e os recursos naturais. Porque sabem viver em harmonia com a natureza e estabelecem uma relação simbiótica. Eles devem ser os arquitetos de soluções reais.« para conservar, proteger e restaurar a diversidade biológica e os recursos naturais. Porque sabem viver em harmonia com a natureza e estabelecem uma relação simbiótica. Eles devem ser os arquitetos de soluções reais.«

Manuel Grebenjak é ecologista político, trabalhou como ativista para várias organizações ambientais e é ativo no movimento climático.


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Este artigo escrito originalmente em alemão foi publicado pelo jornal “Neues Deutschland” [Aqui!].

‘Pseudociência intencional’: o método da extrema-direita para fazer você acreditar que mudanças climáticas não existem

O cientista Ricardo Galvão, que acaba de assumir a presidência do CNPq, e outros cientistas explicam como hipóteses científicas são usadas de forma distorcida para enganar o público e avançam rapidamente nas plataformas digitais. YouTube, que não tem política sobre conteúdos negacionistas do clima, desmonetizou vídeos enviados pelo projeto Mentira Tem Preço.

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Por Eduardo Geraque/InfoAmazonia

Os Estados Unidos viviam a “pior nevasca do século” e um dos mais prestigiosos jornais do mundo, o The New York Times, publicava “Como a mudança climática pode sobrecarregar as tempestades de neve“. No Brasil, o drama dos norte-americanos virou piada e motivo para negar a existência das mudanças climáticas no YouTube, plataforma que não tem políticas de conteúdo para combater o negacionismo das mudanças climáticas.

O projeto Mentira Tem Preço mapeou dois vídeos entre os mais vistos no Brasil em canais de extrema-direita na última semana de dezembro de 2022. Foram mais de 270 mil visualizações na semana em que Marina Silva aceitou ser ministra do Meio Ambiente do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e anunciou, em entrevista, que a pasta ganharia “mudanças climáticas” no nome.

Youtuber Junior Japa comenta o aquecimento global em seu canal, sem qualquer apuro científico | Reprodução Youtube

Um youtuber que se intitula Junior Japa, e que usa as redes para enaltecer o bolsonarismo, levantou dúvidas sobre as mudanças climáticas: “nunca vi um novembro e um dezembro chovendo tanto como neste ano, e eles insistem em falar de aquecimento global. Chegou a hora que até Deus está de saco cheio…”.

Outro vídeo é do jornalista Alexandre Garcia, ex-apresentador da CNN demitido por defender o uso de medicamentos sem eficácia no tratamento da Covid-19. Agora na equipe da Jovem Pan News, Garcia é um dos citados no inquérito do Ministério Público Federal sobre a disseminação de desinformação.Na live em seu canal, Garcia diz: “Vocês foram muito assustados pelo aquecimento global. Vai acabar o mundo, a temperatura vai subir. Gente, já morreram 62 nos Estados Unidos, de frio”.

“O nome disse é pseudociência intencional, e veio para ficar”, diz o cientista Ricardo Galvão, que acaba de assumir a presidência do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ). Galvão foi demitido da presidência do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) no governo de Jair Bolsonaro por divulgar dados que indicavam alta do desmatamento.

COMO FAZEMOS O MONITORAMENTO: O projeto Mentira Tem Preço, realizado desde 2021 pelo InfoAmazonia e pela produtora FALA, monitora e investiga desinformação socioambiental. Nas eleições de 2022, checamos diariamente os discursos no horário eleitoral de todos os candidatos a governador na Amazônia Legal. Também monitoramos, a partir de palavras-chave relacionadas a justiça social e meio ambiente, desinformação sobre a Amazônia nas redes sociais, em grupos públicos de aplicativos de mensagem e em plataformas.

A fórmula de sucesso desse raciocínio que termina ludibriando a opinião pública, diz Galvão, é jogar uma hipótese científica, sem explicar o método ou suas conclusões, nas redes sociais de maneira que quem não seja um especialista no assunto não tenha insumos para questionar. O método é utilizado pela extrema direita em todo o mundo. Essa desinformação gera ansiedade por respostas rápidas e pouco complexas que os cientistas têm dificuldade para responder. “Nem sempre uma resposta a um pseudocientista cabe em um fio do Twitter ou nos stories do Instagram.”

“Os eventos extremos, como ondas de calor, frio, secas ou chuvas, são indicadores claros das mudanças climáticas”, afirma o climatologista José Marengo, um dos grandes especialistas mundiais no tema. Ele é coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), instituição ligada ao governo federal.

Por isso, eventos como os ciclones-bomba dos Estados Unidos —ou, no caso do Brasil, as torrenciais tempestades de verão mais concentradas— vão ficar mais frequentes, aponta Marengo. “No verão, quando vêm as ondas de calor, ninguém se lembra muito de criticar o aquecimento”, diz o especialista peruano radicado há décadas no Brasil. “Se você fizer uma média, por exemplo, das temperaturas no inverno, elas estão mais quentes.

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Para o climatologista José Marengo, coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Cemaden, “eventos extremos, como ondas de calor, frio, secas ou chuvas, são indicadores claros das mudanças climáticas” | Ascom / CEMADEN

Tanto o canal de Garcia como o de Japa são monetizados, o que significa que Garcia, Junior e o YouTube podem lucrar com o negacionismo das mudanças climáticas. Isso não deveria ter acontecido segundo as próprias políticas de monetização e anúncios sobre mudanças climáticas atualizadas em 2021. Desde então, passou a ser proibida a geração de receita com conteúdo e anúncios que contradizem o consenso científico sobre a existência e as causas das mudanças climáticas. Sobre ter conteúdos negacionistas das mudanças climáticas na plataforma, não houve avanço

“Isso inclui material que se refere às alterações no clima como se fossem mentira ou um golpe, com afirmações negando que as tendências de longo prazo mostram um aumento na temperatura global, e dizendo que as emissões de gases do efeito estufa ou as atividades humanas não contribuem para esse cenário. Após análise, os vídeos em questão tiveram a monetização suspensa por infringirem as diretrizes de conteúdo adequado para publicidade do YouTube”, afirma a empresa por meio de nota.

A reportagem não conseguiu contato com Garcia e Junior. O vídeo de Japa foi removido durante a apuração da reportagem.

unnamed (8)Em transmissão ao vivo realizada em seu canal do YouTube, Alexandre Garcia afirma, sem mostrar evidências, que seus espectadores “foram muito assustados pelo aquecimento global” | Reprodução do YouTube

Como combater a pseudociência

Galvão lembra bem de quando entrou em contato com a pseudociência intencional da extrema-direita, representado na figura do astrólogo e ideólogo Olavo de Carvalho (1947-2022). Há alguns anos, um ex-aluno o procurou para saber como responder a Carvalho, que dizia em um vídeo que a Teoria da Relatividade de Albert Einstein estava errada. “Eles [os negacionistas da extrema-direita] usam um ponto importante do método científico”, explica Galvão.

“A teoria ou o modelo científico tem que ser testada, isso faz parte do próprio processo da ciência, para sabermos se ela é falsa ou não. Se você segue o método científico, você precisa provar que algo é verdadeiro ou, então, mostrar que aquilo pode ser falseado. Mas, segundo os negacionistas, o método científico é uma hipótese como outra qualquer, e esse é um problema sério agravado pela circulação dessas desinformações nas plataformas digitais.”

A desinformação em geral, e principalmente a relacionada a ciência e meio ambiente, incluindo a agenda climática e energética, faz parte de um processo já consolidado no Brasil mostram pesquisas sobre o tema.

“A desinformação é fruto também da histórica concentração midiática do sistema de comunicações no Brasil. Por isso, um debate sério sobre reforma do sistema comunicacional e do fortalecimento da comunicação pública também é um caminho urgente para sair do labirinto da desinformação”, afirma Lori Regattieri, pesquisadora do Netlab da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

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Cientista Ricardo Galvão, que acaba de assumir a presidência do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ), afirma que a pseudociência intencional “veio para ficar” | Cecília Bastos / USP Imagens

Para a especialista em desinformação digital, no caso específico do desmatamento, a solução também passa pelo fortalecimento do ecossistema das mídias regionais. “Principalmente na própria região do arco do desmatamento, com o objetivo de promover iniciativas de jornalismo regional comprometidas com a pluralidade de vozes da própria comunidade, promovendo informação e expondo a população a conteúdo consolidado pela ciência e pelas pesquisas desenvolvidas na agenda de clima e meio ambiente”, diz Lori.

Para ela, em termos práticos, o caminho para enfrentar a desinformação digital passa necessariamente pelo amadurecimento do PL 2630. “O chamado PL das Fake News precisa retornar a reflexões sobre a dinâmica de consumo informacional no Brasil, para que esteja conectado às demandas contemporâneas do ecossistema de notícias diante dos desafios estruturantes das redes sociais e aplicativos de mensagens. A transformação digital do ponto de vista das comunicações precisa considerar questões econômicas, pois o celular é um dos principais meios de interação com esse ecossistema de informação”, diz Lori.

Também entra nessa seara, diz a pesquisadora, a responsabilização de todos os atores envolvidos na cadeia da desinformação. “É um debate sobre a responsabilização desde as plataformas até indivíduos. Precisamos pensar que atores serão responsabilizados. Não é apenas a minha posição individual, mas as empresas também podem ser responsabilizadas ativamente no combate à desinformação.”

No caso de Galvão, mesmo com todos os desafios, ele conta que seu ex-aluno não ficou sem resposta para rebater Olavo de Carvalho em seu podcast. “Eu disse: ‘olha, diga aos seus seguidores do Instagram que, se eles usam GPS, se não fossem as correções relativísticas da teoria de Einstein, que fazem a correção do relógio do satélite com o horário do relógio que está na Terra, o erro de medição do GPS seria da ordem de 10 km’. E mandei mais três referências onde isso é explicado de forma mais detalhada e acessível para leigos. Ele fez isso e foi um sucesso de audiência.”

Essa reportagem faz parte do projeto Mentira Tem Preço – especial de eleições, realizado por InfoAmazonia em parceria com a produtora Fala. A iniciativa é parte do Consórcio de Organizações da Sociedade Civil, Agências de Checagem e de Jornalismo Independente para o Combate à Desinformação Socioambiental. Também integram a iniciativa o Observatório do Clima (Fakebook), O Eco, A Pública, Repórter Brasil e Aos Fatos.

Em 2022 as temperaturas dos oceanos foram as mais quentes já registradas, mostra análise

Os mares dominam os padrões climáticos globais e a crise climática está causando mudanças profundas e prejudiciais

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Icebergs na Baía de Baffin, no Oceano Ártico, perto de Pituffik, Groenlândia, em julho de 2022. Fotografia: Kerem Yücel/AFP/Getty Images

Por Damian Carrington Editor de Meio Ambiente, para o “The Guardian”

Os oceanos do mundo foram os mais quentes já registrados em 2022, demonstrando as mudanças profundas e generalizadas que as emissões causadas pelo homem causaram no clima do planeta.

Mais de 90% do excesso de calor retido pelas emissões de gases de efeito estufa é absorvido nos oceanos. Os registros, a partir de 1958, mostram um aumento inexorável da temperatura oceânica, com aceleração do aquecimento após 1990.

As temperaturas da superfície do mar são uma grande influência no clima mundial. Oceanos mais quentes ajudam a sobrecarregar o clima extremo, levando a furacões e tufões mais intensos e mais umidade no ar, o que traz chuvas e inundações mais intensas. A água mais quente também se expande, elevando o nível do mar e colocando em risco as cidades costeiras.

A equipe internacional de cientistas que produziu a nova análise do calor do oceano concluiu: “Os ciclos de energia e água da Terra foram profundamente alterados devido à emissão de gases de efeito estufa pelas atividades humanas, levando a mudanças generalizadas no sistema climático da Terra”.

O professor John Abraham, da Universidade de St Thomas em Minnesota e parte da equipe de estudo, disse: “Se você quer medir o aquecimento global, você quer medir para onde vai o aquecimento, e mais de 90% vai para os oceanos.

“Medir os oceanos é a maneira mais precisa de determinar o quão desequilibrado está o nosso planeta.

“Estamos tendo um clima mais extremo por causa do aquecimento dos oceanos e isso tem consequências tremendas em todo o mundo.”

O professor Michael Mann, da Universidade da Pensilvânia, também parte da equipe, disse: “Oceanos mais quentes significam que há mais potencial para eventos de precipitação maiores, como vimos no ano passado na Europa, Austrália e atualmente na costa oeste. dos EUA”.

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Ele disse que a análise mostrou uma camada cada vez mais profunda de água quente na superfície do oceano: “Isso leva a uma intensificação maior e mais rápida dos furacões – algo que também vimos no ano passado – uma vez que os ventos não produzem mais ventos frios sub- águas superficiais que, de outra forma, amorteceriam a intensificação”.

Uma pesquisa divulgada na segunda-feira pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA mostrou que muitos eventos climáticos extremos em 2022 se tornaram mais prováveis ​​e intensos pela crise climática, como as fortes chuvas que causaram inundações devastadoras no Chade, Níger e Nigéria.

Medições confiáveis ​​da temperatura oceânica remontam a 1940, mas é provável que os oceanos estejam agora em seu ponto mais quente em 1.000 anos e aquecendo mais rápido do que em qualquer outro momento nos últimos 2.000 anos .

A análise, publicada na revista Advances in Atmospheric Sciences , usou dados de temperatura coletados por uma variedade de instrumentos nos oceanos e combinou análises separadas por equipes chinesas e americanas para calcular o conteúdo de calor dos 2.000 metros superiores, onde ocorre a maior parte do aquecimento. .

Os oceanos absorveram cerca de 10 zettajoules a mais de calor em 2022 do que em 2021, o equivalente a cada pessoa na Terra usando 40 secadores de cabelo o dia todo, todos os dias.

Os pesquisadores também analisaram a salinidade, que junto com a temperatura determina a densidade da água e é um fator vital para a circulação oceânica. Um índice da variabilidade da salinidade nos oceanos atingiu um recorde em 2022, mostrando a amplificação contínua do ciclo hidrológico global.

A tendência de longo prazo de aumentar a estratificação continuou em 2022, descobriram os cientistas, com “consequências científicas, sociais e ecológicas importantes”.

Uma consequência, disse Abraham, é que menos mistura no oceano significa que a camada superficial absorve menos dióxido de carbono da atmosfera, aumentando o aquecimento global.

Os pesquisadores também disseram: “Há ocorrências crescentes de ondas de calor e secas recordes no hemisfério norte, consistentes com o intenso aquecimento oceânico nas latitudes médias dos oceanos Pacífico e Atlântico”.

O aquecimento dos oceanos e os impactos no clima extremo aumentarão até que a humanidade alcance emissões líquidas zero.

Em outubro, a Organização Meteorológica Mundial informou que a concentração atmosférica de todos os principais gases do efeito estufa – dióxido de carbono, metano e óxido nitroso – atingiu níveis recordes . O chefe da OMM, Prof Petteri Taalas, disse: “Estamos indo na direção errada”.


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Este texto escrito originalmente em inglês foi publicado pelo jornal “The Guardian” [Aqui!].

Lei anti-desmatamento da União Europeia abre precedente para outros países seguirem

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Por Rainforest Action Network

Gemma Tillack, Diretora de Política Florestal da Rainforest Action Network (RAN), respondeu à adoção de uma nova lei de importação da União Europeia (UE) que visa impedir que as empresas vendam commodities ligadas ao desmatamento e à degradação florestal.

“O regulamento de desmatamento da UE estabelecerá um importante precedente a ser seguido por outras nações”, disse Tillack. “Os sinais de uma emergência climática estão ao nosso redor e, para evitar o colapso climático, devemos enfrentar os dois motores da crise climática – combustíveis fósseis e desmatamento.

“O regulamento de desmatamento da UE pode levar a reformas rápidas nas cadeias de abastecimento mais responsáveis ​​pelo desmatamento – especialmente carne bovina, soja, óleo de palma, celulose e papel e café, já que os produtores dessas commodities estarão sujeitos a due diligence adicional. Os grandes comerciantes do agronegócio precisarão mostrar o local onde todas as matérias-primas foram produzidas e provar que não estavam ligadas ao desmatamento.

“As novas regulamentações nos países de compras devem funcionar de mãos dadas com mais ações de grandes bancos e marcas para acabar com o desmatamento, a degradação florestal e a conversão de ecossistemas naturais em suas cadeias de suprimentos ou portfólios de investimentos.

“Uma grande força da regulamentação da UE é sua exigência de rastreabilidade até o nível de plantação, fazenda ou rancho. As disposições que exigem dados de geolocalização para todas as matérias-primas impulsionarão a pressão necessária para alcançar a rastreabilidade das cadeias de suprimentos. A investigação recente da RAN descobriu que a falta de rastreabilidade até o nível da fazenda estava resultando em óleo de palma produzido ilegalmente em florestas de turfa densas em carbono protegidas entrando nas cadeias de suprimentos globais.

“Para limitar a mudança climática, precisamos garantir que as cadeias de suprimentos de commodities com risco florestal estejam implementando práticas de não desmatamento, não turfa e não exploração (NDPE). Todos os governos que compram commodities com risco florestal devem desenvolver e implementar leis e estruturas de aplicação que garantam que todos os produtos importados sejam fabricados em conformidade com os padrões de melhores práticas que proíbem o desmatamento, a conversão de ecossistemas naturais e os abusos dos direitos humanos.

“Os líderes mundiais estão cada vez mais reconhecendo e se comprometendo com a proteção e restauração das florestas do mundo como um componente central para lidar com as mudanças climáticas.”


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Este texto escrito originalmente em inglês foi publicado pela Rainforest Action Network [Aqui! ].

Projeto refloresta manguezais amazônicos com impacto positivo para 42 mil pessoas

Junto ao potencial do mercado de carbono, as ações concluem mapeamento para a extração sustentável de madeira e caranguejo-uçá como fonte de renda das comunidades

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Para além da floresta tropical que está no centro das atenções pela importância no combate às mudanças climáticas globais, a Amazônia guarda em sua faixa costeira os maiores manguezais do planeta, com cerca de 8 mil km de extensão. De expressivo potencial como sumidouro de carbono e fonte de sustento por meio da pesca, o ecossistema é alvo de ações socioambientais inéditas que, após dois anos, chegam a novos dados científicos em conjunto com comunidades da região. Os resultados dão base ao uso sustentável e à conservação da biodiversidade, com a restauração de 14 hectares de áreas degradadas e atividades sociais e educativas em benefício de 42 mil pessoas em reservas extrativistas e áreas do entorno, no Pará.

“Devido a essa importante contribuição técnico-científica, hoje entendemos muito melhor a biodiversidade desse ecossistema para expandir o modelo de reflorestamento em outras áreas da região”, afirma Marcus Fernandes pesquisador do Laboratório de Ecologia de Manguezal (LAMA), da Universidade Federal do Pará (UFPA), que apoia o Projeto Mangues da Amazônia. A iniciativa socioambiental, realizada pelo Instituto Peabiru com patrocínio da Petrobras, desenvolveu metodologia unindo ciência e conhecimento tradicional das comunidades em cinco municípios do território paraense banhado pelo Atlântico: Bragança, Augusto Correa, Tracuateua, Primavera e Quatipuru (PA).

Segundo Fernandes, em dois anos de atividades, a democratização da ciência com o modelo participativo de trabalho foi o diferencial do projeto, correalizado pela Associação Sarambuí, voltada a aproximar a academia da sociedade e suas demandas. “Juntamos peças essenciais do quebra-cabeça para o conhecimento sobre os manguezais da região, com a perspectiva de seguir adiante com novas contribuições, de forma ainda mais madura, em momento positivo de visibilidade para a Amazônia”, ressalta o pesquisador.

Mapeamento dos recursos

No campo ambiental, as ações resultaram na apresentação de uma proposta para futuros planos de manejo do caranguejo-uçá e do corte de madeira de mangue para fazer cerca e currais de pesca – prática comum nas três reservas extrativistas trabalhadas pelo projeto. A iniciativa tem como base o mapeamento realizado em conjunto com as comunidades locais para identificar onde ocorre a extração do recurso e com qual frequência e intensidade. Com base nas recomendações do trabalho, visando a retirada sustentável, os extrativistas estabelecerão de forma comunitária as regras de uso, para a posterior implantação do plano de manejo, por meio dos chamados “acordos de pesca”.

Uma comunidade de Tracuateua (PA) está sendo preparada como primeira experiência-piloto para início desse processo, na extração do caranguejo-uçá – objeto de uma tese de doutorado da UFPA, entre outras pesquisas acadêmicas de apoio ao projeto. “Com o mapeamento, colocamos o tema do manejo na agenda do debate, de modo a conciliar renda e conservação da biodiversidade, respeitando o ciclo de reprodução e desenvolvimento das espécies ao longo do ano”, explica Fernandes.

Em paralelo, as ações de reflorestamento do projeto Mangues da Amazônia contribuem para o retorno de caranguejos às áreas recuperadas após impactos, como os da extração de madeira. Além do aspecto ecológico, a iniciativa de repor árvores – no total, 155 mil mudas, em dois anos – funciona como fio condutor de atividades educativas planejadas para sensibilizar as comunidades sobre a importância da conservação.

Junto a esses legados, as ações nesses dois anos possibilitaram obter novos dados científicos sobre a biodiversidade dos manguezais amazônicos, necessários ao monitoramento da sua regeneração. O projeto desenvolveu protocolos e métodos de plantio de árvores adequados às características biológicas e realidade da região, o que abre novas perspectivas à restauração de áreas degradadas.

Inovações de olho no carbono

Foi possível aplicar técnicas inovadoras de produção de mudas e replantio, com descobertas, por exemplo, sobre a melhor produtividade dos viveiros quando banhados mais intensamente pelo fluxo das marés. Além dos métodos tradicionais, o trabalho demonstrou a eficácia do transplante de mudas da floresta para lugares onde têm maior probabilidade de vingar e crescer de forma sadia até o tamanho ideal para retorno ao ambiente natural.

“A partir desses aprendizados, o plano é expandir o reflorestamento para mais duas reservas extrativistas, nos municípios de Viseu (PA) e Corutapera (MA), já no estado vizinho”, revela Fernandes, na expectativa de futuros avanços no mercado de carbono. A vegetação restaurada em dois anos pelo Mangues da Amazônia (14 hectares) representa a fixação de cerca de 440 toneladas de carbono por ano, quando adulta.

A flora do manguezal é relevante para fixar o solo lamoso, como uma “bomba” de carbono, impedindo a erosão e estabilizando a linha de costa, além manter o equilíbrio ecológico e a ciclagem de nutrientes que garantem os recursos pesqueiros. Na Amazônia, o expressivo volume de matéria orgânica carreado pelos rios até o litoral confere características especiais aos manguezais da região, maiores e mais exuberantes em comparação a esse ecossistema no restante do País.

“Sabe-se que os ecossistemas de mangue da costa amazônica brasileira estocam mais do que o dobro de carbono em relação às florestas de terra firme na mesma região”, afirma Fernandes. Segundo ele, um dos legados do projeto socioambiental na área foi a geração de dados para análise do potencial de estocagem e de emissão de gases de efeito estufa, na perspectiva do mercado de créditos de carbono, com renda adicional para as comunidades extrativistas do mangue.

O poder da educação e engajamento social

No aspecto social, chave para o uso sustentável da biodiversidade, as atividades abrangeram desde a qualificação profissional de jovens até o debate sobre questões de gênero e garantia de direitos. Além de mutirões de limpeza das praias e manguezais contra a poluição por resíduos, as atividades socioeducativas envolveram 1,2 mil estudantes de diferentes faixas etárias: o Clube do Recreio (crianças de três a seis anos), o Clube de Ciências (sete a 12 anos), o Protetores do Mangue (13 a 19 anos) e o AlfaMangue – iniciativa voltada à alfabetização de crianças como resposta às lacunas deixadas pela pandemia de covid-19.

“É preciso continuidade no longo prazo para consolidar os resultados iniciais e chegar a mais pessoas”, aponta John Gomes, gestor do Mangues da Amazônia. A articulação de parcerias locais junto aos setores público e privado deu eco aos desafios socioambientais, conferindo visibilidade aos manguezais e aproximando as populações locais de serviços básicos, como água e assistência à saúde. “Quem vive nas cidades passou a valorizar e olhar diferente para o mangue, não como lama, mas lugar rico em nutrientes, biodiversidade e carbono”, conclui Gomes.

Sobre o Projeto Mangues da Amazônia

O Mangues da Amazônia é um projeto socioambiental com foco na recuperação e conservação de manguezais em Reservas Extrativistas Marinhas do estado do Pará. É realizado pelo Instituto Peabiru e pela Associação Sarambuí, em parceria com o Laboratório de Ecologia de Manguezal (LAMA), da Universidade Federal do Pará (UFPA), e conta com patrocínio da Petrobras, através do Programa Petrobras Socioambiental. Com início em 2021 e duração de dois anos, o projeto atua na recuperação de espécies-chave dos manguezais através da elaboração de estratégias de manejo da madeira e do caranguejo-uçá com a participação das comunidades.

Sobre a Associação Sarambuí

A Associação Sarambuí é uma Organização da Sociedade Civil (OSC) com sede em Bragança – Pará, constituída em 2015, cuja missão é promover a geração de conhecimento de maneira participativa, em prol da conservação e sustentabilidade dos recursos estuarino-costeiros. Nossas ações são direcionadas ao ecossistema manguezal, ao longo da costa amazônica brasileira, em particular no litoral do Estado do Pará. É uma das organizações realizadoras do projeto Mangues da Amazônia.

Sobre o Instituto Peabiru

O Instituto Peabiru é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) brasileira, fundada em 1998, que tem por missão facilitar processos de fortalecimento da organização social e da valorização da sociobiodiversidade. Com sede em Belém, atua nacionalmente, especialmente no bioma Amazônia, com ênfase no Marajó, Nordeste Paraense e na Região Metropolitana de Belém (PA). É uma das organizações realizadoras do projeto Mangues da Amazônia.

Mudanças climáticas, padrões extremos de chuva e formas tradicionais de governar… a tempestade perfeita

Há algum tempo este blog tem abordado os graves problemas que estão acompanhando o processo de mudanças climáticas. Não foram poucas as vezes que eu já me manifestei, no caso particular de Campos dos Goytacazes, sobre a necessidade de se ter algum tipo de avaliação dos diques que protegem o núcleo urbano principal das cheias do Rio Paraíba do Sul. 

Até hoje esses alertas foram solenemente ignorados pelas autoridades municipais, independente da admnistração ou do prefeito que estivesse governando Campos dos Goytacazes. Agora com a queda de pelo menos 200 metros do dique de contenção na Avenida XV de Novembro (ver imagens abaixo), a lógica é que só haja preocupação com a obra que terá de ser feita e não com o problema maior. 

E qual seria esse problema maior? A necessidade de que as estruturas urbanas sejam revisadas e até refeitas para que haja a necessária adequação ao novo padrão climático que traz junto, entre outras coisas, períodos intensos de chuvas em pequenos espaços de tempo. Sem essa adequação, vamos ficar enxugando gelo e vendo muito dinheiro sendo desperdiçado em estruturas inadequadas para a nova realidade climática.

Ah, sim, não vai adiantar nada ter técnicos e políticos colocando o vistoso colete da Defesa Civil para dizer que estão colocando o pé no barro. O problema atual é muito mais complexo do que o que já se enfrentou no passado. Por isso, formas tradicionais e antiquadas de governar não vão adiantar nada.  Por isso, melhor será fazer uma ampla avaliação das condições estruturais dos diques de proteção do que posar para fotos rápidas para o Instagram.

A boa notícia é que já existe muito conhecimento sobre preparar as estruturas urbanas a um mundo climaticamente transformado. Resta saber se vai haver vontade de governos e órgãos de gestão ambiental para enfrentarmos o grande desafio que está posto.

As mudança climáticas deterioram o pavimento asfáltico

calles-concreto-996x567De acordo com um estudo, o aumento nos extremos de temperatura derivados da mudança climática afeta a qualidade e a vida útil do concreto usado em caminhos. Crédito da imagem: Municipio de Piñas/Flickr , bajo licencia Creative Commons (CC BY-SA 2.0)

Na América Latina e no Caribe, esse problema se resume à baixa qualidade dos caminhos. Após uma avaliação do Fórum Econômico Mundial sobre a disponibilidade e qualidade das infraestruturas de transporte na região, em 2016 a América Latina foi a segunda região que sofreu um retrocesso mais significativo com relação aos resultados obtidos em 2014.

Segundo este relatório, a baixa qualidade nos caminhos é um dos fatores que dificultam a região para tirar oportunidades que a harían mais competitiva economicamente porque as carreiras deterioradas dificultam o transporte de produtos e diminuem a produtividade do país.

Para Sushobhan Sen, investigador do Departmento de Ingeniería Civil y Ambiental de la Universidad de Pittsburgh e autor principal da investigação, pese a la relevancia economica de las rutas, son pocos los estudios en torno a los efectos del cambio climático en los pavimentados de concreto , e em poucos casos seus resultados foram contraditórios.

Según el experto, a razão principal para esta falta de dados é que “há muito menos caminhos de concreto que de asfalto”; otra tiene que ver con que “los efectos en el asfalto son bastante obvios: se calienta y se ablanda”.

O engenheiro civil originário da Índia opina que isso reduziu a compreensão do impacto da mudança climática sobre os caminhos. “Nuestro hallazgo principal es que con el concreto não é suficiente fijarse en la temperatura promedio. Hay que fijarse en los extremos”, adicione a SciDev.Net .

“Há 10 ou 15 anos a ideia é que o planeta está esquentando. Agora entendemos que está ficando mais quente, mas também mais frio. Os extremos estão se agravando”.

Sushobhan Sen, Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade de Pittsburgh

Durante la investigación, los científicos sometieron al pavimentado de concreto a las mismas pruebas de calor que al de asfalto, y no hallaron deterioração evidente. Em seus experimentos, elevou a temperatura média de um dia, diminuiu, aumentou o calor tanto no dia quanto na noite, e simulou a passagem dos automóveis para observar a deterioração.

Mas também intentaron um acercamiento novedoso ao simular los efeitos del cambio climático: en vez de aumentar la temperatura promedio, decidieron simular días más calurosos y noches más frías. Assim, encontrou-se que a deterioração no concreto era evidente, e em particular vieron que este impacto aumenta a fadiga do material e diminui sua vida útil.

Para o especialista, a observação é congruente com os hallazgos em torno do câmbio climático: “Faz 10 ou 15 anos a ideia é que o planeta está calentando. Agora entendemos que se está voltando mais caliente, mas também mais frio. Los extremos estão alejando”.

Para os países em vias de desenvolvimento, o especialista considera que também há uma vulnerabilidade acrescida, devido à falta de capacidade de recuperação devido a recursos escasos.

Até 2016, o Panamá era o país com maior qualidade em infraestrutura de transporte na América Latina e no Caribe, segundo o Fórum Econômico Mundial. No entanto, esse país ocupa a posição 30 na escala global. Le seguía México con el puesto 34, Chile en 46 y Equador en el 48.

Para Rodrigo Delgadillo, especialista no tema do Departamento de Obras Civiles da Universidad Técnica Federico Santa María (Valparaíso, Chile) que não participou deste estudo, a qualidade na infraestrutura de caminhos tem que ver com a capacidade econômica de um país e também com as políticas de inversão nela.

Delgadillo disse ao SciDev.Net que comer dinheiro nos caminhos gera um círculo virtuoso: “Vas bajando seus custos de produção, porque sua agricultura, seus produtos, chegaram ao melhor estado al porto graças a que não se deterioraram por um mal caminho. Llegan en un mejor estado y se venden a buen precio”.

Em 2020, Delgadillo realizou uma investigação para entender como a mudança climática também modificou a seleção de materiais para a construção de caminhos de asfalto no Chile. Para ele, a vigilância constante das bases de dados históricos do clima para elegir o material adequado é uma boa medida de mitigação.

Por outro lado, Sushobhan Sen considera necesario buscar acercamientos distintos: “Una idea es aplicar una capa ligera de color encima, para que reffleje mejor el sol. También hay otras soluciones, como mayor cobertura de árboles para dar sombra”.

Acesse  aqui o artigo na revista Results in Engineering


Este artigo escrito originalmente em Espanho foi produzido e publicado pela seção da América Latina e Caribe de SciDev.Net [Aqui!].