Ricardo Salles mira nas ONGs para acertar no meio ambiente

ricardo salles

Na última 2a. feira (14/01) o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, emitiu um documento determinando a suspensão da execução por 90 dias de todos os convênios e parcerias com organizações não-governamentais (ONGs) que desenvolviam projetos finaniados pelo governo federal (ver documento abaixo).

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Esta ação de Ricardo Salles tem como objetivo aparente a saúde financeira de ONGs, vistas pelo presidente Jair Bolsonaro como impecilhos à sua visão de governo. É que muitas dessas organizações sobrevivem da prestação de serviços ao governo federal, e agora ficarão sob forte estresse financeiro para continuar suas atividades.

Mas espremer financeiramente as ONGs não é realmente o alvo desse “tiro” de Ricardo Salles. É que boa parte das atividades de conservação dos ecossistemas brasileiras, especialmente os localizados na região Amazônica, dependem dos serviços prestados pelas ONGs, muitas das quais possuem “expertises” que foram há muito tempo voluntariamente terceirizadas pelo Estado. Segundo informal o jornal “Estado de São Paulo”, apenas com o congelamento dos  recursos oriundos do Fundo Clima e do Fundo Amazônia  um total de 52 projetos serão descontinuados, o que representa um risco muito grande em pelo duas grandes áreas de atuação do MMA [1].

Assim, ao suspender a execução de todos os projetos e parcerias mantidos pelo MMA, Ricardo Salles deve saber que estará descontinuando importantes ações que têm contribuído para estabelecer formas mais sustentáveis de uso dos recursos naturais brasileiros. E, pior, ao descontinuar projetos de conservação e proteção dos ecossistemas naturais, Salles está possibilitando que os setores que se opõe a um uso mais racional dos biomas brasileiros possam agir com ainda mais liberdade, o que torna o futuro imediato de várias áreas ecologicamente sensíveis bastante nebuloso.

Um aspecto que merece ser ressaltado é que este ataque às ONGs deverá causar grandes dificuldades na relação do Brasil com países como Alemanha e Noruega que são responsáveis por 98% do aporte de recursos do chamado “Fundo Amazônia” que chega a um total de US$ 1,2 bilhão [2]. É que umas condicionantes para que haja esse aporte vem a ser exatamente a diminuição do desmatamento na Amazônia. Como a suspensão dos projetos que estavam sendo executados por ONG deve ter o aumento do desmatamento como uma das repercussões mais óbvias, é muito provável que brevemente o Brasil perca boa parte dos recursos alemães e noruegueses.

Mas que ninguém se engane,  Este “tiro” de Ricardo Salles não será nem o primeiro nem  o último que virá por parte de um governo claramente antifloresta e anticonservação ambiental. E essa aparente marcha da insensatez só cessará quando começar o boicote às commodities produzidas em áreas recentemente desmatadas. Quando isso acontecer não vai adiantar a ministra Tereza Cristina convocar Gisele Bündchen para ser uma “embaixadora do agronegócio”. É que nem Gisele vai poder nos salvar. Simples assim!

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