Operação policial revela esquema criminoso para fornecimento de minério de ferro para a Vale

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Policiais em frente à sede da Cedro Mineradora, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte — Foto: Aluisio Marques/TV Globo

A mineradora Vale tem estado envolvida em uma série de situações que colocam em xeque a sua reputação internacional, começando pelos Tsulamas de Mariana e Brumadinho que resultaram em verdadeiras catástrofes socioambientais cujas consequências ainda estão em desenvolvimento, afetando populações humanas e ecossistemas naturais. Também tenho abordado as ações de controle autoritário do território em áreas afetadas pela iminência de novos rompimentos de suas barragens, como é o caso do Distrito de Macacos em Nova Lima.

Mas agora os problemas envolvendo a cadeia de fornecimento da Vale acabam de ganhar as páginas policiais com a descoberta de um esquema milionário de extração ilegal de minério de ferro pelas empresas Cedro Mineração e Extrativa (ver vídeo abaixo).

Essa situação revela outra faceta até desconhecida das relações comerciais que a Vale mantém com fornecedores de matérias primas que a empresa depois termina exportando. Ao se revelar o que parece ser uma forma de lavagem de minério”, a questão que aparece é sobre quanto daquilo que é comercializado pela Vale como sendo de suas próprias minas é originado de esquemas criminosos como é que agora está sendo revelado, inclusive pela mídia corporativa (ver vídeo abaixo).

Finalmente, é interessante notar que quando se trata da Vale, sempre há uma novidade a mais. Resta saber agora como vão reagir seus clientes e acionistas, bem como o próprio governo de Minas Gerais. Mas uma coisa é certa, essas revelações são complicadoras para a imagem corporativa da Vale que, aliás, já não está boa desde o incidente ocorrido em Mariana.

Em Macacos, Vale isola e divide comunidades com medidas draconianas de controle do território

wp-1597274811361.jpgCom trincheiras e portões, a Vale fecha acessos e isola comunidades no distrito de Macacos na área potencialmente inundável pelo rompimento dos depósitos de rejeitos da mina Mar Azul

Responsável direta por um enorme número de falências no outrora dinâmico Distrito de Macacos que foi diretamente atingido pela ameaça de rompimento das barragens da mina Mar Azul em Nova Lima (MG), a Vale propagandeia que paga indenizações a mais de 7.000 pessoas, quando o número real gira em torno de 900. Além disso, a Vale tem uma face pública em que procura mostrar transparência em relação ao que está fazendo para minimizar os estragos de mais um rompimento em um dos seus empreendimentos em Minas Gerais, como bem ilustra o folheto mostrado abaixo.

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Mas a coisa muda bastante de figura quando se tem acesso às práticas de estrito do controle do território que a Vale vem impondo, curiosamente sobre quem está sendo prejudicado pela postura de colocar o lucro acima da segurança das comunidades e do meio ambiente nas regiões em que a empresa desenvolve suas atividades.

Informações chegadas de Macacos dão conta que usando a desculpa de proteger os moradores que têm propriedades ou precisam cruzar áreas que eventualmente seria inundadas pelo rompimento das barragens da Mar Azul, a Vale vem realizando ações que impedem a livre circulação dos moradores em pelo menos uma área do distrito, a chamada Mata do Engenho, criando uma série de dificuldades dentro de uma comunidade formada por 80 famílias (ver imagens abaixo).

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Essa ação óbvia de controle corporativo do território vem causando um enorme problema dentro da comunidade, visto que partes dos moradores optou por construir uma via alternativa para evitar um trajeto de 20 km. O problema é que esta via alternativa foi feita dentro de propriedades particulares, gerando um inevitável confronto com os proprietários dos lotes em que a estrada alternativa foi construída.

Segundo um morador ouvido pelo blog,  a situação na comunidade do Mato do Engenho se tornou muito peculiar, na medida em que há maior estresse entre os moradores do que com a Vale que, afinal de contas, é a causadora inicial de todos os problemas que estão ocorrendo neste momento no Distrito de Macacos e, mais especificamente, na área da Mata do Engenho.  É que, além da dificuldade de circulação, os portões e trincheiras cavadas pela Vale estão dificultando as atividades agro-ecológicas e de turismo rural que eram a base da economia de Macacos. 

Imagens mostram a posição da comunidade do Mato do Engenho dentro da possível área de inundação causada pelo rompimento dos reservatórios da mina Mar Azul (esquerda), e os pontos de bloqueio feitos dentro da comunidade da Mato do Engenho (direita)

Segundo essa mesma fonte, a indefinição de qual seria a área efetivamente inundável pelo rompimento dos reservatórios de rejeitos da mina Mar Azul também sido utilizada pela Vale para pressionar moradores para que vendam suas propriedades. Entretanto, as pressões estariam sendo maiores sobre proprietários que são mais vocais no sentido de demandar ações mais rápidas de mitigação para os danos sociais e econômicos que a empresa tem causado desde que anunciou que outra de suas minas poderiam causar outro mega desastre ambiental em Minas Gerais. 

Como se vê,  de entidade filantrópica, como alegou um dos seus representantes em reunião com os moradores atingidos em Macacos, a Vale não tem nada. O que a Vale faz muito bem é usar táticas de controle do território que terminam infernizando a vida das vítimas dos seus malfeitos corporativos.  Mas o caso de Macacos está começando a chamar a atenção não apenas no Brasil, mas também no exterior. Com isso, o que se espera é que haja mais apoio à luta inglória que os moradores de Macacos estão sendo obrigados a travar com uma das gigantes da mineração mundial.  E isto tudo em meio a uma pandemia letal.

Em reunião virtual tensa, Vale informa a moradores de distrito sob risco de novo Tsulama que a empresa não é “uma instituição de caridade”

nova limaImagem de satélite mostra área de Nova Lima (MG) que poderia ser atingidas caso houvesse um rompimento das barragens da Vale na mina Mar Azul – Reprodução

Em uma reunião virtual feita por meio do aplicativo Microsoft Teams no dia 31 de julho, e qual foi marcada pela tensão, com os representantes dos atingidos pelas remoções causadas pela instabilidade dos reservatórios de rejeitos da Vale  da mina Mar Azul. que está localizada em Nova Lima, região metropolitana de Belo Horizonte. Os moradores do distrito de São Sebastião das Águas Claras, mais conhecido como Macacos, foram surpreendidos na reunião pela presença de sete advogados da Vale, já que apenas a presença de um representante havia sido anunciada previamente pela Defensoria Pública de Minas Gerais.

Os representantes da Vale, certamente pressionados pelas demandas apresentadas pelos representantes dos atingidos, abriram a reunião com o peculiar anúncio de que a empresa não era “uma instituição de caridade”. E isto em que pese os múltiplos prejuízos causados pela empresa no Distrito de Macacos por causa da instabilidade dos reservatórios de rejeitos da mina Mar Azul que, como em Mariana e Brumadinho, é um empreendimento sob responsabilidade da Vale que ameaça causar um novo “Tsulama” em Minas Gerais, que poderia causar outro grande desastre ambiental.

Os moradores de Macacos apresentaram uma pauta que envolve a busca de soluções para os problemas associados às tentativas (tardias, por sinal) de impedir que haja uma nova repetição dos rompimentos de Mariana e Brumadinho, e que causaram grandes perdas em termos de vida humanas, qualidade de vida, destruição de ecossistemas naturais e atividade econômica, especialmente o ecoturismo (ver vídeo abaixo).

De forma específica, os representantes dos moradores levantaram questões acerca dos impactos causados pelo trânsito de caminhões e os impactos das obras sendo realizadas para criar um muro de contenção que impeça a chegada dos rejeitos em caso de rompimento das barragens da Mar Azul.  Um detalhe que preocupa os moradores de Macacos de forma específica é a falta de transparência sobre a real condição de estabilidade das estruturas que ameaçam romper desde o início de 2019.

Um aspecto que causou especial tensão na reunião foi o pagamento de indenizações pela Vale aos moradores atingidos, visto que a empresa estaria impondo acordos financeiros sem a devida negociação com os atingidos, causando assim o prolongamento das perdas econômicas já acumuladas desde que a estabilidade dos reservatórios de rejeitos da Mar Azul foi colocada em questão.  Os moradores reclamaram ainda dos cortes realizados pela Vale no pagamento de um mecanismo de renda emergencial, sem que já tenha sido firmados acordos definitivos sobre as indenizações devidas pela mineradora.

Como se vê, apesar da propaganda em contrário, a Vale continua tratando os efeitos colaterais de suas estratégias de mineração como coisa alheia. Essa socialização do risco é certamente algo que precisa ser discutido urgentemente, especialmente em face da possibilidade de que o governo Bolsonaro “passe a boiada” e flexibilize de vez as operações de mineração no Brasil, inclusive no interior de terras indígenas.

Relatório de grande empresa de consultoria disseca situação das barragens da mina Mar Azul

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O nível de (ou falta de) segurança das estruturas de barragens relacionadas ao funcionamento da Mina Mar Azul, operada pela mineradora Vale, no município de Nova Lima (MG) vem sendo motivo de grande atenção desde fevereiro de 2019 quando os primeiros alarmes foram soados na sua região de entorno.

No dia de hoje este blog teve acesso a um relatório emitido no dia 27 de janeiro de 2020  por uma empresa de consultoria sediada no Canadá, a SLR Consulting (Canada) Ltd,  a pedido da Vale dando conta das condições prevalecentes em quatro barragens da Mar Azul.

Ainda que em sua síntese geral, o parecer dos analistas da SLR considere que as intensas chuvas ocorridas entre os dias de 23 e 25 de janeiro não alteraram significativamente as condições pré-existentes nas barragens da Mar Azul, eles notaram alguns aspectos que até onde sei não são de conhecimento público.

A partir de observações feitas e dados fornecidos pelas equipes da Vale operando na Mar Azul, os analistas da SLR apontaram alguns elementos peculiares das estruturas consideradas, que são as seguintes:

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  • Nenhum dano ou erosão na barragem ou vertedouro foi observado. Uma inspeção mais próxima da barragem e do seu vertedouro será conduzida quando o tempo permitir o uso de drones.
  • Durante o evento de chuva, ocorreu um deslizamento de terra na borda da bacia e bloqueou o perímetro canal de desvio. A Vale liberou a maior parte do bloqueio para permitir o fluxo através do canal. A Vale realizará uma limpeza manual para remover o solo restante do canal. A SLR também observou a ocorrência de processos de infiltração e erosão dentro da lagoa de sedimentos no final do canal de perímetro no pilar direito. A Vale está sifonando e bombeando a água da lagoa de sedimentos para reduzir o seu nível.
  • Em um memorando separado do MPMG, a SLR avaliou os requisitos de bombeamento para a lagoa  do reservatório B3/B4 e concluiu que é necessário aumentar a capacidade de bombeamento e melhorar os procedimentos operacionais.
  • As tendências nos níveis piezométricos aumentam durante a estação chuvosa e devem ser estreitamente monitorados.

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  • Não foram observados danos ou erosão da barragem ou vertedouro.
  • Todos os instrumentos têm leituras normais imediatamente após o evento de chuva. O fator calculado de segurança com o nível máximo de água observado atende aos requisitos mínimos.
  • Detritos e madeira acumulados em frente à estrutura de entrada do vertedouro. Esses detritos devem ser limpos quando os níveis de segurança estiveram em níveis aceitáveis.

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  • Nenhum dano ou erosão na barragem.
  • O fluxo do vertedouro corroeu a base do canal de saída e solapou o pátio de concreto da estrutura à jusante do peitoril.  A Vale iniciou o reparo de a estrutura. A SLR recomenda que a Vale considere melhorias no vertedouro para evitar danos no futuro.

B7

  • Nenhum problema observado.
  • Apesar do volume da lagoa ter aumentado 12 m, todos os instrumentos da barragem permaneceram secos.

Apesar de não ser nem de perto um especialistas em barragens, a síntese que faço dos itens elencados pelos analistas da SLR é de que, apesar de não existir um risco eminente de rompimento, a situação de 3 dos 4 barragens requer continua atenção por parte da Vale dados os elementos detectados serem potencialmente capazes de resultar em problemas estruturais.

A questão toda é que o passado recente da Vale não é muito animador, vide os casos de Mariana e Brumadinho.

Quem desejar ler o relatório da SLR Consulting (Canada) Ltd na íntegra, basta clicar [Aqui!].

Alerta em Nova Lima por causa do risco iminente de rompimento de barragem da Vale

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No dia 24 de fevereiro publiquei uma análise visual realizada pelo arquiteto Frederico Lopes sobre a situação preocupante em que se encontrava a mina de Mar Azul da mineradora Vale em Nova Lima (MG), em função de manifestações físicas semelhantes às que ocorreram na barragem do Córrego do Feijão em Brumadinho antes do seu rompimento.

Na noite desta 4a .feira (27/03), a Defesa Civil e a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec) de Nova Lima decidiram elevar a condição de risco de rompimento da barragem do sistema de barragens da Mar Azul para o nível 3, o que equivale à possibilidade de que o rompimento seja iminente.

Se este rompimento ocorrer, cabe lembrar a caracterização feita por Frederico Lopes Freire no sentido de que  o risco de rompimento estava associado à “erosão, falta de drenagem, entrada de águas e nenhuma distância entre a linha das águas superficiais e a parede da barragem. Tudo agravado pela evidencia provida pela drenagem em concreto, demonstrando a destinação original da barragem.

Em outras palavras, a Vale mais uma vez sabia do que estava sendo plantado em Nova Lima e nada vez para impedir a catástrofe que agora parece mais próxima do que nuncaE, não nos esqueçamos que houver o rompimento o destino desse material será a a bacia do Rio Doce. 

Abaixo notícia publicada pela Rádio Itatiaia de Belo Horizonte sobre o risco de rompimento da barragem da Vale em Nova Lima.

Barragem da Vale em Macacos tem nível elevado para risco iminente de rompimento

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A Prefeitura de Nova Lima, por meio da Defesa Civil, e Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec) decidiram elevar para o nível 3, risco iminente de rompimento, a situação da barragem B3/B4 (Mina Mar Azul), que pertence à Vale e está localizada na região central do distrito de São Sebastião das Águas Claras, mais conhecido como Macacos, em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Em nota, a Vale informou que não haverá a necessidade de novas evacuações. No dia 16 de fevereiro deste ano, cerca de 200 pessoas foram retiradas de casa em Macacos após a elevação do nível de risco da barragem de 1 para 2.

Ainda de acordo com a mineradora, a elevação do risco de 2 para 3 ocorreu porque auditores independentes não emitiram as Declarações de Condição de Estabilidade da barragem. A orientação para a mudança do nível de alerta partiu da Agência Nacional de Mineração (ANM).

A sirene de autossalvamento deverá ser acionada entre esta quarta (27) e quinta-feira (28), seguindo protocolo do Plano de Ação de Emergência de Barragens de Mineração.

Outros detalhes da situação serão esclarecidos em uma entrevista coletiva com o tenente-coronel Flávio Godinho, coordenador adjunto da Defesa Civil, na noite desta quarta-feira, em Macacos.

Esta reportagem foi originalmente publicada [Aqui!]

Sirenes tocam novamente e moradores são removidos em Nova Lima e Ouro Preto por risco de rompimento de barragens de rejeitos da Vale

Complexo de Vargem Grande, em Nova Lima

Complexo de Vargem Grande da Vale em Nova Lima.

O jornal mineiro “O Tempo”  publicou na manhã desta 4a. feira (20/02) uma reportagem informando que moradores de uma região próxima ao Complexo Vargem Grande, que a mineradora Vale opera em Nova Lima (MG), foram removidos por medida de precaução em função do risco de rompimento de cinco barragem de rejeitos.

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Essa informação deverá aumentar ainda mais o grau de preocupação que grassa hoje em diferentes partes de Minas Gerais e não apenas naqueles municípios localizados dentro do chamado Quadrilátero Ferrífero, onde se concentram hoje as principais tensões em torno de uma eventual repetição dos rompimentos de Mariana e Brumadinho.

A matéria trouxe ainda na íntegra um comunicado da Vale sobre mais este incidente envolvendo uma de suas muitas barragens de rejeitos em Minas Gerais (ver nota abaixo).

“Vale informa sobre continuidade do descomissionamento de barragens a montante.A Vale S.A. (“Vale”) informa que, dando continuidade ao processo de descomissionamento da barragem a montante de Vargem Grande, anunciado em 4 de fevereiro no Fato Relevante “Vale informa sobre decisão de paralisação temporária das operações do Complexo de Vargem Grande”, nesta quarta-feira, 20 de fevereiro, a Vale coordenará com as autoridades a realocação das pessoas situadas na Zona de Autossalvamento (“ZAS”) da referida barragem. A Vale informa, também, que iniciou a preparação para a realocação das pessoas nas ZAS associadas ao descomissionamento das barragens Forquilha I, Forquilha II, Forquilha III e Grupo, que fazem parte das dez barragens a montante inativas remanescentes da Vale conforme o plano de aceleração de descomissionamento anunciado no Fato Relevante “Vale anuncia o descomissionamento de todas as suas barragens a montante” do dia 29 de janeiro. Estas quatro barragens inativas estão Complexo de Vargem Grande, em Nova Lima”.

Minas Gerais sob o espectro do Tsulama: agora a ameaça de rompimento é em Nova Lima

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Barragens B3/B4 da Vale que ameaçam romper em Nova Lima estocam pelo menos 3 milhões de metros cúbicos de rejeitos e poderiam inundar a cidade completamente.

O rompimento do sistema de represas da Vale em Brumadinho no dia 25 de janeiro parece ter iniciado um tenebroso período onde diversas barragens da mega mineradora privatizada por Fernando Henrique Cardoso (todas a montante de áreas habitadas) ameaçam romper. 

Para quem não está conseguindo acompanhar todas essas ameaças de novos Tsulamas por causa da forma da Vale gerenciar seus depósitos de rejeitos, depois do caso de Brumadinho, seguiu-se o de Barão de Cocais no dia 08 de fevereiro, o que causou a remoção imediata de pelo menos 500 pessoas.

Neste sábado (16/02) as sirenes foram acionadas para alertar os moradores de um distrito do município de Nova Lima por causa de uma nova ameaça de rompimento, agora de duas barragens no sistema da mina Mar Azul, também da Vale, localizadas a 25 km de Belo Horizonte.

As evidências apontam que há uma espécie de espectro rondando todo o estado de Minas Gerais em função de décadas de negligência das mineradoras e cumplicidade de diferentes gestões do governo de Minas Gerais. Agora, com muitos reservatórios chegando a um ponto de rompimento, as consequências sociais, econômicas e ambientais poderão ser colossais.

Um colaborador deste blog que entende do riscado quando a coisa se trata de barragens, já analiou as imagens de satélite relacionadas ao sistema de barragens em Nova Lima e verificou que ali ocorrem problemas de erosão e infiltração pelo menos de 2010. Ainda que essa análise seja ainda superficial dado o período exíguo que se teve para analisar as imagens, os padrões identificados são semelhantes aos que apareceram em sequência nos casos de Mariana e Brumadinho, e estão dando todos os indícios de que podem se repetir em Barão de Cocais e Nova Lima. 

No caso de Nova Lima, o rompimento teria consequências drásticas para a cidade de Belo Horizonte e sua área metropolitana cujo abastecimento já foi atingido pela contaminação do Rio Paraopeba e poderia ser ainda mais afetado se houver o rompimento na mina do Mar Azul porque isto afetaria o Rio das Velhas, que representa incríveis da captação do Sistema Integrado da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RNBH) e 74% de Belo Horizonte.

Agora, a pergunta que fica é a seguinte: será que o autolicenciamento que está sendo preparado pelo governo Bolsonaro para ser executado pelas próprias mineradoras vai dar jeito nas várias bombas de tempo que está prontas para se autodetonar em Minas Gerais e outros estados brasileiros?