Sérgio Moro e sua “expertise”: insider informant

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Nos EUA existe uma figura chamada de “insider informant” que vem a ser um indivíduo que dá ou providencia informações úteis a um órgão policial que esteja conduzindo investigações sobre determinadas violações da lei.  Se olharmos bem o caso do ex-juiz Sérgio Moro e sua contratação pela firma “Alvarez & Marsal“, o que temos é exatamente isso, só que a serviço dos interesses corporativos dos clientes da A&M. 

A questão aqui não é nem o montante recebido pelo ex-juiz por um ano, a generosa quantia de R$ 3,5 milhões, mas o fato de que a sua peculiar “expertise” decorreu diretamente de sua atuação como juiz (e virtual comandante) da chamada Operação Lava Jato.  Desta forma, na condição de “insider informant“, o que Sérgio Moro na prática fez foi transferir conhecimento adquirido por agências policiais e pelo sistema judiciário brasileiro para empresas transnacionais via um contrato privado com a A&M para sabe-se lá quem.

Certamente não sou o único que já viu ou ouviu Sérgio Moro tentando se manifestar na língua inglesa, demonstrando um baixo nível de proficiência na língua de William Shakespeare. Disso se depreende que ele deve ter tido o auxílio especializado na A&M para poder exercer sua “expertise”, o que amplia ainda mais a peculiaridade de suas ações profissionais na empresa.

Como já vivi nos EUA posso garantir que os salários de Sérgio Moro não são nenhum exagero para o tipo de serviço que ele prestou, pois está claro que ele transferiu conhecimento estratégico para seus empregadores.  Desta forma a questão não se refere aos valores recebidos, mas dos fatores que determinaram a sua contratação com salários que revelam a sensibilidade do trabalho realizado.

Mas qual é o moral da história? Fosse Sérgio Moro um ex-juiz estadunidense e tivesse sido contratado por uma empresa brasileira para fazer o jogo inverso, o mais provável é que não estivesse livre para pleitear cargos eletivos. Mas como é brasileiro e a empresa era estadunidense, a banda está tocando de forma bem distinta. 

Finalmente, para quem não for cego está evidente que de paladino da justiça Sérgio Moro não tem nada, tendo mais um na longa história de falsos heróis que as classes médias brasileiras abraçam para, sob a bandeira do combate à corrupção, destilar o seu ódio aos pobres.

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