Capas de revistas semanais expõe inferno astral de Sérgio Moro e da Lava Jato

Palestra Democracia, Corrupção e Justiça, no UniCEUB

O ministro Sérgio Moro e o procurador federal Deltan Dallagnol em uma palestra sobre corrupção podem estar passando da condição de caçadores para a de caça.

As capas das principais revistas semanais brasileiras trazem uma mensagem comum para o ex-juiz e atual ministro da (in) Justiça Sérgio Moro e seus companheiros procurdores da “Operação Lava Jato” e  ela parece sinalizar que não há mais flores, talvez só tenham ficado os espinhos, depois do início das revelações trazidas pelo site “The Intercept” sobre comportamentos, digamos, duvidosos em relação às apurações, julgamento e prisão do ex-presidente Lula (ver mosaico abaixo).

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A coisa fica mais complicada quando se verifica que apenas a “Carta Capital” fez oposição aos métodos de Sérgio Moro e da Lava Jato ao longo dos últimos anos, enquanto as demais ficaram mais na posição de caixas de ressonância das operações do que verdadeiros veículos jornalísticos.

O interessante é que a aparente desgraça que está se abatendo sobre Sérgio Moro e seus companheiros de jornada não se deve à ação diligente do PT, alvo preferencial das ações, pois o partido ficou por muito tempo como espectador da própria desgraça, como se estivesse realmente acreditando no sentido republicano do que a “Operação Lava Jato” dizia ter.  

Se estamos tendo agora a oportunidade de olhar as ações da Lava Jato e de Sérgio Moro a partir das palavras e interações dos próprios personagens é porque, muito provavelmente, algum agente interno resolveu mostrar as entranhas do processo todo, e jornalistas com “J” maiúsculo resolveram apurar o caso.  Esse é, aliás, um desdobramento novo na história política do Brasil, pois ao contrário dos EUA que já tiveram a queda de Richard Nixon por causa da ação de jornalistas determinados a apurar informações, o nosso jornalismo e, principalmente, os donos dos veículos da mídia corporativa nunca foram muito inclinados a apurações que comprometessem o status quo político.

Como está mais do que indicado de que vem mais coisa por aí em termos das matérias do “The Intercept”, as próximas capas poderão ser ainda mais negativas para Sérgio Moro e para os procuradores da Lava Jato. Resta saber o tamanho do dano e de como isso será traduzido em manchetes.

 

Revista Veja joga Sérgio Moro ao mar

moro bolsonaro

Sérgio Moro, em um esforço de sobrevivência, veste a camisado Flamengo durante partida realizada no estádio Mané Garrincha pelo Campeonato Brasileiro de 2019. 

A capa da nova edição da revista “Veja” deve acabar com todas as dúvidas que ainda existiam na cabeça do ex-juiz federal e atual ministro da (in)Justiça do governo Bolsonaro, Sérgio Moro, quanto ao nível de degradação da sua antes impenetrável aurea política (ver imagem abaixo).

moro ao mar

Esta capa é uma sinalização objetiva de que parte das elites brasileiras decidiu jogar Sérgio Moro ao mar onde tubarões sequiosos por sua pele e sangue o aguardam ansiosamente.

Esta minha avaliação não foi feita apenas com base na esfinge desmoronando que ornamenta a capa da edição, mas pelo uso da definição “claras transgressões” para o que o site “The Intercept” divulgou até agora, e que seus editores dizem ser uma parte desprezível do documento que lhes foi entregue.

As recentes declarações de Sérgio Moro de atacar as revelações do “The Intercept” como sendo sensacionalistas e politicamente motivadas me lembram o caso daquele paciente que sabe que está nos últimos minutos de sua vida e resolve levantar do leito de morte para dar uma bananeira na ânsia de mostrar que sua situação não é tão desesperadora quanto parece.

Algumas questões intrigantes permanecem no ar, a começar por quem de dentro da própria “Operação Lava Jato” resolveu acumular toneladas de informações indiscretas e depois repassá-las ao “The Intercept”, e termina em quem poderá ser o próximo (ou seria próxima?) ministro da (in) Justiça do governo Bolsonaro. 

As próximas dias ou semanas (a depender do ritmo de revelações do “The Intercept”) vão nos mostrar isso. Enquanto, a mídia corporativa vai tentar continuar com seu jogo de espelhos e fumaça para tentar nos convencer que os culpados são os russos. Apesar do fato de que o único “russo”  nesse imbróglio é o ainda ministro Sérgio Moro que tem tinha esse estranho apelido no grupo de procuradores da “Lava Jato”.

O ocaso da Lava Jato e a minha conversa com um jornalista alemão em 2015

dd moro

Deltan Dallagnol (nascido em Pato Branco) e Sérgio Moro (nascido em Maringá): as estrelas paranaenses de um show jurídico e midiático que se encaminha para um triste ocaso.

Em algum momento de 2015 tive a oportunidade de conversar com um jornalista de um importante veículo de imprensa da Alemanha, que visitava a cidade de Campos dos Goytacazes para realizar uma matéria sobre o Porto do Açu e as possibilidades que a sua interligação com a cadeia do petróleo e gás poderia ter para o desenvolvimento regional.

Lá pelas tantas, o jornalista alemão me perguntou sobre o que eu achava da “Operação Lava Jato” e as chances de que a mesma trazia para o fim da corrupção no Brasil.  Eu respondi de maneira educada que não via nenhuma chance da corrupção acabar no nosso país, pois o problema aqui era que a mesma fazia parte de uma estrutura social de acumulação de riqueza que já estava valendo desde que Pedro Álvares Cabral aportou nas costas da Bahia.  Disse ainda que estava intrigado com o fato de que as “asas” do pessoal da Lava Jato e do então juiz Sérgio Moro não tinham ainda sido “cortadas”. É que aquele grupo de jovens oriundos das elites paranaenses simplesmente não tinha carcaça para enfrentar o sistema político e os interesses dos grandes grupos que controlam a economia brasileira.

Passados mais de 4 anos daquela conversa, vemos se desdobrar diante dos nossos olhos algo que parece ser o ocaso da Lava Jato e da figura política do ex-juiz Sérgio Moro. Em minha opinião, além dos danos econômicos e sociais que as estrepolias jurídicas que agora estão sendo divulgadas pelo site “The Intercept“, os quais não são pequenos de forma alguma, a derrocada da Lava Jato representará a consolidação de algo óbvio: não se resolverão os problemas do Brasil pelas mãos que são parte intrínseca do problema. E, pior, com o que se fez de errado para se atingir fins supostamente corretos, arriscamos a ver a desmoralização por algum tempo de qualquer tentativa séria de diminuir o nível de corrupção dentro do nosso sistema político e empresarial.

Ah, lembro ainda que o jornalista alemão me deu um olhar estupefato quando dei minha resposta sobre as chances da Lava Jato acabar com a corrupção no Brasil. Eu imagino o que ele diria, se lesse este texto e lembrasse da nossa conversa, sobre a minha resposta se pudesse voltar àquela noite de 2015.

#VazaJato e a fonte do “The Intercept: “deep throat” ou “hacker”?

A fonte do “The Intercept” no caso da #VazaJato: Deep Throat ou Hacker?

Venho acompanhando um aspecto singular das revelações trazidas a público pelo site “The Intercept” sobre as tratativas nada republicanas entre o ex-juiz federal e ainda ministro da Justiça, Sérgio Moro, com a equipe de procuradores federais da outrora “Operação Lava Jato”, agora rebatizada de “#VazaJato”.

Falo aqui da possível fonte do que parece ser um grandioso esquema de vazamento de informações que ameaça estraçalhar com o já frágil equilíbrio político existente no Brasil.

Afinal, quem poderia ter passado um acervo que contém conversas inteiras entre o ex-juiz Moro e seus colaboradores na “#VazaJato”. Até aqui existem duas possibilidades: a primeira seria a de um informante interno que, seja lá quais foram os seus motivos, decidiu repassar ao “The Intercept” conversas, documentos, e gravações. Esse seria o modelo “Deep Throat” (ou Garganta Profunda) que se celebrizou no processo de impeachment do presidente estadunidense Richard Nixon. Anos depois soube-se que “Deep Throat” era W. Mark Felt, segundo em comando do FBI na época em que o drama seguido de impeachment ocorreu.

A segunda opção seria a de um especialista em captura de documentos na internet, o chamado hacker, que teria acessado o conjunto do material a partir de um determinado estratagema de penetração eletrônica. Essa hipótese já teria sido negada pelo pessoal do aplicativo Telegram, o qual era usado pelo ex-juiz Moro e o pessoal da #VazaJato para escapar da insegurança que muitos acham ocorrer em relação a outro aplicativo popular, o Whatsapp.

Pessoalmente acredito que o caso está mais para um serviço interno dentro da equipe da #VazaJato. Resta saber quem teria sido esse personagem. Mas uma coisa é certa: quem fez isso não agiu para beneficiar o governo Bolsonaro. É que dentro do governo Bolsonaro não há quem vá realmente ganhar com a desgraça política de Sérgio Moro e Deltan Dallagnol. Por mais que existam tensões, o fato é que Sérgio Moro e Deltan Dallagnol são peças importantes no tabuleiro e a saída deles de cena traria uma instabilidade que não seria bem vinda.

 

Três tweets de Glenn Greenwald e uma certeza: vem chumbo grosso por aí!

O jornalista Glenn Greenwald já avisou que há mais chumbo para vir para cima do ex-juiz Sérgio Moro.

O jornalista Glenn Greenwald é uma pessoa reconhecidamente habilidosa no que faz, e está resistindo às pressões de cair na tentação de sair disparando mais matérias sobre o escândalo envolvendo o juiz Sérgio Moro e os procuradores do Ministério Público Federal que encabeçam a antes conhecida operação “Lava Jato”, que se transformou em “#VazaJato” após o início da série de reportagens do site “The Intercept”.

Mas quem foi à página oficial que Glenn Greenwald na rede social Twiter poderá verificar que Greenwald não está para brincadeiras, e que possui sim muito mais chumbo para disparar nos próximos dias e semanas, e, de forma subliminar, indica parte dos próximos alvos que podem estar em sua mira.

Veja a série de tweets abaixo:

Nesses tweets não só está claro que a equipe do “The Intercept” está trabalhando cuidadosamente na produção de novas matérias e que está fazendo isso de forma judiciosa, de forma a evitar erros que seriam úteis a quem não quer mais informações sobre as estripulias de Sérgio Moro e do pessoal da “#VazaJato” cheguem ao conhecimento público.

Mas essa pequena série de tweets também apontam para o que me parece serem dois alvos básicos das reportagens que ainda não foram publicadas. O primeiro alvo é obviamente o juiz Sérgio Moro que deverá ter sua capa de paladino justiceiro ainda mais esgarçada do que já foi.

O segundo alvo é a mídia corporativa brasileira, capitaneada pelas Organizações Globo, que cumpriu o papel de avalista cega de todas as incontáveis “fases” da “#VazaJato” e dos métodos nada ortodoxos que o ex-juiz Sérgio Moro utiliza para alcançar suas finalidades.

E como bem indicam os tweets acima, o negócio é ter calma e esperar pelas próximas reportagens sem muita ansiedade ou pressa. Bom, isto, se você não for o juiz Sèrgio Moro ou o procurador Deltan Dallagnol. É que para esses a ansiedade será inescapável, principalmente se eles já tiverem lido os tweets que estão mostrados acima.

Mídia internacional dá outro banho na cobertura no caso das “indiscrições” da “#VazaJato”

Estou acompanhando desde ontem a cobertura da mídia corporativa brasileira sobre o escândalo eclodido pelo site “The Intercept” que expôs uma pequena porção de um fato material que seus editores estão de posse e que mostra a cooperação indevida e ilegal entre o ex-juiz federal e atual ministro da Justiça do governo Bolsonaro, Sérgio Moro, e os procuradores da chamada “Operação Lava Jato” para perseguir, julgar e prender o ex-presidente Lula, de modo a impedir que ele se candidatasse a presidente nas eleições presidenciais de 2018.

A primeira coisa que saltou aos olhos foi o fato de que dois dos principais veículos da mídia brasileira, os jornais “O GLOBO” e o “ESTADO DE SÃO PAULO” sequer mencionaram a eclosão do escândalo nas horas que se seguiram à publicação das reportagens do “The Intercept”. É como se as redações desses dois veículos estivessem sem jornalistas de plantão, tamanho foi o silêncio que se seguiu à divulgação das revelações baseadas em conversas realizadas entre a equipe da Lava Jato com o agora ministro Sérgio Moro, e entre eles mesmos.

Mas mesmo nesta manhã quando o caso já está sendo divulgado em grandes veículos da mídia internacional que estão colocando o problema em sua devida dimensão e gravidade. Essa postura, contudo, não é novidade e apenas repete um padrão que já ocorreu em outros momentos, onde a divulgação correta dos fatos não eram necessariamente interessante às elites brasileiras.

Jornal “Diário de Notícias” de Portugal já publicou artigo co detalhes sobre as estratégicas utilizadas por Sérgio Moro e pela equipe da Lava Jato para incriminar, julgar e prender o ex-presidente Lula.

Felizmente, como também já ocorreu nesses outros casos, a mídia internacional está ocupando o papel jornalístico que deveria estar sendo cumprido pela brasileira. Já li boas matérias nos jornais portugueses como o “Diário de Notícias” e o “Público“, o que, aliás, é bastante conveniente. De toda forma, também o El País já dedicou espaço considerável para este assunto em sua edição em português.

De toda forma, esse é um escândalo que deverá ter ampla divulgação internacional, o que poderá pressionar os donos dos jornais brasileiros a, pelo menos, tentarem dar uma cobertura minimamente isenta às revelações do “The Intercept”. A ver!

Escândalo do “#VazaJato” mostra que Telegram também não é à prova de grampos

O escândalo do “#VazaJato” mostra que como o Whatsapp, o Telegram também pode ser presa de hackers mais experientes.

Além dos procuradores do Ministério Público Federal e do ex-juiz federal e atual ministro da Justiça (sabe-se lá por quanto tempo depois das matérias bombásticas do “The Intercept), Sérgio Moro, o trabalho de Glenn Greenwald feriu a reputação do aplicativo russo Telegram.

É que tudo o que está sendo publicado foi obtido a partir da captura de conversas realizadas no Telegram que, até hoje, era tido como mais seguro que os seus concorrentes diretos Whatsapp e Signal.

O problema é que há quem diga que também o Signal tem brechas que pessoas mais treinadas também podem acessar, baixando segredos tão cabeludos como o que estão sendo divulgados pelo “The Intercept” sobre as estripulias do pessoal da Lava Jato em colaboração direta com o ministro Sérgio Moro.

Pelo jeito, o negócio vai ser retornar aos velhos do Pombo Correio ou do papo direto em algum lugar discreto.