(Des) governo Pezão planeja aumentar crise da Uenf em 2017

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Para quem pensa que a situação das universidades estaduais já chegou ao fundo do poço sob as mãos de Luiz Fernando Pezão e Francisco Dornelles, eu sugiro que pense de novo! É que, no caso da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), a Secretaria Estadual de Planejamento e Gestão (Seplag) estabeleceu limites orçamentários que vão implicar em cortes drásticos no pagamento de pessoal e no custeio.

No caso dos salários, o teto estabelecido para 2017 é R$ 10 milhões menor do que o orçado para 2016! Ainda que existam saídas para remanejar os recursos necessários para cobrir esse déficit, esse limite aponta para duas intenções possíveis por parte do (des) governo Pezão/Dornelles e ambas são muito complicadas. É que em não se remanejando o valor falante, sobrariam as opções de demitir ou dar calote nos salários sendo que a primeira é claramente a que tem mais chance de ser aplicada.

Já no tocante às verbas de custeio, o limite proposto para 2017 é de R$ 22 milhões representa a perda de outros R$ 10 milhões em relação ao aprovado para 2016. Segundo fontes bem informadas dentro da administração da Uenf, mesmo se todo o valor proposto seja repassado não haverá como a universidade funcionar.

Antes que alguém venha jogar a culpa dessa situação no recolhimento de impostos, dados oficiais apontam que até a redução nos valores recolhidos em 2016 não explicam de forma alguma a penúria imposta à Uenf e às outras universidades estaduais.  

O mais provável é que a explicação esteja numa combinação perniciosa entre a alta de carga de juros resultante da política de endividamento do estado que marca os (des) governos comandados por Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão com as bilionárias generosidades fiscais que já consumiram algo em torno de R$ 180 bilhões de reais, e que continuam sendo concedidas quase que diariamente (E sim, a Cervejaria Petrópolis, a Land Rover, a Nissan, a Coca-Cola, a Oi, e a H Stern mandam lembranças e agradecem!).

Enfim, quanto mais cedo as universidades começarem a se mobilizar para cobrar da Assembleia Legislativa a aprovação de orçamentos que permitam o seu funcionamento, melhor! É que do (des) governo Pezão/Dornelles a política será a asfixiar para mais facilmente privatizar.

Brasil à venda: como um golpe legal abriu o caminho para a privatização

Mais austeridade e a venda de valorizados bens públicos vão piorar uma já demolidora recessão econômica.

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Instalações da vila olímpica do Rio de Janeiro (Ricardo Moraes/ Reuters)

Por Andy Robinson*

“Eu sou o ‘Papa Mike- Policial”, diz o policial montado em sua moto BMW. Ele está pronto para escoltar o novo Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) em seu período de experiência, no seu trajeto de ida e volta no renovado Porto Maravilha com seu reluzente Museu do Amanhã projetado pelo arquiteto espanhol Santiago Calatrava. indo do meio do centro antigo do Rio de Janeiro até  Aeroporto Santos Dumont que provavelmente será privatizado em breve. “Tenho ordens para impedir as pessoas de serem atropeladas”, ele explica enquanto o trem se afasta, passando por um sinal de alerta que diz: “Cuidado! O VLT não faz barulho”.

Quem poderia questionar a preocupação do prefeito Eduardo Paes com o bem-estar dos pedestres da cidade-sede dos Jogos Olímpicos? No entanto, aqueles que estão dentro do vagão lotado, assim como eles estão todos os dias em ônibus lotados percorrendo trajetos intermináveis vindos da vasta periferia ocupada pela classe trabalhadora da cidade do Rio de Janeiro, devem se perguntar por que as mesmas precauções não foram tomadas para evitar o perigo real: a falência do estado do Rio, que vem suspendendo o pagamento de salários e pensões de milhares de trabalhadores do setor público. Cortes draconianos têm sido feito nos orçamentos de escolas, hospitais e transporte de massa, enquanto 39 bilhões de reais (cerca de US $ 10 bilhões) foram gastos com os Jogos Olímpicos. Dois em três brasileiros entrevistados nesta semana pela Folha de São Paulo disseram que os Jogos Olímpicos têm trazido mais problemas do que vantagens.

Outros escoltados a bordo VLT podem se perguntar por que proteções similares não estão sendo oferecidas para os 3 milhões de trabalhadores que perderam empregos desde 2013. A recessão, a pior da história do Brasil, desfez décadas de progressos na redução da pobreza em um país cuja desigualdade de renda chocou o mundo, quando a desigualdade ainda conseguia chocar. Até o final de 2016, a recessão vai ter dizimado cerca de 9% do PIB do país em dois anos. A economia tende a se contrair ainda mais, com um programa radical de austeridade agora oficialmente consagrado em Brasília, sob o governo interino de direita de Michel Temer, que assumiu o poder em maio, após o que muitos chamam de um golpe de Estado legal.

De muitas maneiras, Temer está partindo de onde a agora suspensa presidente Dilma Rousseff parou, após sua conversão à austeridade em um segundo mandato desastroso. Agora, no entanto, os cortes de gastos estão coincidindo com um programa de privatização radical. “Eles estão aplicando muitas das mesmas políticas que Dilma aplicou, mas mais descaradamente e com um chapéu neoliberal suas cabeças”, diz Luiz Eduardo Melin, assessor econômico, em tempos mais felizes, durante o segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2007-11). “Eles querem impulsionar a economia em uma espiral descendente, mas eles não se importam porque eles não concorrer a uma reeleição”.

“Normalmente, no Rio, a depressão vem depois do Carnaval; mas mesmo antes da cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos já estamos de ressaca”, comenta Joel Birman, um psicoterapeuta que trabalha duro no bairro afluente da Gávea onde os aterrorizados membros da classe média do Rio de Janeiro procuram sua ajuda. Para as massas empobrecidas, os mega templos evangélicos executam uma função similar. Aqui, o crescente conservadorismo cristão- um elemento-chave do movimento que derrubou Rousseff- furtivamente constrói sua base entre mais de um quinto da população.

“Eu encontrei a liberdade; agora eu me preocupo só sobre a vida após a morte”, diz Luís, que está sentado na fileira detrás da Igreja Universal do Reino de Deus, no bairro de Botafogo. Luís trabalha para receber um salário de 1.500 reais (US $ 500) por mês como a assistente de cozinheiro em um restaurante próximo e gasta 200 reais por mês em transporte para ir e vir da sua residência, que fica a 1:30 h de viagem no município de Duque de Caxias. A crise do petróleo representou um duro naquele município, dizimando empregos na refinaria e em toda a área industrial, acabando com os ativos da estatal Petrobras.

Uma vez considerada a joia da coroa do Partido dos Trabalhadores, a Petrobras foi dilacerada pelo colapso do preço do petróleo e por uma enorme investigação anticorrupção. A Petrobras pode estar agora na primeira fase de sua privatização. Nas salas de reuniões subterrâneas sob o edifício do Congresso futurista de Oscar Niemeyer em Brasília, um projeto de lei que abriria a exploração do Atlântico reservas do pré-sal da Petrobras para as multinacionais estrangeiras está sendo analisado. Os ativos da empresa na Argentina e no Chile estão à venda.  O enorme banco de desenvolvimento estatal, o BNDES, cuja sede fica ao lado dos arranha-céus da Petrobras no centro do Rio, foi forçado a vender a sua participação em empresas como a Petrobras e no conglomerado de mineração, Vale. Em um monumental encolhimento, o BNDES que já emprestou mais dinheiro do que o Banco Mundial “será deixado sem dinheiro e vai cobrar os empréstimos feitos para empresas brasileiras já em dificuldades devido à recessão”, diz Melin. “Uma vez que estão à beira da falência, elas serão vendidas para alguém a preços excelentes.”

Esse alguém poderá ser encontrado em Wall Street ou em Houston. O governo Temer está “tentando criar as condições” para a privatização da Petrobras e dos bancos públicos, Lula avisou na semana passada. Pedro Parente, o novo presidente da Petrobras negou a acusação, afirmando que “eu não acredito que a sociedade brasileira esteja madura o suficiente” para a venda de um dos mais valiosos ativos estatais na América Latina. Os investidores internacionais, por sua vez, estão se preparando para esta liquidação. “Porque a recessão afetou os lucros das empresas, os ativos podem ser adquiridos a preços que são mais atraentes para os compradores”, aconselhou um novo relatório pelo Conselho do Atlântico em Washington, alegremente intitulado “Petróleo e Gás no Brasil: Uma Nova Fresta de Esperança”.

As vendas, que também incluem os aeroportos e a empresa de correios, vão diminuir cosmeticamente o déficit orçamentário do Brasil, que a 10 % está aumentando a dívida pública. No entanto, como a economista da Universidade de São Paulo, Laura Carvalho alertou, a liquidação privatista vai piorar finanças públicas em longo prazo, porque os dividendos para o estado vão desaparecer. “Este é um truque de ilusionismo fiscal; até o FMI sabe isso”, diz Carvalho.

A ironia é raramente reconhecida pela mídia brasileira, mas o impeachment de Dilma foi, alegadamente,  provocada pelo utilização de “pedaladas fiscais”, uma técnica de contabilidade comum e inócua, para reduzir temporariamente o déficit. O termo refere-se à intrincada manobra usada por jogadores de futebol brasileiros para enganar pelo adversário. No mês passado, uma comissão especial de impeachment no Senado Brasileiro declarou que o uso de pedalada não representa uma ofensa que possa resultar no afastamento definitivo da presidente Dilma. No entanto, há pouca chance de que o Senado irá inverter sua posição inicial pró-impeachment em sua segunda votação em Agosto. “A decisão do comitê não faz diferença em tudo-isso é um golpe suave e parlamentar, e a Pedalada foi apenas um pretexto”, diz Vladimir Safatle, um filósofo da Universidade de São Paulo.

Sob pressão da outrora poderosa federação de indústrias de São Paulo (Fiesp), que financiou o movimento pró- impeachment, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, recuou de suas promessas de aumentar impostos e, em vez disso colocou o fardo do programa de austeridade sobre os novos cortes de despesas e investimentos públicos. Isto ameaça os fundamentos do programa de combate à pobreza adotado pelo Partido dos Trabalhadores. Pior ainda, uma proposta irá condicionar o financiamento de governos estaduais e municipais já sitiados em sua capacidade de reduzir o número de famílias pobres que recebam subsídios para reduzir a pobreza. Pior, uma nova proposta de lei poderá impor limites constitucionais sobre os gastos, impondo a austeridade “ad infinitum”, e também eliminando a alocação orçamentária mínima para a educação e saúde.

Os mercados financeiros estão muito satisfeitos com tudo isso. Os investimentos mais rentáveis do mundo nos últimos seis meses têm sido o índice de ações da BM&F IBOVESPA em São Paulo e do real, que se valorizou cerca de 20 % desde sua baixa em 2015.  Analistas de mercado como o FMI acreditam que a economia brasileira já chegou ao fundo e vai começar a se recuperar em 2017. Os lucros dos bancos- liderados pelo pró-impeachment Itaú, o maior banco da América Latina, aumentaram de forma espetacular já que as taxas de juros estratosféricos do Brasil oferecem oportunidades lucrativas para a especulação financeira no mercado da dívida pública “A queda de Dilma foi selada quando ela tentou usar os bancos estatais para tentar forçar os bancos privados a diminuir suas taxas de juros”, disse um economista do BNDES.  

A esquerda está agora dividida entre aqueles que pensam que Lula-ainda o político mais popular no Brasil, pode arrastar o cadáver do Partido dos Trabalhadores para a vitória eleitoral em 2018, e os que defendem a construção de alternativa. “Lula poderia fazê-lo em silêncio, se eles não colocá-lo na prisão”, diz o economista BNDES, se referindo à investigação sobre a corrupção na Petrobras. Mesmo que o ex-presidente evite o julgamento, Lula precisa de um partido para liderar, e a existência do Partido dos Trabalhadores não pode ser garantida após as próximas eleições municipais de outubro, que incluirão mais de 20 milhões de eleitores nas megalópoles do Rio e de São Paulo, “O único argumento é o de criar medo do que a direita irá fazer; eles não têm nenhum programa alternativo”, diz Safatle.

Para alguns, a melhor esperança para a esquerda pode ser Marcelo Freixo, o jovem candidato socialista, para suceder Eduardo Paes como prefeito do Rio. “Freixo deve ser a prioridade agora”, diz Tania, uma eleitora do PT no Rio que cresceu no exílio em Paris durante anos de ditadura militar do país. “Não há nenhum ponto em desperdiçar tempo com Dilma e Lula.”

* Andy Robison trabalha como repórter para o La Vanguardia de Barcelona, e já escreveu sobre a Espanha para o “The Guardian”, para the New Statesman, e para o The Nation. Agora trabalhando no Brasil, ele é o autor do livro ” Um Reporter na Montanha Magica” que trata do Fórum Econômico de Davos e a desiguladade.

Este artigo foi originalmente publicado pelo “The Nation” (Aqui!)  em inglês e a tradução acima é de minha autoria e responsabilidade.

Organizações Globo querem privatizar as universidades públicas. Alguma surpresa nisso?

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Em editorial publicado neste domingo (24/07), os editores do jornal  O Globo fizeram conhecer uma das suas fórmulas para resolver a crise econômica brasileira: privatizar as universidades públicas brasileiras (ver reprodução parcial abaixo) (Aqui!).  Eu digo que a proposta é privatizar, pois esse será o passo natural depois de se instalar a cobrança de anuidades (ou mensalidades), o passo consequente seria a privatização.

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A explicação dada é um tanto estranha, pois supostamente combina a necessidade de equlibrar as contas com uma pouco crível necessidade de se corrigir uma injustiça social que seria ter pessoas de posses estudando gratuitamente nas nossas universidades públicas.

Obviamente faltou a menção ao preceito constitucional de que o ensino superior público e gratuito seria uma responsabilidade do Estado brasileiro. Mas certamente aí já teríamos um problema porque a imensa maioria das vagas existentes no ensino superior brasileiro já são controladas pelas empresas privadas de ensino. Sobre isto, o editorial do O Globo é completamente mudo.

Outro aspecto que passa despercebido é que ao contrário de diminuir o número de vagas gratuitas na educação superior brasileira, o que deveríamos ter é um esforço no sentido contrário, tal como fez recentemente a Alemanha que tornou suas universidades completamente gratuitas, como aliás já ocorre em outros países desenvolvidos (Aqui! e Aqui!).

Mas o essencial nesse ataque frontal à gratuidade do ensino nas universidades públicas é que isto teria um impacto direto na capacidade de termos a ampliação da capacidade científica e tecnológica brasileira, visto que é nas universides públicas que se produz quase a totalidade da ciência nacional. Ao obrigar seus estudantes a pagarem para estudar, o resultado óbvio é que não teriam como se envolver na produção científica.

Esta proposição é tão contrária aos interesses nacionais que mesmo nos EUA onde há a cobrança de anuidades nas universidades públicas, o investimento feito pelo governo federal acaba cobrindo a imensa maioria dos custos operacionais, sendo que as taxas pagas pelos estudantes representam uma fração menor do orçamento das instituições universitárias estadunidenses. 

Uma coisa positiva que este editorial possibilita é que possamos tratar de maneira frontal um problema que até agora estava sendo apresentado de forma dissimulada e, por isso, mantida ausente dos debates acerca do futuro das universidades públicas. Pelo menos agora, poderemos fazer um debate franco e direto sobre o que significaria cobrar mensalidades nas universidades públicas do ponto de vista de quem se preocupe com a evolução de nosso sistema de ciência e tecnologia o que, convenhamos, não é algo que os donos da Rede Globo realmente se preocupam.

Agora, confesso que adorei uma frase do referido editorial. É aquela que diz que “Pagará quem puder, receberá bolsa quem não tiver condições para tal.” Se essa frase puder ser estendida à taxação de grandes fortunas e impostos devidos, a família Marinho tem mais é que pagar bastante e sem dinheiro à bolsas. 

As OSs estão entre as felizardas do processo de privatização do estado do RJ

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A imagem abaixo reproduz uma matéria assinada pelo jornalista Paulo Capelli e publicada online ontem pelo jornal O DIA sobre o aumento exponencial de contratos assinados e dos custos dos mesmos com a Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro (Aqui!).

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E os números levantados por Paulo Capelli impressionam até a mim que sou um leigo na análise dos custos da operação de serviços públicos (privatizados no caso). Quem observar as partes assinaladas por mim na imagem notarão alguns detalhes que são mesmos impressionantes. Por exemplo:

1. Em 2012 eram sete contratos vigentes entre a Secretaria de Saúde e organizações sociais; em 2015, 45. Aumento de 542%!

2.  O orçamento com organizações sociais — empresas que prestam serviço para o governo — saltou 2.709% entre os anos de 2012 e 2015.  Já os gastos passaram de R$ 97,742 milhões para R$ 2,74 bilhões!

3.  Dos 43 contratos em vigor com organizações sociais, em dois o estado apresentou justificativa para pedir dispensa de licitação.

Agora me digam se essa evolução do uso das chamadas Organizações Sociais (OSs) e com o custo que tiveram trouxeram algum tipo de melhoria nos serviços prestados à população nas unidades em que a gestão saiu do controle pública para a iniciativa privada! 

Além disso, como explicar que esse das OSs para dentro das unidades públicas de saúde não tenham sido acompanhadas de forma rigorosa não apenas em termos dos seus custos financeiros, mas também da qualidade dos serviços prestados. Para mim, cresce a necessidade de uma auditoria pública independente também nesses contratos caros e sem retornos claros para a qualidade da saúde pública no Rio de Janeiro

A pergunta que vale alguns bilhões de reais! Quem são os donos dessas empresas e quais são as relações eventuais que as mesmas possuem com, por exemplo, o financiamento de campanhas eleitorais?

Por fim, nunca é demais notar que enquanto as OSs tiveram ganhos óbvios com a privatização da gestão da saúde,  a parte pública da rede hospitalar, escolas da rede estadual e universidade foram afundadas numa crise sem precedentes sob a alegação de uma crise que inexiste para os serviços que foram privatizados. Aliás, muito pelo contrário.

Rio de Janeiro: parcelamento de salários é só um instrumento para privatizar o serviço público

A suposta crise financeira do estado do Rio de Janeiro está servindo como uma bela fachada para um ataque sem precedentes aos serviços públicos que devem ser prestados à população em troca do pagamento de uma grossa malha de impostos. A face mais explícita dessa tentativa de entrega do público às corporações privadas é o atraso, que agora é acompanhado do parcelamento, dos salários, pensões e aposentadorias dos servidores estaduais.

Essa situação é tornada mais evidente pela continuidade de uma politica de benefícios fiscais que favorece o fortalecimento de empresas em detrimento da precarização dos órgãos públicos. Em levantamento realizado pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE) foi detectado que só em 2015, o (des) governo Pezão/Dornelles concedeu em torno de R$ 35 bilhões em isenções fiscais, o que serviu para beneficiar até uma cervejaria onde o presidente da Alerj, Jorge Picciani (PMDB), é sócio.

Tamanha desenvoltura para precarizar os serviços públicos e turbinar os lucros corporativos só é possível por uma combinação de responsabilidades, a começar pela mídia corporativa e pela ausência de medidas de controle efetivo da sangria dos recursos públicos por diversos atores institucionais que incluem a Alerj, o TCE, o Ministério Público e os próprios sindicatos dos servidores.  Além disso, há que se adicionar ao rol dos culpados a imensa maioria da mídia corporativa que tem chancelado (seja por omissão ou por colaboração ativa) as políticas de desmanche do aparato de estado do Rio de Janeiro.

E que ninguém se engane. Se não houver uma reação clara dos sindicatos e movimentos sociais que defendem os interesses públicos, o Rio de Janeiro chegará ao final de 2016 numa condição de extrema violência social, visto que a manutenção do atual status quo no âmbito do executivo estadual vai significar o alijamento de centenas de milhares de famílias da frágil rede social que impedia o aprofundamento dos connflitos.

Resta saber se haverá disposição real de enfrentamento das políticas que emanam do Palácio Guanabara ou vai se continuar fingindo normalidade até que a coisa toda chegue a proporções catastróficas.

Enquanto isso, o mentor desse caos todo, o ex (des) governador Sérgio Cabral, está em local ignorado tentando se fingir de morto e, muito provavelmente, usufruindo uma vida de bacana. E os servidores estaduais e a população que depende dos serviços públicos que se explodam.

A lógica da guinada ultraneoliberal de Temer: privatização e precarização e o aumento da heteronomia

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Não sou ingênuo a ponto de acreditar de que todos aqueles cidadãos brasileiros de pele geralmente alva e cabelos claros que foram às ruas pedir a saída de Dilma Rousseff já se tocaram de que ajudaram o Brasil a recuar várias décadas em pouco menos de um mês no tocante do estabelecimento de mecanismos básicos de proteção social. E que a questão da corrupção não tinha realmente nada a ver com os movimentos financiados pelos partidos de oposição.

Aliás, se fosse para combater a corrupção, o presidente interino Michel Temer não teria nomeado pelo menos 10 ministros arrolados nas investigações da Lava Jato, e dois ministros já tivessem que ter sido sacados, justamente por articularem secretamente formas de impedir o avanço do trabalho da Polícia Federal e do Ministério Público Federal.

A coisa está se tornando tão escancarada que além de Temer ter aprovado um rombo bilionário de R$ 170 bilhões, implicando em aumentos salariais generosos para o judiciário e outros setores da burocracia estatal, ele terá que chancelar uma lei que aumenta o número de cargos federais em mais de 14.000 vagas.  

Outra via de expressão das reais intenções do governo interino de Temer é a sanha privatizadora que promete avançar sobre áreas estratégicas como a exploração do pré-sal de uma forma que deixará, caso se concretize, a privatização feita por FHC como um tímido ensaio da entrega das riquezas nacionais.  O negócio de Temer está claro: Brasil, heteronomia pouca é bobagem.

Tudo isso acontece nu momento em que até o Fundo Monetário Internacional (FMI) que as receitas do neoliberalismo têm trazido mais prejuízos do que soluções. Mas Temer parece, me desculpem-me o trocadilho, temer o julgamento da História. O negocio dele parece ser tornar o Brasil irremediavelmente dependente dos humores do mercado global, ainda que com isso tenha que recolocar milhões de brasileiros na pobreza extrema. E, pasmemos todos, sem que tenha tido que passar pelo crivo das urnas.  

 

Reitor eleito da UFRJ declara: Grandes grupos econômicos estão ditando a formação de crianças e jovens brasileiros”

Em entrevista exclusiva, novo reitor da UFRJ, Roberto Leher, aponta os impactos da lógica mercantilizada sobre a educação brasileira e aponta que como grupos financeiros tentam dominar a educação pública.

Por Luiz Felipe Abulquerque, De São Paulo (SP)

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Um grande negócio. É assim que o novo reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto Leher, enxerga o novo momento da educação brasileira.

Em entrevista ao Brasil de Fato, o professor titular da Faculdade de Educação e do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFRJ traça um panorama do atual estágio da educação no Brasil, e as conclusões não são nada animadoras.

Para Leher, que tomará posse nesta sexta-feira (3), os recentes processos de fusões entre grandes grupos educacionais, como Kroton e Anhanguera, e a criação de movimentos como o Todos pela Educação representam a síntese deste processo.

No primeiro caso, ocorre uma inversão de valores, em que o primordial não é mais a educação em si, mas a busca de lucros exorbitantes por meio de fundos de investimentos. No segundo, a defesa de um projeto de educação básica em que a classe dominante define forma e conteúdo do processo formativo de crianças e jovens brasileiros.

O movimento Todos Pela Educação é uma articulação entre grandes grupos econômicos como bancos (Itaú), empreiteiras, setores do agronegócio e da mineração (Vale) e os meios de comunicação que procuram ditar os rumos da educação no Brasil.

Para o professor, o movimento se organiza numa espécie de Partido da classe dominante, ao pensarem um projeto de educação para o país, organizarem frações de classe em torno desta proposta e criar estratégias de difusão de seu projeto para a sociedade.

“Os setores dominantes se organizaram para definiram como as crianças e jovens brasileiros serão formados. E fazem isso como uma política de classe, atuam como classe que tem objetivos claros, um projeto, concepções clara de formação, de modo a converter o conjunto das crianças e dos jovens em capital humano”, observa o professor.

Confira a entrevista:

Brasil de Fato – Muitos setores denunciam a atual mercantilização da educação brasileira. O que está acontecendo neste setor?

Roberto Leher – De fato há mudanças no que diz respeito a mercantilização da educação, diferente do que acontecia até 2006 no Brasil. Os novos organizadores dessa mercantilização são organizações de natureza financeira, particularmente os chamados fundos de investimento.

Como o próprio nome diz, os fundos de investimentos são fundos constituído por vários investidores, grande parte estrangeiro, como fundos de pensão, trabalhadores da GM, bancos, etc, que apostam num determinado fundo, e esse fundo vai fazer negócios em diversos países.

 
Crédito: Reprodução  

Em geral, os fundos fazem fusões, como é o caso da Sadia e Perdigão no Brasil. Mas é o mesmo grupo que também adquiri faculdades e organizações educacionais com o objetivo de constituir monopólios.

Esse processo levou a Kroton e a Anhanguera – fundo Advent e Pátria – a constituírem, no Brasil, a maior empresa educacional do mundo, um conglomerado que hoje já possui mais de 1,2 milhão de estudantes, mais do que todas as universidades federais juntas.

O que muda com essa nova forma de mercantilização da educação?

O negócio do investidor não é propriamente a educação, é o fundo. Ele investiu no fundo e quer resposta do fundo, que cria mecanismos para que os lucros dos setores que eles estão fazendo as aquisições e fusões sejam lucros exorbitantes. É isso que valoriza o fundo.

A racionalidade com que é organizada as universidades sob controle dos fundos é uma racionalidade das finanças. São gestores de finanças, não são administrados educacionais. São operadores do mercado financeiro que estão controlando as organizações educacionais.

Toda parte educacional responde uma lógica dos grupos econômicos, e por isso eles fazem articulações com editoras, com softwares, hardwares, computadores, tablets; é um conglomerado que vai redefinindo a formação de milhões de jovens.

No caso do Brasil, cinco fundos têm atualmente cerca de 40% das matrículas da educação superior brasileira, e três fundos têm quase 60% da educação à distância no Brasil.

Quais os interesses dessas grandes corporações para além do econômico?

A principal iniciativa dos setores dominantes na educação básica brasileira é uma coalizão de grupos econômicos chamadoTodos pela Educação, organizado pelo setor financeiro, agronegócio, mineral, meios de comunicação, que defendem um projeto de educação de classe, obviamente interpretando os anseios dos setores dominantes para o conjunto da sociedade brasileira.

Em outras palavras, os setores dominantes se organizaram para definiram como as crianças e jovens brasileiros serão formados. E fazem isso como uma política de classe, atuam como classe que tem objetivos claros, um projeto, concepções clara de formação, de modo a converter o conjunto das crianças e dos jovens em capital humano.

Em última instância, é com isso que eles estão preocupados: em como fazer com que a juventude seja educada na perspectiva de serem um fator da produção. Essa é a racionalidade geral, e isso tem várias mediações pedagógicas.

A aparência é de que estão preocupados com a alfabetização, com a escolarização, com o aprendizado, etc. E de fato estão, mas dentro dessa matriz de classe, no sentido de educar a juventude para o que seria esse novo espírito do capitalismo, de modo que não vislumbrem outra maneira de vida que não aquela em que serão mercadorias, apenas força de trabalho.

De que maneira eles interferem nas políticas educacionais do Estado?

Como sociedade civil, os setores dominantes buscam interferir nas políticas de Estado. O Todos pela Educação conseguiu difundir a sua proposta educativa para o Estado, inicialmente por meio do Plano Nacional de Educação (PNE) – que aliás foi homenageado com o nome Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação, em referência ao movimento. Com isso definiram em grandes linhas o que seria o PNE que está vigente.

Articulam por meio de leis, mas também da adesão de secretários municipais e estaduais às suas metas, aos seus objetivos. Articulam com o Estado, que cria programas, como o programa de ações articuladas, em que a prefeitura, quando apresenta um projeto para o desenvolvimento da educação municipal, tem que implicitamente aderir às metas do movimento Todos pela Educação.

Temos um complexo muito sofisticado que interage as frações burguesas dominantes, as políticas de Estado e os meios operativos do Estado para viabilizar esta agenda educacional.

Mas como se dá isso na prática?

Quando um município faz um programa de educação para a sua região, ele já deve estar organizado com base no princípio de que existe uma idade certa para educação, que os conteúdos não devem se referenciar nos conhecimentos, mas sim no que eles chamam de competências, que o professor não deve escapar deste currículo mínimo que eles estão desenvolvendo por meio de uma coerção da avaliação.

A escola que não consegue bons índices no Idep [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica] é penalizada, desmoralizada, sai nos jornais, e isso cria um constrangimento que chega ao cotidiano da sala de aula, e as prefeituras pressionadas por esses índices acabam sucumbidos às fórmulas que o capital oferece. A mais importante delas é comprar sistemas de ensino, apostilas, que são fornecidos pelas próprias corporações.

O professor está em sala de aula, recebe apostilas, exames padronizadas que foram feitos pela corporação, e na prática, ao invés do professor desenvolver um papel intelectual, criador, ele tem que ser muito mais um aplicador das cartilhas, um entregador de conhecimento, e isso obviamente esvazia o papel do professor que tem consequências diretas com o processo de formação.

A formação esperada do educador não é uma formação enquanto intelectual, mas sim como alguém que sabe desenvolver técnicas para aplicar aquelas pacotes que as corporações preparam.

E há resistências a isso?

Existe um complexo de situações onde as resistências, as tensões são muito grandes, o que traz infelicidade aos professores e aos estudantes, mas tudo isso é muito difuso. As resistências acontecem na forma de lutas sindicais, quando fazem greve criticando a chamada “meritocracia”, os sistemas de avaliação.

Aparecem aqui e ali, mas é forçoso reconhecer que existe um complexo de controle sobre as escolas que restringem muito a margem de manobra dos trabalhadores da educação para desenvolverem um projeto pedagógico autônomo e crítico.

Essa situação é agravada quando a própria direção da escola, que deveria pensar como a escola se auto governa, vem sendo ressignificada como um papel de gestão. O diretor e os coordenadores são pensados como gestores na lógica de uma empresa, que deve cumprir metas, fiscalizar o cumprimento delas e tentar atingir essas metas de todas as formas.

Temos uma mudança de referências quando a própria equipe de coordenação da escola se torna uma equipe de gestores. No documento Pátria Educadora há uma possibilidade de punição dos professores que não cumprirem as metas.

Por sinal, o Pátria Educadora é um dos programas carro chefe do governo federal. Como você avalia este documento?

Não casualmente, esse documento foi elaborado pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), atualmente dirigido pelo ministro Mangabeira Unger. Ele parte de um diagnóstico de que o modelo de desenvolvimento baseado em commodities se esgotou com a crise mundial, com seus preços despencando depois daquele período de ouro entre 2004 e 2009.

 
Crédito: Antônio Cruz/Agência Brasil  

Com a desvalorização dessas commodities, Mangabeira chama atenção para o fato de que o Brasil deveria buscar outra forma de inserção na economia mundial que não fosse apenas de commodities.

E a minha hipótese é que eles estão sinalizando nesse documento que o Brasil deveria ser uma espécie de plataforma de exportação, assim como já existe na fronteira norte do México, em alguns países asiáticos – o modelo chinês foi isso nos anos 90, de ser um local em que a força de trabalho é muito explorada, recebe um treinamento específico que permite uma exploração muito grande, e esses países entram em circuitos de produção industrial de maneira subalterna, explorando o que seriam sua vantagens comparativas: baixo custo de energia, da força de trabalho, baixa regulamentação ambiental, e isso daria vantagens competitivas novamente ao país.

O drama é que a concepção do Pátria Educadora tem como correspondência a ideia de que a formação da maior parte da força de trabalho no Brasil deve ser por um trabalho mais simples, e isso tem consequências pedagógicas muito grande.

Se é para formar para o trabalho simples, a maior parte das escolas podem ser instituições estruturadas para a formação de um trabalho de menor complexidade, que seria desdobrados em processos de formação técnica de cursos de curta duração, cujo exemplo mais conhecido é o Pronatec, em que grande parte dos cursos são aligeirados para a formação de uma força de trabalho simples – tanto aquela que já estará inserida no mercado quanto aquela que constitui o que podemos denominar de um exército industrial de reserva.

O documento Pátria Educadora altera a racionalidade da organização da escola quando vislumbra escolas que vão formar forças de trabalho de menor complexidade. É importante destacar que no documento encontramos uma formulação muito perigosa de enormes consequências para o futuro da educação brasileira, que é a referência que o Mangabeira faz da adoção de um modelo tipo SUS (Sistema Único de Saúde).

O que é isso?

O modelo SUS teve como objetivo assegurar o direito ao atendimento à saúde de maneira universal, e isso poderia ser feito tanto pelo órgãos públicos quanto pelas entidades privadas.

Quando Mangabeira reivindica o modelo SUS, claramente está sinalizando que a formação do conjunto da classe trabalhadora deveria ser feita em nome de uma suposta democratização, realizada tanto pelas instituições públicas quanto pelas organizações privadas.

Isso é congruente com o PNE aprovado em 2014, ao estabelecer que a verba pública é aquela utilizada nas instituições públicas, mas também em todas as parcerias público-privadas, como o FIES, PROUNI, Ciências Sem Fronteira, PRONATEC, Pronacampo, sistema S, tudo isso entra como recurso público.

 
Ministro Mangabeira Unger | Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil
 

A rigor, estamos diante de uma política que pode indiferenciar as instituições públicas e privadas em detrimento do público, já que as corporações também se acercam da educação básica.

Em setembro acontecerá o 2° Encontro Nacional dos Educadores e Educadoras da Reforma Agrária (Enera), em Brasília. Como o Enera se insere nesta conjuntura?

Tenho uma expectativa muito positiva em relação ao segundo Enera. No primeiro Enera tivemos a constituição de outra perspectiva pedagógica para a educação brasileira, que foi a Educação do Campo, uma conceituação do que seria uma educação pública voltada para o campo, mas com um horizonte de formação humana que ultrapassa o campo.

Foi certamente uma proposta que promoveu sínteses brilhantes entre uma perspectiva crítica que vem do campo marxista, da ideia da escola unitária, do trabalho, ao compreender que o trabalho deveria ser um elemento simbólico, imaginativo, capaz de nos constituir como seres humanos, e que portanto a escola é o lugar da cultura, da arte, da ciência, da tecnologia, e não uma instituição livresca. É uma instituição que tem interação com o mundo, com a vida, com os processos de trabalho, com a produção real da cultura em diversos espaços, como pensar no que significa a agricultura no Brasil.

Foi uma proposta pedagógica que promoveu sínteses incorporando pensamento critico marxista, tradição latino-americana de educação popular, particularmente com Paulo Freire, e criou bases para um pensamento pedagógico socialista.

O segundo Enera, a meu ver, está desafiado pela conjuntura a fazer um balanço do que foi essa mercantilização e de como o capital está tentando se apropriar do conjunto da educação básica.

Ao fazer essa reflexão, certamente o Enera vai ajudar a criar bases para uma perspectiva de educação pública unitária capaz de contrapor a educação frente à lógica de movimentos empresariais como o Todos pela Educação.

Pode haver incorporações de elementos novos na nossa reflexão sobre a pedagogia socialista que respondam desafios da ofensiva do capital, mas sobretudo respondam os anseios que estão pulsando em todo o país em torno da educação pública.

Como as últimas greves na educação?

Podemos problematizar a fragmentação das lutas pela educação, o fato de que muitas vezes são lutas econômicas e corporativas, que estão vinculadas as políticas municipais e estaduais, mas não tenho dúvidas de que essas lutas que estão pulsando no país estão enfrentando aspectos dessa pedagogia do capital, criticando a meritocracia, a racionalidade das competências e dos sistemas centralizados de avaliação, o uso de cartilhas.

Temos críticas reais a essa lógica de controle que o capital está buscando sobre a educação básica, mas precisamos sistematizar isso com outros fundamentos pedagógicos, e aprofundando a experiência que foi construída a partir do primeiro Enera.

No segundo Enera acredito que novas dimensões para essa pedagogia socialista vão ser esboçados, e não como o resultado de um processo em que os especialistas de educação do MST vão se reunir e pensar o que seria essa agenda.

Ao contrário, como resultado de uma articulação de movimentos que estão fazendo educação pública e estão buscando uma educação criativa, que estão fazendo as lutas de resistências com as greves, mobilizações, com a participação de estudantes.

Esta riqueza de produções que estão em circulação nas lutas em defesa da educação pública que podem criar uma sistematização maior. Creia condições para que possamos ampliar esta aliança entre experiências da luta urbana com as que vieram do campo, produzindo novas sínteses e novas possibilidades para que a classe trabalhadora tenha sua própria agenda para o futuro da educação pública.

É um processo longo e exigirá um esforço organizativo e intelectual de enorme envergadura. Temos que ter uma produção pedagógica mais sistematizadas, mais profunda, para criarmos a base desse pensamento pedagógico crítico, que assegure uma formação integral, mas uma educação que recusa a divisão dos seres humanos em dois grupos: um que pensa e mando, outro que executa e obedece.

Essas bases para uma proposta socialista estão sendo gestadas nas lutas, mas com o ENERA podemos ganhar um momento de qualidade no terreno da elaboração, articulação e organização em defesa desse projeto de novo tipo.

FONTE: http://www.brasildefato.com.br/node/32359

Cid Gomes no MEC: uma escolha coerente para aprofundar a contrarreforma da educação brasileira

Os governos Lula da Silva e Dilma Rousseff romperam com o projeto de educação do PT dos anos 1980 e 1990, elaborado no contexto das lutas do Fórum Nacional em Defesa da Escola Pública, em especial na Constituinte e na LDB, nas quais sobressaiu a liderança de Florestan Fernandes, e no período de elaboração do Plano Nacional de Educação dos Congressos Nacionais de Educação (1996-1997): por isso, jamais admitiram considerar o Plano Nacional de Educação: Proposta da Sociedade Brasileira elaborado pelos trabalhadores da educação, entidades acadêmicas, estudantes, reunidos no referido Fórum.

 A opção destes governos, por suas alianças de classes, foi subordinar a educação pública aos anseios do capital, por meio de parcerias público-privadas, operacionalizadas pela expansão do FIES e pela criação de um programa de isenções fiscais para o setor mercantil (ProUni), possibilitando o crescente controle da educação privada pelo setor financeiro, pela incorporação da totalidade da agenda educacional dos setores dominantes (Todos pela Educação) nas diretrizes oficiais para educação básica (Plano de Desenvolvimento da Educação, 2007; Plano Nacional de Educação, 2014) e pela admissão de que cabe aos patrões conceber a educação profissional da classe trabalhadora (Pronatec).

 O PT, após 2003, parece ter assimilado a nova agenda sem maiores questionamentos: os seus ministros a implementaram de modo diligente. Não haverá descontinuidade na política com o afastamento do PT do comando do MEC, mas haverá mudanças. O novo ministro aponta um aprofundamento da contrarreforma e, pelo retrospecto de seus mandatos como governador, um recrudescimento do confronto do governo com os trabalhadores da educação básica e superior.

 Cid Gomes e as universidades estaduais: uma relação de confronto

A trajetória do novo ministro é afim ao projeto em curso de expandir a oferta privada, com recursos estatais, e de refuncionalizar as universidades como organizações de serviços e ensino. A sua relação com as universidades estaduais do Ceará foi hostil e rude, manifestando disposição de federalizá-las (1) e mesmo de fechar o prestigioso curso de medicina da UECE, provavelmente por ser muito custoso (2). Mesmo diante da enorme falta de docentes, mais de 800 nas três universidades estaduais, procrastinou a realização de novos concursos (optando por deletérios contratos temporários e terceirizações) até o final de seu segundo mandato.

 Uma breve cronologia das lutas permite magnificar a intransigência e a ausência de prioridade à educação no governo de Cid Gomes: os sindicatos protocolaram a pauta em fevereiro de 2011, realizaram diversos atos, mas o governador somente recebeu as entidades e os reitores em novembro de 2012. A intransigência se manteve. No lugar de concursos, Cid autorizou apenas a contratação de professores substitutos que recebem menos da metade dos efetivos. Em outubro de 2013, objetivando acelerar a resolução dos problemas, os docentes deflagraram uma greve que se prolongou até janeiro de 2014. Os docentes suspenderam a greve a partir do compromisso de que o governo negociaria com a categoria. Novamente, as principais reivindicações não foram negociadas e, em setembro de 2014, a greve foi retomada. A gestão Cid Gomes foi encerrada sem que o governador tivesse negociado com os docentes que, após 4 meses marcados pela ausência de diálogo, no início de janeiro de 2015 ainda se encontravam em greve para impedir o total sucateamento das estaduais.

 Ao justificar a sua recusa em autorizar novos concursos, o governador argumentou que os docentes ministram poucas aulas, propondo que a carga-horária em sala de aula deveria corresponder a 52% da jornada de trabalho, aproximadamente 21 horas-aula, o que ele chamou de “chão de sala de aula”, sem considerar nem mesmo o tempo para planejamento das aulas, o que inviabiliza as orientações, a pesquisa e a extensão.

 Embora tenha havido crescimento nominal dos recursos para as três estaduais, houve decréscimo em termos da participação do orçamento das universidades em relação ao orçamento total: em 2007, os gastos das estaduais correspondiam a apenas 1,54% do orçamento; em 2012, o percentual foi reduzido para minguados 1,46%.  Desse modo, os gastos ficaram muito aquém da expansão de vagas e foram destinados, especialmente, aos contratos temporários (os gastos nesta rubrica cresceram, entre 2007 e 2012, 169,63%) e para as terceirizações do pessoal (2007-2012: +1.643%) (3).

 A consequência prática dessas medidas foi o favorecimento do setor empresarial, que seguiu expandindo vorazmente no estado. Com efeito, no Ceará, as matrículas entre 2000-2010 cresceram 114%, sendo que o setor privado  teve expansão de 245% e o público de 45%. No Ceará, o setor mercantil foi turbinado pelo FIES e o PROUNI, que, entre 2010 e 2013, ampliou em 358% os beneficiários dos subsídios públicos para o setor mercantil. A grande expansão se deu no FIES que, no período, cresceu 559%, enquanto o PROUNI cresceu 80% (4), ampliando de modo impressionante os estudantes endividados. A expansão do setor mercantil conheceu um período de ouro nas gestões Lúcio Alcântara, PSDB (2003-2007) e Cid Gomes (2007-2014).

 Educação básica

A despeito de que o governador não tenha sido um membro orgânico da criação do lobby empresarial, a exemplo de Fernando Haddad e de José Henrique Paim, foi em sua gestão na prefeitura de Sobral e, depois, no governo do Ceará, que uma das mais importantes medidas da agenda empresarial foi testada: o Programa Alfabetização na Idade Certa, posteriormente incorporada pelo MEC como política nacional no Programa Nacional de Alfabetização na Idade Certa – PNAIC. Com efeito, o governador assinou em 24 de maio de 2007 adesão ao programa Compromisso Todos pela Educação e, desde então, aplicou diligentemente a agenda empresarial, sendo reconhecido pelos donos do dinheiro e do poder como um importante protagonista da reforma empresarial da educação na região Nordeste, no caso, do ensino fundamental.

 Desse modo, os setores dominantes lograram difundir uma nova concepção de alfabetização funcional ao trabalho simples, restrita ao velho paradigma das primeiras letras referenciado na decodificação de letras, sílabas e palavras, desvinculadas da semântica, do uso social da escrita e da leitura, situação que explica, em grande parte, a existência de milhões de crianças e jovens que, a despeito de serem considerados alfabetizados, não são capazes de utilizar criativamente a escrita como uma dimensão da comunicação e do diálogo.

 O capital, nesse momento, almeja estender essa concepção instrumental e minimalista para todo ensino médio. Após ter hegemonizado a concepção de ensino fundamental, o Todos pela Educação vem orientando seus publicistas para difundir a necessidade da reforma do ensino médio, tido como muito abrangente e pouco focado nas “competências” instrumentais de português e matemática. Para isso, os seus funcionários vêm defendendo a necessidade de reformar o currículo do ensino médio. Argumentam que, no Brasil, ciência, cultura, arte, conhecimentos histórico-sociais são um luxo anacrônico. Não surpreende que, em sua primeira declaração como ministro da Educação, Cid Gomes tenha explicitado que essa reforma do ensino médio será a sua prioridade, meta reafirmada por Dilma Rousseff em seu discurso de posse.

 A sua nomeação, na cota pessoal de Dilma, anuncia também o recrudescimento das ações contra os docentes que, em especial, desde 2011, vêm promovendo cada vez mais lutas em prol de uma carreira digna. Ao lado dos governadores de RS, MS, SC e PR, em 2008 patrocinou uma ação no STF contra a lei do piso salarial (Lei 11.738/08). O magro piso foi conquistado no estado após uma dura greve de 64 dias, em 2011, a exemplo da conquista do (reduzido, apenas 1/3 da jornada) tempo de preparação de aulas, uma vitória dos trabalhadores da educação pois, na ocasião, o governador sustentou, ao patrocinar a ADIN contra a lei do piso, que o docente deveria permanecer 40 h em aula (5). Diante desta áspera greve, Cid Gomes afirmou: “Quem quer dar aula faz isso por gosto, e não pelo salário. Se quer ganhar melhor, pede demissão e vai para o ensino privado” (6). Na ocasião, um docente graduado, em regime de 40 h, recebia um vencimento de R$ 1,3 mil.

 O retrospecto de seu governo indica que a educação será a “prioridade das prioridades” de forma sui generis: o governo tucano de Lucio Alcântara (cabe grifar, tucano!) destinou para a função educação 28,25% do total do orçamento. Cid Gomes, em 2012, destinou apenas 18,06% (Anexo II, RREO, LRF), queda que pode ser magnificada também pelo percentual do PIB do Ceará destinado à educação : em 2007, 3,93%, em 2012, 2,6% (IPCE, Anexo II, RREO e balanço geral).

 As suas prioridades foram outras. Nem todas as atividades públicas deveriam ser caritativas, praticadas “em nome do amor”. Em 2007, fretou um jatinho por R$ 340 mil e levou a família para passear na Europa, hospedando-a nos mais caros hotéis, uma conta de R$ 35 mil (7). Em 2010 foi denunciado pela “farra do caviar”. Trata-se de um contrato de um buffet por R$ 3,4 milhões para servir a residência e o palácio de governo com caviar, escargots etc. (8).

 Sentidos da política educacional em curso

O fato de o novo ministro não ter sequer mencionado a universidade em sua primeira entrevista – a despeito do peso relativo das universidades federais para o MEC –  é uma demonstração de organicidade e coerência com as atuais políticas educacionais e com o aprofundamento da agenda do Todos pela Educação. Afinal, um ensino médio instrumental, focalizado nas ditas competências mínimas, expressa um projeto educacional em que o conceito de universidade pública é uma ideia fora do lugar. As políticas atuais, dirigidas pelo empresariado, têm como pressuposto que o setor produtivo, ou melhor, o mercado, não demanda força de trabalho complexa e, por isso, o nexo lógico é o PRONATEC e seus cursos de curta duração, instrumentais, destinados a suprir a força de trabalho simples e a socializar, ideologicamente, o exército industrial de reserva. A nomeação de Kátia Abreu da CNA para a pasta da agricultura e de Armando Monteiro da CNI para o ministério do Desenvolvimento robustecem a presença do Sistema S na educação profissional brasileira, respectivamente por meio do PRONACAMPO e do referido PRONATEC.

 Desse modo, o desprestígio das universidades federais, expresso por sua invisibilidade na campanha eleitoral –  Dilma Rousseff nada disse sobre a importância das mesmas nos debates e entrevistas, a exemplo de Aécio Neves –, é congruente com a política econômica em prol do setor bancário, das finanças, do extrativismo e das commodities em geral.  Cabe destacar a pertinência dessas orientações com as políticas de Ciência e Tecnologia em curso. Não é casual que o novo ministro da Ciência e Tecnologia, Aldo Rabelo, tenha sido um dos líderes da aprovação do novo código florestal brasileiro, confrontando as entidades científicas e os movimentos sociais. As suas críticas aos relatórios do órgão da ONU Painel Intergovernamental para a Mudança Climática – IPCC, na sigla em inglês –, ecoando a tese de que o aquecimento global é uma “controvérsia”, nos mesmos termos dos cientistas financiados pelas corporações petrolíferas e da indústria automobilística, igualmente merecem destaque, pois congruentes com a política extrativista e de fortalecimento da economia baseada em commodities.

 Todos esses setores (financeiros, commodities, serviços) não demandam universidades capazes de produzir conhecimento novo. Após um curto período de relativa expansão de recursos (2007-2012), muitas universidades federais voltaram ao cotidiano dos anos 1990: contas de energia e telefonia atrasadas, terceirizações toscas, que sequer são custeadas até o final do ano, interrompendo serviços importantes, e visível decadência das instalações físicas, que já não pode ser edulcorada por argumentos de que, no futuro, tudo estará bem.

 Se a pesquisa acadêmica, direcionada para os problemas lógicos e epistemológicos do conhecimento, não tem lugar na agenda, nem tampouco a ciência e tecnologia comprometidas com os problemas atuais e futuros dos povos, o mesmo não é verdade em relação à prestação de serviços. É cristalina a orientação da presidenta Dilma. Em seu discurso de posse, a missão da universidade é uma só: servir o setor produtivo a partir de parcerias. Fomentando o mercado educacional nos países centrais, manterá a custosa prioridade ao programa Ciência sem Fronteiras, ainda que a quase totalidade dos estudantes tenha uma muito breve interação com essas universidades, em geral duas disciplinas e pouca ou nula inserção na pesquisa. Os recursos destinados para o Programa originalmente seriam custeados meio-a-meio com o setor empresarial, que, entretanto, não demonstrou interesse. Assim, os recursos que jorram para adquirir serviços educacionais dentro e fora do país são justamente os que faltam para melhor estruturar a universidade brasileira.

 Em resumo, a presidenta mostrou coerência com o seu projeto e com a sua aliança de classes. Contrariando expectativas pueris, optou por um ministro que já demonstrou que o seu modus operandi para enfrentar os docentes é rude e sabe enxugar o orçamento educacional. O novo ministro muito dificilmente irá se contrapor ao projeto em curso que aprofunda a adaptação das universidades ao modelo da educação terciária minimalista, nos moldes de Bolonha e dos community colleges. O teor ideológico da educação foi magnificamente sintetizado pela presidenta: “Brasil, Pátria Educadora”. O dever de assegurar a educação é difuso, diluído no suposto patriotismo, a despeito das classes sociais, encaminhado pelos “valores da pátria”, um discurso que orgulharia o Departamento de Imprensa e Propaganda do Estado Novo e os formuladores da educação e moral e cívica dos anos de Chumbo.

 Desafios para a defesa da educação pública

Diante do novo cenário, os encaminhamentos do I Encontro Nacional de Educação (2012) terão de ser ajustados. Será temerário adiar uma nova convocação nacional para 2016, quando a contrarreforma poderá ter avançado de modo profundo sobre a educação pública unitária. Em 2015, acontecerão diversos encontros que poderão servir de emolumento para que a frente em defesa da educação pública possa ser ampliada, como o II Encontro Nacional de Educadores da Reforma Agrária – ENERA. De fato, diversos setores sindicais e acadêmicos têm manifestado disposição de retomar o diálogo com prol de uma frente capaz de empreender unidade de ação na defesa dos princípios que orientam a escola pública gratuita, universal, unitária e laica, mas tal processo não se dará de modo espontâneo e, por isso, a convocatória de um novo encontro, ainda mais aberto ao protagonismo de base, não pode ser adiada.

 Estamos em contexto de aviso de incêndio, para utilizar a metáfora benjaminiana, e, por isso, as movimentações em prol da educação pública terão de ser ousadas, rápidas e efetivas, sob o risco de derrotas longas e duradouras. O histórico recente de greves da educação básica e superior e de lutas da juventude atesta que a disposição de luta está pulsando forte e, em 2015, as ruas poderão estar ocupadas por todos os que lutam por uma educação pública unitária.

 Notas:

 (1) Cid defende federalizar universidades estaduais. Diário do Nordeste, 10/08/2010,http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/politica/cid-defende-federalizar-universidades-estaduais-1.423503

 (2)http://www.opovo.com.br/app/opovo/opiniao/2014/03/14/noticiasjornalopiniao,3220044/cid-a-medicina-e-a-uece.shtml

(3)Palavra de Ordem, jornal dos sindicatos das universidades estaduais do Ceará, Ed. 3, novembro de 2013.

(4)Número de beneficiados do Fies e Prouni cresce 358% no Ceará. O Povo online, Jornal de Hoje, 21/03/2014, disponível em:http://www.opovo.com.br/app/opovo/economia/2014/03/21/noticiasjornaleconomia,3223905/numero-de-beneficiados-do-fies-e-prouni-cresce-358-no-ceara.shtml

(5) Tiago Braga, Professores do Ceará decretam greve, O Povo on Line, 28/11/2008, disponível em:http://www.mundosindical.com.br/sindicalismo/noticias/noticia.asp?id=1167

(6)Daniel Aderaldo, iG Ceará,  29/08/2011.

http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/ce/professor+deve+trabalhar+por+amor+nao+por+dinheiro+diz+cid/n1597184673225.html

(7)Rudolfo Lago, O voo da sogra, Governador do Ceará aluga jato com dinheiro público e leva família à Europa. Isto É, 23.Abr.08,

(8) http://www.istoe.com.br/reportagens/2826_O+VOO+DA+SOGRA

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Roberto Leher é professor titular de Políticas Públicas em Educação da faculdade de Educação da UFRJ e de seu programa de pós-graduação, colaborador da ENFF e pesquisador do CNPQ.

FONTE: http://www.correiocidadania.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=10397%3Apolitica080115&catid=25%3Apolitica&Itemid=47

Pobre não poder ficar doente!

A situação da serviços públicos de saúde vão de mal a pior no Brasil faz muito tempo. Essa deterioração empurrou milhões de brasileiros na direção de planos privados que, por algum tempo, serviram como um paliativo para aquela parcela da população que podia pagar pelo atendimento privado. Eu diria que a situação agora atingiu até esse setor da população, já que muitos hospitais privados fogem dos planos como o diabo foge da cruz. Para aqueles que não podem pagar, mas são da classe média, há sempre a chance de que possa ser atendido após pagar valores exorbitantes por simples consultas médicas. Já para os pobres, não há qualquer solução, a não ser a morte.

Hoje num encontro com um vendedor de tickets para estacionamento em via pública numa cidade do interior de São Paulo informei que acabava de voltar por um périplo pelos dois únicos hospitais privados existentes (sendo que um deles está para fechar por falta de pagamentos por parte da prefeitura municipal), onde gastei três horas para ter atendimento médico básico.

Ai tive a curiosidade de perguntar sobre a forma como ele resolve seus próprios problemas de saúde, e a resposta foi curta e seca: pobre não pode ficar doente! De pronto, dei o meu retorno a ele: nem a classe média que pode pagar planos privados!

O pior é que ainda veremos brotar de volta a famigerada CPMF sob o manto do argumento de que os recursos extorquidos dos brasileiros serão investidos na saúde público. Mas de fato  o que estamos vendo pelas notícias circulando na imprensa corporativa é a disposição de aprofundar a privatização do que ainda resta de saúde pública, a começar pelos hospitais federais no estado do Rio de Janeiro. Será cômico, se não fosse trágico!

Mini-documentário mostra crise da água na cidade de Itu (SP)

Calamidade Privada: Mini-documentário sobre a crise da água na cidade de Itu, São Paulo

Erro
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FONTE: http://vimeo.com/111385535