Cariocas sofrem nos trens e o MP arquiva investigação sobre uso de helicópteros por Cabral

cabral trens

Enquanto a população carioca sofre todos os dias com os péssimos serviços prestados por concessionárias de transporte público, o MP do Rio de Janeiro acaba de arquivar uma investigação instaurada para apurar a farra dos helicópteros promovida pelo (des) governador Sérgio Cabral.

A alegação do MP é interessante: Cabral, seus familiares e até o cachorro da família devem andar de helicóptero em nome da celeridade e da segurança. O que me deixa intrigado é por que até hoje o MP do Rio de Janeiro assiste passivamente a negação cotidiana a milhões de cidadãos fluminenses a mesmo tipo de direito, em que pese os preços caríssimos que vigoram no Rio de Janeiro nos serviços de barcas, trens e ônibus,

Essa é, sem dúvida nenhuma, uma estranha noção do que vem a ser “justiça”.

Apuração sobre uso de helicóptero por Sérgio Cabral é arquivada

ITALO NOGUEIRA, DO RIO

O procurador-geral de Justiça do Rio, Marfan Martins Vieira, arquivou a investigação sobre o uso de helicópteros do Estado por parte do governador Sérgio Cabral (PMDB) e seus familiares.

De acordo com o Ministério Público, o emprego das aeronaves “se justificava por questões de segurança e otimização de tempo”. O arquivamento ocorreu no último dia 17 e ainda será analisado pelo Conselho Superior da instituição.

A investigação foi aberta após a revista “Veja” revelar que empregados pessoais do governador usavam helicópteros do Estado em viagem à casa de veraneio de Cabral, em Mangaratiba. Também voaram filhos do governador, suas babás e o cachorro da família, Juquinha.

A reportagem mostrava ainda que Cabral usava diariamente as aeronaves para deslocar-se de casa para o Palácio Guanabara, sede do governo. O trajeto tem cerca de dez quilômetros.

“O MP entendeu que o emprego de transporte aéreo se justificava, nas circunstâncias, por questões de segurança e de otimização de tempo, levando-se em conta o risco diante das medidas adotadas pela administração estadual contra o tráfico de drogas e o fato de a agenda do governador atender ao interesse coletivo”, diz nota da Promotoria.

Folha obteve cópia de parte da investigação com base na Lei de Acesso à Informação. Nas 33 páginas, que contém movimentação desde a abertura da apuração até 22 de outubro (três meses e meio de investigação), não há solicitação de planilhas de voo por parte da Promotoria. O órgão, contudo, afirma que analisou planilhas de voo.

Vieira instaurou a investigação no dia 8 de julho e enviou as reportagens ao governador, solicitando “informações pertinentes”.

A resposta veio um mês e meio depois, em 23 de agosto. O governador respondeu o que já havia dito à imprensa: que usava os helicópteros por motivo de segurança e que seus empregados e filhos só embarcaram em sua companhia. O cachorro viajara no colo de um dos filhos.

“Não gerando com isso qualquer prejuízo ao Estado”, escreveu o governador.

O Ministério Público não divulgou todos os documentos da apuração, sob o argumento de se tratar de peças de investigação.

A decisão difere do que Vieira afirmara a manifestantes em julho, quando foram à porta da Promotoria cobrar investigações, entre elas sobre o helicóptero. “Vamos colocar no site da instituição todo o desenrolar das investigações, ponto por ponto”, disse ele à época.

FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/01/1402099-apuracao-sobre-uso-de-helicoptero-por-sergio-cabral-e-arquivada.shtml

Quanto custa terceirizar serviços na UENF: o caso da segurança predial

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Primeiro a boa notícia: o campus da UENF não ficará mais sem segurança a partir do dia 26/12, como estava se prevendo a partir da demissão coletiva dos seguranças terceirizados que guarnecem o seu patrimônio todos os dias. Agora, vamos ao que diz o extrato abaixo publicado hoje no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro, e que me deixa num misto de confuso e perplexo:

1. A terceirização dos serviços de segurança parece ter custado “módicos” R$ 0.182.405,37 (trinta milhões, cento e oitenta e dois mil quatrocentos e cinco reais e trinta e sete centavos) desde 2009!

2. O atual custo mensal, salve engano meu na leitura do texto abaixo, é de “mais módicos ainda” R$ 832.092,79. 

3. Como a “força de segurança” é estimada, através dos números conhecidos de seguranças em aviso prévio, como sendo de algo em torno de 200, o custo médio de cada segurança seria de R$ 4.195,46.  Mesmo que fosse, por exemplo, de 300 seguranças, o custo seria de R$ 2.796,98, 

4. Seja qual for o valor médio, pelo que vi em alguns contracheques dos seguranças, esse custo é algo muito acima do que os seguranças recebem. Então por que um custo médio tão alto?

Agora, eu pergunto: será que sou o único a achar que esse custo é exorbitante? E por que realizar um terceiro  aditivo a um contrato de 2009 e não fazer uma nova licitação? 

O que me causa certa espécie é ter ouvido que a empresa HOPEVIG está a cinco meses sem ser paga pela UENF e ainda assim aceita uma nova aditivação.

De toda forma, para aqueles que sonham em terceirizar tudo na UENF e em outros órgãos públicos como receita para melhorar o atendimento, o custo exorbitante só desse contrato me faz perguntar como é que se pensa em ampliar e qualificar as atividades fim (seja qual forem elas dependendo do órgão que se considerar), se as atividades meio levam esse montante de orçamentos que diminuem a cada ano?

Mas aí eu entendo porque os atuais gestores da UENF implorando para que nós peçamos dinheiro nas agências de fomento. É que saindo tanto dinheiro para segurança, limpeza e manutenção predial terceirizadas, não sobra nada para ensino, pesquisa e extensão. Não é?

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SECRETARIA DE ESTADO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA
UNIVERSIDADE ESTADUAL DO NORTE FLUMINENSE DARCY RIBEIRO
EXTRATO DE TERMO ADITIVO
INSTRUMENTO: Termo Aditivo nº 03 ao Contrato nº 009/2009.
PARTES: Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro –
UENF e HOPEVIG VIGILÂNCIA E SEGURANÇA LTDA.
OBJETO: Prorrogar a vigência do Contrato nº 009/2009 pelo prazo de 06 (seis) meses e a modificação do valor contratual em decorrência de redução de seu objeto.
VALOR DO CONTRATO: O valor mensal do contrato de R$ 607.234,56 (seiscentos e sete mil duzentos e trinta e quatro reais e cinquenta e seis centavos), pelo serviço contratado foi acrescido em seis parcelas mensais de R$ 231.858,23 (duzentos e trinta e um mil oitocentos e cinquenta e oito reais e vinte e três centavos), referente
ao reajustamento contratual retroativo a novembro de 2012, bem como sua repactuação que remonta a março de 2013, passando o seu valor global a ser de R$ 30.182.405,37 (trinta milhões, cento e oitenta e dois mil quatrocentos e cinco reais e trinta e sete centavos).
ASSINATURA: 28.11.2013.
FUNDAMENTO: Processo nº E-26/052.768/2009.