Na semana passada estava ocupado demais com as eleições para a reitoria da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) que nem deu tempo para comentar a matéria abaixo do jornalista Juan Pablo Spinetto da Bloomberg.
O negócio avalia a unidade de terminais petrolíferos da Prumo em US$ 1 bilhão, ou mais de 1,5 vez o valor de mercado de sua empresa-mãe até o fechamento do mercado na quarta-feira.
A Oiltanking, que tem sede em Hamburgo e é a segunda maior provedora independente de armazenamento de petróleo, gerenciará as operações petrolíferas no terminal como parte do acordo, disse o CEO da EIG Global Energy Partners LLC, R. Blair Thomas, de 53 anos. A firma de private-equity controla a Prumo.
“Estamos agora em um processo no qual começamos a mostrar ao mercado o que de fato existe aqui”, disse Thomas, em entrevista por telefone, de Washington. A transação mostra que “o mercado está subestimando o valor dessa empresa em uma ordem de grandeza”.
O Porto do Açu, localizado a cerca de 320 quilômetros das famosas praias do Rio, na direção nordeste, iniciou os embarques em um terminal de minério de ferro em outubro, deixando para trás anos de atrasos e estouros no orçamento sob o comando de seu fundador, o ex-bilionário Eike Batista. Em 2013, a EIG assumiu o controle do projeto desenvolvido em um lote de terra maior que Manhattan, investindo R$ 1,8 bilhão (US$ 516 milhões) em troca de uma participação de 74 por cento na Prumo. Eike agora possui menos de 0,3 por cento de participação.
Alta das ações
As ações da Prumo subiram mais de 70 por cento nas negociações em São Paulo neste ano depois que a firma assinou contratos com empresas como BG Group Plc e Votorantim Metais SA. A Anglo American Plc começou a operar seu terminal no porto em outubro.
O Porto de Açu deverá iniciar as chamadas operações ship-to-ship em agosto de 2016 depois de assinar um contrato-chave com a BG para usar o terminal de petróleo no transbordo de até 200.000 barris de petróleo bruto por dia. A Prumo espera assinar mais um ou dois contratos com empresas petrolíferas antes do final do ano, disse o CEO da empresa, Eduardo Parente, em entrevista, na semana passada.
O porto está colhendo benefícios em meio à escassez de infraestrutura petrolífera no Brasil e em um momento de aumento da produção dos depósitos em águas profundas, conhecidos como pré-sal, disse Thomas, acrescentando que o terminal petrolífero deverá gerar entre 20 por cento e 25 por cento dos negócios do Porto do Açu.
“A produção está chegando”, disse ele. “Nossas aspirações para Açu são tão grandes quanto seu tamanho”.
O acordo permitirá que a Oiltanking ofereça serviços onshore, como armazenamento, blending (mistura), tratamento de petróleo e operações de trading no futuro, disse o diretor-geral na América Latina da empresa alemã, Holger Donath. “Nosso objetivo no Porto do Açu é oferecer as operações de transbordo mais seguras e eficientes”, disse ele, em comentários enviados por e-mail.
Em junho, a Petrobras suspendeu os transbordos ship-to-ship de petróleo bruto em mar aberto ao largo da costa de Angra dos Reis, no estado do Rio de Janeiro, após um derramamento. A produtora brasileira de petróleo controlada pelo Estado e outras empresas, como a BG, muitas vezes enviam petróleo brasileiro para ser transferido a outros navios no Caribe ou em La Paloma, no Uruguai, devido à escassez de infraestrutura, o que aumenta os custos logísticos.
O terminal petrolífero do Porto de Açu tem uma capacidade planejada de movimentar 1,2 milhão de barris de petróleo bruto por dia, ou quase metade da produção diária atual do Brasil.
Título em inglês: ‘Brazil Port Sells Terminal Stake Valuing Unit Above Parent’
Para entrar em contato com o repórter: Juan Pablo Spinetto, no Rio de Janeiro, jspinetto@bloomberg.net
FONTE: http://economia.uol.com.br/noticias/bloomberg/2015/08/06/brasil-porto-do-acu-vende-participacao-em-terminal-que-torna-unidade-mais-valiosa-que-empresa-mae.htm