Alerta em Nova Lima por causa do risco iminente de rompimento de barragem da Vale

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No dia 24 de fevereiro publiquei uma análise visual realizada pelo arquiteto Frederico Lopes sobre a situação preocupante em que se encontrava a mina de Mar Azul da mineradora Vale em Nova Lima (MG), em função de manifestações físicas semelhantes às que ocorreram na barragem do Córrego do Feijão em Brumadinho antes do seu rompimento.

Na noite desta 4a .feira (27/03), a Defesa Civil e a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec) de Nova Lima decidiram elevar a condição de risco de rompimento da barragem do sistema de barragens da Mar Azul para o nível 3, o que equivale à possibilidade de que o rompimento seja iminente.

Se este rompimento ocorrer, cabe lembrar a caracterização feita por Frederico Lopes Freire no sentido de que  o risco de rompimento estava associado à “erosão, falta de drenagem, entrada de águas e nenhuma distância entre a linha das águas superficiais e a parede da barragem. Tudo agravado pela evidencia provida pela drenagem em concreto, demonstrando a destinação original da barragem.

Em outras palavras, a Vale mais uma vez sabia do que estava sendo plantado em Nova Lima e nada vez para impedir a catástrofe que agora parece mais próxima do que nuncaE, não nos esqueçamos que houver o rompimento o destino desse material será a a bacia do Rio Doce. 

Abaixo notícia publicada pela Rádio Itatiaia de Belo Horizonte sobre o risco de rompimento da barragem da Vale em Nova Lima.

Barragem da Vale em Macacos tem nível elevado para risco iminente de rompimento

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A Prefeitura de Nova Lima, por meio da Defesa Civil, e Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec) decidiram elevar para o nível 3, risco iminente de rompimento, a situação da barragem B3/B4 (Mina Mar Azul), que pertence à Vale e está localizada na região central do distrito de São Sebastião das Águas Claras, mais conhecido como Macacos, em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Em nota, a Vale informou que não haverá a necessidade de novas evacuações. No dia 16 de fevereiro deste ano, cerca de 200 pessoas foram retiradas de casa em Macacos após a elevação do nível de risco da barragem de 1 para 2.

Ainda de acordo com a mineradora, a elevação do risco de 2 para 3 ocorreu porque auditores independentes não emitiram as Declarações de Condição de Estabilidade da barragem. A orientação para a mudança do nível de alerta partiu da Agência Nacional de Mineração (ANM).

A sirene de autossalvamento deverá ser acionada entre esta quarta (27) e quinta-feira (28), seguindo protocolo do Plano de Ação de Emergência de Barragens de Mineração.

Outros detalhes da situação serão esclarecidos em uma entrevista coletiva com o tenente-coronel Flávio Godinho, coordenador adjunto da Defesa Civil, na noite desta quarta-feira, em Macacos.

Esta reportagem foi originalmente publicada [Aqui!]

Sirenes tocam novamente e moradores são removidos em Nova Lima e Ouro Preto por risco de rompimento de barragens de rejeitos da Vale

Complexo de Vargem Grande, em Nova Lima

Complexo de Vargem Grande da Vale em Nova Lima.

O jornal mineiro “O Tempo”  publicou na manhã desta 4a. feira (20/02) uma reportagem informando que moradores de uma região próxima ao Complexo Vargem Grande, que a mineradora Vale opera em Nova Lima (MG), foram removidos por medida de precaução em função do risco de rompimento de cinco barragem de rejeitos.

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Essa informação deverá aumentar ainda mais o grau de preocupação que grassa hoje em diferentes partes de Minas Gerais e não apenas naqueles municípios localizados dentro do chamado Quadrilátero Ferrífero, onde se concentram hoje as principais tensões em torno de uma eventual repetição dos rompimentos de Mariana e Brumadinho.

A matéria trouxe ainda na íntegra um comunicado da Vale sobre mais este incidente envolvendo uma de suas muitas barragens de rejeitos em Minas Gerais (ver nota abaixo).

“Vale informa sobre continuidade do descomissionamento de barragens a montante.A Vale S.A. (“Vale”) informa que, dando continuidade ao processo de descomissionamento da barragem a montante de Vargem Grande, anunciado em 4 de fevereiro no Fato Relevante “Vale informa sobre decisão de paralisação temporária das operações do Complexo de Vargem Grande”, nesta quarta-feira, 20 de fevereiro, a Vale coordenará com as autoridades a realocação das pessoas situadas na Zona de Autossalvamento (“ZAS”) da referida barragem. A Vale informa, também, que iniciou a preparação para a realocação das pessoas nas ZAS associadas ao descomissionamento das barragens Forquilha I, Forquilha II, Forquilha III e Grupo, que fazem parte das dez barragens a montante inativas remanescentes da Vale conforme o plano de aceleração de descomissionamento anunciado no Fato Relevante “Vale anuncia o descomissionamento de todas as suas barragens a montante” do dia 29 de janeiro. Estas quatro barragens inativas estão Complexo de Vargem Grande, em Nova Lima”.

Minas Gerais sob o espectro do Tsulama: agora a ameaça de rompimento é em Nova Lima

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Barragens B3/B4 da Vale que ameaçam romper em Nova Lima estocam pelo menos 3 milhões de metros cúbicos de rejeitos e poderiam inundar a cidade completamente.

O rompimento do sistema de represas da Vale em Brumadinho no dia 25 de janeiro parece ter iniciado um tenebroso período onde diversas barragens da mega mineradora privatizada por Fernando Henrique Cardoso (todas a montante de áreas habitadas) ameaçam romper. 

Para quem não está conseguindo acompanhar todas essas ameaças de novos Tsulamas por causa da forma da Vale gerenciar seus depósitos de rejeitos, depois do caso de Brumadinho, seguiu-se o de Barão de Cocais no dia 08 de fevereiro, o que causou a remoção imediata de pelo menos 500 pessoas.

Neste sábado (16/02) as sirenes foram acionadas para alertar os moradores de um distrito do município de Nova Lima por causa de uma nova ameaça de rompimento, agora de duas barragens no sistema da mina Mar Azul, também da Vale, localizadas a 25 km de Belo Horizonte.

As evidências apontam que há uma espécie de espectro rondando todo o estado de Minas Gerais em função de décadas de negligência das mineradoras e cumplicidade de diferentes gestões do governo de Minas Gerais. Agora, com muitos reservatórios chegando a um ponto de rompimento, as consequências sociais, econômicas e ambientais poderão ser colossais.

Um colaborador deste blog que entende do riscado quando a coisa se trata de barragens, já analiou as imagens de satélite relacionadas ao sistema de barragens em Nova Lima e verificou que ali ocorrem problemas de erosão e infiltração pelo menos de 2010. Ainda que essa análise seja ainda superficial dado o período exíguo que se teve para analisar as imagens, os padrões identificados são semelhantes aos que apareceram em sequência nos casos de Mariana e Brumadinho, e estão dando todos os indícios de que podem se repetir em Barão de Cocais e Nova Lima. 

No caso de Nova Lima, o rompimento teria consequências drásticas para a cidade de Belo Horizonte e sua área metropolitana cujo abastecimento já foi atingido pela contaminação do Rio Paraopeba e poderia ser ainda mais afetado se houver o rompimento na mina do Mar Azul porque isto afetaria o Rio das Velhas, que representa incríveis da captação do Sistema Integrado da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RNBH) e 74% de Belo Horizonte.

Agora, a pergunta que fica é a seguinte: será que o autolicenciamento que está sendo preparado pelo governo Bolsonaro para ser executado pelas próprias mineradoras vai dar jeito nas várias bombas de tempo que está prontas para se autodetonar em Minas Gerais e outros estados brasileiros?