Ricardo Salles, um condenado por improbidade administrativa, conspurca a memória de Chico Mendes

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O líder seringueiro Chico Mendes, assassinado em 1988 por sua defesa das florestas da Amazônia, em sua casa em Xapuri no Acre.

O advogado Ricardo Salles está ministro do Meio Ambiente do governo Bolsonaro porque simplesmente a justiça brasileira não aplicou a ele os mesmos critérios usados contra, por exemplo, o ex-presidente Lula que foi impedido de assumir um cargo na governo de Dilma Rousseff.

Afora o flagrante desencontro no tratamento dado a Ricardo Salles que permanece no cargo de ministro do Meio Ambiente em que pese a sua condenação por improbidade administrativa por ter beneficiado mineradoras ao alterar mapas de uma área de proteção ambiental enquanto era secretário estadual no governo de Geraldo Alckmin (PSDB), a permanência dele no cargo é uma declaração explícita de despreocupação do governo Bolsonaro com a formulação de políticas públicas que equilibrem as demandas de crescimento econômico com a necessidade de estabelecer as devidas medidas de proteção ambiental.

Mas Ricardo Salles não parece ser daquele tipo que se detém diante da própria inaptidão para o cargo que ocupa.  Só isso explica a declaração estapafúrdia que ele fez ontem no programa “Roda Viva” quando foi perguntado sobre o que achava sobre o líder seringueiro Chico Mendes que morreu assassinado em 1988, justamente pela sua defesa das florestas amazônicas (ver vídeo abaixo).

Como pode se ouvir no vídeo, ao ser perguntado sobre o que achava sobre Chico Mendes, Ricardo Salles além de mostrar ignorância sobre algo que deveria estar na ponta da língua que foi o papel histórico cumprido pelo líder seringueiro assassinado por latifundiários, o ainda ministro do Meio Ambiente não hesitou em lançar uma acusação que ninguém já ousou proferir publicamente: Chico Mendes era um manipulador e um aproveitador. E quem foi a fonte das informações que levaram a ter esse entendimento de Chico Mendes?Obviamente, os latifundiários que não ficaram nada triste com o seu assassinato.

Não contente em conspurcar a memória de uma liderança assassinada de forma covarde já que não citou evidências factuais nem documentos, Ricardo Salles ainda resolveu dar mais um tiro em Chico Mendes ao dizer que ele é atualmente irrelevante. Dada a docilidade da banca de entrevistadores,  Ricardo Salles acabou ficando sem a devida resposta sobre quem é irrelevante na atual conjuntura histórica onde a necessidade de unir atividade econômica e preservação ambiental não apenas está e pela ciência, mas reconhecida como essencial por boa parte da humanidade.

É que, convenhamos, irrelevante será Ricardo Salles em um período de tempo que não deverá ser muito longo.  Pois como bem disse, a atleta olímpica Joanna Maranhão em sua página oficial na rede social Twitter, “se Chico Mendes é irrelevanta pra pauta ambiental, qual é a relevância de Ricardo Salles” ?

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Entretanto, há algo de positivo neste ataque de Ricardo Salles a Chico Mendes. É que diante de tamanho despautério, não há como ninguém minimamente sério querer ficar associado ao ainda ministro do Meio Ambiente. E luta que segue, até por respeito à memória de Chico Mendes e de tantos outros que tombaram por sua defesa das florestas nacionais. 

Chico Mendes, presente!

 

Tragédia em Brumadinho: o impacto do desastre na pressão feita por ruralistas para simplificar licenciamento ambiental

[O rompimento da barragem da mineradora Vale em Brumadinho (MG) – que deixou, até a última atualização, 165 mortos e 160 desaparecidos – não deve inibir os esforços do setor produtivo por mudanças que acelerem e simplifiquem o processo de licenciamento ambiental.

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Mesmo após o ocorrido em Brumadinho, mudanças no processo de licenciamento ambiental seguem na pauta – mas com propostas de regras diferentes para a mineração. REUTERS

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A pauta é uma das prioridades da indústria e do agronegócio, que argumentam haver um excesso de burocracia na liberação de licenças atravancando o desenvolvimento do país. A percepção é compartilhada pelo presidente Jair Bolsonaro e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

Já ambientalistas e acadêmicos temem que a flexibilização gere mais desastres. Eles dizem que a demora nos processos de licenciamento reflete o sucateamento de órgãos ambientais e cobram mais recursos para a área.

Um caderno de propostas para a área ambiental elaborado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) durante a eleição de 2018 defende a aprovação desse projeto “no mais curto prazo possível”.

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GETTY IMAGES. Deputado Newton Cardoso Júnior, cuja família tem investimentos no setor madeireiro, defende que fazendas de eucalipto sejam dispensadas de qualquer licenciamento quando o cultivo ocorrer em áreas rurais já consolidadas ou já degradadas pela ação humana

A “articulação política” para aprovação dessa lei também aparece como segundo ponto de uma lista de reivindicações que a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) apresentou ao ministro Ricardo Salles dia 23 de janeiro, dois dias antes do rompimento da barragem em Brumadinho.

A expectativa de Rodrigo Justus, assessor técnico de Meio Ambiente da FPA, é que as mudanças no licenciamento ambiental voltem a ser debatidas no primeiro semestre e sejam aprovadas na segunda metade do ano na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.

“O texto que hoje se encontra (em discussão no Congresso) tem um guarda-chuva para grandes empreendimentos que têm potencial poluidor, mas não tinha um capítulo específico para mineração. Com certeza isso será necessário. Eu acredito que não tem como fugir dessa discussão”, afirmou à reportagem.

Uma das principais lideranças da bancada ruralista no Congresso, o deputado Newton Cardoso Júnior (MDB-MG) tenta incluir no PL 3.729/2004 que fazendas de eucalipto sejam dispensadas de qualquer licenciamento quando o cultivo ocorrer em áreas rurais já consolidadas ou já degradadas pela ação humana. Ele argumenta que a atividade pode ter licenças simplificadas porque não apresenta riscos à vida humana como mineração ou grandes obras. Sua família tem investimentos no setor de eucalipto.

“Eu acredito que temos ambiente propício para tratar dessa matéria, mas desde que o setor mineral seja expurgado da regra (simplificada). Temos que ter um capítulo específico para o setor mineral e outro para projetos de infraestrutura que possam causar riscos para a população “, disse.

“Autolicenciamento”

O projeto de lei 3.729/2004, que já há tramita há quinze anos no Congresso, pode criar um arcabouço legal unificado para o país. Hoje, há uma lei federal que prevê quais as competências de licenciamento da União, dos Estados e dos municípios, mas não há um marco que dê diretrizes gerais a serem seguidas pelas resoluções do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) e pelas leis estaduais e municipais.

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WILL SHUTTER/CÂMARA DOS DEPUTADOS. Expectativa de assessor técnico é que as mudanças no licenciamento ambiental sejam aprovadas na segunda metade do ano na Câmara (foto) e no Senado

Entre os pontos polêmicos incluídos no projeto está a previsão da “licença ambiental por adesão e compromisso”, que possibilita uma espécie de licenciamento automático quando os impactos de determinada atividade já são conhecidos e o empreendedor se compromete com requisitos e condicionantes ambientais estabelecidos previamente pelas autoridades.

Seus defensores afirmam que ela seria aplicada apenas a atividades de baixo impacto, mas os críticos ressaltam que a proposta que vem tramitando não fixa critérios claros para essa classificação, podendo abrir uma “guerra” de flexibilização ambiental entre Estados e municípios.

O ministro Ricardo Salles tem defendido em entrevistas o “autolicenciamento”, mas sem detalhar de que forma seria aplicado.

“É lógico que o licenciamento deve ser mais rigoroso quanto maior forem os impactos previstos. O que não se pode fazer é dispensar de licença ou fazer um sistema automático como pretende a bancada ruralista”, crítica Maurício Guetta, advogado e diretor do Instituto Socioambiental (ISA).

Ele ressalta que há propostas em andando no Congresso para agilizar também o licenciamento de empreendimentos complexos de infraestrutura, como o projeto de lei do Senado 654/2015, que permite ao Poder Executivo escolher obras consideradas estratégias a serem licenciadas em prazos mais curtos.

Sua expectativa é que a tragédia de Brumadinho aumente a mobilização da sociedade contra as tentativas de flexibilizar o licenciamento. Foi por meio de um processo simplificado que a Vale obteve em dezembro autorização do governo de Minas Gerais para ampliar as atividades do complexo Paraopeba, que inclui a mina Córrego do Feijão, cuja barragem se rompeu em 25 de janeiro. Uma redução na classificação do potencial poluidor do complexo permitiu que as licenças prévia, de instalação e operação fossem avaliadas de uma única vez.

A consultora legislativa Suely Araújo, presidente do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente) no governo Michel Temer, considera que a tragédia de Brumadinho não vai impedir que o debate ocorra no Congresso. Ela entende ser possível adotar simplificações no caso de empreendimentos com riscos e impactos pequenos, desde que se preserve o rigor técnico e o controle governamental.

“Eu sou favorável à aprovação de uma lei geral de licenciamento, a questão é qual o conteúdo. Não pode virar a lei da não licença. Uma lista daquilo que não tem licença seria uma deturpação”, ressaltou.

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Entre os pontos polêmicos do projeto está a previsão da “licença ambiental por adesão e compromisso”, similar a um licenciamento automático quando os impactos de determinada atividade já forem conhecidos. REUTERS

Comunidades atingidas podem ser ignoradas

Araújo destaca também a importância de garantir que populações afetadas sejam ouvidas no processo de licenciamento, principalmente quando os impactos previstos são maiores.

Outro ponto que tem sido criticado por ambientalistas no PL 3.729/2004 é a dispensa de consulta à Funai (Fundação Nacional do Índio) quando o empreendimento em análise afetar áreas cuja delimitação de território indígena ainda está em estudo. Além disso, a bancada ruralista deseja que, nos casos de terras já reconhecidas, a opinião do órgão não seja “vinculante” (de aplicação obrigatória pela autoridade ambiental).

O texto do projeto de lei já passou por várias versões. Nenhuma delas trouxe medidas para melhorar o processo de consulta às comunidades afetadas pelas obras ou atividades econômicas durante o processo de licenciamento, crítica o professor da Escola Politécnica da USP Luis Enrique Sánchez.

“Estamos muito atrás de outros países nessa área”, nota ele, que é autor do livro “Avaliação de Impacto Ambiental”, referência no estudo de licenciamento no Brasil.

Além da falta de pessoal e estrutura suficiente nos órgãos envolvidos, Sánchez também atribui a demora dos licenciamentos a estudos de impacto ambiental deficientes apresentados pelos empreendedores às autoridades.

“As propostas (de mudança no licenciamento) passam ao largo dessas questões e se concentram principalmente em tentativas de reduzir os prazos de resposta dos órgãos ambientais”, crítica.

Na sua avaliação, o “enfraquecimento muito grande da legislação” pode gerar ainda mais judicialização nos processos de licenciamento.

Normais estaduais já vêm sendo questionadas pela Procuradoria-Geral da República no Supremo Tribunal Federal. No próximo mês, está previsto o julgamento da constitucionalidade de uma lei do Amapá que estabelece licença ambiental única para diversas atividades econômicas. Outra ação, ainda sem previsão de julgamento, tenta cancelar a possibilidade de licença por adesão e compromisso adotada na Bahia.

Procurada pela BBC News Brasil, a Confederação Nacional da Indústria não indicou porta-voz para responder sobre as críticas ao projeto de lei apoiado pela entidade.

Por meio de nota, disse que “o setor industrial trabalha pela modernização do marco regulatório e para aumentar a segurança jurídica do processo”, medidas que considera “imprescindíveis para gerar um melhor ambiente de negócios e atrair investimentos para o país”. Na visão da CNI, isso “não significa que o licenciamento deva ser feito de maneira irresponsável”.


Esta reportagem foi originalmentre publicada pela BBC [Aqui!]

Ministro do Meio Ambiente usa Vale para justificar de desmanche da proteção ambiental no Brasil

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O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Foto: MARCELO CAMARGO/ABR

Publicado originalmente na Rede Brasil Atual

Maior acidente de trabalho do país, o rompimento da barragem da Vale no Córrego do Feijão, em Brumadinho em 25 de janeiro, já contabiliza 134 corpos resgatados. Outros 199 ainda estão perdidos em meio à lama. A tragédia humana irreparável traz também impactos ambientais incalculáveis. A mineradora, cujo presidente, Fabio Schvartsman, pediu “desculpas” na TV, é a mesma que tem metade do controle da Samarco.

Em 5 de novembro de 2015, a barragem do Fundão, em Mariana, rompeu-se, matando 19 pessoas e causando o até então maior crime ambiental da história do Brasil. Até agora, ninguém da Samarco foi responsabilizado. Das 56 multas aplicadas pelo Ibama e pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente de Minas Gerais, que totalizam R$ 610 milhões, apenas 10% foram pagas.

Para o ministro de Meio Ambiente do governo de Jair Bolsonaro (PSL), Ricardo Salles, as tragédias derivadas do

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Incidente da Vale em Brumadinho pode ter outro capítulo catastrófico

Como todo órgão de mídia (imprensa ou virtual), blogs dependem de fontes para ampliar o grau de informação que se oferece aos seus eventuais leitores. Pois bem, um leitor deste blog que é engenheiro civil, me enviou a sequência de imagens abaixo para alertar para o risco de que aquilo que ser um grande reservatório de água logo acima dos reservatórios que romperam na Mina do Feijão em Brumadinho (MG) pode estar com sua estrutura seriamente comprometida, e com grande potencial para também romper se nada emergencial for feito para impedir isso.

Vejamos então a sequência de imagens que me foram enviadas por este leitor.

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Nesta imagem tomada durante o sobrevoo do presidente Jair Bolsonaro na região do Tsulama de Brumadinho, aparece apenas um pequeno pedação da barragem.  Já na segunda imagem (ver abaixo) dá para se ver que a mesma está posicionada exatamente acima dos reservatórios que já romperam. Note ainda que há claramente infiltração de água aparecendo na base da mesma.

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Mas a dimensão do problema aparece realmente na terceira imagem, pois é nela que se pode ver o tamanho exato e sua localização em relação à área que já foi atingida pelo Tsulama da Vale em Brumadinho.

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Dado o volume de água que está contido, que não parece ser desprezível, uma eventual ruputura desta barragem não apenas ampliaria a região espacial por onde o Tsulama da Vale poderá avançar, mas poderia atingir diretamente todos os que estão enfiados na lama tentando resgatar vítimas ainda vivas e os corpos daqueles que já estão mortos.

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Pelo tamanho da barragem que ainda resiste em Brumadinho é possível verificar que a estimativa inicial da Vale de que algo em torno de 1 milhão de metros cúbicos de rejeitos havia escapado não tinha como ser verdadeira. Resta saber o que mais a empresa não está informando de forma correta, inclusive o número atualizado de 12,7 milhões de metros cúbicos.

 

O Tsulama de Brumadinho expõe o ministro do Meio Ambiente condenado por favorecer mineradoras

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O  presidente Jair Bolsonaro manteve Ricardo Salles no cargo de ministro do Meio Ambiente, apesar de sua condenação por favorecer mineradoras. O Tsulama da Vale em Brumadinho poderá mudar a situação.

Tanto o presidente da república Jair Bolsonaro e seu vice, o general Hamilton Mourão, estão tentando se desvencilhar das responsabilidades do Tsulama da Vale que irrompeu hoje no município de Brumadinho levando algo em torno de 13 milhões de metros cúbicos de rejeitos da mineração de ferro no sentido do Rio Paraopeba, um afluente do Rio São Francisco.

Em declaração à imprensa, o general Hamilton Mourão teria dito que o governo não pode ser culpado pelo rompimento da barragem em Brumadinho (MG). Segundo, a Folha de São Filho, o vice-presidente teria dito que “Essa conta não pode vir para a gente, porque nós assumimos há 30 dias“.  De quebra, Mourão teria dito que a Vale é uma empresa privada.

Mas voltando a Jair Bolsonaro, segundo informa o site UOL, ele teria criado dois gabinetes de crise para responder às consequências do Tsulama da Vale em Brumadinho, e ter ainda determinado que os ministros do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, e Minas e Energia, almirante Bento Albuquerque, e o secretário Nacional de Proteção e Defesa Civil, Alexandre Alves, se deslocassem para a região.

Ainda segundo o UOL, Jair Bolsonaro teria informado que  ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, também está a caminho de Minas Gerais para acompanhar “in loco” os desdobramentos do Tsulama da Vale em Brumadinho. E é justamente no ministro de Meio Ambiente que a porca torce o rabo.  É que Ricardo Salles foi condenado na justiça por improbidade administrativa, por ter sido considerado culpado de favorecer empresas de mineração ao alterar ilegalmente mapas de zoneamento do plano de manejo da Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Tietê, que envolve 12 municípios da região metropolitana de São Paulo, inclusive a capital.

Assim, além de ser irônico de ter um condenado por improbidade administrativa na condição de ministro do Meio Ambiente,  Jair Bolsonaro agora é obrigado a mandá-lo para, digamos, o “battle front” criado por um grave incidente ambiental causado pela maior mineradora brasileira.

Eu não me surpreenderia se Ricardo Salles acabar sendo sacrificado para tentar melhorar uma imagem que já apresenta sérios arranhões com menos de 30 dias de governo.

Enquanto Bolsonaro promete conservação em Davos, ruralistas querem destruição

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Bancada ruralista que tem a ministra da Agricultura Tereza Cristina como uma das principais lideranças pressiona o governo Bolsonaro para conseguir desmanche da legislação ambiental.

Graças ao jornalista André Trigueiro que disponibilizou o ofício abaixo em sua página oficial na rede social Twitter, podemos ver rapidamente o descompasso entre o discuso feito pelo presidente Jair Bolsonaro no Fórum Econômico de Davos e as pressões que seus aliados de primeira hora, os ruralista da Frente Parlamentar da Agropecuária (mais conhecida como bancada ruralista) já estão fazendo para estabelecer um plano de terra completamente arrasada no Brasil.

O ofício abaixo que foi enviado ao ainda ministro Ricardo Salles do Meio Ambiente deixa claro que a fome dos ruralistas é imensa, na medida em que quase todos os mecanismos existentes para a proteção de ecossistemas naturais brasileiros estão na pauta da ruenião pleiteada por eles no dia 16 de janeiro (ver imagens abaixo).

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Se depender das vontades pessoais de Ricardo Salles, também fortemente relacionado aos ruralistas, esta agenda será aplicada rapidamente, com inevitáveis e graves consequências para o meio ambiente e para a população brasileira.

A saída será divulgar amplamente o programa antifloresta dos ruralistas e mobilizar sindicatos, movimentos sociais e organizações de direitos humanos para que se crie um processo de reação a este projeto. Do contrário, os danos serão inevitáveis e profundos.

Uma nota final sobre esta “fome” dos ruralistas se refere a quem o Brasil poderá vender suas commodities agrícolas e minerais caso este processo avance. É que no exterior já estão sendo articulados movimentos de boicote aos produtos brasileiros saídos de áreas recentemente desmatadas. Quando se tiver notícia do projeto da FPA, é bem provável que o boicote árabe que está se iniciando por causa da suposta mudança embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém seja apenas o primeiro a que os ruralistas brasileiras sejam submetidos.

Ricardo Salles mira nas ONGs para acertar no meio ambiente

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Na última 2a. feira (14/01) o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, emitiu um documento determinando a suspensão da execução por 90 dias de todos os convênios e parcerias com organizações não-governamentais (ONGs) que desenvolviam projetos finaniados pelo governo federal (ver documento abaixo).

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Esta ação de Ricardo Salles tem como objetivo aparente a saúde financeira de ONGs, vistas pelo presidente Jair Bolsonaro como impecilhos à sua visão de governo. É que muitas dessas organizações sobrevivem da prestação de serviços ao governo federal, e agora ficarão sob forte estresse financeiro para continuar suas atividades.

Mas espremer financeiramente as ONGs não é realmente o alvo desse “tiro” de Ricardo Salles. É que boa parte das atividades de conservação dos ecossistemas brasileiras, especialmente os localizados na região Amazônica, dependem dos serviços prestados pelas ONGs, muitas das quais possuem “expertises” que foram há muito tempo voluntariamente terceirizadas pelo Estado. Segundo informal o jornal “Estado de São Paulo”, apenas com o congelamento dos  recursos oriundos do Fundo Clima e do Fundo Amazônia  um total de 52 projetos serão descontinuados, o que representa um risco muito grande em pelo duas grandes áreas de atuação do MMA [1].

Assim, ao suspender a execução de todos os projetos e parcerias mantidos pelo MMA, Ricardo Salles deve saber que estará descontinuando importantes ações que têm contribuído para estabelecer formas mais sustentáveis de uso dos recursos naturais brasileiros. E, pior, ao descontinuar projetos de conservação e proteção dos ecossistemas naturais, Salles está possibilitando que os setores que se opõe a um uso mais racional dos biomas brasileiros possam agir com ainda mais liberdade, o que torna o futuro imediato de várias áreas ecologicamente sensíveis bastante nebuloso.

Um aspecto que merece ser ressaltado é que este ataque às ONGs deverá causar grandes dificuldades na relação do Brasil com países como Alemanha e Noruega que são responsáveis por 98% do aporte de recursos do chamado “Fundo Amazônia” que chega a um total de US$ 1,2 bilhão [2]. É que umas condicionantes para que haja esse aporte vem a ser exatamente a diminuição do desmatamento na Amazônia. Como a suspensão dos projetos que estavam sendo executados por ONG deve ter o aumento do desmatamento como uma das repercussões mais óbvias, é muito provável que brevemente o Brasil perca boa parte dos recursos alemães e noruegueses.

Mas que ninguém se engane,  Este “tiro” de Ricardo Salles não será nem o primeiro nem  o último que virá por parte de um governo claramente antifloresta e anticonservação ambiental. E essa aparente marcha da insensatez só cessará quando começar o boicote às commodities produzidas em áreas recentemente desmatadas. Quando isso acontecer não vai adiantar a ministra Tereza Cristina convocar Gisele Bündchen para ser uma “embaixadora do agronegócio”. É que nem Gisele vai poder nos salvar. Simples assim!

Patrimônio de ministro do Meio Ambiente aumentou seis vezes quando esteve no governo Alckmin

Em 2013, Ricardo Salles foi nomeado secretário particular do governador tucano e em 2016, secretário do Meio Ambiente

 

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O ministro de Bolsonaro, que quer privatizações na pasta, tentou vender parques em SP quando era secretário do Meio Ambiente

Por Cida Oliveira

São Paulo – O ministro do Meio Ambiente de Jair Bolsonaro (PSL), Ricardo Salles (Novo), viveu seu período mais próspero a partir da entrada no governo de Geraldo Alckmin (PSDB) em São Paulo. Em março de 2013, o tucano nomeou Salles como seu secretário particular. E em julho de 2016, passou a ser o secretário estadual de Meio Ambiente. O período coincide com a multiplicação por seis de seu patrimônio. Passou de R$ 1.456.173,56, em 2012, para R$ 8.859.414,45 em 2018, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), um crescimento na ordem de 500%.

Em 2006, quando se candidatou pela primeira vez a deputado federal (PFL-SP), o fundador do movimento Endireita Brasil e ligado aos ruralistas declarou patrimônio de R$ 219.336,46.Tinha conta corrente em dois bancos, um carro popular, aplicação em renda fixa, ações da Telebras e metade de um apartamento.

Como não conseguiu votos suficientes à Câmara, quatro anos depois tentou uma vaga na Assembleia Legislativa paulista pelo DEM, mas foi novamente reprovado nas urnas. O valor total dos bens declarados em 2010 foi de R$ 2.328.000. Entre os bens, dois carros de luxo, um apartamento no valor de R$ 1.100.000 e outro de R$ 470.000, além de investimentos que podem ser conferidos no quadro no final da reportagem. 

Em 2012 chegou a se candidatar ao cargo de vereador na capital paulista pelo PSDB. Declarou bens no valor de R$ 1.456.173,56. O empobrecimento é um dos impactos de sua separação. Apesar disso, tinha um veículo off road de R$ 120.000, uma motocicleta de R$ 38.000, a parte de um apartamento e aplicações somando mais de R$ 1 milhão. No entanto, ele desistiu da candidatura. Meses depois, foi nomeado para o posto de secretário particular do então governador de São Paulo. Ficou no posto até novembro de 2014, quando pediu para sair.

Pensão alimentícia

Como secretário particular do governador, teve problemas com a Justiça. Em agosto de 2014 devia R$ 28.288, valor referente à pensão alimentícia que não foi paga ao casal de filhos pequenos. Ele tentou negociar a redução do valor, de R$ 8.000 para R$ 5.000, alegando ganhar apenas R$ 16.868 no posto no Palácio dos Bandeirantes. Apesar do pedido de prisão, do qual se livrou, só quitou a dívida com os filhos em dezembro daquele mesmo ano. Clique aqui para acessar mais informações. 

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Página de Salles no Facebook. O atual ministro teve muitos likes de amigos, congratulando a compra do barco

Advogado de poucas causas

Em fevereiro de 2015, Salles já estava trabalhando como advogado na Bueno Netto, grande empresa do setor imobiliário. O atual ministro não era um advogado atuante e a última vez que havia protocolado uma ação havia sido em 2012. Em julho, porém, foi promovido, ganhando plenos poderes para advogar em nome da Bueno Netto. O período coincide com a compra de um barco de luxo, cuja imagem compartilhou com amigos no Facebook.

Em julho de 2016 voltou a trabalhar para o governo paulista, desta vez no cargo de secretário estadual do Meio Ambiente. Ao longo dos 13 meses que comandou a pasta, adotou políticas polêmicas, como tentar vender áreas de proteção ambiental e florestais. Também mandou retirar de um parque estadual uma estátua em homenagem a Carlos Lamarca – atitude pela qual responde a processo por danos ao erário.

Também interferiu no plano de manejo da Área de Proteção Ambiental Várzea do Tietê, adulterando mapas e até a minuta de decreto para beneficiar empresários, o setor da mineração e a Fiesp. Por isso foi indiciado, processado e condenado pela Justiça paulista. A condenação inclui a perda de direitos políticos por três anos, o que torna sua posição à frente do Ministério do Meio Ambiente inconstitucional segundo jurista.

Salles ainda tomou medidas que visavam a venda ao setor privado de prédios públicos que abrigavam institutos estaduais, como o Geológico. Depois de muito desgaste para o governo Alckmin, Salles foi exonerado em agosto de 2017.

Ao candidatar-se novamente a deputado federal em 2018, pelo Novo, mais uma vez não conseguiu votos suficientes. Acabou ficando como suplente. Ao TSE, declarou bens totalizando R$ 8.859.414,45, o que inclui dois apartamentos no valor de R$ 3.000.000, ações, mútuos de privatização e investimentos em empresas emergentes e um iate de R$ 500.000, provavelmente o que ostentou nas redes sociais.

À imprensa, Salles afirmou que seu patrimônio é declarado e fruto de seu trabalho exercendo a advocacia.

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Bens declarados ao TSE em suas candidaturas mostram evolução do patrimônio nos últimos anos

FONTE:  Rede Brasil Atual [Aqui!]

 

 

Ricardo Salles viverá muitas agruras se insistir em negar o óbvio

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Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente, que foi condenado por fraudar o processo do Plano de Manejo da Área de Proteção Ambiental da Várzea do Rio Tietê, quando foi secretário estadual de SP.  Foto: Giovana Girardi/Estadão

O dublê de advogado e “agroboy” Ricardo Salles que agora virou ministro do Meio Ambiente vai aprender rapidamente que suas declarações serão constantemente checadas seja no Brasil ou no exterior. É que ser ministro do Meio Ambiente do país que contém a maior área contínua de florestas tropicais do planeta coloca o que ele disser sob uma lupa muito maior do que quando era secretário estadual de Geraldo Alckmin (PSDB/SP).

Salles usou seus primeiros dias no cargo para desqualificar a qualidade dos dados do desmatamento e secundarizar a questão das mudanças climáticas. Um exemplo disso foi uma entrevista que ele concedeu à Rádio Eldorado de São Paulo no dia de ontem (11/01) onde reafirmou em linhas gerais as mesmas declarações estapafúrdias em torno dessas duas questões centrais.

Cerca de 24 horas após essa entrevista ser veiculada, a competente jornalista, especializada em questões ambientais, Giovana Girardi produziu uma espécie de checagem acerca das declarações de Ricardo Salles acerca dos percentuais de desmatamento na Amazônia e o papel que o Brasil deverá cumprir no combate às questões resultantes das mudanças climáticas.

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O resultado dessa checagem deixa Ricardo Salles na condição de mais um ministro despido em via pública, como já está ocorrendo com o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Henrique Fraga.  Um dos desmontes mais vexaminosos das declarações de Salles se refere ao montante de desmatamento “ilegal em unidades de conservação que são desmentidas por dados oficiais.

Em outras palavras, Ricardo Salles ou não se preocupou em fazer a tal lição de casa que ele apregoa ser necessário e não leu os dados oficiais ou simplesmente decidiu brincar com a verdade e foi pego no contrapé na checagem feita por Giovana Girardi.

Quem desejar acesso a íntegra da reportagem de Giovana Girardi, basta clicar [Aqui]

Incidente ambiental em plataforma da Petrobras na Bacia de Campos coloca em xeque política de desmantelamento de órgãos ambientais

A realidade invariavelmente trata de impor sobre planos mirabolantes que este ou aquele governante tenta impor para impor suas agendas.  No caso do governo Bolsonaro, a ação para desmantelar o Ministério do Meio Ambiente e os órgãos responsáveis pela aplicação da legislação ambiental vigente tais como o IBAMA e o ICMBio.

Eis que de repente a bacia petrolífera é palco de um dos seus maiores desastres ambientais com o vazamento de óleo de uma das plataformas da Petrobras que teria causado uma mancha de 31 km de extensão.

Os danos ambientais e sociais de um único caso deverão ser amplos, bem como a busca pelas ações de reparação dos ecossistemas que serão atingidos.

Agora veremos como se comporta o nobre ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que achou que seu cargo seria uma espécie de chancelador da vontade dos ruralistas a quem ele está umbilicalmente associado. É que, se Ricardo Salles ainda não sabia, ambiente é uma coisa que não cabe nos silos de grãos das corporações multinacionais.

E como dizem os pescadores artesanais que agora estão sendo ainda mais prejudicados com esse novo incidente, o petróleo pode ser nosso, mas a mancha é deles.

Grave acidente na Bacia de Campos com mais de 31 Km de extensão

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A Petrobras confirmou ter detectado um vazamento em um dos tanques de uma plataforma no litoral do Rio de Janeiro. Em nota enviada ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, a companhia informa que o vazamento teve início na manhã desta quarta-feira (2), em uma unidade no campo de Espadarte, na Bacia de Campos, a aproximadamente 130 quilômetros da costa de Macaé, no litoral norte do Rio de Janeiro.

De acordo com a Petrobras, três embarcações atuam na dispersão da mancha, cujo volume inicial foi estimado em 1,4 mil litros de óleo cru. Segundo o Ibama, esse vazamento gerou uma mancha de 31 quilômetros no mar.

A Petrobras informou que a plataforma teve a produção interrompida em 1º de julho do ano passado, pois será desativada. A unidade foi afretada pela Petrobras e é operada pela Modec do Brasil.

Os danos ambientais são extensos e imensos. A pesca industrial e a pesca artesanal serão afetadas, gerando sérios prejuízos econômicos. Os danos à fauna marinha ainda necessitam de avaliação.

FONTE:  350.org Brasil