Greenpeace lança filme de animação sobre a situação dos oceanos com participação de ganhadoras do Oscar

journeyAnimação Jornada das Tartarugas – Estúdio Aardman Animations

São Paulo, 15 de janeiro de 2020 – Olivia Colman e Helen Mirren – atrizes ganhadoras do Oscar, juntamente com Bella Ramsey, de Game of Thrones, David Harbour, de Stranger Things, e a brasileira Giovanna Lancellotti estrelam uma nova animação que destaca a situação dos oceanos, divulgada, hoje, pelo premiado estúdio Aardman Animations e o Greenpeace do Reino Unido.

O poderoso curta-metragem mostra as ameaças que nossos oceanos estão enfrentando e a importância de protegê-los por meio da história comovente de uma família de tartarugas tentando chegar em casa em um oceano que está sob a crescente ameaça das mudanças climáticas, poluição por plásticos, perfuração de petróleo e pesca excessiva.

Olivia Colman, que dubla a tartaruga mãe, afirma que ficou muito feliz em ter participado. “Estou emocionada por ter trabalhado nesse comovente filme com o Greenpeace e a Aardman. Nossos oceanos enfrentam tantas ameaças, algumas das quais eu nem sabia antes de fazer esse curta… Espero que isto seja uma inspiração para que mais pessoas possam tomar medidas para proteger nossos mares”, afirma.

A atriz Giovanna Lancellotti, embaixadora dos Oceanos pelo Greenpeace Brasil, deu voz a estrela-do-mar. Ela já esteve com o Greenpeace no navio Esperanza e pôde entender todo o processo de pesquisa e proteção dos mares, por isto, faz um alerta: “Eu me sinto cada vez melhor em fazer parte de movimentos que pensem no nosso futuro, no futuro dos animais e, principalmente, do nosso planeta. O Greenpeace tem me abraçado muito nessa busca. E essa animação mostra, de forma simples e real, como os bichinhos são subestimados e sujeitos a situações horríveis graças às ações humanas. Espero que essa consciência global continue crescendo e que possamos, juntos, proteger os oceanos e respeitar os animais como eles merecem.”

“Os governos conversaram por muito tempo, sem oferecer o nível de proteção que nossos mares precisam para recuperar a saúde, após décadas de atividade humana destrutiva. O tempo de conversar acabou. Agora, precisamos de uma ação global urgente para proteger totalmente 30% dos oceanos do mundo – uma meta acordada pelos cientistas como o mínimo que a vida marinha precisa para se recuperar. Os governos têm a chance de transformar palavras retóricas e vazias em ação nas Nações Unidas este ano, quando se reunirem para acordar um novo Tratado Global dos Oceanos. Algo robusto fornecerá a estrutura de que nossos mares precisam para termos santuários marinhos totalmente protegidos”, alerta Will McCallum, diretor da campanha de oceanos do Greenpeace do Reino Unido.

Outras citações de apoio dos atores do filme:

Bella Ramsey, atriz de Game of Thrones e a voz da filha da família das tartarugas, disse:
“Quando eu for mais velha, como serão os oceanos? Quero que minha geração e todas as gerações futuras tenham oceanos saudáveis e prósperos, cheios de vida e que sejam um lar seguro para criaturas bonitas e importantes, como as tartarugas. Mas estou preocupada que isso não seja possível. Em minha curta vida, nosso oceano já foi danificado em uma escala que muitas pessoas não pensavam ser possível quando eu nasci. Precisamos agir ou será tarde demais! As gerações futuras viverão as consequências do que fizermos ou não fizermos agora. Os governos continuarão a fazer nada enquanto nossos oceanos são destruídos ou deixarão um legado de oceanos saudáveis e protegidos que podem ser admirados por todos, agora e no futuro? Os olhos do mundo e de todos os nossos descendentes estão em nossos governos. Cada um de nós precisa fazer nossa parte, mas eles, coletivamente, devem agir agora para criar mudanças positivas, duradouras e fortes. Não basta ouvir, façam algo sobre isso!”

Helen Mirren, atriz vencedora do Oscar e a voz da avó da família das tartarugas, disse:
“Durante a minha vida, vi a natureza sendo destruída em uma escala inimaginável pela atividade humana. Fico triste por nossa geração deixar para as futuras gerações um planeta danificado, que já perdeu muito da biodiversidade que o torna especial. No entanto, temos a chance de fazer algo agora e deixar um legado de oceanos adequadamente protegidos para todas as pessoas que vierem depois de nós. Não podemos trazer de volta o que já perdemos, mas podemos proteger o que ainda temos. Espero que este filme ajude a fazer com que mais pessoas percebam que vale a pena proteger os oceanos e nos inspire a agir antes que seja tarde demais.”

Jim Carter, de Downton Abbey, e a voz do avô da família das tartarugas disse:
“Essa história comovente de uma família de tartarugas tentando chegar em casa em um oceano em crise vai tocar a todos que a assistirem. Todos vivemos em um mundo que mudou enormemente com a atividade humana, e essa realidade é tão verdadeira para os animais marinhos, como as tartarugas marinhas de Jornada das Tartarugas, como para nós, humanos, que vivemos na terra.”

Relatório do Greenpeace International sobre os oceanos: 30×30: A Blueprint for protection

Clique aqui para ver a animação.

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Fonte: Assessoria de Imprensa – Greenpeace Brasil
Vanusa Costa
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Nível do mar sobe com velocidade 2,5 vezes maior do que a do século 20, aponta IPCC

geloFrequência e intensidade de eventos extremos costeiros, como inundações, devem aumentar até 2100, indica relatório especial do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (foto: Wikimedia Commons)

Elton Alisson | Agência FAPESP – O aquecimento global tem aumentado a temperatura dos oceanos e o derretimento das geleiras e dos mantos de gelo nas regiões polares e montanhosas do planeta. Essa combinação de fatores tem levado a um aumento do nível do mar e, consequentemente, da frequência e intensidade dos eventos extremos costeiros, como inundações.

As conclusões são de um relatório especial do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) sobre oceano e criosfera – as partes congeladas do planeta.

Um sumário para formuladores de políticas foi lançado quarta-feira (25/9), em Mônaco, dois dias após a abertura da Cúpula do Clima em Nova York, nos Estados Unidos, em que líderes mundiais foram pressionados a implementar medidas mais ambiciosas para combater o aquecimento global.

“O oceano e a criosfera estão ‘esquentando’ em decorrência das mudanças climáticas há décadas e as consequências para a natureza e a humanidade são amplas e severas”, declarou Ko Barret, vice-presidente do IPCC.

“As rápidas mudanças no oceano e nas partes congeladas do nosso planeta estão forçando tanto as pessoas das cidades costeiras como de comunidades remotas do Ártico a alterar fundamentalmente seu modo de vida”, afirmou.

De acordo com o documento, aprovado pelos 195 países membros do IPCC, o nível do mar subiu globalmente em torno de 15 centímetros (cm) durante todo o século 20 e, atualmente está subindo a uma velocidade duas vezes e meia maior – a 0,36 cm por ano. E esse ritmo está acelerando.

Mesmo que as emissões de gases de efeito estufa (GEE) fossem bastante reduzidas e o aquecimento global limitado a bem menos que 2 ºC dos níveis pré-industriais o nível do mar subiria entre 30 e 60 centímetros até 2100.

Se as emissões de GEE continuarem aumentando fortemente, o nível do mar pode subir entre 60 e 110 centímetros no mesmo período, de acordo com as projeções dos cientistas autores do documento.

“Nas últimas décadas, a taxa de aumento do nível mar se acelerou devido ao aumento crescente do aporte de água proveniente do derretimento das geleiras, principalmente na Groenlândia e na Antártica, e da expansão da água do mar pelo aumento da temperatura marinha”, disse Valérie Masson-Delmotte, diretora de pesquisa da Comissão de Energias Alternativas e Energia Atômica da França e copresidente do grupo de trabalho 1 do IPCC.

Eventos extremos

A elevação do nível do mar aumentará a frequência de eventos extremos que ocorrem, por exemplo, durante a maré alta e tempestades intensas. As indicações são de que, com qualquer grau de aquecimento adicional, eventos que ocorreram uma vez por século no passado acontecerão todos os anos em meados do século 21 em muitas regiões, aumentando os riscos para muitas cidades costeiras baixas e pequenas ilhas, prevê o relatório.

As ondas de calor marítimas também dobraram em frequência desde 1982 e estão aumentando em intensidade. A frequência desses eventos será 20 vezes mais alta em um cenário de 2 °C de aquecimento, em comparação com os níveis pré-industriais. Elas podem ocorrer 50 vezes mais frequentemente se as emissões continuarem a aumentar fortemente, aponta o relatório.

“Várias abordagens de adaptação já estão sendo implementadas, muitas vezes em resposta a inundações, e o relatório destaca a diversidade de opções disponíveis para cada contexto”, afirmou Masson-Delmotte.

Segundo a cientista, a nova avaliação também revisou para a cima a contribuição projetada da camada de gelo da Antártica para o aumento do nível do mar até 2100 em um cenário de altas emissões de GEE.

Declínio de geleiras

“As projeções da elevação do nível do mar para 2100 e além estão relacionadas a como os mantos de gelo reagirão ao aquecimento, especialmente na Antártica. Ainda há grandes incertezas”, ponderou.

Os 670 milhões de pessoas que vivem em regiões montanhosas estão cada vez mais expostos aos riscos de avalanches e inundações e mudanças na disponibilidade de água pelo declínio de geleiras, neve, gelo e permafrost – solo permanentemente congelado –, aponta o relatório.

Em cenários de alta emissão de GEE, estima-se que geleiras menores encontradas, por exemplo, na Europa, nos Andes e na Indonésia poderão perder mais de 80% de sua massa de gelo atual até 2100.

À medida que as geleiras das montanhas recuam, também são alteradas a disponibilidade e a qualidade de água para onde se dirige a corrente (a jusante), com implicações para setores como agricultura e energia hidrelétrica, ressaltam os cientistas.

No Ártico, a extensão do gelo marinho também está diminuindo gradativamente a cada mês do ano. Uma parte expressiva dos quatro milhões de pessoas que vivem permanentemente na região – especialmente povos indígenas – já ajustou suas atividades de caça, por exemplo, à sazonalidade das condições de terra, gelo e neve, e algumas comunidades costeiras já estão se deslocando.

“Limitar o aquecimento ajudaria essa população a se adaptar às mudanças no suprimento de água e aos riscos, como deslizamento de terra”, disse Panmao Zhai, co-presidente do grupo de trabalho I do IPCC.

Maior absorção de calor

O aquecimento global já atingiu 1 ºC acima do nível pré-industrial, devido ao aumento das emissões de gases de efeito estufa.

Até o momento, o oceano absorveu mais de 90% do excesso de calor no sistema climático e, em 2100, absorverá entre duas e quatro vezes mais calor do que nos últimos 40 anos se o aquecimento global for limitado a 2 °C e até cinco a sete vezes mais com emissões mais altas, estimam os cientistas.

O oceano também absorveu entre 20% e 30% das emissões de dióxido de carbono induzidas pelo homem desde 1980, causando a sua acidificação.

A captação contínua de carbono pelo oceano até 2100 exacerbará esse fenômeno provocado pelo aumento da concentração e da dissolução de dióxido de carbono, que diminui o pH da água superficial, elevando a acidez e causando a destruição de recifes de corais, por exemplo.

O aquecimento e a acidificação dos oceanos, a perda de oxigênio e as mudanças nos aportes de nutrientes já estão afetando a distribuição e a abundância da vida marinha em áreas costeiras, em mar aberto e no fundo do mar.

No futuro, algumas regiões, principalmente os oceanos tropicais, sofrerão reduções adicionais, alerta o relatório.

“Reduzir as emissões de gases de efeito estufa limitará os impactos nos ecossistemas oceânicos. Diminuir outras pressões, como a poluição, ajudará ainda mais a vida marinha a lidar com mudanças no ambiente”, disse Hans-Otto Pörtner, pesquisador da University of Bremen, na Alemanha, e copresidente do grupo de trabalho 2 do IPCC.

Década dos oceanos

O relatório se insere em uma série de ações voltadas a destacar o papel fundamental dos oceanos na regulação do clima do planeta, ao redistribuir o calor que chega em excesso à região tropical até as regiões polares, ao mesmo tempo em que leva o frio dos polos para os trópicos.

As ações foram intensificadas a partir da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável – a Rio+20 –, em 2012, no Rio de Janeiro. O evento culminou na realização da Conferência da ONU sobre os Oceanos em junho de 2017 em Nova York, nos Estados Unidos, e na proclamação, no mesmo ano, do período de 2021 a 2030 como a Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável – a Década do Oceano.

Esse período corresponde à última fase da Agenda 2030 – um plano de ação estabelecido pela ONU em 2015 para erradicar a pobreza e proteger o planeta, que contém 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs), um deles (14) especialmente dedicado aos oceanos.

A fim de fortalecer essa agenda de ações da ONU no Brasil, América Latina e Caribe, o professor do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP) Alexander Turra propôs à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) a criação de uma cátedra no Instituto de Estudos Avançados (IEA-USP) para o estudo da sustentabilidade dos ecossistemas marinhos e costeiros.

A proposta foi aceita e, no início de junho, foi inaugurada na USP a Cátedra Unesco para a Sustentabilidade dos Oceanos.

“A proposta da cátedra é canalizar e impulsionar ações voltadas a fortalecer a agenda sobre oceanos na academia e na sociedade”, disse Turra à Agência FAPESP.

Uma das funções da cátedra é fomentar e dinamizar a pesquisa oceanográfica integrada e interdisciplinar.

“É preciso integrar na pesquisa oceanográfica a visão das ciências naturais com as sociais, uma vez que o mar é um sistema socioecológico, e não só natural”, afirmou Turra.

Outras linhas de ação da cátedra são disseminar o conhecimento sobre oceanos – a chamada cultura oceânica –, fomentar o desenvolvimento de novas tecnologias e inovações a partir dos recursos marinhos e articular o conhecimento científico com a tomada de decisão pelos agentes públicos.

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Este artigo foi originalmente publicado Agência Fapesp [Aqui!].

Contaminação por resíduos químicos chega ao fundo dos oceanos

anfipode

A contaminação produzida pelo ser humano alcança o fundo dos oceanos, revelou um estudo publicado nesta segunda-feira que detalha o achado de componentes químicos proibidos em amostras de anfípodes, pequenos crustáceos que residem nas zonas abissais.

“As zonas abissais são vistas ainda como reinos distantes e imaculados, preservadas da ação humana, mas nosso trabalho mostra que, infelizmente, essa ideia está longe de ser verdade”, destaca Alan Jamieson, pesquisador da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, e coautor deste estudo, publicado na revista “Nature Ecology & Evolution”.

Para examinar os crustáceos, um dos poucos organismos capazes de sobreviver a tais profundidades e níveis de pressão, os pesquisadores usaram ferramentas especiais capazes de chegar a duas enormes fossas do Pacífico: a das Marianas, a mais profunda conhecida (cerca de 11 km), perto da ilha de Guam, e a fossa de Kermadec (mais de 10 km), ao Norte da Nova Zelândia.

O que descobriram foi que, inclusive no mais profundo da crosta terrestre, os anfípodes apresentam níveis “extraordinários” de contaminação química. Os cientistas puderam testar a presença de PCB (bifenilos policlorados), proibidos há 40 anos, e de PBDE (éteres difenílicos polibromados), utilizados durante muito tempo para tornar materiais têxteis e plásticos resistentes ao fogo. Ambos componentes estavam presentes em todas as amostras recolhidas nas zonas abissais em diferentes profundidades.

“Encontrar estas substâncias contaminantes em um dos locais mais escondidos e inacessíveis da Terra nos faz perceber o impacto devastador a longo prazo do ser humano sobre o planeta”, considera Jamieson.

Entre os anos 1930 e 1970 foram produzidas 1,3 milhão de toneladas de PCB no mundo. Desde então, em torno de 35% acabaram chegando ao oceano e aos sedimentos terrestres.

Fonte: O Globo, via AFP

FONTE: http://www.ecoguia.net/noticias/contaminacao-por-residuos-quimicos-chega-ao-fundo-dos-oceanos/

 

Estudo científico aponta para o papel antrópico numa onda de extinções em massa

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O jornal Folha de São Paulo publicou hoje uma matéria assinada pelo jornalista ´Reinaldo José Lopes sobre um estudo assinado por um grupo de pesquisadores ligados a quatro universidades estadunidenses sobre uma próxima grande onda de extinções em massa (Aqui!).

O interessante é notar que  segundo o estudo publicado revista Science pelo grupo liderado pelo professor Jonathan L. Payne, essa nova onda de extinções em massa difere das cinco anteriores por ser causada diretamente por padrões de consumo humano. Ainda segundo o que aponta o estudo, os principais alvos dessa onda de natureza antrópica seriam os grandes animais marinhos que estariam sob pressão não apenas pela pesca predatória, mas também pela contaminação dos oceanos por todo tipo de substância e pelo processo de acidificação das águas marinhas.

O maior problema é que o desaparecimento de animais marinhos como baleias e tubarões acaba causando um efeito cascata na cadeia trófica, na medida que a eliminação desses grandes predadores possibilita o aumento de outras populações que, por sua vez, pressionam as fontes primárias de alimentos, o que poderia gerar então essa onda de extinção em massa.

A primeira reação a esse estudo é de que há que ocorrer uma modificação nos padrões de pesca e também de consumo. Entretanto, o problema é mais complexo porque exigiria uma modificação mais ampla no funcionamento da sociedade capitalista, visto que a poluição é uma opção racional pela maximização dos lucros em detrimento da proteção da qualidade dos ecossistemas.

Desta forma, sem querer ser pessimista, avalio que se as estimativas apresentadas no trabalho assinado por Payne e seus colaboradores, não há muita razão para esperar que não assistamos não apenas a essa nova onda de extinções em massa, mas também a todos os efeitos catastróficos que ela trará para a população humana.

Quem desejar ler o artigo por Jonathan Payne e colaboradores, basta clicar  (Aqui!).

Painel da NASA indica que nível dos oceanos está se elevando mais rápido do que previsto

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O jornal Inglês “The Guardian” publicou ontem (27/08) um artigo produzido pela Agência Reuters mostrando que segundo estudos recentes de um painel de pesquisadores ligados à NASA (National Air Space Agency dos EUA), o ritmo de elevação dos oceanos está se dando de forma mais rápida do que antes previsto, e que a situação poderá piorar ainda mais (Aqui!).

Deixando de lado aqueles céticos irredutíveis, o que a divulgação desses resultados mostra é que a maioria do mundo está atrasada em relação ao desenvolvimento de respostas a um problema que deverá atingir uma porção significativa da população mundial que vive nas regiões costeiras da Terra. E segundo os cálculos que foram feitos, determinadas partes do mundo vão sentir os efeitos dessa mudança nos próximos 20 anos.

Além disso, um dos detalhes apontados na matéria assinada pela Reuters é de que essa aceleração da elevação dos oceanos deverá implicar no uso das informações científicas disponíveis para, por exemplo, se estabelecer novas estruturas nas regiões costeiras (portos, por exemplo).

Para quem aquele que quiserem saber mais sobre o assunto, sugiro que assistam ao vídeo postado (Aqui!).

Pesca industrial gera ameaça de extinções na fauna marinha

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Um artigo publicado na respeitada revista Science traz uma análise sobre a situação da diminuição da fauna marinha em função da exploração pela sociedade humana (Aqui!). A boa notícia é que, apesar de toda a exploração de um grande número de populações marinhas, existem ainda poucos casos de extinção causada pelo consumo humano.

Contudo, o artigo alerta para o fato de que a introdução da pesca industrial e o aumento da capacidade de captura podem sim resultar num grande número de extinções.

Os autores do artigo sugerem uma série de medidas para evitar o problema, incluindo a criação de áreas protegidas e o estabelecimento de medidas cuidadosas de gerenciamento dos recursos marinhos.

Ai é que mora o problema!

Mercúrio nos oceanos triplicou, aponta estudo

Uma das características do metal tóxico que mais preocupam os cientistas é sua capacidade de se acumular na cadeia alimentar

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Vanessa Barbosa, de

Jenny W / SXC

Peixes vermelhos

Ameaça: o mercúrio se acumula na cadeia alimentar e expõe espécies no topo a uma maior concentração

São Paulo – Um novo estudo publicado nesta semana na revista científica Nature indica que a concentração de mercúrio nos oceanos triplicou em comparação com os níveis pré-industriais.

Por trás desse aumento, segundo a pesquisa, está a poluição causada por atividades humanas, como mineração e queima de combustíveis fósseis.

Além disso, o lançamento de esgoto sem tratamento na água também pode criar condições que potencializam os efeitos da substância ao torná-la mais solúvel.

A contaminação ambiental pelo metal altamente tóxico é uma realidade mundial. Mas só agora começou a ser dimensionada. E os resultados preocupam.

O estudo destaca que a concentração do mercúrio triplicou nas camadas de águas superficiais, onde a presença de vida marinha é grande.

Uma das características do mercúrio que mais preocupam os cientistas é sua capacidade de biomagnificação.

Ele se acumula ao longo da cadeia alimentar, fazendo com que as espécies mais altas na cadeia sejam expostas a uma maior concentração tóxica, o que aumenta, eventualmente, a exposição humana ao metal.

No entanto, falta quantificar essa acumulação nos animais aquáticos e seus possíveis efeitos, incluindo os riscos para os seres humanos.

Em entrevista ao jornal birtânico The Guardian, Simon Boxall, professor de Universidade de Southampton, disse que é difícil dizer, a partir da pesquisa, o tamanho do dano que já foi feito para a vida marinha.

“Eu não iria parar de comer peixes por conta disso”, ponderou. “Mas esse aumento de mercúrio é um bom indicador do nosso impacto no meio ambiente marinho. É um alerta para o futuro”, disse.

Ameaça tóxica

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Crianças fazem mineração de ouro em Kalimantan, na Indonésia Em um relatório de 2010, a organização ambiental Blacksmith Institute listou os principais poluentes tóxicos que ameaçam o mundo. O mercúrio é um deles.

Usado em centenas de aplicações, da produção de gás cloro e soda cáustica à composição de amálgamas dentárias e baterias, o mercúrio assume sua forma mais ameaçadora à saúde humana durante o garimpo de ouro.

Na mineração, ele auxilia o processo de purificação do metal valioso conhecido como “amalgamação”, sendo liberado na forma de vapor no meio ambiente.

Na literatura médica, o mercúrio é caracterizado como uma neurotoxina potente, capaz de causar danos irreversíveis ao cérebro.

Entre os sintomas da contaminação estão dormência em braços e pernas, visão nebulosa, letargia e irritabilidade, problemas renais e intoxicações pulmonares, além de prejudicar o desenvolvimento fetal.

FONTE: http://exame.abril.com.br/tecnologia/noticias/mercurio-nos-oceanos-triplicou-mostra-estudo