Delaware e seu magnestismo irresistível: Eike Batista também está em Wilmington

eike-batista-reuters-jpg_210154

Numa peculiar coincidência acabo de descobrir por meio do blog do vereador carioca Márcio Rodrigues (Rede) que um personagem constante deste blog também mantém negócios em Wilmington, aquela cidade cheia de empresas que cabem em caixas de correio no estado de Delaware. Estou falando do ex-bilionário Eike Batista (ver imagem abaixo) que levou para lá o seu  “Centennial Asset Brazilian Equity Fund” (Aqui!).

eike

E para quem não se lembra do “Centennial Asset Brazilian Equity Fund” não custa nada recordar que Eike Batista o utilizou para turbinar (ou afundar) a construção do Porto do Açu em São João da Barra (RJ).  E como no Porto do Açu foram utilizados bilhões de reais oriundos de fontes públicas como o Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e BNDES, esse súbito encontro em Delaware com o RioPrevidência parece ser coincidência demais para se tratar apenas de uma mera coincidência.

 O que me deixa intrigado é sobre quem mais andou indo se instalar em Wilmington, além do RioPrevidência (mas pode chamar de Rio Oil Finance Trust) e do Grupo EBX (mas pode chamar de Centennial Asset Brazilian Equity Fund).  E, mais, quem apresentou Wilmington e suas facilidades para quem. 

Porto do Açu: trabalhadores reclamam de revistas humilhantes

Recentemente alguém me perguntou sobre como andavam as coisas dentro do Porto do Açu no tocante ao respeito aos direitos dos trabalhadores. Respondi, na medida do meu conhecimento, que após várias crises durante a fase mais intensa das obras, a coisa andava quieta, provavelmente por causa da diminuição do número de trabalhadores dentro do empreendimento.

Eis que hoje recebi um contato via o endereço eletrônico deste blog, com a seguinte mensagem:

Bom dia professor, muitos (trabalhadores) reclamam da “fiscalização” no Porto do Açu, onde todos são revistados na saída do trabalho, bem como seus pertences e carros. E em alguns momentos isso gera demora na saída.”

A mensagem também disponibilizou o link de um vídeo que teria sido produzido numa das portarias do Porto do Açu. As cenas que são mostradas são realmente muito peculiares, e posto o vídeo abaixo para que os interessados possam assisti-lo e tirar suas próprias conclusões.

Como as imagens parecem genuínas, eu fico me perguntando qual seria a razão desse controle todo. O que será que os seguranças acham que os trabalhadores podem estar retirando do interior do Porto do Açu?

Porto do Açu: tudo azul no país das maravilhas da propaganda

Acabo de assistir mais uma daqueles belos vídeos promocionais formulados pelo setor de propaganda da Prumo Logística Global. Confesso que se eu não conhecesse a realidade de perto, eu até me arriscaria a comprar umas ações da empresa que hoje tenta transformar o Porto do Açu em uma realidade que escape da herança maldita deixada pelas apresentações de Powerpoint com que o ex-bilionário Eike Batista “vendia o seu peixe”.

Mas o problema é que eu conheço a realidade de perto, e sei que como uma boa propaganda o vídeo que a Prumo Logística preparou não passa de miragem. É que a realidade é bem menos azul  e repleta de problemas que não param de adicionar custo a uma operação que segue dando prejuízos milionários. Até o conceito de “porto-indústria” foi ressuscitado para, digamos, mandar a bola para frente.

Entretanto, exemplos de problemas não faltam e a Prumo Logística Global ainda não teve que desembolsar dinheiro para compensar prejuízos sociais e ambientais que a instalação do Porto do Açu trouxe para os habitantes do V Distrito de são João da Barra por um simples e básico motivo: quando se trata de defender os interesses dos pobres, a justiça brasileira é extremamente lenta.

Só isso explica porque até hoje não se desembolsou nada para compensar as perdas com a salinização de águas e solos (que nada tem de pontual, seja no tempo como no espaço), e com a erosão costeira que devora a Praia do Açu. Só a lerdeza seletiva da justiça explica porque os agricultores que tiveram suas terras tomadas pelo (des) governo do rio de Janeiro continuam de mãos abanando e sem qualquer perspectiva de receber o dinheiro que lhes é devido.

Assim, embora a propaganda tente dourar a pílula amarga do Porto do Açu, a realidade a supera e mostra sua face nada bela.  E aí a conclusão é inevitável: nem toda a propaganda do mundo vai esconder a situação de extrema dificuldade em que se encontra o mega empreendimento que um dia o ex-bilionário Eike Batista prometeu que seria a Roterdã dos trópicos.

Marketing acadêmico: defesa de dissertação sobre o processo de licenciamento ambiental do Porto do Açu

Em meio às graves dificuldades impostas sobre a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) pelo (des) governo do Rio de Janeiro, continuamos tentando remar contra essa corrente de destruição. 

E o que fazemos melhor na Uenf é produzir conhecimento qualificado para contribuir não apenas com o avanço da ciência básica, mas também de um modelo de desenvolvimento científico que sirva ao conjunto da sociedade.

Por isso é que hoje terei a satisfação de participar da banca examinadora da dissertação que orientei no âmbito do Programa de Ecologia e Recursos Naturais da Uenf cujo cartaz é mostrado abaixo.

dissertação juliana

A minha expectativa é que essa banca examinadora sirva para auxiliar a candidata a trabalhar nas possíveis falhas que tenham passado por mim, de modo a oferecer uma contribuição inequívoca ao entendimento dos potenciais e limitações do uso da Avaliação de Impacto Ambiental no Brasil. De quebra, que os atingidos pela implantação do Porto do Açu em suas várias facetas negativas tenham um documento acadêmico que lhes seja útil na defesa de seus direitos que tem sido pisoteados desde o início da construção desta mega obra.

Leitor aborda crise do desemprego gerado pela agonia da Anglo American em Minas Gerais

anglo-1

No dia 27/02/2016 publiquei uma material que me foi enviado por um leitor de Conceição de Mato Dentro (MG) que narrava as causas da agonia em que a mineradora Anglo American se encontra neste momento em suas operações em território mineiro (Aqui!).

Pois bem, agora outro leitor que reside em Conceição do Mato Dentro me enviou o outro lado da moeda que são as consequências sociais da situação vivida pela Anglo American. E pelo que pode se depreender da narrativa que segue abaixo, o processo de demissões que assolam os empregados da Anglo American está contaminando empresas que prestam serviços para ela.

Essas demissões representam outro ponto baixo na situação que se estabeleceu em Conceição do Mato Dentro após a chegada do grupo econômico do ex-bilionário Eike Batista que depois repassou o chamado projeto Minas-Rio para a AngloAmerican.

Agora, o que eu fico imaginando é por quanto tempo vai se tentar vender a ideia de que a crise da AngloAmerican não vai afetar o funcionamento do Porto do Açu já que a mineradora é, de fato, a principal parceira que o empreendimento efetivamente possui. A ver! 

DISPENSAS NA ANGLO AMERICAN E AFILIADAS ASSOMBRA CONCEIÇÃO DO MATO DENTRO E REGIÃO

No dia 02/02/2016, representantes do sindicato METABASE de ITABIRA e região iniciaram atividades na cidade de Conceição do Mato Dentro contra a demissão de funcionários no empreendimento Minas-Rio. O METABASE realizou uma manifestação pacifica, distribuindo panfletos e transmitindo mensagens de repúdio através de veículo com amplificador sonoro, também colheu assinaturas na tentativa de reversão do quadro de demissões.

Abaixo dois dos panfletos distribuídos:

 

Por outro lado, no dia 04/02/2016 no jornal DeFato online o posicionamento da AngloAmerican em relação às demissões realizadas recentemente pela empresa.

Segue abaixo a matéria

demissões

O link para acesso à publicação está disponível Aqui!

Paralelo a isso, correm informações ainda extra-oficiais que a construtora CIAP, empresa terceirizada da ANGLO AMERICAN, demitiu cerca de 500 funcionários em Conceição do Mato Dentro, pois a empresa feito feito um planejamento equivocado, acarretando em dívidas de pagamento para mão de obra e para o comércio local.

As obras da CIAP eram realizadas no bairro BOUGANVILLE, com finalidade de construir casas populares para moradia de funcionários. As informações disponíveis indicam que a CIAP teria finalizado 70%, e que para a conclusão do restante será aberta nova licitação. Enquanto isso, um grande número de trabalhadores de CMD e região foi desempregado, e não há informações se estes receberam a compensação final da empresa CIAP.

Eike Batista na iminência de novas oferendas: PRR2 cobra reparação total de danos ambientais do Porto do Açu (RJ)

sal da terra

Pode parecer até que ao escrever a minha postagem anterior eu já tinha recebido o material abaixo, mas esse não é o caso. Como se vê, Eike Batista vai precisar ainda fazer muitas oferendas para se livrar dos “pepinos” salgados que ele ajudou a plantar no V Distrito de São João da Barra.

Aliás, não é só o ex-bilionário Eike Batista que vai precisar começar a pensar em oferendas, mas também os dirigentes do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama) que também são co-réus no caso da salinização causada pelo aterro hidráulico do Porto do Açu e que prejudicou de forma permanente as propriedades rurais de pequenos agricultores no V Distrito.

Agora, quem sabe, pessoas como o Sr. Durval Alvarenga, uma das principais vítimas daquele incidente, possam ter um pouco de esperança de serem um dia ressarcidos pelos prejuízos que lhes foram causados pelo Porto do Açu.

PRR2 cobra reparação total de danos ambientais do Porto do Açu (RJ)
MPF rebate recursos de estaleiro OSX e de operadora para restringir ação

O Ministério Público Federal (MPF) se opôs, no Superior Tribunal de Justiça (STJ), aos recursos especiais do estaleiro OSX e do Porto do Açu Operações, responsáveis pelo complexo logístico portuário em construção em São João da Barra, no Norte fluminense. O MPF/RJ processou o grupo empresarial EBX para paralisar as obras por salinizarem o Canal de Quitingunte com danos ao meio ambiente e ao consumo humano. As empresas questionaram a decisão judicial que considerou como área atingida todo o 5º distrito (Pipeiras), como quis o MPF (o juiz em Campos considerou inicialmente apenas os danos comprovados ao canal).

A Procuradoria Regional da República da 2ª Região (PRR2) argumentou, em suas manifestações (contrarrazões aos agravos), que a delimitação da área pelo juiz de primeira instância representa risco de graves danos de difícil reparação ao meio ambiente. A partir de um inquérito civil antes restrito aos danos no canal, o MPF avaliou que a salinização pode alcançar áreas do solo, de águas doces em canais e lagoas e águas tratadas para a rede de abastecimento em toda a região.

“Considerar os eventuais efeitos da salinização do canal só em relação ao abastecimento humano de água, como na decisão inicial, desprezaria as áreas de solo e recursos hídricos de águas doces de canais e lagoas, também possivelmente atingidos”, afirma o procurador regional da República Luiz Mendes Simões, autor das manifestações ao STJ, que rebateu o argumento da defesa de que a ação deveria se restringir ao canal por ele ter sido o objeto inicial do inquérito civil. “Se o inquérito civil é desnecessário para propor a ação civil pública, não há que se falar, nem raciocinar, em qualquer restrição da ação civil pública ao objeto do inquérito civil.”

Na ação contra as empresas do grupo EBX e os institutos ambientais IBAMA e INEA, o MPF levou em consideração pesquisas da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) que detectaram um índice de salinidade sete vezes maior ao permitido para o consumo na água fornecida à região pela Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae). O aumento da salinidade no solo e em águas doces destrói a vegetação, inutiliza o solo para plantio e torna impróprias ao consumo as águas dos mananciais, entre outros danos.

FONTE: Assessoria de Comunicação,  Procuradoria Regional da República da 2ª Região

Enfrentando nuvens carregadas, Eike Batista gasta fortuna em oferenda a Iemanjá

eike 0

Enfrentando tempos de nuvens carregadas, o ex-bilionário Eike Batista acaba de gastar uma fortuna, supostamente amealhada na forma de moedas de ouro, para tentar acalmar os ânimos de Iemanjá. Pelo menos é isso o que diz a matéria abaixo publicada nesta terça-feira (01/02) pelo jornal Extra.

Essa ação generosa com Iemanjá é mais uma tentativa de Eike Batista de acertar suas dívidas com os santos, segundo informa o mago Ubirajara Pinheiro. Aliás, o mago previu na matéria que Eike Batista logo voltará ao topo. Uma questões de meses teria afirmado Pinheiro.

Apesar de não ter nenhuma disposição para brigar com Iemanjá, se Eike Batista estivesse mesmo disposto a livrar a sua barra com os santos, bem que poderia ter entregue esta dinheirama toda para um fundo de compensação para as famílias atingidas pela salinização de águas e solos que foi causada pelo aterro hidráulico do Porto do Açu. 

Aliás, falando em V Distrito de São João da Barra e Eike Batista, lá não faltam pessoas e malfeitos nos quais o ex-bilionário poderia usar suas posses residuais para  fazer várias tentativas de estabelecer algum tipo de armísticio com os deuses.

Agora, o que Eike Batista e o mago Ubirajara Pinheiro pode não ter levado em conta é que Iemanjá poderia estar ocupada naquele mesmo dia 02 de Fevereiro em acompanhar outro tipo de entrega de oferendas.  Mais no estilo “Lava Jato”,  por exemplo.  A ver!

Eike Batista faz oferenda de R$ 700 mil a Iemanjá, e vidente diz: ‘Ele vai voltar ao topo’

eike 1

Eike Batista se apegou no oculto e na fé para sair da crise Foto: Dado Galdieri/Bloomberg / Agência O Globo

No último dia 2 de fevereiro, Dia de Iemanjá, Eike Batista despachou no mar de Ipanema, na Zona Sul do Rio, uma oferenda que, se achada, poderia valer um tesouro. Aproximadamente R$ 700 mil foram gastos com a oferenda à rainha do mar. Eike foi aconselhado por dois videntes a “fazer as pazes com Iemanjá”. “Falei com ele que tudo o que havia tirado do mar teria que ser devolvido e agradecido. Tudo que ele explorou nos últimos anos estava ligado ao oceano”, diz um destes videntes, que prefere se manter no anonimato.

Eike chegou à Urca, também na Zona Sul do Rio, numa lancha grande, e encontrou um babalorixá à sua espera com a oferenda pronta. No barco foram colocadas flores, perfumes importados, garrafas de champanhe, imagem da entidade e 700 moedas de ouro. As moedas não têm um valor exato. Mas para se ter uma ideia, uma destas moedas comemorativas da Copa do Mundo de 2014 pode ser encontrada no mercado por R$ 1 mil.

eike 2
Julgamento de ação penal contra Eike Batista na Justiçaa Federal, em 2014 Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo

O despacho aconteceu numa cerimônia muito íntima no mar de Ipanema, do qual só participaram Eike, a tripulação e o pai de santo. “Ele vai voltar a ser o homem mais rico do Brasil em questão de meses”, profetiza. Em junho de 2015, na primeira entrevista que deu após meses sem fazer declarações públicas, Eike Batista disse que sua dívida de US$ 1 bilhão, cerca de R$ 4 bilhões, estava zerada e que ele iria recomeçar. O empresário, que já foi o sétimo mais rico do mundo segundo a “Forbes”, em 2011, no entanto, continua pedindo aos céus uma ajudinha extra, com um X bem grande.

Esta não é a primeira vez que Eike Batista recorre ao oculto, Supersticioso, o empresário chegou a ir para Cusco, no Peru, após os conselhos de uma vidente carioca que o mandou alinhar os chacras e a fazer uma readaptação cósmica. O ex-marido de Luma de Oliveira ficou deitado por pelo menos cinco minutos no alto de uma colina, meditando sobre seu futuro. Depois disso, por indicação de um guia, chegou até uma mulher que fazia previsões com folhas de coca. Na mesma viagem, nos anos 90, deu de cara com um sol inca, numa barraquinha de souvenir, e teve a ideia de colocar aquele símbolo como logomarca de suas empresas.

eike 3Ubirajara Pinheiro, da Casa do Mago: conselheiro espiritual Foto: Gustavo Miranda / Agência O Globo

“Ele vai voltar ao topo”

O mago Ubirajara Pinheiro é um velho conhecido de Eike Batista. Ele é responsável pela Casa do Mago, situada no Humaitá, na Zona Sul do Rio, frequentada por políticos e celebridades. É no templo que Eike costuma ir há anos em busca de alento espitirual. “Falo o que tenho para falar na lata, como falo para qulquer pessoa que busca esta casa. E avisei a ele de tudo o que aconteceria”, diz Ubirajara, que foi entrevistado pelo EXTRA.

O senhor aconselhou Eike Batista a fazer uma oferenda a Iemanjá?
O aconselhei assim como aconselho a todos. Eike sabe que é filho de Iemanjá com Oxóssi, Nossa Senhora e São Sebastião.

Mas precisava ser algo muito caro?
Quantidade não é questão de fé. A fé é maior sempre. Você pode me dar potes de ouro e uma broa de milho, que adoro, e eu preferir a broa…

O senhor acredita que Eike Batista estava endividado espiritualmente?

Você não retira o minério da terra sem agradecer, sem devolver a ela benfeitorias. Nem sempre estamos preparados para os castigos de Deus, e só vamos perceber o que fizemos depois.

Ele é um homem muito místico. Finalmente fez as pazes com as entidades?
Apesar de não ser um religioso, ele conta com luz de Luma (de Oliveira, ex-mulher do empresário). É na força dela que ele consegue a dele.

Ele vai voltar ao topo?
Vai. É questão de meses.

eike 4Casamento de Luma de Oliveira com Eike Batista em 91: a força vem dela Foto: Leonardo Aversa

eike 5O símbolo das empresas: sol inca como logomarca Foto: SERGIO MORAES / REUTERS

eike 6Eike Batista acompanha o embarque da mulher, Flavia Sampaio, e do filho, Balder: avião de carreira Foto: Lindson Junior / Agência O Globo

eike 7Eike Batista é flagrado numa lanchonete popular: novos hábitos Foto: Fotos Extra / Agência O Globo

eike 8Eike Batista, empresario e seus advogados, fotografados durante a audiencia no Tribunal do Juri: tempos ruins estão acabando Foto: Leo Pinheiro / Agência O Globo

eike 9Eike Batista conseguiu recuperar seus carrões. Um deles estava sendo dirigido pelo juiz do caso Foto: Xande Nolasco

FONTE: http://extra.globo.com/famosos/eike-batista-faz-oferenda-de-700-mil-iemanja-vidente-diz-ele-vai-voltar-ao-topo-18777755.html#ixzz41fiWUlib

Prumo e seu fantástico viveiro de mudas. Ah, se meu Greenwashing falasse a verdade!

Mencionei aqui no dia de ontem (23/02) o emprego pela Prumo Logística da tática do “Greenwashing” para tentar melhorar um pouco a desgastada imagem do Porto do Açu. Aparentemente em resposta à minha postagem, a Assessoria de Comunicação da Prumo colocou imediatamente no ar a propaganda abaixo.

GW

As informações sublinhadas são para mim as mais reveladoras do “Greenwashing” que  a Prumo realiza. É que informações vindas do entorno da Fazenda Caruara me dão conta que 40 funcionários atuando no interior da propriedade só se forem os seguranças patrimoniais que riscam o terreno em motocicletas e pick ups.

Além disso, chamo a atenção para a informação que aponta que o viveiro da Prumo comportaria o plantio de até 500 mil mudas por ano e seria o maior da América Latina. Mas afinal, qual é a produção atual de mudas? E o viveiro é o maior da América Latina em que quesito?  

Em minha experiência com mudas florestais com mais de 20 anos de acompanhamento de um projeto agroflorestal na Amazônia Ocidental, eu teria duas coisas a apontar para os que se enebriam com o “Greenwashing” da Prumo.  A primeira é que quanto maior o viveiro maior é a chance do aparecimento de doenças que dizimam populações inteiras de mudas. Dai é que fico cético com o número anunciado.  Já a segunda coisa é uma consequência da primeira. É que mudas doentes ou com trato inadequado tendem a aumentar a taxa de mortalidade dos plantios em campo.

Assim, mais importante do que dizer quantas mudas PODEM ser geradas, a Prumo deveria informar quantas foram efetivamente PLANTADAS e qual tem sido a taxa de SOBREVIVÊNCIA das mudas no campo. Do contrário, tudo o que for propalado sobre esse “fantástico” viveiro será apenas o que é, qual sejam “Greenwashing“.  

Ah, e antes que eu me esqueça, como as imagens acima são antigas e um dos funcionários mostrados aparentemente não trabalha mais no empreendimento, o mínimo que deveria ser mostrado são exemplos de mudas que deram certo. É que isso aumentaria a chance de céticos como eu acreditarem que a coisa não é tão artificial como se pensa ser.

A Prumo Logística e o uso do “greenwashing”: o caso insustentável da RPPN Fazenda Caruara

Em meio a um marasmo de notícias felizes, vejo que a Prumo Logística Global vem usando a sua página no Facebook para realizar um belo esforço de “Greenwashing”  (Aqui!).  Para quem não é familiarizado com o conceito, Greenwashing é um termo em inglês, que pode ser traduzido para algo como “maquiagem verde”, ou seja, propaganda enganosa que confere atributos “verdes” que não existem ou não estão comprovados a produtos, serviços ou marcas.

Pois bem, em face das várias mazelas evidentes que podem ser associadas ao Porto do Açu, incluindo a erosão na Praia do Açu e a salinização de águas e terras no V Distrito de São João da Barra, a Prumo Logística tem recorrido de forma recorrente à fábula de que protege a faixa de restinga que existe dentro da RPPN Fazenda Caruara, propriedade que o ex-bilionário Eike Batista arrematou a preços módicos em troca dos vários decretos de desapropriação de terras realizados pelo (des) governo Sérgio Cabral em desfavor de centenas de famílias de pequenos agricultores que viviam na região há várias gerações.

Felizmente um fato que marca o uso das redes sociais é a possibilidade de réplica, mesmo nos veículos que as corporações utilizam para vender o seu peixe cozida à moda do Greenwashing. Esse é o caso, por exemplo, da propaganda postada pela Prumo Logística no dia de ontem (22/02/16) na já mencionada página oficial da empresa no Facebook como mostram as imagens abaixo.

prumo 1 prumo 2

Os leitores do blog poderão observar que na imagem da direita é apresentada a versão de que  a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Fazenda Caruara é a maior unidade de conservação privada de restinga do país, e a única do estado do Rio de Janeiro? Nessa versão, a RPPN Fazenda Caruara teria sido criada pela Prumo no entorno do Porto do Açu, contando com 40 km² de área, o que representaria 60% de todas as RPPNs criadas no Rio de Janeiro.  Já no lado esquerdo, aparece a réplica de um morador do V Distrito mostrando com imagens Landsat que não há mudança perceptível em termos da cobertura vegetal existente na RPPN Fazenda Caruara.

Aliás, é interessante notar que houve até uma tréplica  de um internauta que defendeu o argumento oficial da Prumo Logística de que há efetivamente um programa de reflorestamento vigoroso em curso na RPPN Fazenda Caruara.  Ao verificar o perfil desse internauta é possível verificar que o mesmo trabalha na empresa que realizou o tal processo de reflorestamento, o que explica a colocação da sua tréplica.

Entretanto,  lembro aos leitores que no dia 10 de Agosto de 2015, postei imagens que me foram enviadas por um leitor, mostrando que a versão da Prumo Logística não sobrevive a um exame mínimo da realidade efetivamente existente no interior da Fazenda Caruara (Aqui!).  Afinal, como bem disse o internauta que defendeu o suposto programa de reflorestamento implementado na Fazenda Caruara, espécies de restinga não são eucalipto geneticamente modificado que crescem do dia pra noite.  Em outras palavras, não há como a propaganda da Prumo Logística deixe de ser apenas “Greenwashing” em tão pouco tempo.

Por último, um detalhe que sempre me causa espécie é o fato da Prumo Logística Global sempre clamar para si aquilo que pode ser apresentado como positivo no Porto do Açu (como o caso em tela da RPPN Fazenda Caruara) e jogar de ruim nas costas do hoje quase extinto Grupo EBX do ex-bilionário Eike Batista. Parece coisa de quem sempre culpa o defunto pelos malfeitos dos vivos! Agora, convenhamos, essa é uma estratégia eficaz! É que enquanto se mostra belas borboletas, ninguém se pergunta sobre a erosão e a salinização.

 Mas é para isso que as corporações e seus marqueteiros inventaram o “Greenwashing“, não é?