Ricardo Salles, um condenado por improbidade administrativa, conspurca a memória de Chico Mendes

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O líder seringueiro Chico Mendes, assassinado em 1988 por sua defesa das florestas da Amazônia, em sua casa em Xapuri no Acre.

O advogado Ricardo Salles está ministro do Meio Ambiente do governo Bolsonaro porque simplesmente a justiça brasileira não aplicou a ele os mesmos critérios usados contra, por exemplo, o ex-presidente Lula que foi impedido de assumir um cargo na governo de Dilma Rousseff.

Afora o flagrante desencontro no tratamento dado a Ricardo Salles que permanece no cargo de ministro do Meio Ambiente em que pese a sua condenação por improbidade administrativa por ter beneficiado mineradoras ao alterar mapas de uma área de proteção ambiental enquanto era secretário estadual no governo de Geraldo Alckmin (PSDB), a permanência dele no cargo é uma declaração explícita de despreocupação do governo Bolsonaro com a formulação de políticas públicas que equilibrem as demandas de crescimento econômico com a necessidade de estabelecer as devidas medidas de proteção ambiental.

Mas Ricardo Salles não parece ser daquele tipo que se detém diante da própria inaptidão para o cargo que ocupa.  Só isso explica a declaração estapafúrdia que ele fez ontem no programa “Roda Viva” quando foi perguntado sobre o que achava sobre o líder seringueiro Chico Mendes que morreu assassinado em 1988, justamente pela sua defesa das florestas amazônicas (ver vídeo abaixo).

Como pode se ouvir no vídeo, ao ser perguntado sobre o que achava sobre Chico Mendes, Ricardo Salles além de mostrar ignorância sobre algo que deveria estar na ponta da língua que foi o papel histórico cumprido pelo líder seringueiro assassinado por latifundiários, o ainda ministro do Meio Ambiente não hesitou em lançar uma acusação que ninguém já ousou proferir publicamente: Chico Mendes era um manipulador e um aproveitador. E quem foi a fonte das informações que levaram a ter esse entendimento de Chico Mendes?Obviamente, os latifundiários que não ficaram nada triste com o seu assassinato.

Não contente em conspurcar a memória de uma liderança assassinada de forma covarde já que não citou evidências factuais nem documentos, Ricardo Salles ainda resolveu dar mais um tiro em Chico Mendes ao dizer que ele é atualmente irrelevante. Dada a docilidade da banca de entrevistadores,  Ricardo Salles acabou ficando sem a devida resposta sobre quem é irrelevante na atual conjuntura histórica onde a necessidade de unir atividade econômica e preservação ambiental não apenas está e pela ciência, mas reconhecida como essencial por boa parte da humanidade.

É que, convenhamos, irrelevante será Ricardo Salles em um período de tempo que não deverá ser muito longo.  Pois como bem disse, a atleta olímpica Joanna Maranhão em sua página oficial na rede social Twitter, “se Chico Mendes é irrelevanta pra pauta ambiental, qual é a relevância de Ricardo Salles” ?

joana maranhão

Entretanto, há algo de positivo neste ataque de Ricardo Salles a Chico Mendes. É que diante de tamanho despautério, não há como ninguém minimamente sério querer ficar associado ao ainda ministro do Meio Ambiente. E luta que segue, até por respeito à memória de Chico Mendes e de tantos outros que tombaram por sua defesa das florestas nacionais. 

Chico Mendes, presente!

 

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