Com cortes nas políticas sociais, Campos dos Goytacazes assume bastão da vanguarda do atraso

Rafael-Diniz-posse-5

Os cortes nas políticas sociais para os mais pobres evidenciam o verdadeiro perfil de um prefeito que prometeu rejuvenescimento nas práticas políticas para depois ocupar o posto de líder da vanguarda do atraso

Ao longo dos quase 20 anos em que vivo na cidade de Campos dos Goytacazes já percebi em diferentes instâncias como as coisas aqui parecem estar se desenvolvendo como uma espécie de laboratório das maldades. Por isso, me acostumei a pensar esta cidade como uma espécie de vanguarda do atraso, pois tudo de ruim que se fará contra os pobres no resto do Brasil, se faz aqui primeiro.

Para entender como esse fenômeno se produz há que se revisitar o passado escravocrata do município que foi o último a aceitar o fim formal da escravidão no Brasil. Como eu mesmo pude presenciar a libertação de trabalhadores escravos de uma usina de cana em pleno século XXI, há por aqui quem ainda não tenha efetivamente aceito que a Lei Áurea seja aplicada em terras campistas.

Outro detalhe que sempre me acha a atenção é a difusão do mito de que não é preciso fazer reforma agrária em Campos porque aqui as sucessões hereditárias já cuidaram disso.  Esse mito não resiste a um mínimo olhar sobre os dados cadastrais dos proprietários que mostra quem aqui existe uma das maiores taxas de concentração da propriedade da terra no mundo. Entretanto, muitas vezes é preciso recorrer a artigos científicos para quebrar esse mito, mesmo quando o interlocutor é um professor doutor atuando numa universidade pública.

Mas mudando de assunto para continuar no mesmo, poucos fora do mundo acadêmico sabem da existência de um programa de pós-graduação na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) que desde 1999 vem produzindo estudos relacionados à implementação de políticas sociais voltadas para minimizar os efeitos da grotesca segregação social e econômica que foi criada pela Escravidão negra não apenas em Campos dos Goytacazes, mas em toda a parte norte do interior do Rio de Janeiro.   Falo aqui do Programa de Pós-Graduação em Políticas Sociais (PGPS), cuja produção acadêmica está disponível (Aqui!).   

Eu me lembro da existência do PGPS/UENF para refutar qualquer alegação de que não há conhecimento acumulado sobre a importância de políticas públicas voltadas para mitigar a miséria e a pobreza existente em Campos dos Goytacazes.  De quebra, vou mais longe e afirmo que até hoje não houve um mínimo de esforço para transferir esse conhecimento todo para a ação da prefeitura. Aliás, ao longo do tempo, o que acaba aparecendo são reclamações pela forma pouco elogiosa com que as ações de diferentes administrações municipais são avaliadas nos estudos que nossos pós-graduandos realizam. Mas pior ainda do que as reclamações são as obstruções que aparecem durante muitos estudos onde o acesso aos dados é, para dizer o mínimo, dificultado e a cooperação é simplesmente rejeitada.

Nas palavras de um ocupante de cargo chave na administração de Rafael Diniz, não há interesse “por pesquisa, mas sim por soluções.”  Difícil é saber como se produzem soluções efetivas sem pesquisa, mas isso parece ser secundário para aqueles que persistem na defesa do atraso como vanguarda. Entretanto, se levarmos em conta que por detrás desse discurso pragmático há o firme compromisso de nos manter na vanguarda do atraso, tudo fica mais fácil de entender.

Por outro lado, todo o prólogo que realizei até aqui serve apenas para que eu expresse uma vez mais o meu inconformismo com a absurda ação que está sendo realizada para desmanchar programas sociais cujo valor de investimento é irrisório frente a outros gastos realizados pela Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes. Acabar de uma tacada só com o Cheque Cidadão, aumentar o valor da passagem para os mais pobres, e ainda ter o desplante de fechar o restaurante popular, é uma maldade absurda contra os mais pobres deste município. E uma vez mais eu tenho que dizer que ao fazer isso, o prefeito Rafael Diniz e sua tropa de jovens com pensamento velho estão apenas reforçando o perfil de vanguardistas do atraso.

Mas que ninguém venha dizer que se faz em nome da eficiência  nos gastos, pois o que veremos nos próximos meses, caso toda essa regressão nos programas sociais não seja revertida, é que os resultantes custos social e econômico, bem como os níveis já alarmantes de violência, desmentirão qualquer discurso de suposta responsabilidade com as finanças públicas. E isto não vai ocorrer nem por falta de conhecimento acumulado, nem por falta de aviso.  Então que se assuma de uma vez por todas que o prefeito Rafael Diniz está fazendo uma opção preferencial pelos ricos e se tornando uma espécie de líder da vanguarda do atraso.

Marketing acadêmico: Uenf realiza V jornada internacional sobre “Políticas Sociais e a nova urbanidade” entre 09 e 13 de Junho

Mesmo em meio às graves dificuldades causadas pela asfixia financeira imposta pelo (des) governo Pezão, os programas de pós-graduação mantidos pela Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) continuam organizando eventos que têm como objetivo elevar a qualidade do debate sobre questões importantes da nossa atual conjuntura histórica.

Um exemplo disso será a realização da V Jornada Internacional do Programa de Pós-Graduação em Políticas Sociais (PGPS) que será centrada na temática das “políticas sociais e a nova urbanidade”. O evento contará com a presença de pesquisasdores vindos da Colômbia, França e da Espanha, mas também de docentes e graduados do próprio PGPS.

Estarei participando da mesa redonda intitulada “Questão fundiária e conflitos pela terra no Norte Fluminense” que ocorrerá no dia 12 de Junho a partir das 09 horas da manhã. Nesta mesa estarei dando ênfase ao conflito fundiário que está ocorrendo no entorno do Porto do Açu, mas outros participantes estarão tratando do problema a partir de uma base mais ampla, enfocando os problemas que cercam o cotidiano dos assentamentos de reforma agrária existentes no Norte Fluminense.

Abaixo segue a programação completa da  V Jornada Internacional do Programa de Pós-Graduação em Políticas Sociais (PGPS) que ocorrerá na Sala de Multimídia do Centro de Ciências do Homem da Uenf.

cartaz_pol sociais urbanidade_webfolder_pol soc urbanidade1folder_pol soc urbanidade2

 

Marketing acadêmico: Uenf promove seminário sobre religião, política e sociedade nos dias 29 e 30/05

Já estão abertas as inscrições para o Seminário “Religião, Política e Sociedade”  que será realizado pela Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), nos dias 29 e 30 de maio, na Sala de Multimídia do Centro de Ciências do Homem.

Inscrições pelo email: seminarioreligiaopolitica@gmail.com.

seminario

Marketing acadêmico: UENF promove jornada para debater riscos sobre as políticas sociais

Numa demonstração que apesar de todo o processo de precarização que tem sido imposto, a vida ainda pulsa na Universidade Estadual do Norte Fluminense, o Programa de Pós-Graduação em Políticas Sociais realizará entre os dias 29 e 30 de Novembro, a sua jornada internacional com o tema “Políticas Sociais em risco”.

Os interessados em participar do evento podem obter maiores informações (Aqui!)

A entrada no evento é livre!

pgps

Marketing acadêmico: seminário irá discutir as “margens da cidade”

Divulgo abaixo folder do seminário “As margens da cidade falam” que é uma realização conjunta dos programas de pós-graduação de Políticas Sociais e Sociologia Política da Universidade Estadual do Norte Fluminense e também da UFF/Campos dos Goytacazes.

O seminário ocorrerá nos próximos dias 19 e 20 de agosto, e contará com diversas atividades que incluirão a participação de moradores, performances teatrais, mostra fotográfica e debates acadêmicos. A participação é aberta ao público e gratuita. 

seminário 1 seminário 2

CAPES aprova o doutorado em Políticas Sociais na UENF

Acaba de sair o resultado da 156a. Reunião do Comitê que decide a criação de programas de pós-graduação no Brasil, e o resultado traz uma excelente novidade para todos os que ao longo dos últimos 16 anos acompanharam as pesquisas realizadas em nível de mestrado no Programa de Pós-Graduação em Políticas Sociais (PGPS) da UENF. É que a partir de 2015, o PGPS também terá seu programa de doutorado.

Como estou no PGPS desde a sua criação sei que esta aprovação resultou de um esforço hercúleo dos seus docentes, principalmente da Profa. Sílvia Martinez, atualmente coordenadora do programa, que se empenhou de forma direta na preparação de uma proposta para o curso de doutorado que agora acaba de ser aprovado pela CAPES.

Esse novo doutorado é uma prova de que, apesar de toda a sabotagem imposta pelo (des) governo comandado por Luiz Fernando Pezão, o modelo criado por Darcy Ribeiro resiste até aos piores governos, e segue avançando para continuar contribuindo com um novo modelo de desenvolvimento que seja socialmente justo e ambientalmente responsável.