Em Macacos, Vale isola e divide comunidades com medidas draconianas de controle do território

wp-1597274811361.jpgCom trincheiras e portões, a Vale fecha acessos e isola comunidades no distrito de Macacos na área potencialmente inundável pelo rompimento dos depósitos de rejeitos da mina Mar Azul

Responsável direta por um enorme número de falências no outrora dinâmico Distrito de Macacos que foi diretamente atingido pela ameaça de rompimento das barragens da mina Mar Azul em Nova Lima (MG), a Vale propagandeia que paga indenizações a mais de 7.000 pessoas, quando o número real gira em torno de 900. Além disso, a Vale tem uma face pública em que procura mostrar transparência em relação ao que está fazendo para minimizar os estragos de mais um rompimento em um dos seus empreendimentos em Minas Gerais, como bem ilustra o folheto mostrado abaixo.

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Mas a coisa muda bastante de figura quando se tem acesso às práticas de estrito do controle do território que a Vale vem impondo, curiosamente sobre quem está sendo prejudicado pela postura de colocar o lucro acima da segurança das comunidades e do meio ambiente nas regiões em que a empresa desenvolve suas atividades.

Informações chegadas de Macacos dão conta que usando a desculpa de proteger os moradores que têm propriedades ou precisam cruzar áreas que eventualmente seria inundadas pelo rompimento das barragens da Mar Azul, a Vale vem realizando ações que impedem a livre circulação dos moradores em pelo menos uma área do distrito, a chamada Mata do Engenho, criando uma série de dificuldades dentro de uma comunidade formada por 80 famílias (ver imagens abaixo).

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Essa ação óbvia de controle corporativo do território vem causando um enorme problema dentro da comunidade, visto que partes dos moradores optou por construir uma via alternativa para evitar um trajeto de 20 km. O problema é que esta via alternativa foi feita dentro de propriedades particulares, gerando um inevitável confronto com os proprietários dos lotes em que a estrada alternativa foi construída.

Segundo um morador ouvido pelo blog,  a situação na comunidade do Mato do Engenho se tornou muito peculiar, na medida em que há maior estresse entre os moradores do que com a Vale que, afinal de contas, é a causadora inicial de todos os problemas que estão ocorrendo neste momento no Distrito de Macacos e, mais especificamente, na área da Mata do Engenho.  É que, além da dificuldade de circulação, os portões e trincheiras cavadas pela Vale estão dificultando as atividades agro-ecológicas e de turismo rural que eram a base da economia de Macacos. 

Imagens mostram a posição da comunidade do Mato do Engenho dentro da possível área de inundação causada pelo rompimento dos reservatórios da mina Mar Azul (esquerda), e os pontos de bloqueio feitos dentro da comunidade da Mato do Engenho (direita)

Segundo essa mesma fonte, a indefinição de qual seria a área efetivamente inundável pelo rompimento dos reservatórios de rejeitos da mina Mar Azul também sido utilizada pela Vale para pressionar moradores para que vendam suas propriedades. Entretanto, as pressões estariam sendo maiores sobre proprietários que são mais vocais no sentido de demandar ações mais rápidas de mitigação para os danos sociais e econômicos que a empresa tem causado desde que anunciou que outra de suas minas poderiam causar outro mega desastre ambiental em Minas Gerais. 

Como se vê,  de entidade filantrópica, como alegou um dos seus representantes em reunião com os moradores atingidos em Macacos, a Vale não tem nada. O que a Vale faz muito bem é usar táticas de controle do território que terminam infernizando a vida das vítimas dos seus malfeitos corporativos.  Mas o caso de Macacos está começando a chamar a atenção não apenas no Brasil, mas também no exterior. Com isso, o que se espera é que haja mais apoio à luta inglória que os moradores de Macacos estão sendo obrigados a travar com uma das gigantes da mineração mundial.  E isto tudo em meio a uma pandemia letal.

Um pensamento sobre “Em Macacos, Vale isola e divide comunidades com medidas draconianas de controle do território

  1. […] foi detectada em fevereiro de 2019. Desde então, os moradores reclamam das ações da Vale para isolá-los fisicamente dentro de seus próprios territórios, como mostrei em postagem do dia 13 de […]

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