Os patos estão se manifestando sem a camisa da CBF. Mas apesar disso continuam sendo patos

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Tenho assistido via redes sociais dezenas de manifestações pelo Brasil afora onde, aproveitando a greve dos caminhoneiros, saudosistas do regime militar de 1964 estão voltando a pedir a intervenção dos militares para que se inicie um novo regime de exceção.

Um detalhe é que nessas manifestações não mais é possível ver a predominância da camisa da CBF como elemento dominante no vestuário. Houve manifestação onde se tolerou até pessoas trajando camisas de cor vermelho, algo que seria impensável nas manifestações que deram sustentação ao golpe parlamentar contra a presidente Dilma Rousseff.

Esse detalhe não me parece fortuito, pois já está claro que a camisa da CBF já foi claramente identificada como um vestuário de “patos”. Mas os patos que não se enganem, isso não vai nem mudar a natureza deles ou, tampouco, quebrar a associação estabelecida entre eles e a camisa da CBF. Afinal, patos são patos, independente da cor da camisa que estejam usando. Simples assim!

 

Militares do golpe de 1964, anti-democráticos, mas nacionalistas? O que é isso, camarada Manuela?

Os ex-presidentes Ernesto Geisel e João Batista Figueiredo durante passagem de cargo em Brasília

A deputada estadual e candidata presidencial (ao menos por enquanto) Manuela D´Ávila deu uma entrevista à rede BBC onde desfiou algumas pérolas sobre a Amazônia e o regime militar de 1964 [1].

Ao ler o conteúdo da entrevista no capítulo referente ao regime militar de 1964,  Manuela D’Ávila soltou a seguinte pérola: “Os militares fizeram governos antidemocráticos, que perseguiram meu partido, mas tinham algumas visões mais nacionalistas que o governo atual.

A base para a alegação de Manuela D’Ávila seria de que o “ciclo (militar,  grifo meu) que trouxe a indústria para o país, por exemplo. Olhar de forma maniqueísta a história do Brasil não vai ajudar o país a sair da crise.”

Essa postura condescendente com os presidentes/ditadores parece resultar da falta de leituras por parte de Manuela D’Ávila de alguns autores que explicaram bem a política industrial do regime militar de 1964, a começar por Ruy Mauro Marini [2] e Celso Furtado [3]. É que se ela os tivesse lido, certamente saberia que não houve nada de nacionalista na ação dos militares que apearam via um golpe militar o presidente João Goulart.

Essa condescendência com os militares é especialmente surpreendente porque é uma reprodução um tanto canhestra do “rouba, mas faz” de Paulo Maluf. É que essa invocação de que os militares que exerceram o poder com lista de quem devia morrer nas mãos eram mais nacionalistas do que o governo “de facto” de Michel Temer, invocando ainda a necessidade de não se olhar a história brasileira de forma maniqueísta é uma verdadeira tragédia.

É que essa invocação traz embutida a aceitação (equivocada acima de tudo) de que em nome da industrialização é possível de alguma forma exonear o que ocorreu no Brasil entre 1964 e 1985. E, pior, para que se implantasse um modelo de industrialização que apenas poupou os países ricos de continuarem tendo dentro de suas fronteiras as indústrias mais poluentes e degradoras dos ecossistemas naturais e da saúde humana.

O interessante é que essas declarações de Manuela D´Ávila acontecem no mesmo período em que o ex-comunista Raul Jungmann declarou que a confirmação, via documentação da CIA, de que os generais/presidentes Ernesto Geisel e João Figueiredo seguravam em suas mãos os destinos de seus opositores não “afetava” o prestígio das forças armadas [4].  Só faltou Jungmann condenar o maniqueísmo de quem associasse essa confirmação a uma falta de nacionalismo por parte dos generais/presidentes que decidiram manchar suas mãos com o sangue de opositores políticos.

Mas no essencial, penso que estamos muito mal parados com esse tipo de visão sobre o papel cumprido na história recente do Brasil pelos militares durante os chamados “anos de chumbo”.  


[1] http://www.bbc.com/portuguese/brasil-44048851

[2] https://www.ifch.unicamp.br/criticamarxista/arquivos_biblioteca/artigo236merged_document_246.pdf

[3] http://www.centrocelsofurtado.org.br/arquivos/image/201111011233060.CD_edicao9_cmpleto.pdf

[4] http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,jungmann-defende-prestigio-das-forcas-armadas-e-general-fala-em-interesses-politicos,70002305043

 

A Folha de São Paulo dá pintas de que tem saudades da ditadura

Não bastasse o edital em que basicamente clamava pela repressão aos protestos contra Michel Temer (Aqui!), a Folha de São Paulo publicou hoje uma matéria (ver reprodução parcial abaixo) onde é ressuscitado o lema “Brasil ame-o ou deixe-o” que os presidentes ditadores utilizaram durante os anos de chumbo para legitimar a perseguição aos opositores do seu regime de exceção.

saudades

Alguém mais ingênuo poderia achar que os editores da Folha de São Paulo decidiram apenas fazer um “gracejo” com o velho bordão da propaganda oficial do regime militar de 1964.  Se foi isso, a coisa é de um mau gosto terrível. 

O pior é que nem Michel Temer é o Brasil e, tampouco, os que não aceitam a sua permanência no cargo para o qual não foi eleito querem deixar o Brasil.  Assim, ao usar este bordão de forma capiciosa, o pessoal da Folha de São Paulo está apenas e obviamente jogando com uma mensagem subliminar que traz conotações terríveis para quem viveu sob o regime de exceção.

Ao julgar pelo andar da carruagem e da sucessão de tiradas de mau gosto, os donos da Folha de São Paulo estão mesmo é irritados com o tamanho da reação que está acontecendo ao golpe de estado “light” do qual eles foram instrumentos importantes para vender a narrativa de que Dilma Rousseff precisava ser apeada do poder a despeito de ter sido sufragada por mais de 54 milhões de eleitores.

Mas não é a primeira vez, nem deverá ser a última, que os donos da Folha de São Paulo são levados a apoiar regimes que não possuem a chancela democrática da maioria do povo brasileiro. É que quem apoia uma ditadura como a de 1964 não se torna genuinamente democrático. Simples assim!