Para quê e para quem Paulo Guedes quer economizar R$ 1 trilhão com a contrarreforma da Previdência?

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A quem e a quê serve  a contrarreforma da Previdência de Paulo Guedes?

O dublê de operador do mercado financeiro e minstro da Fazenda, Paulo Guedes, alardeia aos quatro ventos que sua proposta de contrarreforma da Previdência objetiva economizar R$ 1 trilhão em 10 anos

O que falta o Sr. Paulo Guedes dizer é para que ele quer economizar e quem se beneficiará com essa “economia” que sua contrarreforma alcançaria.

Essa são questões chaves, pois já se sabe que os mais pobres (especialmente as mulheres) serão os perdedores primários, perdas essas que se esprairão por estados e municípios, pois pensões e aposentadorias são ferramentas básicas de dinamização econômica.

Pela toada que andam as coisas, a dita capitalização que se tornará o principal cavalo de batalha dos esforços de Paulo Guedes porque o objetivo último desta contrareeforma é privatizar os recursos que os trabalhadores adquirem em função de décadas de labuta em ocupações nas quais muitos do que defendem este modelo de privatização de pensões e aposentadorias não aguentariam trabalhar um dia sequer.

E aí fica ainda mais necessário que os porta-vozes do governo Bolsonaro respondam de forma clara a quê e a quem serve essa contrarreforma.

Cai Vélez, entra Weintraub no MEC: os donos de corporações de ensino privado têm milhões de razões para celebrar

Sergio Zacchi / Valor

Novo ministro da Educação, Abraham Weintraub, é um dos autores da proposta da reforma da Previdência e já ocupava o cargo de secretário-executivo da Casa Civil.

A queda antecipada do ministro da Educação Ricardo Vélez Rodriguez finalmente ocorreu nesta segunda-feira (08/04) colocando fim a uma gestão desastrosa que durou menos de 100 dias. Para o seu lugar, o presidente Jair Bolsonaro indicou o professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Abraham Weintraub (ver imagem do tweet abaixo).

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Um primeiro detalhe sobre o professor Abraham Weintraub é que, ao contrário do informado pelo presidente Bolsonaro, a titulação máxima alcançada por ele, segundo a última atualização realizada em 07/03/2017, foi a de Mestre e, Administração  pela  Fundação Getúlio Vargas, sob o sugestivo título de “The Performance of Open -end Brazilian Fixed Income Mutual Funds for Retail Clients“, que parece estar mais relacionada à operações no sistema de fundos mútuos do que com os bancos de escola. Aliás, há que se notar que os 4 artigos científicos do constam do CV Lattes estão na área previdenciária.

 

Segundo o que já apurei no blog do Esmael, Abraham Weintraub atuou no mercado financeiro por mais de 20 anos, e na iniciativa privada trabalhou no Banco Votorantim por 18 anos, onde foi economista-chefe e diretor,  tendo ainda sido sócio na Quest Investimentos.

Ao que parece, da alegada refrega entre seguidores de Olavo de Carvalho e a ala militar, Jair Bolsonaro optou por uma decisão Salomônica que deverá desagradar a ambos os lados, nomeando um especialista ligado mais ao rentismo do que à Educação. Com isso, os donos das corporações de ensino como a Estácio de Sá, Kroton e Unip devem estar radiantes. Já os professores e estudantes da rede pública, estes terão certamente muito pouco a celebrar.

Há ainda que se mencionar que Abraham Weintraub já estava no governo, Bolsonaro, ocupando o cargo de secretário-executivo da Casa Civil.  Ele e o irmão, Arthur, fizeram parte da equipe de transição, e são autores de uma proposta de reforma da Previdência que prevê o regime de capitalização. 

Mais informações sobre o agora ministro Abraham Wintraub no elucidativo vídeo que segue logo abaixo, e foi produzido pelo filósofo Paulo Ghiraldelli Júnior, professor aposentado da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e atualmente  pesquisador do Centro de Estudos em Filosofia Americana (CEFA).


P.S.- Verifiquei posteriormente à postagem inicial que o ministro Abraham Weintraub é ligado ao menos em tese ao ideário de Olavo de Carvalho. Isso deverá deixar apenas a ala militar mais em desagrado com a condição reinante do Ministério da Educação (MEC). Vale conferir o que virá pela frente, pois o MEC já se tornou o pomo da discórdia dentro e fora do governo Bolsonaro. Fato esse, aliás, mais do que previsível.

Deputado Zeca Dirceu sintetiza o governo Bolsonaro: tigrão com os pobres e tchutchuca para os ricos

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Deputado Zeca Dirceu (PT/PR) afirmou que ministro Paulo Guedes seria “tigrão” contra os pobres e “tchutchuca” com os ricos durante sessão da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal. 

O deputado federal Zeca Dirceu (PT/PR) usou uma metáfora para provocar com sucesso o ministro da Fazenda,  Paulo Guedes, ao dizer que o idealizador da reforma da previdência seria  “tigrão” com os pobres e “tchutchuca” com as elites (ver vídeo abaixo da fala do deputado paranaense na sessão da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal que ocorreu nesta 4a feira).

A metáfora que irritou o ministro da Fazenda pode ser estendida a todo o governo Bolsonaro, na medida em que até agora não se viu nada que fosse feito para minimizar o sofrimento dos mais de 30 milhões de brasileiros que hoje se encontram desempregados.

Aliás, a irritação de Paulo Guedes é outra expressão de um governo marcado por uma sucessão impressionante de trapalhadas que estão colocando em risco boa parte das relações comerciais que foram construídas nas últimas décadas, e que poderão piorar ainda mais a grave crise social, econômica e política em que o Brasil está imerso.

Agora, irritado mesmo o ministro da Fazenda ficaria se tivesse que viver com as minguadas aposentadorias que ele e sua equipe querem impor aos trabalhadores brasileiros.  Aí certamente não precisaria nem usar a metáfora usada por Zeca Dirceu.

 

A guerra dos robôs bolsonaristas contra a previdência social

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Enquanto manifestações (umas grandes e outras nem tanto) aconteciam pelo Brasil para protestar contra a reforma da previdência proposta pelo governo ultraneoliberal de Jair Bolsonaro, uma verdadeira guerra acontecia nas redes sociais entre os apoiadores e adversários do pacote previdenciário.

O que muitos dos oponentes não sabiam é que estavam tomando parte de uma luta internacional contra um exército de robôs que foram contratados provavelmente por aqueles que têm mais a ganhar com a quebra do modelo de previdência pública e solidária que existe no Brasil para que seja implantada um que será sustentado por contribuições independentes e não solidárias, seguindo o modelo imposto no Chile pela ditadura militar de Augusto Pinochet.

Evidências da participação dessa armada internacional de robôs na defesa do modelo de previdência de capitalização (que só capitaliza realmente as instituições financeiras que vendem pacotes dessa modalidade de especulação financeira) foram divulgadas na rede social Twitter na página dos “Jornalistas Livres” que identificaram países como Bielorússia, Vietnã e Israel como os locais de onde a defesa da chamada “novaprevidência” aparecia no topo dos assuntos mais abordados, os famosos “trending topics” (ver imagem abaixo).

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Interessante seria verificar se esses países também sediaram as armadas de robôs que disseminaram tópicos como “kit gay” e “mamadeira de piroca” que tiveram grande impacto nas escolhas feitas pelo eleitorado em 2018.

É bem provável que os países que hoje se notabilizaram por sediar as armadas de robôs pró-reforma da previdência tenham sido também palco das “fake news” que turbinaram os votos em Jair Bolsonaro.

O importante aqui é notar que com a criação da internet e dos espaços que possibilitam a atuação desses robôs cibernéticos, não há país ou assunto que estejam imunes à modalidade de guerra híbrida em que nada realmente é o que parece ser. Muito menos apoios misteriosos a um pacote de reformas que destruirá a solidariedade intergeracional entre os brasileiros, apenas para aumentar ainda mais os lucros já estratosféricos que os bancos auferem às custas do suor e do sacrifício dos trabalhadores brasileiros.

Cartilha do dogmatismo e da arrogância

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Na proposta apresentada pelo presidente Jair Bolsonaro, salários dos idosos será menor que o salário mínimo.

Por Ranulfo Vidigal*

Vivemos um tempo novo, onde a economia ortodoxa vem sendo cada vez mais criticada pelas correntes heterodoxas do pensamento econômico. O mainstream assumiu, acriticamente, pressupostos, a partir do final dos anos 1980, tais como o novo consenso macroeconômico, o equilíbrio geral da economia auto regulada e os modelos de crescimento endógeno.

Neste contexto surgem críticas contundentes sobre o uso descontrolado da matemática e a necessidade da análise para escapar dos mundos imaginários perfeitos e sem contradições.

Outro ponto relevante é a completa ausência de pluralismo de idéias nas abordagens, considerando-se o grau de complexidade das sociedades no mundo atual. Nas críticas à excessiva matematização presente na teoria econômica neoclássica destacaria que, nem sempre a base axiomática corresponde ao comportamento observável dos agentes do mundo real, e nem todos os fenômenos econômicos são naturalmente quantitativos, não se prestando, assim, diretamente à exposição matematizada.

Estes cuidados devem estar sempre presentes no nosso país, desigual e injusto socialmente, cuja equipe econômica é ultra-liberal e costuma anuncia números mágicos e situações limite para casos concretos que podem gerar forte impacto na vida do cidadão comum tão sacrificado.

Peguemos como exemplo a Reforma (Redentora) da Previdência Social. Isso mexe com a vida de mais de 30 milhões de brasileiros. Ela prevê, por exemplo, que o Benefício da Prestação Continuada (BPC) sofra cortes, pague valores irrisórios e sacrifique os idosos mais pobres de nossa sociedade. O propalado déficit é um argumento farsesco, uma construção ideológica na luta pela captura do fundo público financiado por todos nós, na forma de caríssimos impostos, contribuições sociais e juros escorchantes.

Trocando em miúdos, isolar o gasto da Previdência e compará-lo com apenas uma única fonte de receita – quando existem muito mais fontes de recursos para tal e ignorar o processo recessivo e o desemprego como fatores básicos – é cometer o erro de ignorar os dispositivos constitucionais com o objetivo de enviesar o cálculo para que se chegue a uma situação deficitária que é tecnicamente incorreta. Pior é que, desse falso discurso chega-se às avaliações catastrofistas e propostas restritivas de direitos e privatizantes.

O modelo chileno imaginado como saída pelos novos gestores só trará insegurança e incerteza para a grande maioria do povo brasileiro. Lutemos pois…


Ranulfo Vidigal é Economista, consultor e doutorando pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Este texto foi originalmente publicado no Portal Viu [Aqui!]

Greve geral: o que esperam as centrais sindicais para organizar a autodefesa da classe trabalhadora brasileira?

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Desde a chamada reforma trabalhista imposta pelo governo “de facto” de Michel Temer que removeu direitos e jogou milhões de trabalhadores brasileiros na precariedade, tenho me pergutado sobre quando as centrais sindicais brasileiras irão convocar uma greve geral para deter os ataques programados pelo governo Bolsonaro.

É que passando pela contrarreforma da Previdência e a instalação da precariedade completa sob a enganosa “Carteira de Trabalho Verde Amarela”, o que está se planejando é um retrocesso que só não declara formalmente a revogação da Lei Áurea. É que se tudo passar como desejado pelo “Chicado Boy” Paulo Guedes, a regressão almejada beirará as condições que existiam para os escravos que foram trazidos da África.

Se até agora não fizeram nada, as centrais sindicais e seus dirigentes devem pelo menos ter aquele tipo de instinto para a auto sobrevivência já que as declarações de Paulo Guedes sobre o suposto “caráter fascista” da legislação dos direitos trabalhistas   na Consolidação das Leis do  Trabalho (CLT),  e a condição de meros parasitas dos dirigentes sindicais que vivem às custas dos trabalhadores, nada mais é do que uma declaração aberta de guerra não apenas aos trabalhadores, mas também aos que representam seus interesses dentro dos sindicatos.

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Ministro da Economia, Paulo Guedes,  não esconde a sua disposição de precarizar ainda mais as condições de vida dos trabalhadores brasileiros. CARL DE SOUZA / AFP

Por isso é que fico me perguntando quando os dirigentes das principais sindicais sairão do conforto em que se colocaram durante os anos de governos do PT e vão partir para uma luta encarniçada em defesa dos trabalhadores e, sim, da própria existência dos sindicatos que dizem representar.

Mas uma coisa é certa: o tempo está passando e a margem de tempo para organizar a reação está encurtando. Depois não adianta reclamar nem denunciar na Organização Internacional do Trabalho (OIT). É que o governo Bolsonaro simplesmente não parece dar a mínima bola para as leis internacionais que foram assinadas antes de janeiro de 2019.

 

Don´t cry for me Argentina

O dia de ontem foi de fortíssimos enfrentamentos na cidade de Buenos Aires: de um lado as forças policiais fortemente armadas e de outro trabalhadores e aposentados liderados pela Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT). O motivo da batalha campal do lado de fora do congresso argentino foi a tentativa do governo do presidente Maurício Macri de promover uma tunga semelhantes à pretendida por Michel Temer nas aposentadorias dos trabalhadores brasileiros (ver abaixo reprodução da capa de hoje do Página 12 [1].

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Os duros enfrentamentos dentro e fora do congresso argentino acabaram forçando a postergação da análise das propostas do governo Macri para impor uma espécie de reforma grega ao sistema de aposentadorias da Argentina.

Mas mais do que forçar o recuo do governo Macri, os acontecimentos de ontem em Buenos Aires reforçam algo que os partidos da esquerda parlamentar e a maioria dos centrais sindicais brasileira teimam em negar. É que mesmo em face da mais dura repressão, os trabalhadores argentinos atuaram de forma decisiva para impedir o saque das aposentadorias pretendido pelo governo Macri. 

Essa lição vinda da Argentina é tão poderosa que não há nada sobre os enfrentamentos de ontem nos principais veículos da mídia corporativa brasileira e internacional. Este cobertor de silêncio visa impedir a disseminação do dado exemplo dado pelos trabalhadores argentinos.

O que aconteceu ontem em Buenos Aires tem sim importantes contribuições para o debate em torno do que os trabalhadores brasileiros vão ter de fazer para impedir que a contrarreforma da previdência do governo “de facto” de Michel Temer seja finalmente aprovada em Fevereiro de 2019. E o caminho apontado pelos trabalhadores argentinos é claro: enfrentar de forma organizada quem deseja retirar direitos conquistados a duros penas, ainda que sob forte repressão policial. 

Mas por hoje há que se agradecer à disposição de luta dos trabalhadores argentino.  É que ele nos deram a lição de que em face de ataques violentos contra direitos, o único caminho é a resistência nas ruas.


[1] https://www.pagina12.com.ar/