Tocha olímpica expulsa em Angra dos Reis deveria ser vir como sinal de alerta para o (des) governantes do Rio de Janeiro. Será que vai?

tocha

Os (des) governantes do Rio de Janeiro têm brincado ao extremo com a paciência da população, especialmente daqueles segmentos que estão completamente desprovidos de serviços públicos.

Ao desprezar a inteligência coletiva e jogar bilhões de recursos públicos em megaeventos esportivos como a Copa FIFA e os Jogos Olímpicos, os (des) governantes do Rio de Janeiro têm, contraditoriamente, suscitado manifestações públicas que,cedo ou tarde, colocarão em movimento a sua permanência no poder em xeque.

Prova disso ocorreu ontem no município de Angra dos Reis quando a tocha olímpica e seus carregadores foram expulsos sob proteção policial do bairro da Japuíba (ver vídeo abaixo).

Essa manifestação dos angreenses pode ser apenas uma antevisão do que virá na cidade do Rio de Janeiro quando o megaevento do COI for iniciado.

Servidores do RJ protestam e preparam ato “Calamidade Olímpica”

Em entrevista dada hoje no programa “Faixa Livre” compartilhei a minha opinião pessoal de que a situação de crise seletiva causada pelas ações políticas do (des) governo estadual do Rio de Janeiro estão causando uma exasperação sem precedentes dentro do funcionalismo público estadual.  Adicionei a minha preocupação de que na ausência da devida organização política dos diferentes sindicatos que representam as categorias que formam o funcionalismo estadual, o risco é de que tenhamos uma explosão social que reverbere profundamente durante a realização dos Jogos Olímpicos.

Dito isso, mostro duas imagens abaixo que mostram que as coisas podem estar se acelerando no sentido de um protesto massivo do funcionalismo que convivendo com a realidade dos atrasos e parcelamentos de salários, agora se vê ameaçado com o início de demissões até de servidores concursados.

calamidade 1

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A primeira imagem é a da convocação de um ato para amanhã na frente da Alerj e que foi convocado pela chamada Frente Povo Sem Medo.  A segunda é de um protesto realizado na manhã desta segunda-feira por policiais e bombeiros militares no Aeroporto Internacional do Galeão.

A junção dessas duas imagens mostra qual volátil as coisas poderão se tornar no Rio de Janeiro caso o (des) governo do Rio de Janeiro se mantenha no seu curso atual de penalizar os servidores e a população, enquanto continua com seu tratamento preferencial para as Olimpíadas e corporações privadas que operam no estado.

Uma coisa é certa: uma boa parcela dos servidores já não aguenta mais e está com a paciência esgotada com os usos e costumes do governo comandado pelo PMDB em consórcio com o PP.  Simples assim!

Com ou sem “Euro Copa” a França ferve em revolta

Hoje começa a chamada “Euro Copa” em Paris. Mas outro acontecimento que parece não dar sinal de abatimento é a revolta generalizada da classe trabalhadora e da juventude francesas contra a chamada “Lei Khmori” que ataca frontalmente direitos duramente conquistados ao longo da história.

E o governo do pseudo Partido Socialista (PS) sabe que o resto da Europa assiste com cuidado o que está acontecendo na França, pois a forte reação que está ocorrendo poderá afetar outros países que tentem o mesmo tipo de caçada aos direitos conquistados pela luta dos trabalhadores.

Abaixo um vídeo mostrando uma manifestação ocorrida em Paris na semana passada e que está tendo repetições ao longo da França todos os dias. 

Atingidos pela Anglo American em Alvorada de Minas e Conceição do Mato Dentro bloqueiam estradas em protesto

Nas últimas semanas, dois protestos de moradores de comunidades afetadas pela mineradora Anglo American, no município de Conceição do Mato Dentro, marcam reivindicações dos atingidos pela resolução de problemas relacionados à mineração na região.

No dia 26 de abril, membros das comunidades de Itapanhoacanga, Jassém, Barbeiro e Arrudas paralisaram a estrada MG-10, próximo ao trecho de Itapanhoacanga, reivindicando à mineradora asfaltamento do trecho da MG-10 entre o Córrego Pereira e Mato Grosso, redução do alto nível de poeira produzida pelo trânsito intenso de caminhões e carretas da empresa, além de oportunidades de emprego para moradores da região.

Nesta segunda-feira, 02 de maio, membros do povoado de Água Quente bloquearam a entrada da Anglo American, por volta das 05:00h, depois de ficarem todo o final de semana sem água. Os manifestantes fizeram boletim de ocorrência descrevendo a situação de risco em que vivem, devido à proximidade da barragem de rejeitos, além do grave problema de falta de água e outros prejuízos  relacionados à atividade minerária na região. Em resposta, a Anglo marcou reunião para a tarde do dia 03 de maio, para discutir a questão.

itaponhoacangaManifestação na MG-10. Povoado Itaponhoacanga 26/04/2016. Créditos da foto: Arquivo REAJA

manifestação água quenteManifestação na MG-10. Povoado Água Quente 02/05/2016. Créditos da foto: Arquivo REAJA

 Recurso administrativo da REAJA ao COPAM

A luta dos atingidos pela mineradora Anglo American ganha novos capítulos. No dia 19 de abril, a REAJA (Rede de Articulação e Justiça Ambiental dos Atingidos pelo Projeto Minas-Rio) solicitou à Câmara Normativa e Recursal do COPAM (Conselho Estadual de Política Ambiental) uma explicação para a ausência de julgamento do recurso feito à L.O. (licença de operação) concedida à Anglo American, pendente desde 03/11/2014, sem sequer ter sido discutido pelo conselho. O recurso administrativo em questão baseia-se nas inúmeras irregularidades do licenciamento, dentre as quais o reiterado desconhecimento, pela empresa e órgão licenciador, do significativo universo de comunidades rurais atingidas pelo empreendimento e o descumprimento de condicionantes.

Em ofício ao COPAM, protocolado no dia 20 de abril de 2016, a REAJA solicita ao Conselho o cumprimento do pedido de controle de legalidade, sob o risco de penalizações por crimes contra a administração ambiental. A  REAJA observa que sequer o pedido de efeito suspensivo contido no recurso foi analisado até a presente data. Além disso, apesar de não responder aos reiterados pedidos de controle de legalidade feitos pelas comunidades, o COPAM pautou e julgou, ao longo de 2015, o pedido de expansão da frente de lavra da empresa Anglo American, o que  agrava a situação e perpetua o sofrimento das comunidades atingidas.

Esquemas de irregularidades e corrupção no licenciamento ambiental em Minas Gerais são investigados  

Irregularidades no licenciamento similares às apontadas pela REAJA no caso da Anglo American vem se mostrando recorrentes nos processos de licenciamento ambiental em Minas Gerais. No dia 25 de abril de 2016, a Justiça acatou pedido do Ministério Público de Minas Gerais e determinou o afastamento da superintendente da SUPRAM Leste, Maria Helena Batista Murta. A investigação apontou irregularidades no licenciamento ambiental de empreendimento instalado em unidades de conservação de Ouro Preto. A superintendente foi acusada de cometer crimes contra a flora, a administração ambiental e a fé pública, além de associar-se de forma criminosa a uma mineradora, interessada na implantação de empreendimento nos municípios de Ouro Preto, Itabirito e Santa Bárbara.

O ex-secretário de meio ambiente, Adriano Magalhães, e mais quatro ex-funcionários da SEMAD são, desde novembro de 2014, réus em uma ação, suspeitos de prevaricação. A denúncia alega que eles “associaram-se para o fim específico de cometer crimes, retardar e deixar de praticar, indevidamente, atos de ofício para satisfazerem interesses pessoais e de terceiros”. Sob o comando do ex-secretário, autos de fiscalização e infração emitidos contra a mineradora MMX, de Eike Batista, teriam sido ocultados, facilitando a emissão das licenças ambientais, afirma o MP. Tais ações também teriam impedido a interrupção das atividades da empresa. Os documentos também não eram lançados no sistema público de informações ambientais. Adriano Magalhães foi titular do Meio Ambiente durante a gestão do ex-governador Antonio Anastasia (PSDB.) Os outros funcionários são Maria Cláudia Pinto (ex-Subsecretária Estadual de Gestão), Luciano Junqueira de Melo (ex-Coordenador do Núcleo de Atendimento a Projetos Públicos e Privados da Subsecretaria Estadual de Gestão), Anderson Marques Martinez Lara (ex-Diretor Técnico e Superintendente Regional de Regulação Ambiental da Central Metropolitana) e Diogo Koiti de Brito (Superintendente Regional de Regulação Ambiental da Central Metropolitana).

No caso da Anglo American   a relação promiscua que o empreendedor impôs  ao licenciamento ambiental foi objeto de denuncia realizada pelos próprios técnicos do órgão ambiental através do sindicado da categoria.  Por meio da  denuncia  anexada ao processo de licenciamento ambiental (processo COPAM Nº 00472/2007/004/2009 – fls. 6764) os técnicos descreveram que vinham “sofrendo enorme interferência política com assédio moral da equipe técnica responsável pelo parecer para que o mesmo seja aprovado, de qualquer forma (…)” Saiba mais sobre esse caso clicando aqui

Fonte: http://conflitosambientaismg.lcc.ufmg.br/noticias/atingidos-pela-anglo-american-em-alvorada-de-minas-e-conceicao-do-mato-dentro-bloqueiam-estradas-em-protesto/

Voz da Alemanha e os protestos sob o olhar do morro

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Mais uma vez,  um órgão da imprensa internacional dá um show na mídia corporativa brasileira ao apresentar a visão de quem não foi ao protesto de domingo no Rio de Janeiro. E a visão que surge não é aquela que a elite branca gosta de pintar de pobres alienados que preferem ficar no bar bebendo cachaça em vez de procurar um futuro melhor.

Essa reportagem da Deutsche Welle (Voz da Alemanha) deveria ser lida não apenas por pessoas como eu que não apoiam nem o protesto, nem o governo Dilma. Essa reportagem deveria ser lida, principalmente, por aqueles que ainda querem salvar o governo Dilma, já que as críticas apresentadas pelos moradores da Pavão-Pavãozinho parecem refletir exatamente o sentimento daquela porção da população que deu o segundo mandato a Dilma Rousseff, apenas para verem instaladas políticas claramente neoliberais e antipopulares.

E lapidar é a frase de um porteiro sobre as manifestações de domingo: “todos os ricos foram”.  Minha síntese sobre essa declaração: melhor os ricos prestarem bem atenção no que estão desejando!

Do alto do morro, outra visão dos protestos

Moradores de comunidade em Copacabana não escondem ponta de decepção com governo e medo da atual crise. Mas ainda são poucos os que veem motivo para descer e se juntar às manifestações contra Dilma.

Vista da comunidade Pavão-Pavãozinho: crise política divide a comunidade de cerca de 20 mil pessoas

Apenas 500 metros separam a rua Saint Roman, principal acesso à comunidade do Pavão-Pavãozinho, da praia de Copacabana. Mas, mesmo diante de um futuro de incertezas, foi lá do alto do morro, de onde se tem uma vista privilegiada do mar, que a maioria dos moradores acompanhou a manifestação pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff no último domingo (13/03).

A crise política divide a comunidade de cerca de 20 mil pessoas na zona sul do Rio de Janeiro. Nos bares, frequentadores fazem questão de acompanhar pela TV as últimas notícias. E ainda que o assunto seja recorrente nas rodas de conversa em escadarias e vielas, poucos viram motivo para descer e se juntar aos manifestantes. Entre as razões, a crença de que a corrupção é maior do que o Partido dos Trabalhadores (PT) e os governos de Dilma, e seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva.

A comunidade foi pacificada em 2009, mas ainda sofre com as obras incompletas prometidas pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em 2008. O destino dos 43 milhões de reais previstos em obras, os moradores desconhecem. Por ali, ainda faltam investimentos em mobilidade e serviços básicos, como saneamento e rede de energia elétrica.

Cátia F., que tem um pequeno comércio na favela Cantagalo não quis participar dos protestos

Mas, apesar de uma ponta de ressentimento com o governo federal, gente como a operadora de caixa Maria de Lurdes Silva, de 44 anos, acredita que os problemas do Pavão-Pavãozinho e do Brasil são fruto de uma corrupção que assola o país bem antes da chegada do PT ao poder, em 2002. No domingo, ela preferiu ficar em casa. E garante que a maioria dos vizinhos também. Para ela, as manifestações são “uma burrice sem tamanho”.

“Vão tirar a Dilma e colocar quem no lugar? Ela está sendo usada como bode expiatório. Todo mundo rouba no Brasil, e até acho que o Lula tenha roubado também. Quem não? Mas o governo dele melhorou a vida dos pobres. Quando o Fernando Henrique governou, roubou também. O problema foi causado porque o Lula não conseguiu colocar rédeas na roubalheira”, argumenta Maria de Lurdes.

“Todos têm as mãos sujas”

Os laços do Pavão-Pavãozinho com a política são antigos. Na década de 1960, enquanto havia uma política de remoção em outras favelas da zona sul, empreendida pelo então governador Carlos Lacerda, a comunidade ganhou suas primeiras obras de urbanização, com melhorias nas escadarias e no abastecimento de água. Em 1984, no primeiro mandato de Leonel Brizola no governo do estado do Rio de Janeiro (1983-1987), foram realizadas algumas obras de urbanização, como a implantação de um plano inclinado no Pavão-Pavãozinho.

Moradores como o motorista Carlos Alberto da Silva, de 52 anos, lembram bem disso. Desempregado, ele faz bicos vendendo chinelos para sobreviver, se diz descontente com a corrupção, mas acredita que destituir a presidente não é solução para a crise.

“Eu preferi ir à igreja no domingo. Aqui todo mundo sempre votou no Brizola, ele vinha aqui e passava o dia, sentava, conversava com todos no bar. Depois, votamos no PT. Eu votei na Dilma e estou muito decepcionado, mas ela foi eleita e tem de terminar o trabalho. A vida mudou nos últimos anos para melhor, apesar de eu estar desempregado há seis meses. Se a Dilma e o Lula roubaram, terão de pagar pelos erros”, avalia.

O porteiro Jacinto e sua família preferiram ficar em casa

Em 2012, um estudo socioeconômico de 16 comunidades pacificadas do Rio feito pela Firjan indicava que o Pavão-Pavãozinho tinha a maior renda per capita (755 reais) e a segunda menor taxa de desemprego (5%). Mas, apesar de ter quatro escolas municipais e uma creche, registrava, ainda, a terceira pior escolaridade média entre pessoas com 25 anos ou mais –apenas 5,9 anos de estudo.

“Se você tem a tal da elite branca que faz o protesto, você ainda permite o governo sustentar essa narrativa de que o protesto é choro de perdedor. Isso está ficando cada vez menos sustentável. Você já tem, inclusive em classes com menos dinheiro e educação, algum nível de consenso pela responsabilidade da presidente e do partido dela pela crise”, opina o cientista político Rodrigo Prando, da Universidade Mackenzie.

E quem tem medo de que a crise piore ainda mais, achou melhor ficar longe dos protestos, como Cátia Maria Marcelino, de 33 anos. Dona de uma loja de roupas e acessórios num beco da comunidade, ela se diz preocupada com a queda no movimento e teme um retrocesso econômico ainda maior. Segundo ela, derrubar a presidente sem alternativas concretas é “absurdo e perigoso”.

“O problema é que todos os partidos têm as mãos sujas. O que precisam fazer é continuar investigando e punir quem rouba. Se tirar a Dilma, entra o vice dela, que é corrupto. Se não for ele, tem o [presidente da Câmara] Eduardo Cunha, que é corrupto. Sobra quem? O PSDB e o PMDB, que também estão cheios de suspeitas? Esses dois aí só pensam em ajudar os ricos. Tenho a sensação de que estamos andando para trás”, lamenta Cátia.

“Todos os ricos foram”

Opinião semelhante tem o porteiro Manuel, de 40 anos. Morador do alto do morro, ele trabalha num edifício à beira-mar. Ele estava trabalhando no domingo, mas garante que, mesmo se tivesse tempo, não iria para as ruas porque “só havia ricos protestando”.

“Eu via no prédio onde trabalho. Todos os ricos foram. E rico não gosta do PT e de pobre. Rico só gosta do trabalho dos pobres. Não podemos confiar em quem defende os ricos. Votei no Lula, na Dilma e, se ele se candidatar em 2018, voto nele de novo. Pelo menos, eles pensam na gente. Dilma foi eleita e tem que ficar. Só não sei se ela vai ter força, esse negócio está muito embaraçado”, opina Manoel, pedindo para não ter o sobrenome revelado.

Milhares de manifestantes protestaram neste domingo em Copacabana

Segundo o cientista político Valeriano Costa, pesquisador da Unicamp, o não comparecimento das classes sociais mais baixas aos protestos se explica. Além da desconfiança quanto ao que está sendo discutido, o discurso dos organizadores não é dirigido aos interesses e preocupações dessa camada da população.

“Por exatamente serem pessoas que têm questões básicas de sobrevivência, elas têm, primeiro, um medo muito grande de perder o que ganharam. Não é sobre questões sociais e políticas públicas que está se falando nas manifestações, mas sobre um tema que toca diretamente uma classe média que, na verdade, se considera a grande vítima do Estado, do imposto de renda alto, das políticas sociais pesadas”, observa.

Para Jacinto Pedro da Costa, de 42 anos, protestar não adianta nada. Ele votou no PT nas últimas eleições e, decepcionado, diz que não pretende repetir a escolha. Nascido e criado no Pavão-Pavãozinho, ele se diz apartidário e promete pesquisar muito bem antes de decidir em quem votar no futuro. Mas, ele acredita ser injusto atribuir somente ao PT os problemas do país. E arrisca: se outros partidos fossem melhores, trabalhariam juntos por uma reforma política.

“Existem empresários ricos que não querem só derrubar a Dilma, mas querem acabar com o PT. Não é justo, mesmo que tenham cometido erros. Por causa do PT consegui abrir minha primeira conta em banco, consegui crédito para comprar as coisas e colocar mais comida dentro de casa. A corrupção fez os poderosos de todos os partidos se misturarem”, queixa-se Costa, porteiro de um edifício na vizinhança.

FONTE: http://www.dw.com/pt/do-alto-do-morro-outra-vis%C3%A3o-dos-protestos/a-19116649

Com um chargista como esse, quem precisa do Oráculos de Delfos?

Situado em Delfos na antiga Grécia, o Oráculo de Delfos era dedicado principalmente a Apolo e centrado num grande templo, ao qual vinham os antigos gregos para colocar questões aos deuses. Neste templo, as sacerdotisas de Apolo (Pitonisa) faziam profecias em transes. As respostas e profecias ali obtidas eram consideradas verdades absolutas.

Pois bem, a que mais poderia relacionar a charge que circula há tempos na internet com uma fotografia produzida em Copacabana no protesto deste domingo (13/03) senão uma incrível reincarnação de um das pitonisas de Delfos no chargista que a produziu de forma tão premonitória?

oraculo

Falem o que falarem esses que supostamente acorrem às ruas do Brasil para supostamente protestar contra a corrupção nos governos do PT. Mas a verdade nua e crua, e que a combinação da charge com a fotografia sintetiza, é que um bom número dos que protestam tem outro foco em sua ira, qual seja, os parcos avanços sociais que foram realizados por Lula e Dilma.  Simples, mas ainda assim, extremamente reveladores da nossa incrível pirâmide social.

E que ninguém estranhe que as empregadas domésticas sejam o primeiro alvo de um governo que emerja de um afastamento precoce de Dilma Rousseff do cargo para o qual ela foi eleita. É que as elites adorariam não ter mais que pagar férias, FGTS e 13o. daquelas mesmas pessoas a quem deixam os seus filhos para serem cuidados.

O que o comício de Donald Trump interrompido por protestos tem a ver com o Brasil? Tudo!

Demonstrators cheer after Republican U.S. presidential candidate Donald Trump cancelled his rally at the University of Illinois at Chicago March 11, 2016. REUTERS/Kamil Krzaczynski

A cobertura da mídia brasileira anda focada apenas na caça seletiva à corrupção como um mecanismo de mudança no governo federal, retirando Dilma Rousseff do cargo para a qual foi eleita em 2014. De outro lado, há uma reação por parte da mídia alternativa que, na maior parte das vezes, apenas realça um aspecto correto que é o envolvimento em casos ainda maiores de corrupção. Entretanto, mostrar a parcialidade, e até mesmo casos de atentos à ordem tributária por parte de membros da mídia  corporativa não resolve o problema objetivo envolvimento do neoPT em casos de corrupção, como o caso da Petrobras. 

Mas o pior aspecto desse FlaxFlu é a ocultação de que há uma crise profunda que ameaça a estabilidade política inclusive na principal potência econômica e militar, os Estados Unidos da América.  Abaixo um vídeo mostrando conflitos que impediram a realização de um comício do bilionário Donald Trump que é até agora o favorito para vencer as primárias (notem que falei primárias!) de onde sairá o candidato do Partido Republicano para a sucessão de Barack Obama.

E há que se notar que essas cenas caóticas ocorreram no ginásio da Universidade de Illinois-Chicago, um local onde se esperaria um pouco mais de tolerância democrática. Entretanto, dada o radicalismo da mensagem de Donald Trump que se centra na perseguição a imigrantes ilegais (ou não para dizer a verdade) e a muçulmanos, esses conflitos já vinham ocorrendo em menor escala ao longo dos EUA.

Alguém poderia me perguntar sobre como essas cenas de Chicago se encontram com o que temos assistido nas manifestações pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff, no que eu responderia: ora, é a economia! E em períodos de profunda crise econômica mundial, a tolerância é sempre a primeira vítima. Dai para rupturas da ordem democrática é só um pulo.

Além disso, para um lado e para outro no debate interno no Brasil, o que essas cenas nos mostram é que toda tentativa de restringir a análise ao nível das nossas fronteiras nos faz perder a real dimensão da crise em que o Capitalismo está envolvido neste momento,  e também nos impede de ver porque certos setores estão tão ansiosos para uma mudança de regime no Brasil: ajudar os “amigos” do Norte.

População de Governador Valadares protesta contra efeitos do TsuLama

Para quem pensa, por causa do silêncio ensurdecedor da mídia corporativa, que a vida voltou à normalidade nos municípios atingidos pelo TsuLama da Mineradora Samarco (Vale + BHP Billiton), a matéria abaixo assinada pela jornalista Ana Lúcia Gonçalves do Hoje Em Dia mostra que não é bem assim. No caso a matéria é sobre uma manifestação em Governo Valadares (MG), mas protestos estão ocorrendo em várias cidades que estão passando pelo mesmo tipo de problema.

É que apesar da rápida liberação da coleta de água no Rio Doce para atender cidades que dependem diretamente deste corpo hídrico para suprir as necessidades de sua população, o cenário é de desconfiança com a qualidade do que está sendo entregue.

Pior ainda é a velocidade com que a Samarco está sendo liberada pela justiça para garantir o suprimento de água para as cidades atingidas, apesar de ainda estar chegando muita lama carregada de metais pesados no Rio Doce.

Moradores de Valadares protestam contra efeitos da lama que vazou de barragem

 
Ana Lúcia Gonçalves – Hoje em Dia

Leonardo Morais
manifestação governador valadares samarco lama

Cerca de 200 pessoas foram para as ruas na manhã deste sábado (27), em Governador Valadares, no Leste do Estado, para protestar contra os efeitos da lama que vazou da barragem da Samarco em Mariana dia 5 de novembro de 2015, para o meio ambiente e populações atingidas, e cobrar providências para o município. Entre as exigências está a volta da distribuição de água mineral.

Na “Carta de Indignação da População Valadarense” que será enviada às autoridades e à ONU junto com um abaixo assinado, a população cobra a apresentação de projetos de recuperação da Bacia do rio Doce e a imediata captação alternativa de água nos rios Suaçui Grande e Pequeno. A autorização para início das obras teria sido concedida pelos órgãos técnicos governamentais logo após o desastre ambiental.

Os manifestantes também pedem a volta da distribuição gratuita de água mineral pela Samarco, enquanto não houver captação de água em outro manancial. A distribuição foi suspensa dia 22 de janeiro com a alegação de que a água tratada e distribuída pelo Saae está potável. Mas segundo a presidente da Associação Valadarense de Defesa ao Meio Ambiente (Avadma), advogada Rosamélia Apolinário, a população está bebendo lama.
“A água que sai das torneiras é de qualidade duvidosa e a população precisa se unir para cobrar das autoridades constituídas as providencias. Não podemos aceitar isso. A população precisa acordar, vir para as ruas e se mobilizar. Não somos cachorros. A Samarco vai ter que reparar os danos causados, parar de fazer propaganda enganosa e cuidar da população, porque do contrário, seremos uma população doente em poucos anos”, enfatiza.

O professor Ilvece Cunha, de 73 anos, um dos manifestantes, concorda. “Estão promovendo um genocídio, matando lentamente a população e nós, ao pagar a conta de água, estamos pagando para nos matarem. Estudos comprovam que a água do rio tem metais pesados e eu soube também que o coagulante (polímero de acácia negra) usado para tratar essa água distribuída à população pode até deixa-la branquinha, mas não pura”.

Na Carta os manifestantes alegam que “diversos estudos técnicos e laudos apontam que o tratamento realizado não elimina os metais pesados existentes na lama, a exemplo de estudo pela Federação Nacional dos Médicos, que aponta a possibilidade de câncer e outras doenças para a população que utilizar a água, a longo prazo”. Também denuncia a omissão dos órgãos governamentais nas três esferas federativas, União, Estado e Município, diante do problema.

Samarco

Em nota a Samarco informou que foram distribuídos 74 milhões de litros de água potável e 30 milhões de litros de água mineral à população do município desde o início do processo, em novembro de 2015. O tratamento de água foi restabelecido desde o dia 15 de novembro de 2015 e a água do Saae fornecida à população está dentro dos padrões de potabilidade definidos pela Portaria 2.914 de 2011, do Ministério da Saúde. “A população de Governador Valadares pode acompanhar a variação diária dos parâmetros de ferro, alumínio, manganês e turbidez em cinco painéis eletrônicos instalados na cidade, e também pelo site http://www.samarco.com”, avisa.

Sobre a nova estrutura para captação de água, alega que é uma demanda antiga da população que vem sendo discutida há alguns anos, principalmente em função da seca e do assoreamento do Rio Doce que dificultava a captação em determinados períodos do ano.

Tanto que em agosto de 2015, a Agência Nacional de Águas (ANA) divulgou que, na estação de Valadares, o nível do Rio Doce estava em 1,06 metro, quando a faixa considerada normal é entre 1,27 metros e 3,09 metros. Nessa época, informa anota da Samarco, cogitou-se a possibilidade de readequar a forma de captação de água no rio, uma vez que a água não tinha altura suficiente para chegar à bomba de captação.
“Uma adutora de captação alternativa de água do Rio Suaçuí Grande para a Estação de Tratamento de Água (ETA) em Valadares está em estudo pela Prefeitura, Saae e Samarco”, conclui.

A assessoria do Saae não foi encontrada para falar sobre a manifestação, mas desde que a água voltou a ser captada no rio Doce, tem divulgado que diversos laudos, entre eles da Funed e Copasa, compravam a eficácia do tratamento e a potabilidade da água tratada distribuída à população.

De acordo com a Polícia Militar, cerca de 150 pessoas participaram do protesto.

FONTE: http://cms.hojeemdia.com.br/preview/www/2.169/2.693/1.382103

Depois dos protestos contra a Vale, BHP Billiton é denunciada na Austrália

Por 👤Manaira Medeiros

BHP

Desde o crime ambiental em Mariana (MG), a empresa anglo-australiana BHP Billiton, que divide o controle da Samarco Mineração com a Vale, mantém uma distância segura da repercussão do caso, já que os protestos no Brasil têm foco na acionista local. Nessa quinta-feira (19), porém, a empresa foi cobrada no exterior. O Greenpeace realizou ato em Perth, oeste da Austrália, durante o Encontro Anual dos Acionistas da BHP

Com a mensagem “BHP: lucro e lama #justicaparamariana” e “BHP tem sangue em suas ações”, vinte ativistas da entidade e membros da ONG australiana GetUp surpreenderam os participantes do evento. 

O protesto, segundo o Greenpeace, teve o objetivo de dar repercussão internacional à maior tragédia ambiental da história do Brasil, denunciando a omissão da BHP Billiton e da Vale tanto após o rompimento da barragem como antes. As empresas não tinham um plano de contingência apropriado e não avisaram os moradores dos distritos de Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo a tempo de evitar a tragédia. Até agora, 19 mortes foram confirmadas e 630 desalojados. São dois mil afetados ao todo. 

Além disso, a entidade quer garantir visibilidade aos impactos sobre o rio Doce, maior curso de água do Sudeste, cuja recuperação, se possível, levará décadas e exigirá bilhões de reais em investimentos. 

O Greenpeace destaca que o protesto diante dos acionistas da BHP não se restringiu ao lado de fora da reunião. Dentro da conferência, Nikola Casule, representante do Greenpeace Austrália, questionou o conselho da BHP: “Se a companhia sabia que havia riscos de rompimento, porque as operações continuaram?”. 

O ativista se referiu ao relatório independente produzido em 2013, no qual especialistas afirmam que a barragem precisava ser monitorada regularmente, ter uma análise detalhada sobre riscos de ruptura (que já existiam) e, ainda, contar com um plano de contingência em caso de acidente. 

Uma equipe de documentação e pesquisa do Greenpeace no Brasil esteve na região do desastre nos últimos dias e acompanhou o drama da população. “O desastre da mineração da Vale e da BHP acabou com a vida de milhares de pessoas, de pequenos agricultores, moradores de cidades como Governador Valadares, pescadores e comunidades indígenas, como os Krenak”, diz Ricardo Baitelo, coordenador da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace. “Fato é que a tragédia está longe de acabar, já que a lama segue descendo o rio, rumo ao litoral do Espírito Santo”.

A entidade exige que as mineradoras e o governo tomem providências cabíveis. “Isso inclui a promoção de uma investigação independente sobre as causas do desastre, o pagamento de valores condizentes com a proporção desta gigantesca tragédia, e a garantia de que as demais barragens não ofereçam nenhum risco às comunidades e ao meio ambiente”. 

Informações da BBC Brasil apontam que o episódio em Mariana (MG) está longe de ser o primeiro caso a manchar a imagem da anglo-australiana, que chegou ao Brasil em 1984. Considerada a maior mineradora do mundo em valor de mercado – em 2014 o lucro foi de 13,8 bilhões de dólares -, a empresa acumula tragédias em seu histórico. 

No País, a BHP detém ainda direitos de exploração de blocos de petróleo na bacia Foz do Amazonas; atua no setor de alumínio, com participação de 14,8% na mineradora de bauxita Mineração Rio do Norte (MRN), no Pará; e, no Maranhão tem participações no Consórcio de Alumínio do Maranhão (Alumar).

Após a tragédia, as ações da BHP chegaram a seu nível mais baixo em sete anos na bolsa australiana e as da Vale bateram queda de 8%.

Alemanha

A tragédia de Mariana (MG) também chegou a Hamburgo, na Alemanha, nessa quinta-feira, em ato organizado por brasileiros, entre eles dois capixabas. O foco foi a comunidade e imprensa alemãs, no sentido de cobrar ações do governo brasileiro e punição às empresas responsáveis. 

Os manifestantes também chamaram atenção para o fim do rio Doce e fizeram críticas à falta de informação sobre o caso no Brasil e no exterior. 

A mobilização começou em grupo nas redes sociais e já há articulação para que seja repetido por brasileiros que moram na Nova Zelândia, na próxima semana. 

FONTE: http://seculodiario.com.br/25956/10/depois-dos-protestos-contra-a-vale-bhp-billiton-e-denunciada-na-australia

Os protestos coxinhas e a falência da imprensa corporativa: duas faces da mesma moeda reacionária

grotesco

Os protestos deste domingo contra o governo Dilma Rousseff encolheram em número, mas não em bílis reacionária. As imagens de classe média branca protestando contra a corrupção da qual ela mesma se alimenta todos os dias já seria patética o suficiente, se não fosse o esforço da mídia corporativa (representada com galhardia pela Folha de São Paulo e pela Rede Globo) que procuram ocultar a face obscurantista das demandas que apareceram travestidas de luta contra um governo corrupto.

É que utilizando a estratégia de mostrar a floresta pelo alto, o que a mídia corporativa tentou esconder é que quem foi aos protestos de hoje quer mais é que a luta contra a corrupção se exploda. O que preocupa efetivamente a maioria desses “manifestantes” são os parcos avanços que foram concedidos pelo PT em seus anos de poder.

Aliás, a presença dos monarquistas nestas verdadeiras catarses reacionárias exemplifica bem algo que já foi ironizada nas redes sociais. É que se dependesse da vontade de muitos desses “manifestantes, Eduardo Cunha, o novo super herói dessa gente branca e reacionária, iria colocar imediatamente para ser apreciado a revogação da Lei Áurea.

Por outro lado, há que se dizer que qualquer movimento para defender Dilma Rousseff seria gastar energia indevidamente.  O que precisamos construir no Brasil é uma saída a essa falsa dicotomia entre neoliberais azuis e vermelhos. Do contrário, ficaremos assistindo a uma encenação barata de golpistas cujo único intuito é  cassar todos os direitos que a classe trabalhadora amealhou ao custo de muito suor e sangue.