A charge dos 4 milhões: o almoço de Flávio Bolsonaro com a Globo e as contradições do movimento que transformou a emissora em inimiga

Uma charge publicada no meu perfil oficial no Instagram ultrapassou a marca de 4 milhões de visualizações em poucos dias. O número impressiona, mas talvez o aspecto mais importante dessa repercussão não seja propriamente sua dimensão quantitativa. O que merece uma reflexão mais aprofundada é a razão pela qual uma imagem aparentemente simples, mostrando Flávio Bolsonaro almoçando com dirigentes da Rede Globo enquanto apoiadores vestidos de verde e amarelo observam perplexos do lado de fora, conseguiu despertar tamanho interesse. Minha hipótese é que a charge tocou em uma das contradições mais evidentes do bolsonarismo: a distância entre o discurso de enfrentamento às instituições tradicionais e as práticas de aproximação com essas mesmas instituições quando isso se torna politicamente conveniente.

Para compreender essa contradição, é necessário recordar que a Rede Globo foi transformada, ao longo dos últimos anos, em um dos principais inimigos simbólicos do bolsonarismo. A expressão “GloboLixo”, repetida exaustivamente em manifestações, redes sociais e discursos políticos, não representava apenas uma crítica à linha editorial da emissora. Ela ajudava a construir uma identidade política baseada na rejeição ao que os seguidores de Jair Bolsonaro identificavam como parte de um sistema de poder comprometido com seus adversários. A Globo passou a representar, nesse imaginário, uma espécie de síntese dos interesses das elites tradicionais, da grande imprensa e de tudo aquilo que o movimento dizia combater.

É justamente essa construção simbólica que torna politicamente significativo o almoço de Flávio Bolsonaro com integrantes da direção do Grupo Globo, realizado no mesmo dia em que o candidato participaria de uma sabatina no Jornal Nacional. O encontro, por si só, não demonstra qualquer irregularidade ou acordo editorial. Candidatos e dirigentes de empresas de comunicação podem manter relações institucionais legítimas. Entretanto, quando uma liderança política pertencente a um movimento que passou anos tratando determinada emissora como inimiga participa de um encontro cordial com seus dirigentes, surge uma questão inevitável: como conciliar essa aproximação com o discurso anteriormente dirigido aos seguidores?

A charge conseguiu traduzir essa pergunta em uma única frase: “Ué… agora não é mais GloboLixo?”

A força dessa pergunta está precisamente no fato de que ela não foi colocada na boca de um adversário do bolsonarismo, mas de um personagem vestido com a camisa amarela da seleção brasileira, símbolo amplamente utilizado nas manifestações do movimento. Em outras palavras, a charge constrói a contradição a partir do próprio universo simbólico bolsonarista. Não é necessário um longo argumento para expor o problema. Basta apresentar a cena e deixar que o espectador confronte aquilo que foi repetido durante anos com a situação retratada.

Outro elemento importante é a organização espacial da imagem. De um lado, no interior de um restaurante sofisticado, aparecem Flávio Bolsonaro e os dirigentes da Globo, sorridentes, compartilhando uma refeição em um ambiente de conforto e cordialidade. Do outro, separados por uma parede de vidro, estão os apoiadores, perplexos diante da cena. O vidro não é apenas um recurso gráfico. Ele funciona como uma metáfora da distância que pode existir entre as lideranças políticas e aqueles que participam das mobilizações públicas em seu nome.

Enquanto os militantes são convocados a enfrentar adversários nas ruas e nas redes sociais, suas lideranças podem estabelecer relações pragmáticas com esses mesmos adversários nos espaços reservados de sociabilidade e negociação. Essa diferença não constitui uma exclusividade do bolsonarismo, mas adquire um significado particular quando o antagonismo contra determinadas instituições é apresentado como um elemento central da identidade política de um movimento.

A presença de uma garrafa do raríssimo Domaine de la Romanée-Conti 1945 amplia essa dimensão crítica. Evidentemente, o vinho é um recurso de exagero satírico, não uma afirmação sobre o que foi servido no encontro. Sua função é representar o universo dos privilégios econômicos e das relações sociais entre integrantes das elites políticas e empresariais. O contraste entre o luxo da mesa e a perplexidade dos apoiadores do lado de fora reforça uma questão que ultrapassa o episódio específico: até que ponto os conflitos políticos apresentados publicamente como irreconciliáveis correspondem às relações efetivamente mantidas entre seus protagonistas?

Há também uma dimensão que envolve diretamente o papel da Rede Globo na disputa eleitoral. A realização de um almoço entre dirigentes de uma das maiores empresas de comunicação do país e um candidato à Presidência, poucas horas antes de uma entrevista de grande repercussão nacional, suscita questionamentos legítimos sobre transparência e equidade no relacionamento com os concorrentes. Isso não significa afirmar que o encontro tenha interferido na condução da sabatina, algo que exigiria evidências específicas. Mas significa reconhecer que, em uma democracia, as relações entre proprietários de grandes meios de comunicação e lideranças políticas merecem escrutínio público, especialmente durante campanhas eleitorais.

Entretanto, acredito que o principal motivo da repercussão da charge esteja em outra dimensão. Ela expõe a tensão entre duas lógicas distintas: a lógica da mobilização política, frequentemente alimentada pela identificação de inimigos, e a lógica da disputa pelo poder, que pode exigir negociações e aproximações com atores anteriormente hostilizados. Quando essas duas lógicas entram em contato, surgem contradições que nem sempre são facilmente explicadas aos seguidores.

É possível que parte do público bolsonarista interprete o almoço como uma demonstração de pragmatismo político. Outros poderão considerá-lo uma aproximação incompatível com o discurso de enfrentamento à Globo. Já os críticos do movimento tendem a enxergar no episódio uma evidência da distância entre sua retórica e suas práticas. A charge consegue circular entre essas diferentes interpretações justamente porque transforma a contradição em uma pergunta, e não em uma explicação fechada.

Esse aspecto ajuda a compreender os mais de 4 milhões de visualizações. Em um ambiente digital marcado por disputas políticas intensas, uma imagem que mobiliza símbolos imediatamente reconhecíveis e apresenta uma incongruência de maneira humorística reúne condições favoráveis para ser compartilhada. A marca da Globo, as camisas amarelas, a figura de Flávio Bolsonaro e a expressão “GloboLixo” compõem uma narrativa que pode ser compreendida em poucos segundos. Além disso, a ironia provoca reações tanto entre aqueles que concordam com a crítica quanto entre os que desejam contestá-la.

É necessário, contudo, evitar uma interpretação precipitada dos números. Quatro milhões de visualizações não equivalem a quatro milhões de pessoas convencidas pela mensagem, nem demonstram, isoladamente, uma mudança nas posições políticas dos espectadores. O alcance de uma publicação pode resultar de compartilhamentos favoráveis, críticas, debates e mecanismos de distribuição da própria plataforma. Ainda assim, a dimensão da circulação indica que a imagem conseguiu despertar uma atenção pública muito superior àquela normalmente alcançada por uma publicação individual.

Para o Blog do Pedlowski, há uma lição particularmente interessante nesse episódio. A charge mostra que a crítica política não precisa necessariamente recorrer a textos extensos para apresentar uma questão complexa. Uma imagem bem construída pode condensar relações de poder, contradições discursivas e conflitos simbólicos em uma representação acessível, sem abrir mão de uma interpretação mais profunda da realidade.

Nesse sentido, a charge não se limita a satirizar um almoço. Ela oferece uma representação das relações entre lideranças políticas, grandes empresas de comunicação e bases militantes. Sua eficácia está em tornar visível uma tensão que frequentemente permanece diluída no noticiário cotidiano: a possibilidade de que instituições apresentadas publicamente como inimigas sejam tratadas, em determinadas circunstâncias, como interlocutoras legítimas pelas mesmas lideranças que estimularam sua rejeição.

Talvez seja essa a principal explicação para a repercussão alcançada. A charge não apresenta uma denúncia inédita, tampouco depende de uma revelação extraordinária. Ela reorganiza visualmente um acontecimento conhecido e evidencia uma pergunta politicamente incômoda.

Afinal, se a Globo foi apresentada durante tantos anos como uma inimiga do bolsonarismo, o que significa ver uma de suas principais lideranças compartilhando cordialmente a mesa com os proprietários da emissora?

Ainda não estamos nem aí

figueiredo quepe

Por Douglas Barreto da Mata

Como disse o estudioso em comunicação e semiótica Wilson Ferreira, em seu blog cinegnose, o filme que deu à atriz Fernanda Torres o Globo de Ouro, como protagonista do filme “Ainda estamos aqui”, é um produto sob medida da Globo e da Sony Pictures para controlar a narrativa sobre o golpe militar no Brasil. Não seria a primeira vez que um produto cultural de massas, ou um meio ou plataforma interfere nos rumos da História, utilizado como instrumento de persuasão ideológica. Aliás, toda a indústria de bens culturais é voltada para essa tarefa, apesar de uns poucos ingênuos e outros tantos cínicos dizerem que a arte é uma manifestação livre desses vínculos.

Esse pessoal vai chiar, reivindicando uma leitura estética do filme, exigindo que seja levado em conta seu valor como arte, desprovido de “intenções ou mensagens”. Eu respeito o direito a essa fala, embora desrespeite, por completo, o argumento. O fato é que o “timing” sugere essa lógica, como alertou Wilson Ferreira.

Ninguém duvida da importância de lembrar a selvageria da ditadura. O problema é isolar essa violência como algo resultante da “maldade” ou “sadismo” dos militares. Ferreira presta atenção a esse fato. Concordo com ele

Descolar essa violência de seu contexto histórico, ficando apenas na vida da família do deputado, e nos aspectos pessoais da luta de sua viúva pelo reconhecimento do seu assassinato, é uma forma de “afastar” qualquer relação de causalidade, isentando de culpa a Globo, os EUA e sua indústria cultural geopolítica, e enfim, o pai de Walter Salles, banqueiro dono do Unibanco, na época, senão um articulador do golpe de 64, certamente, beneficiado por ele.

É disso que se trata. No filme parece que o golpe de 1964 é um evento Ex Machina, ou de “combustão espontânea”. Criar uma forma romantizada de contar parte da história, seduzindo a audiência pelo drama da mãe coragem contida e afável, é confirmar essa tese anti histórica.

Sem dúvidas, esse processo de criação discursiva ajuda a perpetuar a invisibilidade de todo o resto da sociedade, em sua maioria, pretos e pobres favelados, que sofreram, e sofrem, até hoje, os efeitos da violência estatal.

Sim, senhor, a violência estatal de hoje está diretamente relacionada àquela violência de 64, e de antes, antes e antes. O sofrimento dos parentes de militantes, quase todos de classe média, tem que ser rememorado. O problema é esquecer os 20, 30, em alguns anos, 40, 50 mil mortos/ano por PAF (projétil de arma de fogo), contingente formado pelos mesmos de sempre (pretos e pobres)

A amnésia seletiva impede a correta reparação e retratação não só a este ou aquele fragmento da sociedade, mas a todo país, ao menos da parte que sempre esteve na base da pirâmide.

Um país que anistiou militares torturadores e assassinos, e segue matando e espancando, ou jogando de pontes, ou matando por asfixia em caçambas de viaturas, ou em abordagens em rodovias, como assistimos nas redes sociais, não tem o que comemorar. E deveria assistir o filme com menos ufanismo.

Afinal, ainda não estamos nem aí, certo?

Rede Globo, Bolsonaro e lutas intra-burguesas

laranjeiras

Bairro de Laranjeira, cidade do Rio de Janeiro, dia 29 de outubro de 2019, às 23:16 min.

Por Heitor Silva*

Ontem assistimos mais um round na disputa entre o Presidente da República e a Rede Globo, as aparências remetem para mágoas de Bolsonaro com o não empenho desta emissora no primeiro turno de sua eleição e a má vontade da rede com seu governo. Do lado da Globo as mágoas seriam as ameaças reafirmadas de não renovação da concessão do canal de TV em abril de 2022. No entanto, este mesmo Presidente foi capaz de aprovar todas as reformas que o grande capital esperava e que a Globo por interesses como grande empregadora e por ser o braço ideológico, por excelência, do grande capital tanto impulsionava, ou seja, apesar das insatisfações mútuas serem questões reais elas são contrabalançadas pelas vitórias conseguidas com o Bolsonaro, portanto precisamos ir mais a fundo para entender o que está em jogo que provoque este entrechoque.

Para entender o que está em disputa precisamos como ponto de partida compreender qual é a coalizão que chegou a Presidência; trata-se de um aglomerado de políticos do baixo clero, ou seja, políticos sem maiores expressões a nível nacional, o exemplo maior é o próprio Presidente que foi deputado por 27 anos, eleito sempre pelo fato de ser o representante dos militares nas lutas por salários. Na última legislatura de que participou se notabilizou pelos enfrentamentos com o ex- deputado Jean Wyllis e com a deputada Maria do Rosário assumindo protagonismo nacional por defender com virulência uma pauta conservadora já representada pelos evangélicos, mas sem o impulso retórico e a beligerância apresentada por Bolsonaro. Sem maiores apoios construiu um partido de inexpressivos, basta ver que a figura de proa do partido no maior estado do país, São Paulo, era um ex-ator de filmes pornográficos, o Sr. Alexandre Frota. Esta coalizão por não ter apoio dos setores tradicionais pode aparecer para a população como contra estes grupos que lhe negavam apoio, entre eles a Globo.

Outro setor importante nesta trajetória foram os evangélicos que apesar da crescente importância eleitoral e até empresarial ainda são setor marginal nos grandes negócios do país e que encontraram em Bolsonaro alguém com capacidade de comunicação muito maior e mais aguerrida do que seu principal quadro político, o Prefeito da cidade do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, garantiram votos concentrados nas grandes cidades e a capilaridade no interior que um partido recém-criado, o PSL, não tinha.

Também foi importante a contribuição dada por celebridades da internet, o melhor exemplo foi o Sr. Olavo de Carvalho elas trouxeram um conteúdo ideológico para sustentar a candidatura e foram avalistas da aproximação com a extrema direita americana representada por Steve Bannon que contribuiu com aparato midiático nas redes para contrabalançar o pouco tempo na propaganda eleitoral e o isolamento imposto pela Globo.

O grande capital tinha como candidato Geraldo Alckmin que não conseguiu se tornar uma alternativa nas eleições, quando este quadro se configura Bolsonaro estava consolidado no segundo turno e diante de um discurso de aprovar as reformas, mesmo diante do discurso do candidato petista Haddad da necessidade de reformas, o capital preferiu aquele que garantia realizá-las de forma acelerada.

Instalado na Presidência começa a luta pelos “espólios de guerra” que têm várias frentes. A luta é encarniçada porque os grupos em torno do Presidente estavam de fora, ou seja, não se trata de rearrumar uma mesa posta no banquete, trata-se de conseguir lugar na mesa para os arrivistas. Os eventos que assistimos são desdobramentos desta luta.

Temos em primeiro plano a luta pelas verbas publicitárias, de um lado a TV dos evangélicos, do outro a Rede Globo. Para termos uma noção do montante o investimento em publicidade no Brasil chegou a R$ 16,54 bilhões em 2018, segundo o Cenp (Conselho Executivo das Normas-padrão), entidade que reúne os principais anunciantes, veículos de comunicação e agências de propaganda do país. Claro que a publicidade governamental é apenas uma fatia deste total, mas nada desprezível.  O butim em disputa são as publicidades do governos mais as verbas publicitárias das estatais, entre elas: Caixa Econômica Federal, 7o maior anunciante do país com gastos em 2018 de mais de 1 bilhão e meio de reais[1] , sendo que deste total, matérias de jornais apontam, 370 milhões de reais como destinados as redes de TV; Banco do Brasil com gastos em 2018 de mais de 1 bilhão de reais; a Petrobras tem em execução dois contratos de publicidades entre 2018 e 2020, o valor total é de 550 milhões de reais[2].

Para termos uma ideia de como está sendo travada esta disputa, o site Poder360 nos informa que o Banco do Brasil estaria com campanha publicitária pronta, focada no mercado de varejo e de crédito, com veiculação prevista de R$ 20 milhões. Mas que teria sido barrada pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom), pelo fato de o valor alocado pela mídia para a Rede Globo ser maior que para Record e SBT[3].

No entanto a Rede Globo não teria condições de enfrentar um presidente da República que tivesse apoio maciço dos grandes anunciantes, que ameaçariam retaliar reduzindo verbas, se ela o faz de forma tão aberta antes fez as contas de quanto pode perder no setor público, que nem mesmo somando todas as verbas é seu principal anunciante e ter a certeza de que não será retaliada pelo grandes anunciantes privados. Para compreender o apoio, na surdina, que o grande capital dá a Globo nesta guerra é necessário compreender as “trapalhadas” cometidas pelos novatos no poder. Claramente o estilo do Presidente o isola do grande capital, quando põe a ideologia acima dos negócios como foi no caso da abertura da embaixada em Jerusalém, para agradar os evangélicos, criando um atrito com os árabes, que são, de longe, os maiores compradores do conglomerado BRF que junta a Sadia e a Perdigão. Também se enquadra neste caso os atritos criados com os chineses que estavam em vias de investir em infraestruturas importantes para o agronegócio, na mesma direção foram as declarações sobre as queimadas da Amazônia abrindo um flanco para retaliações aos nossos produtos agrícolas e animais nos países centrais.

Diante desta falta de habilidade, já com as reformas aprovadas e para afasta-lo mais ainda dos oligarcas e dos banqueiros há a sede com que os arrivistas se lançam e, neste caso, as notórias relações com os milicianos também novos-ricos sedentos de dinheiro e poder abrem a possibilidade de sua utilização como “guarda pretoriana” do Presidente. Com este quadro de referências procuramos ouvir interlocutores do mercado financeiros e todos disseram uníssonos – o mercado não se abalou diante da denúncias da Globo, aliás todos esperam e torcem pela saída dele e entronização do Vice-Presidente Mourão.

Estamos vendo uma luta que no Rio de Janeiro poderia ser traduzida como Leblon versus Barra da Tijuca e em S. Paulo como Jardins versus Itaim Bibi ou Moema.

Enquanto isso a América Latina arde e os atores em cena já se posicionam, o filho do Presidente ameaça com uso brutal de tropas para reprimir manifestações, o Prefeito Pastor da cidade do Rio de Janeiro contradizendo toda a sua trajetória resolve uma pendência sobre pedágio em uma  importante via da cidade, a Linha Amarela, pela força destruindo a praça do pedágio, mostrando que se houver radicalização ele já está se posicionando para “mudar tudo e assim permanecer como era antes”. É plausível supor que dada a luta entre eles as manifestações tenham as “bençãos”  da Globo, relembrando seu comportamento no impeachment do Presidente Collor. Para verem como ela está apostando nisso ontem logo após o Jornal Nacional com as denúncias contra o Presidente foi projetado em prédio no bairro da Laranjeiras a imagem abaixo, vejam equipamento de laser, caro e dos quais há poucos na cidade, já estava de plantão em um dos bairros onde o PSOL teve a maior votação na cidade esperando as reações diante de denúncias de relação do Bolsonaro com o assassinato da Vereadora Marielle Franco do PSOL carioca.

Não podemos, nós a esquerda, sermos marionetes neste jogo e nem acreditar em alianças tática com a Rede Globo, precisamos mostrar que isso é uma luta nos intestinos do capitalismo periférico e que nossa alternativa não pode ser outra que não seja a mudança completa de tudo que aí está, ou seja a Revolução Brasileira.

  1. Fonte: Kantar IBOPE Media – Monitor Evolution – ME1812TOTALPTVHS – Período: de Jan/ 2018 a Dez/2018. Valores Publicitários Brutos (GAV- Gross Adverseting Value), desconsiderados descontos e negiciações.
  2. Fonte: Transparência Petrobras. Disponível em: http://transparencia.petrobras.com.br/despesas/publicidade
  3. Fonte: https://www.poder360.com.br/economia/semana-do-brasil-comeca-nesta-6a-com-adesao-de-mais-de-6-mil- empresas/

*Heitor Silva é professor e economista

O assassinato de Marielle e Anderson: Rede Globo expõe as ligações perigosas de Jair Bolsonaro

bolso queirozO presidente Jair Bolsonaro com o ex-PM Élcio Queiróz, um dos principais acusados pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes

A estas alturas do campeonato ninguém deveria mais se surpreender com o que se pode chamar de “ligações perigosas” que cercam o presidente Jair Bolsonaro e seus filhos com o mundo das milícias no Rio de Janeiro. É que as fartas ligações dentro de gabinetes e até mesmo dentro do condomínio onde o presidente mora na Barra da Tijuca são mais do que conhecidas.

O que há de diferente agora é a ação da família Marinho para escancarar estas evidentes ligações com o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes por figuras que estavam, ou ainda estão, próximas do presidente Jair Bolsonaro e seus filhos. E isto tudo usando o principal instrumento da Rede Globo, i.e., o Jornal Nacional, para explicitar questões que permaneciam um tanto submersas em uma investigação que parecia destinada ao esquecimento (ver vídeo abaixo).

Em se tratando das Organizações Globo sempre há que se perguntar sobre o motivo da veiculação desta ou daquela matéria, pois a família Marinha não é de bater prego sem estopa. Entretanto, a ação de jogar na cara da população brasileira a possível ligação de Jair Bolsonaro e seus filhos com o assassinato de Marielle e Anderson é um movimento robusto. Tanto isto é verdade que desde a Arábia Saudita, e em plena madrugada de lá, Jair Bolsonaro já ofereceu o que pode ser considerado um ensaio de resposta (ainda que em tom relativamente desgovernado) à matéria do Jornal Nacional.

O que parece evidente é que o mandato do presidente Jair Bolsonaro acaba de ser colocado na linha de fogo como nunca antes ao longo deste ano. Se ele insistir em uma linha de resposta como a mostrada acima, o grande risco é que ele seja abandonado até pelos setores que o sustentam em nome de evidentes ganhos que estão auferindo com as políticas de desmanche do Estado brasileiro. 

E a razões para um eventual abandono de Jair Bolsonaro em meio ao deserto das potenciais revelações que ainda estão por vir são eminentemente de ordem econômica. É que nenhuma empresa multinacional vai querer vir para o Brasil em meio a um ambiente em que o presidente da república esteja lutando pela sua sobrevivência por causa do tipo de ligação (perigosa) que a Rede Globo decidiu explicitar na noite de ontem.

Suspeito que as próximas semanas serão preenchidas com mais adrenalina, pois a peça que foi veiculada ontem parece mais uma espécie de “preparo” para revelações ainda mais cabeludas acerca das responsáveis pelo assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes. De quebra, ainda há a fratura exposta que atende pelo nome de Fabrício Queiróz que parece um potencial candidato a delator. Talvez por isso o presidente Jair Bolsonaro se mostrou particularmente agitado com a possível prisão de um dos seus filhos.

Como se vê, o Brasil não é mesmo um país para principiantes.  Por isso mesmo, por mais tarimbados que alguém seja, sempre há por aqui amplo espaço para surpresas e enredos rocambolescos. 

Esqueçam de Bolsonaro e Mourão, o risco iminente se chama Paulo Guedes

paulo guedes

Uma estratégia bastante eficaz por parte da mídia corporativa e dos elaboradores da campanha da chapa Bolsonaro/Mourão tem sido ocultar de seus potenciais eleitores, o programa econômico que deverá ser executado pelo dublê de economista, banqueiro, dirigente do Instituto Millenium e articulista  de vários veículos de mídia de propriedade da Rede Globo, Paulo Guedes.

Manter Paulo Guedes como eminência parda é essencial para ocultar a face ainda mais medonha do que poderia ser um governo comandado pela dupla de ex-militares.  Como fundador do “think thank” ultraneoliberal Instituto Millenium, Guedes tem sido um dos responsáveis pela formulação das agendas que embalam a agenda privatizante que tem mirado fortemente nos direitos sociais e trabalhistas, de forma a facilitar a expropriação das riquezas nacionais.

Assim, quanto mais rapidamente se desvelar o papel de formulador e disseminador da ideologia ultraneoliberal que é disseminada de forma críptica pela chapa Bolsonaro/Mourão, melhor será para neutralizar o risco que ela representa.

Abaixo uma pequena biografia de Paula Guedes que deixa explícito qual tem sido o seu papel no avanço de políticas que retiram direitos sociais e trabalhistas, enquanto contribuem para o aprofundamento da condição dependente da economia brasileira.

Quem é Paulo Guedes?

Realizou a sua graduação na Faculdade de Economia da Universidade Federal de Minas Gerais e realizou o seu mestrado na Escola de Pós-Graduação em Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Em 1977, obteve um mestrado na Universidade de Chicago e em 1979 um Ph.D pela mesma instituição, que é considerada uma referência do pensamento econômico liberal . Também atuou como docente na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), na Fundação Getúlio Vargas (FGV) e no Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) no Rio de Janeiro. Foi diretor-técnico e sócio do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (IBMEC) na década de 1980, onde atuou por 16 anos, nessa instituição também foi professor na disciplina de macroeconomia.

Foi um dos fundadores do think tank brasileiro Instituto Millenium, também foi sócio-fundador do grupo financeiro BR Investimentos que se tornou parte da Bozano Investimento. Foi um dos quatro fundadores do Banco Pactual, criado em 1983, onde atuou como chefe executivo e chefe estrategista.[3]

Foi sócio-fundador e diretor executivo da JGP Gestão de Recursos, onde era um dos responsáveis pela supervisão da gestão do Fundo JGP Hedge e pela estratégia das operações. Desde 2009, é membro do conselho diretor da HSM Educação e, desde 2013, da GAEC Educação S.A. Também tornou-se membro do conselho diretor da Contax Participacoes S.A., da PDG Realty S.A Empreendimentos e Participações, da Abril Educação S.A. e da Localiza Rent a Car S.A.[5]

Foi colunista dos jornais O Globo e Folha de S. Paulo e das revistas Época e Exame, abordando temas ligados ao mercado de capitais e gestão de recursos. Atualmente, publica regularmente artigos no site do Instituto Millenium.

Em novembro de 2017, o nome de Paulo Guedes foi anunciado pelo pré-candidato a Presidência da República Jair Bolsonaro como a sua escolha como Ministro da Fazenda, na hipótese deste ser eleito para o cargo. O nome do economista foi bem recebido por parcela da mídia bem como por investidores e banqueiros por conta de seus posicionamentos liberais, com o índice da Bolsa de Valores tendo subido na ocasião do anúncio, embora o anúncio tenha sido visto também por parte da mídia e dos críticos do político como um subterfúgio do pré-candidato para contornar a imagem que tem de anti-liberal por conta de seu histórico de posicionamentos. O economista jamais foi filiado a partido político e a sua única atuação na política foi quando participou da elaboração do plano de governo do ex-ministro Guilherme Afif Domingos durante a campanha presidencial de 1989.

O economista, de posições liberais no campo econômico, tem sido defensor da privatização das estatais brasileiras, da reforma tributária e da reforma da previdência. Além disso, em sua coluna no jornal O Globo, Guedes tem sido crítico da política brasileira atual e tem destacado a Operação Lava Jato como referência no combate a corrupção

Anthony Garotinho fora da prisão: alegria para uns, preocupação para outros

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A saída da prisão do ex-governador Anthony Garotinho certamente terá o duplo efeito de alegrar seus familiares e seguidores políticos e de irritar profundamente os seus muito adversários. É que Anthony Garotinho é do mesmo tipo de animal político como outros personagens da política brasileira que possuem a capacidade de criar sentimentos diametralmente opostos. Ainda que mantendo as devidas proporções, apenas o ex-presidente Lula parece possuir capacidade similar neste quesito.

Além disso, Anthony Garotinho é o tipo de pessoa que não perde a oportunidade de promover suas ideias com uma forma particularmente fervorosa de ser. Por isso mesmo, poucas horas depois de sua prisão ele já estava concedendo uma entrevista acerca dos inimigos políticos mais conhecidos, a começar pelo ex (des) governador Sérgio Cabral e as Organizações Globo.

O fato é que se fosse qualquer outra pessoa, Anthony Garotinho voltaria para casa para aproveitar as festas de fim de ano de forma calma e recatada com sua família. Mas não, como o animal político que é Anthony Garotinho já sabe que sua libertação da forma que se deu, sem inclusive ter que seguir qualquer das medidas cautelares que draconianamente têm sido impostas por segmentos da justiça brasileira, o habilita a partir para o ataque de forma clara e direta. E foi isso o que ele começou a fazer já na noite de ontem. Aliás, como também fez Lula após o famoso interrogatório no Aeroporto de Congonhas no início do ano passado.

Pesa contra Anthony Garotinho o fato de que ele está claramente isolado e sem aliados políticos com capacidade de pensar estratégias que permitam justamente retirá-lo da posição ruim em que se encontra.  Esse isolamento compromete não apenas a sua capacidade de articular seus projetos eleitorais, mas também de se manter em liberdade. É que, convenhamos, suas denúncias criaram grandes inimigos dentro do judiciário e isto o torna um alvo preferencial, com base em crimes reais ou imaginários.

No plano municipal, entretanto, é quase líquido e certo que mesmo antes do primeiro dia de 2018, Anthony Garotinho vai partir para o que pode ser o mais agudo dos seus ataques. É que aqui é que ele vem sendo mais duramente fustigado e, contraditoriamente, onde possui o potencial de embaralhar as cartas de forma mais avassaladora. Tudo isso graças à gestão desastrosa que o jovem prefeito Rafael Diniz realizou em seu primeiro ano de mandato. Como antecipei em uma mensagem anterior, agora que está livre é provável que Anthony Garotinho venha a Campos dos Goytacazes (note-se que até isso foi liberado após a sentença do Ministro Gilmar Mendes) para ser carregado em volta olímpica.

Por isso é que tenho a clara sensação de que Gilmar Mendes pode até ter feito o Natal da família Garotinho mais feliz, mas que jogou muita água no champanhe dos seus inimigos que contavam com sua permanência na prisão e agora vão ter que aturá-lo atuando de forma livre, leve e solta. Haja preocupação!

Organizações Globo e a sua síndrome do Flautista de Hamelin

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O Flautista de Hamelin é um conto folclórico, reescrito pela primeira vez pelos Irmãos Grimm e que narra um desastre incomum acontecido na cidade de Hamelin, na Alemanha, em 26 de junho de 1284, que estava sofrendo com uma infestação de ratos. Um dia, chega à cidade um homem que reivindica ser um “caçador de ratos” dizendo ter a solução para o problema. Prometeram-lhe um bom pagamento em troca dos ratos – uma moeda pela cabeça de cada um. O homem aceitou o acordo, pegou uma flauta e hipnotizou os ratos, afogando-os no Rio Weser. 

Apesar de obter sucesso, o povo da cidade esqueceu  da promessa feita e recusou-se a pagar o “caçador de ratos”, afirmando que ele não havia apresentado as cabeças. O homem deixou a cidade, mas retornou várias semanas depois e, enquanto os habitantes estavam na igreja, tocou novamente sua flauta, atraindo desta vez as crianças de Hamelin. Cento e trinta meninos e meninas seguiram-no para fora da cidade, onde foram enfeitiçados e trancados em uma caverna. Na cidade, só ficaram opulentos habitantes e repletos celeiros e bem cheias despensas, protegidas por sólidas muralhas e um imenso manto de silêncio e tristeza.  

Fecha o pano em Hamelin.

Agora, cheguemos ao Brasil e presenciemos o espetáculo diário que a TV Globo está realizando para enfeitiçar os brasileiros, tendo como mote as propinas e as verbas ilegais de campanha pagas pela empreiteira Odebrecht.  Ainda que não tenhamos solicitado esse serviço que se apresenta como de limpeza dos ratos da política nacional, a família Marinho insiste em tentar hipinotizar com seus “jornalistas” e intelectuais homologados.

Antes que eu me estenda muito sobre mais esse ato da família Marinho contra a frágil democracia brasileira, quero compartilhar uma indagação com os leitores deste blog: quem é que está realmente surpreso com as revelações acerca das relações íntimas entre as empreiteiras e a maioria dos partidos brasileiros? É que desde que se começou a liberar as contas de campanha, sabemos que todas as empreiteiras, começando pela Odebrecht, sempre investiram pesado nos seus candidatos. E, mais, que a influência das corporações não se resumia a elas, pois empresas como a Vale também colocavam fortunas para garantir que teriam a devida contrapartida na hora de se formular leis ou de afrouxar as existentes.

E mais, quem ainda não leu o livro “Brazilionnaires” do jornalista Alex Cuadros (Aqui!) pode até se surpreender, mas o chefão da Odebrecht, Emílio Odebrecht, já nos deu a pista. O  esquema de financiamento ilegal de partidos é algo que começou há mais de três décadas. Aliás, começou durante o regime militar de 1964!

E se mais gente ler o livro de Alex Cuadros, maior será a consciência de que as investidas dessas corporações não tem se restringido ao legislativo e executivo, mas também atingem o judiciário e, tchã tchã, a mídia corporativa! Em outras palavras, parte da explicação para a decisão da TV Globo de se comportar como um tipo de Flautista de Hamelin midiático é a simples necessidade de se afastar do fogaréu. Se tomarmos o exemplo do Rio de Janeiro onde a família Marinho deu completa cobertura aos (des)governos do PMDB, é óbvia a necessidade de lançar todos às chamas para que sejam esquecidos os investimentos gastos com “publicidade” .que propiciaram injeções milionárias na Rede Globo pelo hoje ex (des) governador e atual presidiário Sérgio Cabral.

Desta forma, em vez de se ficar prestando atenção nas encenações da família Marinho é partir para o fortalecimento de instâncias autônomas de ação política, incluindo partidos de esquerda, sindicatos e movimentos sociais. Com isso, talvez nos livremos não apenas de uma democracia tutelada pelas corporações, mas também das ações de encantamento da mídia corporativa cujo único objetivo é manter a nossa sociedade completamente alienada.

 

Um Atletiba histórico e olha que a bola nem rolou

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Afinal dois clubes brasileiros tiveram a coragem de peitar o monopólio quase total das Organizações Globo e a tirania de uma federação estadual. De quebra ainda anunciaram a chegada das transmissões ao vivo e gratuito pelos seus canais nas redes sociais, no caso pelo Facebook e pelo Youtube. Falo aqui do Clube Atlético Paranaense e do Coritiba Futebol Clube.

A história toda começou quando as duas diretorias não aceitou uma proposta que seus membros consideraram absurda e decidiram pela transmissão gratuita. Daí entrou a Federação Paranense de Futebol que decidiu impedir os usos das câmeras dos clubes, o que terminou na suspensão da partida.

Em uma cena quase impensável em tempos normais, as duas equipes retornaram ao campo da Arena da Baixada e saudaram os torcedores presentes antes de se retirarem definitivamente para o vestiário.

Essa situação é inusitada, pois a maioria dos clubes vive cheia de dívidas e seus dirigentes acabam aceitando qualquer migalha da Rede Globo.  E o que deverá preocupar tanto a família Marinho como as federações que controlam os campeonatos estuduais é o tipo de sinalização que está sendo dado por dois clubes históricos e com forte apelo popular.

E nisso tudo o que se vê é que as transmissões via redes sociais são a grande ameaça ao monopólio que a mídia corporativa detém sobre o futebol. Um viva para as redes sociais, para Atlético Paranaense e para o Coritiba!

Ultraricos brasileiros condenam Bolsa Família enquanto guardam dinheiro em paraísos fiscais

A erupção de mais um vazamento de dados privilegiados sobre donos de empresas offshore, agora nas Bahamas, revela um dos segredos mais conhecidos dos ultraricos brasileiros. É que enquanto abominam a distribuição de parcos recursos aos mais pobres via políticas sociais, esse segmento privilegiado em todos os sentidos guarda suas fortunas em empresas offshore, longe dos braços da Receita Federal.

No caso do chamado conhecido como “Bahama Leaks“, o  jornalista Fernando Rodrigues está divulgando os nomes de detentores de empresas cuja finalidade não pode ser outra a não ser gerenciar recursos que são enviados ou obtidos fora do Brasil, sabe-se-lá-como e sob quais condições (Aqui!).

E os nomes que aparecem incluem banqueiros, donos de empresas como a Grendene e o Grupo Ultra e, por que não, os donos da Rede Globo (ver figura logo abaixo). Em comum todos esses personagens tem as suas vidas privilegiadas que transcorrem em condições nababescas, enquanto milhões de brasileiros sofrem cotidianamente para ter um mínimo de dignidade em suas existências.

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A revelação dessas empresas secretas num paraíso fiscal ocorre exatamente no mesmo momento em que o governo de facto de Michel Temer ameaça entregar empresas estatais a preço de banana, dar praticamente de presente o petróleo da camada Pré-Sal às petroleiras estrangeiras, e cometer profundos ataques aos direitos sociais e trabalhistas.

Essa situação de total descalabro explicita de forma cabal como os ultraricos brasileiros operam para nos manter como uma das sociedades mais desiguais do planeta. 

Resta saber até quando a paciência dos mais pobres com essa situação toda vai durar. Mas que ninguém se surpreenda se não durar muito. É que informações da natureza que está sendo desvelada pelas revelações do “Bahama Leaks” não ficam mais sob o controle daqueles que, inclusive, se beneficiam desses esquemas.