
O (des) governo Pezão, consonante com a tática de que não se mexe em time que está ganhando, anunciou ontem o pagamento dos salários de Abril dos servidores da educação e da segurança, enquanto perdura o calote dos salários de Março para mais de 208 mil servidores (Aqui! e Aqui!).
Essa postura de beneficiar setores que ou possuem armas ou podem levar muita gente para a rua é claramente uma ação calculada, pois vem dando certo. É que o uso desta tática divisionista vem impedindo que ocorra uma greve geral do funcionalismo estadual, além de criar inevitáveis clivagens entre os que ainda recebem salários mais ou menos em dia, e os que estão tendo suas vidas destroçadas por este (des) governo que lhes nega algo básico que são seus salários, aposentadorias e pensões.
Há que se frisar ainda o papel de cão de guarda do (des) governo Pezão que é cumprido pela mídia corporativa. É que longe de qualquer análise mais acabada das causas da crise (seletiva) que o Rio de Janeiro passa neste momento, os principais jornais apenas se comportam como passadores do “press releases” do (des) governo Pezão. Isso quando não omitem informações preciosas como é a do nível de recolhimento de impostos que, por si só, dispensariam a humilhação aos servidores que estão sendo deixados para trás.
Agora resta saber como vão reagir os sindicatos daqueles setores que foram escolhidos para servirem como bucha de canhão na domesticação do Rio de Janeiro para a aplicação das receitas ultraneoliberais que estão sendo gestadas pelo governo “de facto” de Michel Temer. Se esses sindicatos escolherem continuar numa postura de expectadores da luta de classes é bem provável que brevemente fiquem sem base sindical, já que a debandada dos servidores se tornará inevitável. É que por mais que prezem seus cargos e funções, muitos já estão escolhendo outros caminhos para garantir a sobrevivência de suas famílias.
Já para aqueles que estão com seus salários em dia e vão tocando a vida como se o drama dos seus colegas não tivesse nada a ver com eles, há apenas que se lembrar que brevemente a tática de terra arrasada deverá chegar até eles. E aí quando isso acontecer, e vai acontecer, é provável que o grau de divisão reinante impeça uma resposta a altura. É isso é tudo o que o (des) Pezão deseja. Simples, porém eficiente.











