Cartilha do dogmatismo e da arrogância

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Na proposta apresentada pelo presidente Jair Bolsonaro, salários dos idosos será menor que o salário mínimo.

Por Ranulfo Vidigal*

Vivemos um tempo novo, onde a economia ortodoxa vem sendo cada vez mais criticada pelas correntes heterodoxas do pensamento econômico. O mainstream assumiu, acriticamente, pressupostos, a partir do final dos anos 1980, tais como o novo consenso macroeconômico, o equilíbrio geral da economia auto regulada e os modelos de crescimento endógeno.

Neste contexto surgem críticas contundentes sobre o uso descontrolado da matemática e a necessidade da análise para escapar dos mundos imaginários perfeitos e sem contradições.

Outro ponto relevante é a completa ausência de pluralismo de idéias nas abordagens, considerando-se o grau de complexidade das sociedades no mundo atual. Nas críticas à excessiva matematização presente na teoria econômica neoclássica destacaria que, nem sempre a base axiomática corresponde ao comportamento observável dos agentes do mundo real, e nem todos os fenômenos econômicos são naturalmente quantitativos, não se prestando, assim, diretamente à exposição matematizada.

Estes cuidados devem estar sempre presentes no nosso país, desigual e injusto socialmente, cuja equipe econômica é ultra-liberal e costuma anuncia números mágicos e situações limite para casos concretos que podem gerar forte impacto na vida do cidadão comum tão sacrificado.

Peguemos como exemplo a Reforma (Redentora) da Previdência Social. Isso mexe com a vida de mais de 30 milhões de brasileiros. Ela prevê, por exemplo, que o Benefício da Prestação Continuada (BPC) sofra cortes, pague valores irrisórios e sacrifique os idosos mais pobres de nossa sociedade. O propalado déficit é um argumento farsesco, uma construção ideológica na luta pela captura do fundo público financiado por todos nós, na forma de caríssimos impostos, contribuições sociais e juros escorchantes.

Trocando em miúdos, isolar o gasto da Previdência e compará-lo com apenas uma única fonte de receita – quando existem muito mais fontes de recursos para tal e ignorar o processo recessivo e o desemprego como fatores básicos – é cometer o erro de ignorar os dispositivos constitucionais com o objetivo de enviesar o cálculo para que se chegue a uma situação deficitária que é tecnicamente incorreta. Pior é que, desse falso discurso chega-se às avaliações catastrofistas e propostas restritivas de direitos e privatizantes.

O modelo chileno imaginado como saída pelos novos gestores só trará insegurança e incerteza para a grande maioria do povo brasileiro. Lutemos pois…


Ranulfo Vidigal é Economista, consultor e doutorando pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Este texto foi originalmente publicado no Portal Viu [Aqui!]

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