No projeto de recolonização do Brasil do governo Bolsonaro, Sérgio Moro e Paulo Guedes são “a corda e a caçamba”

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Sérgio Moro e Paulo Guedes são a “corda e a caçamba” no projeto de recolonização do Brasil que o governo Bolsonaro busca implementar 

A economia capitalista caminha a passos largos para uma grave crise financeira, causada por uma série de fatores, entre os quais se destaca a voracidade dos bancos em gerar ganhos para uma camada de rentistas que vampiriza os segmentos produtivos e a classe trabalhadora em prol de um fantástico processo acumulação de riqueza alheia. 

Enquanto a crise não chega, vê-se pela periferia capitalista, uma série de movimentos para retirar das economias nacionais grandes montantes de capital para passá-los para as mãos das elites globais.  Além disso, há manobras para rebaixar determinadas economias para a condição de neocolonias das grandes instituições financeiras que controlam a economia mundial, sendo o Brasil um dos países alvo para esse rebaixamento dentro da atual divisão internacional do trabalho.

Essa transformação em neocolonias não poderia se concretizar sem a ajuda interna de segmentos das elites que se comprometem com esse projeto de recolonização em troca da manutenção, ainda que mais limitada, da sua própria capacidade de se beneficiar da ciranda financeira e do rentismo.

No caso brasileiro sob a égide do governo de Jair Bolsonaro está clara a combinação entre as tentativas de recolonização e o desenvolvimento de mecanismos que permitam controlar as inevitáveis reação ao encurtamento de direitos sociais e trabalhistas que serve como elemento de suporte para essa estratégia.  Por isso, enquanto se anuncia a quase extinção das aposentadorias para a maioria da população pobre, também são anunciadas medidas que tem tudo para liberar ainda mais o aparelho repressivo do Estado para aniquilar eventuais bolsões de resistência.

Neste cenário é que as medidas propostas pelo dublê de operador do sistema financeira e ministro da Economia , Paulo Guedes, com aqueles apresentadas pelo ex-juiz federal e ministro da Justiça, Sérgio Moro.  Neste sentido, é importante frisar que esses dois ministros são provavelmente os mais fundamentais para o projeto de recolonização do Brasil, pois buscam oferecer as estruturas necessárias para uma ação combinada que, por um lado, desmantela ainda mais o setor produtivo em prol do rentismo e, por outro, estabelece medidas que se equivalem a uma espécie de “faroeste caboclo” onde a maioria pobre (e majoritariamente negra) da população brasileira passará a ser ainda mais alvo de ações sem as necessárias medidas de “comando e controle” que deveriam acompanhar as ações das forças policiais em qualquer país que se pretenda democrático.

Em meio a tudo isso, inúmeros acontecimentos demonstram que, apesar de toda a paralisia dos principais sindicatos e partidos dito de esquerda, amplos segmentos da população brasileira estão dispostos a fazer o enfrentamento necessário para impedir que voltemos em pleno Século XXI a cumprir o papel de uma neocolônia exportadora de commodities agrícolas e minerais. Em outras palavras, esqueceram de combinar com “os russos”, o que deverá tornar o ano de 2019 um particularmente agitado no contexto político brasileiro.

 

Sérgio Moro entrou por vontade própria no labirinto da família Bolsonaro. Saíra ileso?

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O juiz Sérgio Moro deve ter sido desaconselhado pelos seus verdadeiros amigos a não aceitar o papel de super ministro da Justiça do governo Bolsonaro. Mas obviamente ele não ouviu os seus bons amigos, provavelmente movido pela sede de poder e por um ego robusto, e rapidamente aceitou a tarefa de combater a corrupção dentro de um grupo político que já se sabia não era tão santo quanto seus seguidores mais fanáticos acreditavam, pois havia para começo de conversa a história da Wal do Açai para arranhar a imagem tão bem desenhada nas redes sociais [1]. Também havia a questão das tratativas imobiliárias do mesmo filho que acabou jogando Jair Bolsonaro no “limelight” (ou seria “na luz da lama”?) [2].
Agora, com o aparecimento dos problemas envolvendo o assessor/policial militar e aparente gerente de verbas obscuras, a imagem mítica vem ruindo a cada explicação mal dada, deixando o presidente eleito numa posição que beira o constrangedor (ver vídeo abaixo).


Mas pior do que o presidente eleito, está o agora ex-juiz e ainda não ministro da Justiça, Sérgio Moro. É que as apurações que desvelaram a curiosa situação do assessor de Flávio Bolsonaro, o policial militar Fabrício José Carlos de Queiroz, foi revelada por um órgão, o Coaf, que está sendo colocado sob a égide do super ministério que Sérgio Moro irá controlar, certamente com mão de ferro.
Agora que o gato (ou seria cachorro como disse Roberto Requião? [3]) da conta milionária foi colocado para fora do saco pelo Coaf, a questão que fica é de como irá se comportar Sérgio Moro que foi tão criativo para condenar líderes do Partido dos Trabalhadores. A primeira demonstração de fugir de dar explicações à imprensa não foi muito promissora em termos de continuar sendo o paladino da justiça [4].


Para Sérgio Moro a questão é complexa pois, ao contrário de muitos dos que cercam Jair Bolsonaro, ele supostamente não era membro de um partido político e foi alçado aos píncaros ao surfar na indignação contra os casos de corrupção que ocorreram no Brasil nos últimos 15 anos.
É esse envolvimento com indivíduos enrolados com a justiça que se configura na entrada de um labirinto onde se sobressai a receita explosiva que é oferecida por Jair Bolsonaro e seus filhos com cargos eletivos. Como e se Sérgio Moro conseguirá sair ileso de um labirinto onde entrou por vontade própria se tornou uma das coisas a serem observadas ao longo do tempo que o próximo governo durar.


[1] https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/08/assessora-fantasma-de-bolsonaro-continua-vendendo-acai-em-horario-de-expediente.shtml
[2]https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/01/1948527-filho-de-bolsonaro-negociou-19-imoveis-e-fez-transacoes-relampago.shtml
[3] https://www.esmaelmorais.com.br/2018/12/requiao-afirma-que-houve-cachorro-e-pede-a-cassacao-de-flavio-bolsonaro/
[4] https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,moro-evita-comentar-relatorio-do-coaf-que-cita-ex-assessores-da-familia-bolsonaro,70002637127

O ministro Sérgio Moro e a volta olímpica

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Não sei quem verdadeiramente se surpreendeu com o aceite do juiz federal Sérgio Moro para o convite feito pelo presidente eleito para ocupar o cargo de ministro da justiça.  Eu não me incluo entre os surpresos, podem crer.

Mas sem me alongar muito, não posso deixar de mencionar que pela minha cabeça passa uma imagem futebolística que é muito simples, porém, emblemática.

O aceite de Sérgio Moro em termos futebolísticos equivaleria ao juiz que expulsa o principal jogador do time adversário, proíbe até que ele fique nas cercanias do estádio, e depois de ser carregado na volta olímpica quando o time beneficiado é campeão, acaba aceitando ser o diretor de futebol do mesmo. 

É, meus caros leitores, o Brasil não é mesmo para futebolistas iniciantes.

Sérgio Moro e sua utilidade política tem data de validade prestes a expirar

As últimas estrepulias cometidas por juiz Sérgio Moro que, de férias, interferiu num processo para o qual não possuía a menor competência marcam, certamente, o fim da sua utilidade para as forças políticas e econômicas que conspiram para retornar o Brasil à condição de colônia.  Aliás, a melhor definição para as ações de Sérgio Moro  veio de Alexandre Vasilenskas,  militante do PCB/RJ: síndrome de Napoleão de hospício.

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Mas não penso que o fim da utilidade de Sérgio Moro será ditado pelo judiciário, pois ele já deu incansáveis provas de que não respeita instâncias superiores e continuou lá por Curitiba, quando não está nos EUA dando palestras ou em Portugal passando férias, fazendo das suas.

Avalio que o pano de Sérgio Moro vai cair por razões essencialmente políticas, as quais foram explicitadas pelo açodamento indevido contra o habeas corpus deferido pelo desembargador Rogério Favreto do Tribunal Regional Federal da 4a. Região. É que confrontados com uma oportunidade de ouro para defenestrar Sérgio Moro da cena política, até os inertes PT e CUT vão agora sair da sua inércia para agir politicamente. É que Sérgio Moro deu uma daquelas oportunidades imperdíveis e agora vai pagar o preço devido.

A verdade é que Sérgio Moro durou até agora porque serve a interesses maiores do que sua estatura jurídica permitiria. Saído de Maringá para a glória da Lava Jato em Curitiba, Sérgio Moro é um típico peão num tabuleiro no qual jamais chegará sequer a bispo.  Agora com seu açodamento intempestivo, pode ter atingido o seu clímax de forma imprevista. A ver!

O solta/prende o Lula e os inevitáveis impactos sobre o processo político

Este domingo prometia ser sem emoções após a eliminação do Brasil da Copa FIFA 2018 pelo time de grandalhões da Bélgica, mas não foi isso o que aconteceu. Mas emoções não faltaram no dia de hoje depois que o desembargador plantonista Rogério Favreto decidiu conceder um habeas corpus e colocar em liberdade o ex-presidente Lula (ler decisão na íntegra [Aqui!].

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A decisão do desembargador Rogério Favreto colocou em marcha uma sequência de eventos que não estão dentro das normas praticadas pela justiça brasileira. É que desde Portugal, onde goza suas férias, o juiz Sérgio Moro decidiu interferir de um juiz lotado em instância superior e, digamos, “desdecidiu” o que havia sido decidido pelo desambargador Favreto. Aqui duas esquisitices próprias dos tempos da Lava Jato. A primeira é que um servidor público em gozo de suas férias não realizo atos próprios de sua função, por estar, exatamente!, de férias. A segunda é que o juiz Sérgio Moro é a primeira instância do processo em que o ex-presidente Lula foi condenado e não pode embargar decisões de um desembargador colocado em instância superior.

Para tentar encobrir esses dois fatos do cotidiano judicial, o juiz Sérgio Moro acionou o desembargador João Pedro Gebran Neto. relator do caso do triplex do Guarujá, para invalidar a decisão de Rogério Favreto sob a alegação de que seu colega teria sido enganado pelos advogados de Lula.

Quem achava que a coisa terminaria por aí, eis que Rogério Favreto não apenas ordenou novamente a soltura de Lula, mas como também denunciou Sérgio Moro ao Conselho Nacional de Justiça e à Corregedoria do Tribunal Regional Federal 4 (TRF 4) por causa de sua interferência indevida na sua decisão de conceder um habeas corpus a Lula (ver decisão na íntegra [Aqui!].

Mas a coisa não parou por aí porque um coletivo de advogados (Advogadas e advogados pela Democracia) resolveu impetrar no TRF-4 um pedido de prisão contra o juiz Sérgio e contra o delegado da Polícia Federal Roberval Drax por suas interferências no sobrestamento da aplicação do habeas corpus concedido em favor do ex-presidente Lula [ver pedido de prisão [Aqui!].

A estas alturas do campeonato (que não é a Copa FIFA), o que menos importa é se o ex-presidente Lula será solto hoje ou não. É que todo este imbróglio serviu para expor ainda mais o caráter discricionário das decisões tomadas pelo juiz Sérgio Moro e seus colegas no TRF-4.  Esta exposição poderá ser chave nos próximos passos da campanha presidencial que sequer foi iniciada.  É que muito provavelmente toda esta chicana legal para impedir a soltura de Lula servirá para energizar a militância do PT, coisa que poderá ter um forte impacto em todo o processo de alianças que está sendo alinhavado. A ver!

Decisão do STF sinaliza que muralha de Sérgio Moro começar a vazar

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A decisão do dia de ontem em que a 2a. turma do Supremo Tribunal Federal (STF) retirou das mãos do juiz Sérgio Moro o caso do sítio do Atibaia, de suposta propriedade oculta do ex-presidente Lula, revela muito mais do que um simples movimento de colocar nas mãos de um juiz natural o andamento de um dado processo [1].

Para mim o que está sendo posto em movimento é a fritura de Sérgio Moro por causa do fiasco em que está se transformando a condenação do ex-presidente por também ser o dono oculto de um tríplex no Guarujá. É que as revelações que começaram a aparecer em cascata após a ocupação realizada no imóvel pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), a situação ficou muito periclitante para Sérgio Moro e a turma da Lava Jato de Curitiba. 

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É que, além de se mostrar de forma objetiva que o tal tríplex é muito mixuruca, a ocupação feita pelo MTST revelou a farsa das tais reformas milionárias cujas notas fiscais foram emitidas por empresas localizadas na cidade de Curitiba onde, pasmemos todos, a proprietária de uma delas é filiada ao PSDB (ver ilustração abaixo).

É muita lambança junta! Mas quem conhece, digamos, as práticas judiciais do juiz Sérgio Moro sabe que lambança é uma coisa que o acompanha desde que o bilionário caso do Banestado foi jogado fora por uma série de erros processuais pelo meritíssimo que foi alçado aos píncaros da glória pelas Organizações Globo. O detalhe é que naquele processo havia muito tucano de plumagem real envolvido, e nenhum deles acabou preso.

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Mas então como explicar esse repentino movimento da 2a. turma do STF de retirar o caso do sítio de Atibaia das mãos de Sérgio Moro e, por extensão, do TRF 4? A resposta parece simples: conter a lambança, de modo a evitar que o próprio STF seja arrastada correnteza abaixo se o caso do tríplex do Guarujá trouxer ainda mais revelações ruins sobre as entranhas do sistema judiciário brasileiro.

Eu só fico imaginando se Guilherme Boulos e o MTST sabiam o tamanho da bomba que iriam explodir quando decidiram ocupar o tríplex do Guarujá.


[1] http://painel.blogfolha.uol.com.br/2018/04/25/decisao-do-stf-pode-tirar-lula-das-maos-de-moro-e-tambem-das-do-trf-4/

O “Triplex do Lula” visto por dentro: mais escadas do que área plana

Graças à ocupação realizada pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) na manhã desta 3a feira (16/04), agora podemos ver o interior do famigerado “Triplex do Lula” que foi usado pelo juiz Sérgio Moro para colocar na prisão o ex-presidente Lula (ver vídeo abaixo).

O que chama a atenção não é apenas a simplicidade do imóvel e as múltiplas escadas, mas a ausência das fantásticas e milionárias reformas que teriam sido feitas pela empreiteira OAS em troca de favores especiais por parte do ex-presidente Lula.

O que me causa espécie é o fato de não ter sido o PT ou os advogados de Lula os primeiros a veicular um vídeo que mostrasse o interior do famoso triplex. É quase certo que se essas imagens tivessem sido mostradas antes, o ex-presidente Lula não estaria preso neste momento. É que, convenhamos, esse triplex é muito mequetrefe e, acima de tudo, impraticável para pessoas da idade de Lula.