O mérito dos vetos de Pezão à LDO 2017: mostrar a face real do seu (des) governo

Graças à coluna da jornalista Berenice Seara no jornal EXTRA, podemos agora ter uma confirmação (mais uma, aliás) da natureza privatista e obscurantista do (des) governo Pezão, e do porquê de estarmos enfiados numa profunda crise financeira (seletiva) no Rio de Janeiro (Aqui!).

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É que por meio deste material somos informados de cinco vetos assinados pelo (des) governador Luiz Fernando Pezão na Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2017 conforme havia sido aprovada pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj)

Quando olhados separadamente e sem a devida análise global, os vetos não parecem inicialmente tão substantivos, mas é só junta-los que podemos ter uma noção mais completa da natureza desse (des) governo.

O primeiro veto é mais do que esperado e não deve surpreender, pois Pezão vetou o artigo que determinava prioridade no pagamento do salário dos servidores ativos e inativos. É que quem ainda não pagou o salário de Dezembro ou, tampouco, o décimo terceiro salário de 2016, não iria agora se compadecer com o drama de servidores e aposentados. Já nesse primeiro caso, Pezão quer manter tudo como dantes no Quartel de Abrantes.

Já o segundo veto se refere à decisão da Alerj de limitar a concessão de novos incentivos fiscais ao valor de 1% da Receita Corrente Líquida do ano anterior. A mensagem aqui é clara: o (des) governo Pezão pretende continuar com a farra fiscal que já ceifou cerca de R$ 200 bilhões dos cofres estaduais.

Por outro lado, o terceiro e o quarto vetos têm a ver com o processo de privatização dos serviços públicos de saúde. Com o terceiro veto, Pezão quer garantir a primazia das caras e ineficientes Organizações Sociais (OSs) na prestação de serviços de saúde.  Mas esta primazia ainda virá acompanhada da continuidade da falta de transparência, pois Pezão vetou a obrigação do envio dos balancetes dos contratos com as OS a cada seis meses. Em outras palavras, as OSs vão continuar cobrando caro, sem que saibamos se o preço foi correto ou, pior, se os serviços foram efetivamente prestados. Mas a camaradagem com as OSs e com as empresas que vendem remédios ficou ainda garantida com o veto ao trecho da LDO que estabelecia que as compras de medicamentos hospitalares devessem ser, preferencialmente, pelo sistema de registro de preços. Impressionante, não?

 Agora, convenhamos se olharmos todos esses vetos de forma conjunta, qual é a mensagem do (des) governador Pezão para os servidores públicos e para a população em geral? Para mim, a mensagem é clara: às corporações privadas tudo, e aos servidores e à população o custo das generosidades cometidas com o dinheiro dos impostos.

Por essas e outras, não podemos nos enganar. O (des) governador Pezão é efetivamente o maestro de um processo de privatização do Estado, e seu compromisso é com a continuidade da crise (seletiva) que está colocando o Rio de Janeiro na iminência de um grave caos social.

Desta forma, seria uma perigosa ilusão achar que sairemos do buraco em que nos encontramos sem tomar as ruas e pressionar para que haja mudança efetiva no rumo desastroso em que estamos sendo colocados por essa sanha ultraneoliberal de sucatear o público sem obrigar que os responsáveis pela ação de monitorar os serviços prestados por entes privados tenham que entregar um mísero balancete a cada 6 meses sobre como estão usando o dinheiro dos nossos impostos.

Por último, há que se pressionar fortemente a Alerj para derrubar todos esses vetos. É que sem eles, continuaremos navegando por mares revoltos e sombrios. 

(Des) governador Pezão: da propaganda enganosa à condição de maestro do caos organizado

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Sinal de um homem com nervos de aço: enquanto o chão parece sumir dos pés da maioria dos habitantes do Rio de Janeiro por causa do caos instalado no estado, o (des) governador Pezão aproveita calmamente mais um dia ensolorado na praia.

Já ouvi todo tipo de crítica ao (des) governador Luiz Fernando Pezão, a maioria apontando para a sua inépcia e incapacidade de tirar o estado do Rio de Janeiro em que ele e seu mentor político, o ex (des) governador Sérgio Cabral,  o colocaram.

De minha parte eu tendo a considerar que as críticas que minimizam o papel jogado pelo (des) governador Luiz Fernando Pezão nessa crise são equivocadas. Afinal, ele tem sido e continua sendo uma espécie de maestro do caos organizado para privatizar aquilo que conseguir e destruir aquilo que ficar fora do seu alcance.

E, convenhamos, o (des) governador Pezão é fruto de uma forma de fazer política que muito agrada aos ricos, pois com ele a riqueza se concentra e os pobres só tomam literalmente na cabeça.

E, convenhamos, uma das características do (des) governador que quer vender a lucrativa CEDAE e impor uma tunga histórica nos salários dos servidores e aposentados fluminenses é a sua capacidade de vender peixe por lebre.  Para melhor entender essa minha afirmação, vejamos o vídeo abaixo.

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Este vídeo não existe

Se não fosse pelas redes sociais e sua memória de longa duração quem é que se lembraria dessa incrível peça de propaganda enganosa com que o então (des) governador exercício superou índices abissais de aprovação e se alçou para a vitória na corrida eleitoral de 2014? E, mais, quem é que se lembra de cobrar Pezão por esse amontoado de promessas não cumpridas? E sabem por que, porqueo o caos organizado é que ele criou sufoca e anestesia a capacidade crítica que existe no Rio de Janeiro.

Por essas e outras é que não podemos subestimar a capacidade de Pezão de desmontar o estado do Rio de Janeiro para entregá-lo às corporações privadas, locais ou globais. E, claro, aumentar ainda mais o nível de resistência aos seus planos.

Nem o sashimi escapou do esquema de lavagem de dinheiro de Sérgio Cabral?

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Em mais uma reveladora matéria do jornalista Ítalo Nogueira da sucursal Rio do jornal Folha de São Paulo ficamos agora sabendo que até o restaurante japonês Manekineko pode ter sido usado no esquema de lavagem de dinheiro comandado pelo ex (des) governador Sérgio Cabral (Aqui!).

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Se lembrarmos que Sérgio Cabral já foi apontado como possuindo um esquema semelhante de “esquentamento” de dinheiro obtido a partir da captação de propinas com grandes joalherias como a H. Stern (Aqui!).

É importante frisar que essa verdadeira rede de “lavanderias de luxo” pode ser ainda mais ampla, envolvendo outras empresas e setores de atividade, o que torna a tarefa de estimar o total lavado por Sérgio Cabral quase um exercício de imaginação.

Mas diante desse quadro de lavagem de dinheiro público é que se torna ainda mais importante que haja uma forte reação dos servidores públicos e da sociedade contra a rapina que está se montando no horizonte sob o disfarce de “ajuste fiscal”.

Na verdade, o que o Rio de Janeiro precisaria mesmo é de uma intervenção federal para que se passasse a limpo toda a dívida pública, a política de farra fiscal e os múltiplos mecanismos de lavagem de dinheiro que foram utilizados para efetivamente quebrar financeiramente o tesouro fluminense.  O problema é que não é possível contar com o presidente “de facto” Michel Temer e seu ministro/banqueiro Henrique Meirelles.

Resta assim aos servidores e seus sindicatos continuarem demandando o impeachment do (des) governador Luiz Fernando Pezão e a completa apuração de todas as ilegalidades que tenham sido cometidas por ele e seu padrinho político, o hoje aprisionado Sérgio Cabral. E depois que se puna examplarmente todos os envolvidos nos eventuais malfeitos. 

Agora, convenhamos, triste é a situação do Rio de Janeiro onde nem o pessoal que serve sashimi escapou da lavanderia de Sérgio Cabral.

Vamos salvar a Universidade do Terceiro Milênio

Por Isaac Roitman,  professor emérito da UnB, escreve artigo para o Jornal da Ciência

A Universidade do Terceiro Milênio como foi chamada por Darcy Ribeiro, que a concebeu, foi criada em 1993 como uma universidade experimental para introduzir inovações no ensino superior brasileiro em um ambiente interdisciplinar, com um corpo docente composto 100% por doutores com dedicação exclusiva. Esta universidade foi instalada na cidade de Campos dos Goytacazes, Norte do Estado do Rio de Janeiro tendo como uma das suas finalidades promover transformações sociais através da interiorização do ensino público de qualidade. Alguns frutos dessa experiência rapidamente foram colhidos. A Universidade do Norte Fluminense Darcy Ribeiro foi considerada pelo MEC entre 2007 e 2010 como uma das 15 melhores universidades brasileiras, com base no Índice Geral dos Cursos (IGC). No IGC/2011, divulgado em 2012, ela foi considerada a melhor universidade do estado do Rio de Janeiro e a 11º melhor do país. Em 2003 e em 2009 ela ganhou o Prêmio Destaque do Ano na Iniciação Científica, conferido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.

As dificuldades da UENF surgiram em outubro de 2015 com a interrupção do repasse de recursos orçamentários que acarretou no não pagamento de energia, segurança patrimonial, serviços de limpeza e manutenção, e telefonia. Estes problemas persistem até hoje e a cada dia está sendo agravado gerando insegurança em toda comunidade acadêmica. Em março de 2016 o Conselho Universitário da instituição afirmou que se os problemas persistirem o fechamento seria inevitável. Em agosto de 2016 a UENF tinha cerca de R$ 17 milhões em dívidas acumuladas e hoje ultrapassam os R$ 55 milhões de reais. A atual situação é catastrófica com atraso e parcelamento no pagamento de professores e servidores. Os salários de novembro de 2016 estão sendo parcelados em janeiro de 2017. Ninguém sabe quando serão pagos os salários de dezembro de 2016, o 13º salário e o salário de janeiro de 2017. A comunidade acadêmica sente-se humilhada, ultrajada e moralmente abalada. Servidores docentes e técnicos estão com dificuldades para manterem suas famílias e até mesmo chegar ao seu trabalho. Mesmo diante de tantas dificuldades a comunidade acadêmica continuou atuando até o final de 2016, porém há uma séria dificuldade para retornar as atividades em 2017 caso não haja uma normalização dos pagamentos de salários.

O fomento à pesquisa está totalmente interrompido, pois a Fundação de Amparo à Pesquisa Carlos Chagas Filho (Faperj) também sofre com dificuldades de repasse de verbas. Muitos estudantes perderam bolsas de estudos e os que não perderam vem recebendo os valores financeiros relativos às suas bolsas de maneira precária e sem calendário definido. Essa triste conjuntura gera sérios desdobramentos que transcendem as fronteiras estaduais. Um dos projetos na área de meio ambiente conduzidos por pesquisadores da UENF em colaboração com um grupo do Instituto Marx Planck da Alemanha, está comprometido pela falta de aporte de recursos já aprovados pela Faperj o que tem forçado os pesquisadores a tirarem recursos do próprio bolso para pequenas despesas. No entanto, para as grandes despesas essa solução doméstica é inviável. O projeto será interrompido e a credibilidade dos pesquisadores e da instituição irão pelo ralo abaixo. Outras situações semelhantes poderiam ser relatadas.  A própria segurança da universidade está comprometida. No período entre o Natal e o Ano Novo os prédios da UENF foram invadidos, roubados e vandalizados.

A Universidade do Terceiro Milênio está neste momento como um prisioneiro que seus últimos passos no corredor da morte. Temos que salvá-la. Não podemos ficar calados. É fundamental que a comunidade acadêmica e toda a sociedade brasileira se mobilizem para que a UENF atravesse sem sequelas essa tempestade de insensatez que ocorre no Brasil. A saúde financeira da UENF deve ser prontamente reestabelecida para que ela possa continuar com sua nobre e virtuosa missão. A sociedade campista e do Rio de Janeiro e de todo o país deve pressionar os governantes para que não morra o sonho de Darcy Ribeiro.  Segundo ele, “a crise da educação no Brasil não é uma crise; é um projeto”. Vamos todos combater esse projeto. É também pertinente lembrar outro pensamento desse grande brasileiro: “Só há duas opções nesta vida: se resignar ou se indignar. E eu não vou me resignar nunca.” Vamos à luta pois a causa é virtuosa. Lembremos também o pensamento de outro grande brasileiro, Oswaldo Cruz: “Não esmorecer para não desmerecer.”

* Professor emérito e coordenador do Núcleo de Estudos do Futuro da Universidade de Brasília, pesquisador emérito do CNPq, membro da Academia Brasileira de Ciências e membro do Movimento 2022 O Brasil que queremos. Foi diretor do Centro de Biociências e Biotecnologia da UENF (1995-1996).

FONTE: http://www.jornaldaciencia.org.br/edicoes/?url=http://jcnoticias.jornaldaciencia.org.br/20-vamos-salvar-a-universidade-do-terceiro-milenio/

Não ao fechamento da Uenf (ou da Uerj e da Uezo)

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As universidades estaduais do Rio de Janeiro possuem diferentes trajetórias institucionais, mas são igualmente patrimônio da população fluminense. A sua destruição representaria uma perda incalculável para as gerações presentes e futuras do nosso estado.

A atual política de asfixia financeira deliberada que está sendo impetrada pelo (des) governo Pezão contra nossas universidades estaduais é um daqueles típicos casos de crime lesa-pátria que merecem e devem receber o mais completo repúdio de todos, independente de posições políticas.

É que, acima de tudo, destruir as universidades é uma receita para que jamais tenhamos a capacidade de alcançar qualquer solução duradoura para os múltiplos desafios que estão postos no atual contexto histórico. E, com certeza, a destruição das universidades estaduais apenas contribuirá para a consolidação de uma sociedade fragmentada e descompromissada com um processo mais democrático de convivência social.

Além disso, ainda que a ilustração desta postagem seja direcionada para o caso da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), o que precisamos é superar as saídas particularistas para adotar uma ação global de defesa de nossas instituições universitárias.

Não ao fechamento da Uenf, da Uerj e da Uezo!

Fora Pezão e seu (des) governo que ameaça o nosso futuro!

O Rio de Janeiro virou a Grécia da vez?

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Acabo de ler e recado que os leitores também leiam a provocativa reflexão que o professor Roberto Moraes acaba de postar em seu blog sobre os paralelos entre o que foi feita pelo troika (FMI, Banco Central Europeu, Comissão Européia) na Grécia e o que o governo “de facto” de Michel Temer, sob a batuta do ministro/banqueiro Henriques Meirelles está tentando fazer no Rio de Janeiro.

Aos elementos de congruência identificados por Roberto Moraes, eu adicionaria ainda os custos absurdos que a Grécia e o Rio de Janeiro tiveram que arcar com o megaevento esportivo conhecido como “Jogos Olímpicos”.  Aliás, as condições de decrepitude precoce que o glorioso estádio do Maracanã enfrenta após pouco meses de sediar alguns eventos do megaevento do Comitê Olímpico Internacional (COI) encontram paralelos incríveis no que aconteceu com as instalações olímpicas construídas em Atenas.

De toda forma, quem quiser ler a postagem do prof. Moraes, basta clicar (Aqui!)

 

Reitor emite nota sobre crise que ameaça paralisar atividades na Uenf

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À Comunidade UENF,

O ano de 2016 foi extremamente difícil. Ao longo do ano, vimos as condições de funcionamento da Universidade se deteriorarem, ao ponto de encerrarmos o ano sem o pagamentos dos salários e bolsas relativos a novembro bem como o 13º salário.

No início de 2016, alertamos para a precariedade da situação no Campus (Ofício 058/16). Em meados do ano nos dirigirmos diretamente ao Governador, alertando para o problema em questão além de apontar a responsabilidade do governo sobre acontecimentos futuros, fruto da falta de repasse de recursos (Carta de 19/07/16). Ao longo do ano, buscamos descontingenciar recursos orçamentários (Ofícios 041, 124 e 126/16), bem como solicitamos a publicação no DOERJ de diversos concursos em andamento (Ofícios 106, 172 e 191/16). Também nos pronunciamos contrários aos descontos periódicos no auxilio alimentação (Ofício 186/16).

Além do Poder Executivo, também denunciamos a situação e buscamos apoio da sociedade como, por exemplo, da Câmara Municipal (Ofício 051/16) e OAB (Ofício 048/16), entre muitos outros que renderam manifestações de apoio de 23 entidades, inclusive da ALERJ (Ofício 071/16), que doou R$ 1,5 milhões para a UENF.

Também nos manifestamos junto à Defensoria Pública (Ofício 072/16), ao TCE (Ofício 147/16) e, mais recentemente, ao Ministério Público (Ofício 184/16), sempre expondo de modo muito claro a situação calamitosa em que se encontrava a Universidade.

Atuamos também para melhorar o orçamento de 2017 (Ofício 117 e 122/16) bem como buscamos por emendas parlamentares (carta de 14/12/16).

Logo no inicio de Janeiro deste ano, mais uma vez, denunciamos as consequências da grave crise que atravessamos (Ofício 03/17).

Esses são alguns exemplos das ações e correspondências enviadas. Muitas outras atividades foram desenvolvidas, no intuito de dar visibilidade à situação, bem como promover o debate. Exemplo disto foi a reunião de uma delegação do CONSUNI com a Frente Parlamentar em Defesa da UENF, oportunidade na qual entregamos carta a todos os parlamentares (Carta de 28/06/16).

Além dos constantes debates sobre o tema no COLEX e no CONSUNI, foram realizadas três reuniões ampliadas do CONSUNI. Em uma delas, foi tomada a decisão de iniciar o 1º semestre de 2016, apesar da precariedade do serviço de vigilância, que havia entrado em greve e reduzido o efetivo. Com relação à segurança, a situação só não está muito pior devido às diversas reuniões com o comado da PM e GCM, que têm colaborado com a intensificação das rondas.

Esta Reitoria sempre se pautou pelo diálogo e defesa da UENF; também em 2017 será desta forma. Já temos um CONSUNI agendado para 10/02. Certamente estará na pauta o debate sobre as condições de funcionamento da Universidade.

Luís Passoni

Reitor da UENF

Correspondência do Reitor da Uenf sobre segurança interna é testemunho vivo do descalabro reinante nas universidades estaduais

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Não sei se foi intencional ou não, mas o conteúdo da CI UENF/REIT 001 de 03 de Janeiro de 2017 que leva a assinatura do reitor da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), prof. Luís Passoni, é um testemunho vivo do descalabro em que estão atualmente imersas as universidades fluminenses em função do completo abandono pelo (des) governo Pezão (ver abaixo).

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Demonstrando grave preocupação com a segurança interna, o reitor da Uenf pede a colaboração para que os membros da comunidade universitária evitem andar desacompanhados dentro do campus Leonel Brizola e permanecer desacompanhados em seus respectivos locais de trabalho.

Se estivéssemos falando de qualquer outra repartição do estado o assunto já seria gravíssimo, mas no caso de uma universidade onde a segurança pessoal é uma pré-condição para que as atividades intelectuais sejam exercidas com um mínimo de condição, essa correspondência representa o reconhecimento de que estamos chegando próximos da inviabilização completa do seu funcionamento.

Agora, me respondam, até quando a sociedade fluminense vai tolerar o desmanche de suas universidades públicas sem que haja a devida cobrança junto aos membros do (des) governo Pezão? É que as universidades são extremamente simbólicas no sentido de que entre suas obrigações está a de gerar saídas para a crise social, econômica e política em que fomos imersos por anos de completa desconsideração com o futuro do nosso estado por parte de um grupo de (des) governantes que literalmente trataram o Palácio Guanabara como uma extensão de suas propriedades privadas.

Finalmente, ainda que eu entenda a intenção do reitor da Uenf em pedir a colaboração de quem ainda está se arriscando a comparecer ao campus Leonel Brizola sob claros riscos pessoais, me parece que o pedido está mal direcionado. Melhor seria demandar logo no Ministério Público Estadual que as condições mínimas de segurança sejam garantidas por quem criou a situação insegurança, qual seja, o (des) governador Luiz Fernando Pezão e seu (des) secretário de Ciência e Tecnologia, o Sr. Gustavo Tutuca.

Privatização do estado, esse é a verdadeira razão da capitulação de Pezão a Meirelles

A mídia corporativa está dando ampla repercussão nesta 4a .feira (11/01) aos detalhes mais simplórios das tratativas entre o (des) governo Pezão e o futuro (des) governador “de facto” do Rio de Janeiro, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

As diferentes matérias publicadas se concentram nas supostas medidas amargas que serão tomadas contra, principalmente, os servidores públicos fluminenses que deverão amargar várias formas de punição salarial e previdenciária (ver reproduções parciais das principais matérias abaixo).

Mas me desculpem pela incredulidade em relação à efetividade de quaisquer medidas restritivas aos servidores públicos estaduais do Rio de Janeiro. É que faz muito tempo que eles estão entre os piores pagos do Brasil, e o estado tem sido o que menos dispende com salários em toda a federação brasileira em termos proporcionais.

O verdadeiro alvo desta capitulação desavergonhada do (des) governo Pezão frente aos ditames draconianas do ministro/banqueiro Henrique Meirelles é entregar porções ainda maiores do estado às corporações privadas, começando pela venda a preço de banana da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (CEDAE) que lembremos é uma empresa pública que gera lucros para os cofres estaduais!

E é interessante que apenas a Folha de São Paulo esteja apresentando o calcanhar de Aquiles dessa tratativa entre Pezão e Meirelles que é a necessidade da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) aprovar a entrega dos cofres do Rio de Janeiro para Michel Temer e Henrique Meirelles operarem a seu bel prazer. E a matéria da Folha de São Paulo tem ainda a qualidade de revelar a fragilidade em que Pezão se encontra ao relatar que ele está pedindo 6 meses para aprovar a nova versão do seu pacote de Maldades na Alerj.

A pergunta que eu levanto e os jornalistas da Folha de Sâo Paulo não apresentaram é a seguinte: quem garante que Pezão ainda será o (des) governador do Rio de Janeiro em julho de 2017? Aliás, quem pode garantir que ele ainda não estará fazendo companhia a Sérgio Cabral no complexo prisional de Bangu mesmo antes que este prazo se expire? Aliás, se o Sr. Hudson Braga, que é amigo pessoal (ou pelo menos era) de Pezão, resolver fazer um acordo de delação premiada, o mais provável que a reunião dos dois principais artífices da derrocada financeira do Rio de Janeiro ocorra mais cedo do que tarde.

O central aqui, especialmente para os servidores públicos e seus sindicatos, é não se deixar distrair com manchetes que apenas tentam nos afastar do principal e concentrar energias na derrubada de Luiz Fernando Pezão. É que se ele ficar no poder e conseguir empurrar esse pacote para frente, o risco que corremos é de vermos ele próprio ou algum preposto à frente de empresas terceirizadas que controlarão porções ainda maiores do serviço público fluminense.

No apagar das luzes de 2016, TCE determinou que (des) governo Pezão adote nova metodologia para calcular o montante da farra fiscal

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Um dos aspectos mais óbvios, mas ainda assim totalmente escamoteado, sobre a crise financeira (seletiva) que assola o pobre rico estado do Rio de Janeiro é o montante de dinheiro perdido com a farra fiscal promovida pela dupla de (des) governadores Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão.

Prova disso é que em meio a todo o debate draconiano em torno do suposte ajuste que o Rio de Janeiro deverá passar para receber um pequeno alívio nas suas contas, a questão da farra fiscal sequer é citada nas matérias que trazem as declarações de Henrique Meirelles e Pezão. Parece até que a farra fiscal que engoliu quase R$ 200 bilhões de dinheiro público seque aconteceu, e que quem toca nesse assunto sofre de algum tipo de patologia de fundo neurológico.

Pois bem, não é que no apagar das luzes de 2016, o plenário do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro determinou que o (des) governo Pezão adote a a ” metodologia desenvolvida pelo Government Accouting Office (GAO) – órgão de controle externo do governo americano – para enfrentar as pressões fiscais ocorridas nos EUA na década passada”, já que a atualmente utilizada pela Secretaria de Fazenda (Sefaz) é frágil demais para fazer o cálculo correto das perdas causadas pela farra fiscal (Aqui!).

 

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O interessante é que o TCE concedeu 60 dias (o que deverá vencer no dia 12/02 para que a Sefaz refaça o seu cálculo do montante de recursos renunciados por meio da farra fiscal promovida por Sérgio Cabral e Pezão.  O problema aqui é que até lá,  Henrique Meirelles já terá se tornado o (des) governador “de facto” do Rio de Janeiro, e saber quanto foi efetivamente renunciado pouco importará para ele e seus amigos banqueiros.

Agora, convenhamos, em que pese o atraso do TCE em determinar que o (des) governo Pezão adote metodologias mais robustas de cálculo do impacto da renúncia fiscal sobre o tesouro fluminense, chega a ser vexaminoso constatar que estivemos e continuamos estando sob o controle de (des) governantes que sequer se preocuparam em calcular quanto estava sendo concedido na forma de generosidades fiscais às corporações privadas.

E depois ainda tem gente que vem defender o discurso neoliberal de que a iniciativa privada é mais eficiente do que o Estado. Queria ver como estariam estar esses empresários sem a recheadas tetas do estado do Rio de Janeiro!