Ricardo Salles brinca com fogo ao arriscar provocar a fúria da Alemanha e da Noruega por causa do Fundo Amazônia

Ricardo Salles em seu apartamento nos Jardins, em SP

Ricardo Salles pode estar metendo as mãos pelos pés ao tentar interferir no modelo de governança do Fundo Amazônia.

Pode ser até redundância dizer que o ainda ministro (ou seria antiministro?) do Meio Ambiente, Ricardo Salles, está brincando com fogo ao arriscar provocar a fúria dos governos da Alemanha e da Noruega por causa da sua intenção de se introjetar no funcionamento do Fundo Amazônia, dos quais os dois países europeus são os principais financiadores.

Ao que parece, como tantos outros ministros do governo Bolsonaro,  Ricardo Salles acha que pode brincar de cabra cega com a Alemanha e a Noruega, mas  a verdade é que não pode. Por isso, a educadíssima carta conjunta que foi enviada pelos embaixadores Nils Gunneng (Noruega) e Georg Witschel (Alemanha) deveria ser vista pelo que ela realmente é, um aviso delicado, mas ainda assim um aviso (ver carta abaixo).

cartaintegra

Em um dos parágrafos mais diretos a Ricardo Salles, os embaixadores dizem que “a estrutura de governança do Comitê Executivo serviu bem ao Fundo Amazônia por mais de 10 anos. No mesmo período, os governos da Alemanha e da Noruega doaram mais de R $ 3,3 bilhões ao Fundo. A estabilidade e a transparência dos marcos regulatórios e dos processos de tomada de decisão é o que incute a confiança necessária que permite que doadores e investidores continuem fazendo esse tipo de investimentos e parcerias de longo prazo.” E eles acrescentam que “é dentro desses parâmetros que os governos da Alemanha e da Noruega avaliarão as mudanças propostas para a governança do Fundo Amazônia“.

Em palavras mais doces, os embaixadores Gunneg e Witschel estão dizendo algo como “não mexa em time que está ganhando ou arrisque a perder os generosos aportes que a Alemanha e a Noruega vem fazendo ao longo da existência do Fundo Amazônia”.

Para um ministro que mistura incompetência e arrogância em níveis raramente encontrados até para os padrões brasileiros, Ricardo Salles certamente tenderá a achar que R$ 3,3 bilhões são ninharia frente aos negócios que a sua política de desmantelamento da governança ambiental brasileira poderá gerar. Mas é aí que talvez resida o maior engano de Salles e seus mentores no governo Bolsonaro e fora dele. É que a suspensão dos aportes no Fundo Amazônia seria apenas o primeiro passo de um longo e penoso processo de represálias que deverão ser implementadas para punir a gestão irresponsável das florestas amazônicas.

Como convivi com dirigentes de instituições de pesquisa da Alemanha, sei que por detrás do alto preparo intelectual e da forma fina de se comportar existem indivíduos que não hesitam em se fazer ouvir acerca de assuntos estratégicos, especialmente quando envolvem bilhões de euros e o futuro do clima do planeta.  Por isso,  Ricardo Salles não deveria estar brincando com fogo, pois arrisca não apenas a sair pessoalmente chamuscado, como ainda causar danos incalculáveis à economia brasileira. Quem viver, verá.

 

Jair Bolsonaro quer desvirtuar o uso dos recursos do Fundo Amazônia

O objetivo do Fundo Amazônia é lutar contra o desmatamento da floresta tropical. Agora o Brasil quer usar o dinheiro para  pagar as indenizações de proprietários expropriados.

IPBES-Weltbericht: Menschheit tilgt die Natur von der Erde

A tarefa do Fundo da Amazônia é lutar contra o desmatamento da floresta tropical. Foto: dpa

Que ninguém diga que a Alemanha não faz nada pelo clima. A República Federal  da Alemanha contribui junto com a Noruega e a petrolífera brasileira Petrobras para o financiamento do “Fundo da Amazônia. O objetivo deste fundo é lutar contra o desmatamento da floresta tropical, por exemplo, financiando o reflorestamento e o socorro aos povos indígenas. Mais de 753 milhões de euros foram arrecadados desde 2010, dos quais quase 43 milhões foram entregues pela Alemanha.

Agora, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, quer usar recursos do fundo para a indenização de grandes proprietários de terra, que foram expropriados para o estabelecimento de áreas protegidas designadas. Isso foi relatado pelo jornal Estado de São Paulo . Como as regras do fundo, que é administrado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), mas não fornecem explicitamente verbas para este tipo de ação, o governo de Bolsonaro simplesmente quer mudá-las.

“Podemos minimizar os conflitos com o dinheiro do Fundo Amazônia. Significaria menos madeira ilegal e menos minas ilegais “, disse o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Os problemas existentes precisam ser enfrentados com “ousadia e criatividade”.

A composição do Comitê Diretivo do Fundo, que decide os critérios para alocação de recursos, também deve ser alterada. Até agora, este comitê é composto por 23 delegados dos governos federal e regional, bem como da sociedade civil. Ele não deve apenas encolher para sete a dez membros, mas também deve ser composto por um número maior de autoridades federais.

“Adequada e corretamente usado”

Já na semana anterior, sob pressão do ministro do Meio Ambiente, a ex-chefe do Fundo Amazônia, Daniela Baccas, foi destituída do cargo. Salles já havia falado de “irregularidades” na alocação de fundos, mas essas acusações não foram especificadas. As razões para remover Baccas também não foram mencionadas. O chefe de Baccas, Gabriel Visconti, anunciou sua renúncia em protesto à demissão dela. O Tribunal de Contas da União (TCU) também não apresentou em seu relatório de 2018  quaisquer alegações de irregularidades no uso dos recursos do Fundo Amazônia. O dinheiro é usado pelo BNDES “de forma adequada e correta”, como cita o jornal Folha de São Paulo .

Quais programas e iniciativas são apoiados com recursos do fundo, o Brasil pode decidir a partir do BNDES. No entanto, os países doadores monitoram isso, assim como a extensão do desmatamento. Em 2008, o Brasil se comprometeu a limitar o desmatamento anual para 8.143 quilômetros quadrados para fazer jus à entrega de recursos financeiros ao fundo.

Embora a área desmatada tenha subido repetidamente e em 7.900 quilômetros quadrados em 2018 tenha sido a maior desde 2008, o fundo é considerado um sucesso. Repetimos vezes que os fundos são utilizados para o entupimento de buracos causados ​​por cortes, por exemplo, para inspeções do órgão ambiental Ibama, que teria que ser financiado pelo Estado.

Segundo o jornal “O Globo”, a Noruega e a Alemanha ficaram surpresas com os planos do ministro do Meio Ambiente. Ele falará com os embaixadores dos dois países e com o chefe do BNDES sobre as mudanças planejadas nesta segunda-feira.

____________________________________________________

Este artigo foi originalmente publicado em alemão pelo jornal “Die Tageszeitung”, mais conhecido como Taz, [Aqui!]

Brasil e Noruega nas areias de Copacabana

NorwaysAndersMolandChristianSorum

Os astros noruegueses do vôlei de praia, Anders Mol e Christian Sørum, atualmente número 1 do mundo, e o atual campeão olímpico mundial, Bruno Schmidt, junto com o parceiro Evandro Gonçalves, participarão de um jogo, no próximo sábado, dia 11, nas areias de Copacabana, para celebrar as boas relações entre Brasil e Noruega.

O evento, realizado pelo Real Consulado Geral da Noruega, Innovation Norway e Conselho Norueguês da Pesca, contará como um aquecimento para a etapa do Circuito Mundial de Vôlei, que acontecerá em Itapema, Santa Catarina.

Serviço:

Data: 11/05/2019

Horário: 14h às 16h

Local: Quiosque Nativo – Av. Atlântica (Altura da R. Bolívar – Entre os postos 4 e 5)

Entrada franca

Norsk Hydro admite descarga de rejeitos no Rio Pará

barcarena hydro

Usando mais uma vez a sua página oficial no Tweeter, a empresa “quase estatal” norueguesa Norsk Hydro admitiu ter lançado águas sem tratamento no Rio Pará (ver imagem abaixo).

norsk hydro

Ainda segundo a Norsk Hydro, esta ação seria totalmente “inaceitável” e “romperia com que a empresa representa”.

Convenhamos que esse discurso é bem diferente daquele emitido nos dias 16 e 17 de fevereiro quando porta-vozes da empresa chegaram a negar que qualquer tivesse ocorrido em sua planta industrial no município de Barcarena (PA).

O problema é que desde então estão sendo encontradas provas materiais de que a Norsk Hydro possuía vários vertedouros clandestinos de resíduos tóxicos oriundos de suas atividades industriais. Assim, diante das descobertas dos órgãos de fiscalização, não restou nada mais à Norsk Hydro do que fazer uma “mea culpa” público na expectativa de conter os danos à sua imagem, especialmente na Noruega.

O mais trágico é que se dependesse das autoridades e da mídia corporativa brasileiras a Norsk Hydro iria continuar a poluir ecossistemas e a causar doenças nas populações ribeirinhas que foram impactadas pelo contato com água contaminada.

Agora há que se monitorar os trabalhos da empresa de consultoria SGW Services que foi contratada pela Norsk Hydro para fazer um levantamento da situação em Barcarena. É que está mais do que provado que não se pode deixar a Norsk Hydro cuidando desse assunto sozinha, apesar de sua postura atual de contrição.

Noruega é o primeiro país do mundo a adotar o desmatamento zero. Enquanto isso no Brasil, o clima é de liberar geral

A imagem abaixo é uma reprodução parcial de uma matéria publicada pelo jornal inglês “The Independent” sobre a decisão do governo da Noruega de adotar a política do desmatamento Zero (Aqui!).

zero deforestation

Essa decisão vai além das fronteiras da Noruega, já que a decisão do governo daquele país inclui a determinação se estende ao conjunto da cadeia de suprimentos dos produtos que são adquiridos pelo país. Em outras palavras, a Noruega não deverá mais comprar produtos originados de áreas de desmatamento novo.

O impacto da decisão norueguesa deverá ser inicialmente ignorado pelos países onde o desmatamento está ocorrendo de forma intensiva como é o caso dos países tropicais. Entretanto,  a possibilidade de que outros países industrializados sigam o caminho iniciado da Noruega não deve ser ignorada, já que o país possui uma liderança razoável em projetos de conservação florestal em todo o mundo.

Por outro lado, o Brasil fica numa posição ainda mais delicada em sua recusa de adotar a política do desmatamento zero, já que detém a maior área de floresta tropical do mundo. Além disso, como mostrou recentemente o jornalista Maurício Tuffani  do “Direto da Ciência”,  o ritmo de desmatamento na Amazônia, apesar de apresentar oscilações, vem apresentando tendência de aumento (Aqui!). Se somarmos esse quadro à decisão norueguesa,  é provável que aumentem as pressões internacionais contra a compra de produtos agrícolas e minerais gerados em áreas recentemente desmatadas.

Municipios-Mais-Desmatados_Imazon_30-01-2016

O problema é que neste exato momento, apesar da postura pró-controle que o ministro Zequinha Sarney possa estar tendo, o clima em outros ministérios e até no congresso é de “um liberar geral” para o desmatamento. Se este clima prevalecer é bem provável que as restrições comecem pela compra de carne e cheguem na soja.  A ver!

Pois é.. Noruega retirou candidatura para sediar Jogos Olímpicos depois de ouvir exigências do COI

oslo-retirou-candidatura-a-sede-dos-jogos-de-2022-1412631492889_615x470

A Folha de São Paulo acaba de divulgar uma notícia de deixar rubro os dirigentes do Comitê Olímpico Brasileiro, assumindo que eles tivessem alguma vergonha na cara. É que apesar de interessada em sediar os Jogos Olímpicos de Inverno de 2022, a Noruega declinou da possibilidade por causa de uma série de exigências do Comitê Olímpico Internacional (COI) (Aqui!).

Entre estas exigências estava a realização de um rega-bofe regado a álcool, onde o rei da Noruega, Haroldo IV, teria de estar presente e, sim, pagar a conta das festividades! 

Mas além do rega-bofe, outras exigências como o oferecimento de sorrisos toda vez que um membro do COI chegasse na portaria, e que esses mantivessem o bar aberto até altas horas da noite para o deleite dos dirigentes olímpicos.

Agora que os noruegueses saíram da concorrência, restariam apenas duas cidades: Almaty na Casaquistão, e Beijing na China.

Já os noruegueses se livraram dessa verdadeira fria que seria sediar os jogos olímpicos de inverno. Excelente para eles!