No “O Globo”, Torquato Jardim continua sua cruzada discursiva e encurrala (des) governo Pezão

O governador Luiz Fernando Pezão (à esq.) e o ministro da Justiça, Torquato Jardim

Para quem achava que o ministro da Justiça do governo “de facto” de Michel Temer, Torquato Jardim, iria recuar frente aos muchochos vindos do (des) governo Pezão em relação às suas afirmações, que ache de novo.  É que hoje o jornal “O GLOBO” traz uma reportagem com Torquato Jardim onde ele acena para questões ainda mais graves em relação, por exemplo, ao domínio de determinados candidatos em áreas com altos níveis de violência, sugerindo associação direta com o crime organizado [1]. 

rj desgoverno 3

Mas é importante ressaltar que além de confirmar o que já havia declarado ao jornalista Josias de Souza, o ministro Torquato Jardim mandou vários recados duros ao (des) governador Luiz Fernando Pezão, incluindo uma menção de que possui melhor memória do que a do sucessor de Sérgio Cabral que negou ter conversado sobre problemas de corrupção e envolvimento com o crime na estrutura de comando Polícia Militar do Rio de Janeiro.

Na medida em que o ministro da Justiça, além de não ter recuado de suas declarações iniciais, apontou para novos elementos relacionados à investigações que estariam sendo realizadas sobre órgãos de inteligência sobre os problemas que ele arrolou, é provável que tenhamos desdobramentos imprevisíveis na relação entre o (des) governador Pezão e todos os setores que foram jogados na fogueira pelo loquaz Torquato Jardim. 

Uma coisa que me deixa curioso é a seguinte: o que foi que fizeram com o ministro da Justiça para que ele decidisse botar a boca do trombone de forma tão estrepitosa? Certamente coisa boa não foi. Mas o produto final de suas declarações é encurralar ainda mais o fraco e incompetente (des) governo Pezão. E pensar que até alguns dias atrás, eu pensava que já havíamos chegado ao fundo do poço. Entretanto, com esse (des) governador nada é tão ruim que não possa piorar.

Quem quiser ler a entrevista completa de Torquato Jardim, basta clicar Aqui! ou no link abaixo.


[1] https://oglobo.globo.com/rio/torquato-voltamos-tropa-de-elite-1-2-22017490

 

Rio de Janeiro sem comando e com a PM nas mãos de deputados e do crime

Sabe-se lá por quais razões, o ministro da Justiça do governo “de facto” de Michel Temer, Torquato Jardim, resolveu botar a boca no trombone, mas o fato é que ele veio a público dizer algo que a maioria da população fluminense já sabe faz tempo: o (des) governador Luiz Fernando Pezão é um incompetente que não tem o comando do estado [1]. 

Mas  segundo Josías de Souza, o ministro da Justiça foi além de dizer o óbvio sobre o (des) governador Pezão e foi além ao afirmar que o “comando da PM no Rio decorre de acerto com deputado estadual e o crime organizado, e que os “ comandantes de batalhão são sócios do crime organizado no Rio.

rj desgoverno

Agora, convenhamos, como fica a sociedade fluminense diante de declarações deste porte? Vamos continuar fazendo que o problema não é conosco? A questão é que em suas declarações, Torquato Jardim ainda assinalou que ” a virada da curva ficará para 2019, com outro presidente e outro governador. Com o atual governo do Rio não será possível.”. 

Se é assim mesmo, vamos ficar esperando sentados até 2019 para ver se o Rio de Janeiro ainda tem jeito? Pelo que transparece das declarações de Torquato Jardim, a hora de reagir é agora, pois 2019 ainda está um pouco distante de nós.

A questão que se põe é a seguinte: quando vamos começar a reagir e exigir o fim deste (des) governo?

Finalmente, será que alguém nesse (des) governo vai vir a público para desmentir o ministro da Justiça ou engolir essa quietos na expectativa de que ninguém esteja prestando atenção?


[1]  https://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2017/10/31/comando-da-pm-no-rio-e-acertado-com-deputado-estadual-e-crime-diz-ministro/

UFRJ é atacada pela Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro

Campus do Largo de São Francisco é alvo de bombas após manifestação contra a reforma da previdência

Na noite da última quarta-feira (15/03), o prédio do Largo de São Francisco de Paula, onde estão sediados o Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) e o Instituto de História (IH), foi atacado por soldados do Batalhão de Choque da Polícia Militar. 

bomba_ifcs

Imagem: Reprodução Facebook

A repressão teve início já no final do ato contra a reforma da previdência, que lotou as quatro pistas e os 3,5 quilômetros da Avenida Presidente Vargas e reuniu milhares de pessoas, entre estudantes, professores, servidores públicos, profissionais liberais, movimentos sociais, sindicatos, centrais sindicais, partidos políticos e demais entidades. O ato que transcorria de forma pacífica mudou de figura nas imediações da Central do Brasil quando a Guarda Municipal passou a lançar bombas de gás lacrimogênio contra os manifestantes. Alguns integrantes do movimento conhecido como black blocs reagiram com morteiros. 

A repressão continuou pelas ruas do Centro do Rio. Na Cinelândia, clientes do bar Amarelinho relataram que soldados da Polícia Militar atiraram bombas no interior do estabelecimento. Imagens do coletivo Mídia Ninja registraram os frequentadores, muitas mulheres e idosos, acuados e de olhos vermelhos – efeito do gás lacrimogênio – sendo socorridos

No Largo de São Francisco de Paula a cena se repetiu. De acordo com nota assinada pelo diretor Marco Aurélio Santana, do IFCS, e pela diretora Norma Côrtes, do IH, os policiais cercaram o campus universitário e lançaram “dentro de suas dependências duas bombas de gás lacrimogênio e mais sete de efeito moral. Os petardos produziram terror e pânico em quem estava no prédio. Registre-se que uma das bombas atingiu a porta central e seus efeitos alcançaram o hall de entrada, tomando posteriormente todo o prédio”. Um vídeo reproduzido das redes sociais mostra o momento de um dos ataques.

A nota lembra ainda que o episódio repete a noite de 20 de julho de 2013, quando o Batalhão de Choque da Polícia Militar atuou igualmente de forma truculenta e arbitrária. “Se já era inaceitável a repressão a trabalhadoras/es e estudantes no exercício de seu livre direito de manifestação, o fato fica agravado com o ataque ao espaço universitário”, diz a missiva. 

“Repudiamos veementemente a ação da polícia contra manifestantes, bem como o ataque às nossas dependências e nossas/os estudantes e trabalhadoras/es. Repudiamos também que nosso prédio, patrimônio histórico pertencente à União, tenha sido mais uma vez duramente agredido. Esperamos que responsabilidades sejam apuradas”, completa a nota. Por fim, os diretores reafirmam “a posição histórica desta casa em defesa da democracia e de seus direitos fundamentais”.

Para ler a nota na íntegra, clique aqui.

FONTE: http://www.cfch.ufrj.br/index.php/27-noticias/718-ufrj-e-atacada-pela-policia-militar-do-estado-do-rio-de-janeiro

Greve de policiais: de quê realmente tem medo a classe média?

A greve dos policiais militares do Espírito Santo e a mobilização em curso no Rio de Janeiro para deflagar um movimento similar parecem ter despertado um alarme entre os brasileiros, principalmente os que pertencem à chamada classe média.

Esse é um fenômeno do medo generalizado pela ausência da polícia militar das ruas ainda merecerá muitas análises mais capacitadas do que a que vou expor aqui, mas mesmo assim vou compartilhar algumas impressões sobre essa onda de medo que fechou escolas e isolou famílias inteiras dentro de suas residências.

O primeiro aspecto é que a possibilidade de que o Brasil pudesse entrar em um forte ciclo de convulsões sociais já estava mais do que prevista. Afinal, com um número inédito de desempregados e sem qualquer tipo de perspectiva de que o país saia num período próximo da profunda recessão em que foi colocado já apontava para essa possibilidade. Somando-se a isso as medidas draconianas que estão sendo impostas sobre o serviço público em geral e sobre as políticas sociais também aumentaram consideravelmente as chances de conflitos graves.

Entretanto, tudo parecia andar como dantes no Quartel de Abrantes. Os célebres paneleiros com a camisa da CBF haviam sumido, e o governo de “facto” de Michel Temer seguia cortando na carne dos brasileiros sem que houvesse uma reação razoável nas ruas. Parecia que as demandas da volta da “estabilidade social” tinham sido plenamente cumpridas.

Mas bastou a greve dos políciais capixabas para que essa paz se estraçalhasse em incontáveis fragmentos e que a violência latente explodisse com toda potência no Espírito Santo. Isso, por sua vez, espalhou a onda de medo que está espalhada na cara das pessoas, especialmente as que moram nas regiões mais ricas das cidades brasileiras. É que para os pobres, as coisas já estão ruim faz algum tempo e a violência extrema é um dado corriqueiro, seja pela mão das forças policiais ou das diferentes bandas criminais que operam nos interstícios deixados vagos pela ampliação das políticas neoliberais,

Agora, a questão toda me parece ser da raiz desse medo e de quem realmente se têm medo. A explicação mais rápida é que o medo seria da ação de criminosos que ocupem o vácuo deixado pela ausência de policiamento nas ruas. Mas será isso mesmo? Em minha opinião o medo que está exposto é de uma natureza mais sistêmica e espelha um reconhecimento explicito da natureza profundamente desigual da sociedade brasileira.

Em outras palavras, as classes médias tem medo mesmo é de que os mais pobres e marginalizados se aproveitem do vácuo de repressão para pegar aquilo que lhes está sendo negado há mais de 500 anos, nem que para isso tenham que cometer atos de violência extrema. É essa a raíz do medo agudo que repentinamente se viu espalhado nas redes sociais e nas telas de TV.

O pior é que passado os movimentos de protesto dos policiais os mesmos que hoje morrem de medo deverão voltar às suas rotinas alienadas, esquecendo-se do medo de hoje.  E isso deverá perdurar até que uma nova onda mais forte de convulsão se manifeste. Daí poderá ser o tempo de correr para as colinas, tal como aconselhou  uma capitã da PMERJ que está presa por supostamente insuflar seus colegas a entrarem em greve.

O Estado como fonte de violência e a cínica aceitação da eliminação dos pobres

A capa do jornal “Extra” desta 4a. feira (30/09) que segue abaixo traz duas notícias que abordam a questão da violência a partir de ângulos distintos, mas com que resultados exatamente iguais: o extermínio de negros, com uma singela diferença: um com farda eliminado por bandidos, e outros de farda agindo como bandidos forjando um auto de resistência (Aqui!).

extra

Como estou no Rio de Janeiro desde já longínquo ano de 1980, já sei que a violência que gera tantas manchetes é algo que afeta justamente a parcela que menos pode influenciar a formulação de políticas públicas que permitiriam a diminuição desse processo de eliminação seletiva de seres humanos de forma definitiva. 

É apenas o cinismo das classes dominantes que torna a violência algo “democrático”, pois quem vive ou viveu na cidade do Rio de Janeiro sabe que a mesma é concentrada social e espacialmente.  Outro fato universalmente sabido, e solenemente ignorado, se relaciona à fonte da violência que é o próprio aparelho de Estado.  Este papel preponderante do aparelho de Estado é mais público na ação da Polícia Militar, mas não se resume a uns poucos militares desviados de seus ideais de defender a sociedade, independente da classe e da cor.  A verdade é que a negação da democracia começa no interior da própria corporação, mas não se resume à ela. Aliás, vai muito além da PM, e se instala dentro do próprio aparelho de Estado.

Para qualquer observador minimamente sério do caos instalado na segurança, e aqui não falo apenas dos casos de violência, mas de uma compreensão mais ampla do conceito, sabe que é uma postura cínica jogar a culpa em eventuais desvios de conduta de policiais militares , já que há um evidente acordo tácito  para que essas ações são mais do que toleradas, e fazem parte do modus operandi do Estado. 

O fato é que enquanto a parte minoritária da sociedade que se beneficia desse status quo que mistura violência e segregação não for deslocada do centro do poder, não haverá qualquer chance de mudarmos uma realidade persistente, cuja única mudança notável tem sido no tamanho e na capacidade do arsenal de armas que estão disponíveis aos participantes da contenda.

Por último, quem será que o secretário de segurança Jorge Beltrame acha que convence, quando se declara surpreso e contrariado com essa ação dos policiais militares no Morro da Providência? Provavelmente nem ele próprio.

A reitoria da UENF e as trágicas ironias do destino

Será que serei o único a achar irônico (com fortes pitadas de trágico) o fato de que, enquanto a reitoria da UENF assinou recentemente um convênio para militarizar a sua segurança interna do campus Leonel Brizola, os reitores da UERJ e da UFRJ emitam notas públicas de repúdio à prisão de manifestantes. E que, de quebra, a nota da UFRJ também repudia as violências cometidas pela PM nas manifestações que vem ocorrendo na cidade do Rio de Janeiro?

Aliás, o que acha a reitoria da UENF sobre isso tudo? Nada a declarar?

Reitor da UFRJ emite nota de repúdio às prisões de manifestantes e violência policial no Rio de Janeiro

 

O Reitor da UFRJ, Carlos Levi, divulgou nota nesta quarta-feira (16/7), condenando as prisões preventivas contra manifestantes e a violência policial registrada no último fim de semana, no Rio de Janeiro. Confira abaixo a íntegra do documento:

Nota de repúdio

A UFRJ, historicamente comprometida com a democracia, com a liberdade de expressão e com a defesa intransigente dos direitos humanos, torna público seu repúdio a toda e qualquer ação que ameace direitos e conquistas que garantam a liberdade de expressão e a livre manifestação.

A UFRJ registra, portanto, a sua grave preocupação com os atos levados a cabo, no último sábado (12/7), com a busca e prisão preventiva de pessoas, com base na acusação de crime de formação de quadrilha armada.

A UFRJ condena também a violência policial que, mais uma vez, foi registrada no Rio de Janeiro contra civis, entre eles, diversos profissionais da imprensa.

Assim como destacado pela Anistia Internacional, a UFRJ demonstra sua preocupação com a repetição de um “padrão de intimidação” contra ativistas e manifestações populares democráticas.

Carlos Levi
Reitor da UFRJ

FONTE: http://www.ufrj.br/mostranoticia.php?noticia=14949_Nota-de-repudio.html