Em reunião com políticos, Bolsonaro diz que é “muito difícil ser patrão no Brasil”

Ele provavelmente disse isso porque nunca teve que viver com um salário mínimo por mês.

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, durante reunião com MDB Foto: Reprodução

Em reunião com as bancadas do MDB e do PRB no dia de hoje, o presidente eleito aproveitou a ocasião a parabenizar os parlamentares que, como ele, votaram para aprovar a contra reforma trabalhista idealizada pelo presidente “de facto” Michel Temer e que causou graves retrocessos nos direitos dos trabalhadores brasileiros.

Além disso, Jair Bolsonaro aproveitou para avisar que vai aprofundar ainda mais o retrocesso contra os direitos dos trabalhadores pois, segundo ele, atualmente é “muito difícil ser patrão no Brasil” e “…o trabalhador vai ter que decidir, um pouquinho menos de direitos e emprego ou todos os direitos e desemprego.“[1]

bolsonaro patrao

Eu tenho certeza que se o presidente eleito tivesse passado um dia nos últimos 30 anos em que acumulou salário de parlamentar e militar da reserve como trabalhador ganhando salário mínimo, ele saberia melhor para quem a coisa é muito difícil no Brasil.

Mas como Jair Bolsonaro jamais teve que pisar nos sapatos de um trabalhador de salário mínimo, o mais provável é que sua agenda regressiva vá aprofundar ainda mais a já abissal diferença econômica que torna o Brasil numa das sociedades mais desiguais do planeta.

Aos trabalhadores restará aprender a lição dos coletes amarelos franceses ou se preparar para anos ainda mais perversos sob os ditames de Jair Bolsonaro e sua turma de ministros ultraneoliberais.


[1] https://economia.uol.com.br/noticias/estadao-conteudo/2018/12/04/hoje-em-dia-e-muito-dificil-ser-patrao-no-brasil-nao-ha-duvida-diz-bolsonaro.htm

Washington Post faz raio-X salarial e mostra quem é que recebe salário mínimo nos EUA

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Por Lydia DePillis

Se o governo federal elevar o salário mínimo, isto não iria ajudar a todos os trabalhadores, pelo menos de imediato. Embora a elevação do piso reverbere ao longo da escala salarial, a grande maioria dos trabalhadores já faz mais de US $ 7,25 por hora, ou porque vivem em estados que criaram a sua própria linha de base mais elevada, ou porque o seu empregador não quer ser conhecido estando tentando se apegar ao fundo do poço.

Mas nos EUA ainda existem quase 3 milhões de pessoas que receberam apenas o salário mínimo ou menos do que isso em 2014. E, graças ao Bureau of Labor Statistics (BLS), sabemos que a maioria deles é: desproporcionalmente jovem, do sexo feminino, trabalhando em regime de tempo parcial, em cadeias de restaurantes fast food nos estados do sul, e que não possuem sequer  o diploma do ensino médio.

Aqui estão algumas estatísticas liberados pelo BLS:

  •  Trabalhadores horistas com menos de 25 anos constituem um 20% do total, mas representam 50% dos que recebem apenas um salário mínimo ou menos.
  • 5% das mulheres que são horistas recebem o salário mínimo ou menos, em comparação com 3% dos homens.
  • 7% dos que não têm um diploma do ensino médio recebem apenas o salário mínimo ou menos, em comparação com os 2% dos recém-formados.
  • 10% dos trabalhadores em regime de tempo parcial recebem apenas o salário mínimo ou menos, em comparação com 2% dos funcionários em tempo integral.
  • 18% dos trabalhadores do lazer e hotelaria recebem apenas o salário mínimo ou menos, a maior percentagem de qualquer setor da indústria – predominantemente em serviços de alimentação.
  • Arkansas, Indiana, Louisiana, Mississippi e Tennessee são os estados com os maiores percentuais de trabalhadores recebendo apenas o salário mínimo entre aqueles trabalhadores pagos por hora.
  • O Sul tem 35,5 % dos trabalhadores horistas dos EUA, mas 47,4 %  daqueles que recebem valores iguais ou inferiores ao salário mínimo. O Oeste tem 23,5%  dos trabalhadores por hora, mas apenas 11,1% do que recebem o salário mínimo ou abaixo dele.

Curiosamente, embora a desigualdade de renda tenha aumentado ao longo de linhas raciais, ela realmente não aparecer na parte inferior da escada de renda: 4% dos trabalhadores horistas brancos e negros recebem o salário mínimo ou menos, em comparação com 3% dos hispânicos e asiáticos.

FONTE: http://www.washingtonpost.com/blogs/wonkblog/wp/2015/04/24/who-actually-makes-the-minimum-wage-in-america-today/?tid=sm_tw