Juiz Sérgio Moro acata denúncia inepta contra Lula. Agora só falta riscar o fósforo

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Há tempos avalio que o cerco implacável movido pela mídia corporativa e pela chamada “Operação Lava Jato” contra o ex-presidente Lula ainda poderão ter um efeito reverso, tornando-o ainda mais forte junto a setores majoritárias da população brasileira que formam o que se convenciona chamar de “maioria silenciosa”.

Agora tornado réu pelo juiz Sérgio Moro que acatou uma denúncia que até setores que opõe de forma figadal a Lula e ao PT consideraram inepta, Lula provavelmente se sentirá menos inclinado a ocupar o papel do “Lulinha paz e amor”.  É que junto com Lula, Sérgio Moro também tornou ré a sua esposa, a  senhora Mariza Letícia. Se eu conheço bem a forma de pensar de Lula, essa decisão vai ser considerada uma afronta indesculpável.

Mas deixemos um pouco Lula de lado, pois para mim o essencial é olhar para além de sua figura. Se o Brasil estivesse numa condição de completo equilíbrio e sem desemprego em massa, eu diria que esse jogo judicial que visa basicamente impor um impeachment branco a Lula passaria sem maiores transtornos. 

Entretanto, vivemos uma profunda recessão e que dá sinais de piora pelas mãos do presidente “de facto” Michel Temer e sua camarilha de ministros suspeitos de crimes muito maiores do que levaram á transformação de Lula em réu. E, pior, os planos anti-nacionais e anti-populares estão sendo aplicados a frio, sem dó nem piedade,. causando uma rápida regressão em direitos sociais, e jogando milhões de brasileiros de volta à condições das quais eles saíram pelas mãos dos governos de Lula.

Fazer a matemática do incêndio social que está sendo armado com essa mistura de discrecionarismo jurídico com regressão neoliberal não é difícil. Para mim, o  que as elites brasileiras estão fazendo é derramar muita gasolina em mato seco. E nunca dizer que só precisar alguém jogar um fósforo para um grande fogaréu começar. 

Sérgio Moro e suas múltiplas palestras nos EUA: sou só eu que acha estranho?

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A revista Veja traz na edição que chega às bancas neste final de semana mais uma daquelas edições premonitórias sobre o fim da carreira política do ex-presidente Lula. Em uma das matérias que compõe essa edição funerária há espaço para uma rápida entrevista com o juiz federal Sérgio Moro após ele conceder uma palestra em um seminário organizado pela escola de Direito da Universidade da Pensilvânia sobre a formação de líderes íntegros e a difusão de bons valores na vida pública (Aqui!).

Dessa situação me aparece a seguinte indagação: sou só eu que acha estranho que Sérgio Moro esteja aparentemente passando mais tempo em solo estadunidense do que no seu escritório em Curitiba?

Como um juiz de primeira instância que guarda a estas alturas um arquivo colossal sobre o funcionamento de uma das maiores empresas petrolíferas do planeta, acho curioso que ele possa estar indo tanto aos EUA, sem que ninguém no Brasil se dê ao trabalho de perguntar que tipo de encontros  ocorrem nas margens de eventos supostamente acadêmicos. E, mais ainda, quem está financiando todas essas viagens.l

É que tendo vivido nos EUA por um bom tempo não me lembro deste tipo de vai-e-vem. Além disso, os EUA são especialistas em bajular para depois obter as informações que precisam. Além disso,  se fosse o contrário e o fosse um juiz de primeira instância cuidando de casos da Chevron ou da ExxonMobil, posso dizer com tranquilidade que pelo menos o FBI estaria acompanhando as andanças do magistrado com extrema atenção.

Mas como estamos no Brasil, pelo jeito a segurança corporativa não é algo que incomode tanto as autoridades de facto em Brasília.

O nome é José Dirceu, mas pode chamar de “Geni da república”

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Apesar de respeitar a sua trajetória na luta contra a ditadura militar de 1964, não nutro a mínima simpatia pessoal pelo ex-ministro José Dirceu.  Aliás, atribuo a ele boa parte da degeneração política na qual o Partido dos Trabalhadores (PT) se enlameou com suas alianças e fontes de financiamento questionáveis.

Agora, a última condenação de 23 anos imposta pelo juiz Sérgio Moro por alegada participação em esquema de corrupção da Lava Jato é algo que me parece totalmente parcial e com claros políticos para atingir ainda mais o PT e seus quadros dirigentes.

Se alguém me perguntar se acredito que José Dirceu é inocente, vou repetir o que o ex-senador Delcídio Amaral disse sobre o presidente interino Michel Temer: “não coloco a minha mão no fogo por ele.”

Agora, a coisa é que existentes corruptos da mais fina estirpe que continuam completamente impunes e vários deles participando do ministério interino de Temer, mesmo com acusações iguais ou piores do que as atribuídas à José Dirceu.  Um exemplo disso é a famigerada Lista de Furnas encabeçada pelo senador Aécio Neves.

Então, me desculpem os que acham que pegando José Dirceu para bode expiatório há qualquer avanço na luta contra a corrupção no Brasil, acredito que o efeito é justamente o oposto. Dirceu é hoje a Geni da república que é malhado em público para a roubalheira continuar intensa e impune.  Apenas isso. E joga pedra na Geni!

Lava Jato sob ataque… a surpresa é que não do governo Dilma nem do PT

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A língua inglesa é tão rica quanto a portuguesa quando se trata de expressões de duplo sentido. Uma que eu goste é aquela que diz que alguma coisa “smells fishy”.  A tradução não literal desta expressão é que algo parece suspeito ou desonesto, e não que cheira que nem peixe como parece.

Pois bem, não há como dizer que “smells fishy” uma ampla matéria publicada hoje pelo portal UOL sobre supostas práticas ilegais que ocorreram na chamada operação Lava Jato desde o seu nascedouro há quase 10 anos, incluindo grampos ilegais e coerção de testemunhas (Aqui!).

É que por muito menos, operações anteriores como a Satiagraha, a Castelo de Areia e a do Banestado foram literalmente jogadas na lata do lixo, com a maioria dos acusados saindo ilesa de qualquer tipo de punição legal, quiça de encarceramento (Aqui!Aqui! Aqui!).  E nunca é demais lembrar que no caso Banestado, o juiz era o mesmo Sérgio Moro. A diferença que no banco paranaense os envolvidos eram tucanos de fina plumagem.

A ameaça que paira agora sobre todo o trabalho realizado pela chamada “força tarefa” liderada pelo juiz Sérgio Moro é não apenas de que as apurações sejam travadas, mas que os eventuais culpados pelas ilegalidades alegadas na matéria do UOL sofram o mesmo destino do delegado Protógenes Queiroz que acabou sendo demitido da Polícia Federal por causa de vazamentos que ele teria possibilitado no caso Satiagraha (Aqui!).

Agora, voltando ao aspecto “fishy” dessa matéria é do porquê a mesma ter sido lançada num momento em que há um claro refluxo no ímpeto pró-impeachment dentro do congresso nacional.  Como no atual cenário político brasileiro não pode ser deixado como eventualidade, o que pode estar sendo desenhado no horizonte é uma pizza gigantesca. As próximas semanas deverão ser decisivas para elucidar essa situação. Agora, que a coisa não parece boa para o juiz Sérgio Moro, ah, isso não parecem, mesmo.

Lava- Jato em estado bipolar: primeiro vaza, depois decreta sigilo

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Poucas horas após o jornalista Fernando Rodrigues apresentar uma lista com mais de 200 nomes de políticos que teriam sido beneficiados pela Odebrecht com “doações” (Aqui!), o juiz federal encarregado da Operação Lava Jato,  Sérgio Moro, acaba de decretar o sigilo das planilhas apreendidas pela Polícia Federal, e divulgadas  supostamente pela equipe da Lava Jato (Aqui!).

O mais curioso é que ainda no dia de ontem o novo ministro da Justiça, Eugênio Aragão, havia alertado que, em caso de novos vazamentos de documentos relativos à Lava Jato, os responsáveis pelo vazamento seriam sumariamente afastados.  Esse vazamento teria sido então um desafio ao ministro da Justiça? 

O mais hilário dessa situação toda é que logo acima da nota que fala no estabelecimento do sigilo da planilha da Odebrecht paira solene a postagem de Fernando Rodrigues que disponibiliza o seu conteúdo completo.  Assim, como em todos outros casos, o sigilo determinado por Sérgio Moro é completamente inócuo.

Lamentavelmente, me preocupa esse cenário de ilegalidades, pois a Lava Jato pode acabar tendo o mesmo destino trágico da CPI do Banestado,  onde os culpados acabaram se safando justamente por causa desse tipo de estripulia que o excelentíssimo juiz marigaense anda praticando. E para quem não sabe, Sérgio Moro era o juiz responsável pelo caso do Banestado, onde tucanos de alta plumagem foram pegos com a boca na botija pública.

 

Em entrevista, ministro do STF aponta que juiz Sérgio Moro cometeu crime ao liberar escutas ilegais de Dilma Rousseff

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O juiz federal Sérgio Moro até recentemente gozava de completa imunidade em termos de críticas às suas atividades à frente da chamada Operação Lava Jato. Eu até causei revolta em leitores deste blog ao apontar que se estivesse nos EUA, Sérgio Moro já teria sido preso por causa da liberação dos grampos ilegais envolvendo a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula (Aqui!).

Pois bem, esta imunidade acaba de ser rompida de forma acachapante pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello, que em entrevista dada ao site Sul 21, e que é mostrada integralmente abaixo, declara com todas as letras que o juiz Sérgio Moro cometeu crime ao permitir a divulgação por terceiros (no caso a Rede Globo) das escutas telefônicas envolvendo a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula.

Apesar do ministro Marco Aurélio Mello ser apenas um em onze ministros, esse posicionamento certamente reflete discussões internas que cedo ou tarde vão se transformar em ações concretas do STF que poderão acertar em cheio o juiz Sérgio Moro. Aliás, por muito menos, o juiz Fausto de Sanctis (aquele da operação Satiagraha) foi removido e colocado na geladeira.

Agora, o que eu espero é que no meio dessa coisa toda, os corruptos e corruptores não escapem livres. Afinal, depois de tanta confusão, não acontecer nada com quem se locupletou com o dinheiro público seria inaceitável. A ver!

“Moro simplesmente deixou de lado a lei. Isso está escancarado”, diz ministro do STF sobre vazamentos

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Marco Aurélio: “Não se avança culturalmente, atropelando a ordem jurídica, principalmente a constitucional”. (Foto: Nelson Jr ./SCO/STF)

Por Marco Weissheimer

Nas últimas semanas, Marco Aurélio Mello, ministro do Supremo Tribunal Federal, tem erguido a voz contra o que considera ser um perigoso movimento de atropelo da ordem jurídica no país. Em recentes manifestações, Marco Aurélio criticou a flexibilização do princípio da não culpabilidade, e a liberação para a Receita Federal do acesso direto aos dados bancários de qualquer cidadão brasileiro. Na semana passada, o ministro criticou a conduta do juiz Sérgio Moro, no episódio do vazamento do conteúdo das interceptações telefônicas, envolvendo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidenta Dilma Rousseff.

Em entrevista concedida por telefone ao Sul21, Marco Aurélio fala sobre esses episódios e critica a conduta de Sérgio Moro: “Ele não é o único juiz do país e deve atuar como todo juiz. Agora, houve essa divulgação por terceiro de sigilo telefônico. Isso é crime, está na lei. Ele simplesmente deixou de lado a lei. Isso está escancarado. Não se avança culturalmente, atropelando a ordem jurídica, principalmente a constitucional”, adverte.

Sul21: Considerando os acontecimentos dos últimos dias, como o senhor definiria a atual situação política do Brasil? Na sua avaliação, há uma ameaça de ruptura constitucional ou de ruptura social?

Marco Aurélio Mello: A situação chegou a um patamar inimaginável. Eu penso que nós precisamos deixar as instituições funcionarem segundo o figurino legal, porque fora da lei não há salvação. Aí vigora o critério de plantão e teremos só insegurança jurídica. As instituições vêm funcionando, com alguns pecadilhos, mas vêm funcionando. Não vejo uma ameaça de ruptura. O que eu receio é o problema das manifestações de rua. Mas aí nós contamos com uma polícia repressiva, que é a polícia militar, no caso de conflitos entre os segmentos que defendem o impeachment e os segmentos que apoiam o governo. Só receio a eclosão de conflitos de rua.

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Ministro Marco Aurélio durante sessão plenária do STF. Foto: Carlos Humberto/SCO/STF

 

Sul21: Algumas decisões do juiz Sérgio Moro vêm sendo objeto de polêmica, como esta mais recente das interceptações telefônicas envolvendo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidenta Dilma Rousseff. Como o senhor avalia estas decisões?

Marco Aurélio Mello: Ele não é o único juiz do país e deve atuar como todo juiz. Agora, houve essa divulgação por terceiros de sigilo telefônico. Isso é crime, está na lei. Ele simplesmente deixou de lado a lei. Isso está escancarado e foi objeto, inclusive, de reportagem no exterior. Não se avança culturalmente, atropelando a ordem jurídica, principalmente a constitucional. O avanço pressupõe a observância irrestrita do que está escrito na lei de regência da matéria. Dizer que interessa ao público em geral conhecer o teor de gravações sigilosas não se sustenta. O público também está submetido à legislação.

Sul21: Na sua opinião, essas pressões midiáticas e de setores da chamada opinião pública vêm de certo modo contaminando algumas decisões judiciais?

Marco Aurélio Mello: Os fatos foram se acumulando. Nós tivemos a divulgação, para mim imprópria, do objeto da delação do senador Delcídio Amaral e agora, por último, tivemos a divulgação também da interceptação telefônica, com vários diálogos da presidente, do ex-presidente Lula, do presidente do Partido dos Trabalhadores com o ministro Jacques Wagner. Isso é muito ruim pois implica colocar lenha na fogueira e não se avança assim, de cambulhada.

Sul21: Os ministros do Supremo, para além do que é debatido durante as sessões no plenário, têm conversado entre si sobre a situação política do país?

Marco Aurélio Mello: Não. Nós temos uma tradição de não comentar sobre processos, nem de processos que está sob a relatoria de um dos integrantes nem a situação política do país. Cada qual tem a sua concepção e aguarda o momento de seu pronunciar, se houver um conflito de posições. Já se disse que o Supremo é composto por onze ilhas. Acho bom que seja assim, que guardemos no nosso convívio uma certa cerimônia. O sistema americano é diferente. Lá, quando chega uma controvérsia, os juízes trocam memorandos entre si. Aqui nós atuamos em sessão pública, que inclusive é veiculada pela TV Justiça, de uma forma totalmente diferente.

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“Se o que vale é o critério subjetivo do julgador, isso gera uma insegurança muito grande”. (Foto: Carlos Humberto/SCO/STF)

Sul21: A Constituição de 1988 incorporou um espírito garantista de direitos. Na sua avaliação, esse espírito estaria sob ameaça no Brasil?

Marco Aurélio Mello: Toda vez que se atropela o que está previsto em uma norma, nós temos a colocação em plano secundário de liberdades constitucionais. Isso ocorreu, continuo dizendo, com a flexibilização do princípio da não culpabilidade e ocorreu também quando se admitiu, depois de decisão tomada há cerca de cinco antes, que a Receita Federal, que é parte na relação jurídica tributária, pode ter acesso direto aos dados bancários.

Sul21: A expressão “ativismo jurídico” vem circulando muito na mídia brasileira e nos debates sobre a conjuntura atual. Qual sua opinião sobre essa expressão?

Marco Aurélio Mello: A atuação do Judiciário brasileiro é vinculada ao direito positivo, que é o direito aprovado pela casa legislativa ou pelas casas legislativas. Não cabe atuar à margem da lei. À margem da lei não há salvação. Se for assim, vinga que critério? Não o critério normativo, da norma a qual estamos submetidos pelo princípio da legalidade. Ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Se o que vale é o critério subjetivo do julgador, isso gera uma insegurança muito grande.

Sul21: Esse ativismo jurídico vem acontecendo em um nível preocupante, na sua opinião?

Marco Aurélio Mello: Há um afã muito grande de se buscar correção de rumos. Mas a correção de rumos pressupõe a observância das regras jurídicas. Eu, por exemplo, nunca vi tanta delação premiada, essa postura de co-réu querendo colaborar com o Judiciário. Eu nunca vi tanta prisão preventiva como nós temos no Brasil em geral. A população carcerária provisória chegou praticamente ao mesmo patamar da definitiva, em que pese a existência do princípio da não culpabilidade. Tem alguma coisa errada. Não é por aí que nós avançaremos e chegaremos ao Brasil sonhado.

Sul21: Como deve ser o encaminhamento da série de ações enviadas ao Supremo contestando a posse do ex-presidente Lula como ministro?

Marco Aurélio Mello: Eu recebi uma ação cautelar e neguei seguimento, pois havia um defeito instrumental. Nem cheguei a entrar no mérito. Nós temos agora pendentes no Supremo seis mandados de segurança com o ministro Gilmar Mendes e duas ações de descumprimento de preceito fundamental com o ministro Teori Zavaski, além de outras ações que tem se veiculado que existem e que estariam aguardando distribuição. Como também temos cerca de 20 ações populares em andamento.

No tocante aos mandados de segurança, a competência quanto à medida de urgência liminar é do relator. Não é julgamento definitivo. Quanto à arguição de descumprimento de preceito fundamental, muito embora a atribuição seja do pleno, este não estando reunido – só teremos sessão agora no dia 28 de março – o relator é quem atuaad referendum do plenário.

Temos que esperar as próximas horas. A situação se agravou muito com os últimos episódios envolvendo a delação do senador Delcídio e a divulgação das interceptações telefônicas. Não podemos incendiar o país.

Sul21: O STF deverá ter um papel fundamental para que isso não ocorra…

Marco Aurélio Mello: Sim. É a última trincheira da cidadania. Quando o Supremo falha, você não tem a quem recorrer. Por isso é que precisamos ter uma compenetração maior, recebendo não só a legislação e as regras da Constituição Federal, que precisam ser um pouco mais amadas pelos brasileiros, como também os fatos envolvidos.

FONTE: http://www.sul21.com.br/jornal/moro-simplesmente-deixou-de-lado-a-lei-isso-esta-escancarado/

Uma pergunta inquietante: quem ainda não foi grampeado pelo juiz Sérgio Moro e a PF?

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Quanto mais eu leio, mais eu descubro sobre a ampla rede de grampos que foi estabelecida sob ordens diretas do juiz federal Sérgio Moro em colaboração direta com setores da Polícia Federal e, sim, também com as concessionárias privadas de serviços de telefonia.

Além de figuras fáceis como Dilma Rousseff e Lula, agora vão emergindo evidências que foram grampeados ministros, lideranças partidárias, advogados e, pasmemos todos, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

E aí eu pergunto: vai ficar assim mesmo? Ninguém do Conselho Nacional de Justiça e do STF vai tomar providências? O Brasil virou mesmo o reino da arapongagem?

Falando em arapongagem, o que será que anda acontecendo no âmbito da Agência Brasileira de Informação (ABIN), antigo Serviço Nacional de Informações (SNI)? O que será que os nosso espiões oficiais tem a dizer sobre isso tudo? Uma coisa eu já fui informado: a ABIN passou por um incompreensível processo de precarização. E o resultado é esse que ai é está.

Sérgio Moro: o que aconteceria com ele nos EUA?

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Os ânimos estão bastante exaltados entre os que querem a saída e os que querem a permanência da presidente Dilma Rousseff no cargo de presidente do Brasil. Como já explicitei aqui várias vezes, não apoio o governo de coalizão que ela comanda há quase 6 anos. Acho-o tecnicamente fraco e antipopular.

Esse preâmbulo, desnecessário para quem me conhece melhor e se dá o trabalho de ouvir o  que venha dizendo e escrevendo nos últimos 14 anos, é necessário neste momento em que a manipulação da mídia corporativa tende a obscurecer o fato de que a realidade não é tão preto e branca como se pinta.

Agora, vamos ao que interessa. Toda a celeuma que corre o Brasil neste momento decorre da liberação “via expressa” de conversas grampeadas, algumas ilegalmente, entre o ex-presidente Lula (e hoje ministro da Casa Civil) e várias autoridades, inclusive a presidente Dilma. Esse vazamento é inconstitucional, tal como a realização da própria gravação que ocorreu sem amparo de mandado judicial.

Não fosse isso grave o suficiente, o juiz Sérgio Moro e seus aliados na Polícia Federal disponibilizaram, ao contrário do que determinam as leis vigentes, a gravação dessas conversas para a mídia corporativa (a começar pelas Organizações Globo).

Bom, como muitos os que querem tirar Dilma Rousseff do poder vêem os Estados Unidos da América (EUA) como seu Nirvana existencial, é preciso ver o que ocorreria ao juiz Sérgio Moro se o gravado ilegalmente fosse o presidente Barack Obama. Eu que conheço minimamente os EUA, onde vivi quase 7 anos, e quando pude frequentar alguns corredores do poder em Washington, D.C., não hesito em dizer que Sérgio Moro, se fosse um juiz de primeira instância e fizesse lá o que fez aqui, estaria preso e incomunicável em alguma prisão federal.

É que, independente de quem seja o presidente, os estadunidenses tratam o cargo de presidente como algo que precisa ser protegido e não vilipendiado como está sendo no Brasil neste momento.  O risco de se enfraquecerem as garantias institucionais que cercam  o cargo de presidente é muito alto para se deixar nas mãos de qualquer um a possibilidade de partir para o tudo ou nada, sejam quais forem os motivos.

Agora, vamos ver quais serão as respostas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF) que foram igualmente jogados na sarjeta pela ação de Sérgio Moro. E sim, há que se ver como se comportará o novo ministro da Justiça em relação à própria Polícia Federal que está envolvida até o pescoço nesse rolo todo. Deixar de tomar alguma ação contra os agentes envolvidos nessa ação desastrada seria péssimo para a nossa frágil democracia.

A prisão de Lula e os muxoxos de quem não antecipou sua reação contundente

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São Paulo – Ex-presidente Lula em entrevista no Diretório Nacional do PT em São Paulo, após prestar depoimento à Polícia Federal no âmbito da 24ª fase da Operação Lava Jato. (Rovena Rosa/Agência Brasil)

No dia 26/2 escrevi que as elites brasileiras poderiam estar exagerando na perseguição a Lula poderia resultar em resultados opostos aos esperados (Aqui!). Pois bem, menos de 24 horas depois do depoimento do ex-presidente levado pela Polícia Federal “debaixo de vara” como apontou o ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello (Aqui!), estou lendo uma série de reações exasperadas na mídia corporativa à reação contundente que Lula teve ao ser levado de forma coercitiva para depor.

Ora, quem conhece Lula minimamente saberia que ele poderia partir para o ataque para mobilizar a sua base política. Ora, dito e feito! Essa era a jogada mais óbvia, só que Lula o fez de maneira engenhosa.

Agora, mesmo que venham mais delações e Lula seja preso, o risco também óbvio é que o açodamento do juiz Sérgio Moro tenha feito que o “momentum” tenha passado de forma irreparável para as mãos do ex-presidente. É que na vida como na política, determinar o momento do “climax” é sempre mais importante do que os preparativos (ou o “foreplay” como dizem os gringos).

Eu que estou entre aqueles que sempre criticaram o governo do neoPT e suas alianças com as elites, me reservo apenas ao direito de cobrar das autoridades judiciais que não apenas respeitem o que determina a lei, mas como também a apliquem de forma impessoal e apartidária. É que, do contrário, não vão poder reclamar de Venezualização ou  qualquer outro adjetivo semelhante.  É que evidências de que Lula é uma das pessoas mais carismáticas e inteligentes da história do Brasil não faltam. Assim, quem mandou cutucaram a jararaca com a vara curta?