Agrotóxicos deixam um rastro de doenças e mortes pelo Brasil

Diversos agrotóxicos proibidos em outras partes do mundo, inclusive países de origem dos fabricantes, foram liberados pelo governo Bolsonaro. Pesquisas apontam que o consumo de agrotóxicos gira em torno de cinco litros por pessoa/ano e que 70% dos alimentos in natura consumidos no país estão contaminados por esses agentes.

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Imagem por Agência Brasil

Por  Frederico Rochaferreira para o LeMonde Diplomatique Brasil

O governo Bolsonaro liberou 197 agrotóxicos em cinco meses. Neste pacote estão produtos considerados cancerígenos, como o paraquat, da Syngenta (nome comercial Gramoxone 200) e o glifosato, da Monsanto/Bayer.

O paraquat – proibido em mais de 50 países e em todo território europeu desde 2007, inclusive em seu país de origem, a Suíça –  é um agrotóxico associado não só a casos de câncer, mas também ao mal de Parkinson, fibrose pulmonar e danos genéticos, sendo um dos agentes químicos mais vendidos no Brasil.

Em setembro de 2017, a Anvisa proibiu o uso do paraquat. Mas, dois meses depois, voltou atrás, ante a pressão dos ruralistas e do lobby da fabricante Syngenta. A empresa levou políticos para uma viagem à Suíça para “conhecer aspectos da capacidade de inovação suíça” e fazer uma visita à multinacional. Uma das  convidadas da empresa foi a então deputada Teresa Cristina, hoje ministra da Agricultura.

O veneno suíço continua liberado por aqui, contaminando o arroz, a banana, a batata, o café, a cana-de-açúcar, o feijão, a maçã, o milho, a soja, a maçã e o trigo, para citar alguns. Mas a Syngenta não é a única fabricante de agrotóxico que tem seu produto proibido à venda no próprio país. Nesse rol, encontra-se também a norte-americana FMC Corp., a dinamarquesa Cheminova A/S e a Helm AG, da Alemanha, cujos agentes químicos não são permitidos em seus mercados domésticos, mas são livremente comercializados no Brasil.

Outro produto utilizado em larga escala pela indústria agrícola brasileira é o glifosato, um composto químico desenvolvido pela Monsanto, também, considerado cancerígeno. Recentemente a Bayer, que absorveu a Monsanto, sofreu uma pesada derrota na justiça federal dos EUA, em um processo envolvendo a utilização do glifosato. O fato abriu precedente para milhares de processos semelhantes de pessoas que alegam que o uso do herbicida lhes causou câncer. No total, são 11.200 ações em todo o país.

No Brasil não há um estudo definitivo que aponte para o número de doenças e mortes em função do consumo de alimentos contaminados. Temos conhecimento de que o consumo de agrotóxicos gira em torno de cinco litros por pessoa/ano  e que 70% dos alimentos in natura consumidos no país estão contaminados por esses agentes. Além disso, pesquisas como as desenvolvidas pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e Fundação Oswaldo Cruz relacionam diversas doenças com o consumo de agrotóxicos. Entre elas, o mal de Parkinson, distúrbios de comportamento, problemas na produção de hormônios sexuais, infertilidade, má formação fetal, aborto, endometriose e câncer de diversos tipos, além de estatística de mortes em uma determinada região.

No Rio Grande do Sul, por exemplo, o câncer passou a ser a primeira causa de morte em 140 municípios. Isso ocorreu logo depois que as lavouras do Estado receberam cerca de 100 mil toneladas de veneno, entre os anos de 2012 e 2014. Na região Noroeste do país, a média é de dez agricultores diagnosticados com câncer por dia. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, 80% dos casos de câncer no mundo, vem da exposição aos agentes químicos. Por outro lado, a intoxicação pelo uso de agrotóxicos no território brasileiro tem dados consistentes, como é possível ver nos mapas produzidos pela pesquisadora da USP, Larissa Mies Bombardi.

Em uma sequência cartográfica, Larissa Mies mostra que mais de 25 mil intoxicações causadas por agrotóxicos foram registradas no período de 2007 a 2014. O que dá 3.125 casos de intoxicações por ano ou oito casos por dia, com 1.186 mortes, sendo 343 bebês. Isto é, uma morte a cada dois dias e meio. Contudo, os números podem ser bem maiores. Segundo pesquisadores, para cada caso registrado,  outros 50 não são notificados, mesmo entendimento de especialistas em saúde pública, que aponta ser o número de mortes relacionadas ao envenenamento por agrotóxicos maior que o registrado, em função do rastreamento ser incompleto.

A dura realidade é que o Brasil se tornou o celeiro de pesticidas proibidos ou eliminados em países desenvolvidos  e de forma irresponsável, vem permitindo sua utilização e o envenenamento da agricultura, do trabalhador rural em particular e da população.

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Este artigo foi originalmente publicado pelo LeMonde Diplomatique Brasil [Aqui!].

Agência de Proteção Ambiental dos EUA bane 12 agrotóxicos por serem considerados prejudiciais para as abelhas

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Um voluntário examina colmeias de abelhas para atividades de rainha como parte de uma colaboração entre o Zoológico de Cincinnati e a TwoHoneys Bee Co., em Mason, Ohio. (AP Photo / John Minchillo, Arquivo)

Por Dino Grandoni para o “The Washington Post”

A Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) está retirando do mercado estadunidense 12 produtos contendo agrotóxicos conhecidos como sendo tóxicos para um animal chave para o sistema alimentar norte-americano – a abelha.

A agência anunciou na segunda-feira (20/05) que cancelou os registros de 12 produtos que matam pragas com compostos pertencentes a uma classe de substâncias químicas conhecidas como neonicotinóides, como parte de um acordo legal.

Durante anos, os apicultores e conversadores da vida silvestre expressaram preocupação de que o uso difundido de neonicotinóides, como os produtos químicos são comumente chamados, está pondo em perigo as abelhas selvagens e domesticadas cruciais para a polinização das plantações comerciais de frutas, nozes e vegetais.

A ação do governo Trump foi uma boa notícia para alguns ambientalistas. “Certamente, temos um caminho a percorrer”, disse George Kimbrell, diretor jurídico do grupo de defesa sem fins lucrativos Center for Food Safety, cujo processo provocou a ação da EPA. “Mas é um primeiro passo importante para reconhecer o dano que causam.”

A EPA retirou outros neonicotinóides do mercado antes, disse o porta-voz da agência, John Konkus, em um e-mail. Mas observadores próximos da agência dizem que tais ações são raras.

“Para a EPA retirar do mercado um agrotóxico previamente registrado é um passo muito importante”, disse Mark Winston, professor de apicultura e insetos sociais da Simon Fraser University em Vancouver, B.C. “Não é algo que eles fazem com muita frequência.”.

A decisão segue cinco anos de litígio em que os apicultores e ambientalistas pressionaram a EPA para montar uma resposta ao uso de neonicotinóides como reguladores na Europa e no Canadá tomaram medidas para proibir os produtos químicos.

Finalmente, no final de 2018, três empresas do agronegócio – Bayer, Syngenta e Valentconcordaram em permitir que a EPA retirasse das prateleiras os 12 agrotóxicos usados ​​pelos produtores, desde grandes empresas agrícolas até jardineiros domésticos. O acordo legal também obriga a EPA a analisar os impactos de toda a classe de neonicotinóides sobre espécies ameaçadas de extinção.

Dois dos fabricantes de agrotóxicos, Bayer e Valent, dizem que seus produtos são testados e seguros para uso, observando que os ambientalistas e apicultores ganharam seu argumento com base no argumento técnico de que a EPA não seguiu os passos certos sob a Lei de Espécies Ameaçadas.  

“Os neonicotinóides são rigorosamente testados antes de chegar ao mercado para garantir que possam ser usados ​​com segurança e eficácia”, disse Steve Tatum, porta-voz da Valent, que fabrica quatro dos produtos excluídos da lista.

A Bayer observou que seus dois produtos visados ​​pela ação da EPA não são vendidos nos Estados Unidos. Mas o porta-voz Darren Wallis acrescentou: “Os produtores confiam nessas ferramentas críticas de manejo de pragas por causa de seu desempenho contra pragas destrutivas, assim como seu perfil de segurança humano e ambiental favorável”.

A preocupação com os neonicotinóides cresceu desde 2006, quando os apicultores começaram a testemunhar o súbito e misterioso colapso das colmeias de abelhas em todo o país.

Pesquisadores mostraram que os compostos são prejudiciais para as abelhas em testes de laboratório. Mas eles tiveram menos sorte em reduzir os efeitos dos agrotóxicos nas colônias de apicultores quando trabalham polinizando pomares de maçã e outras fazendas.

Em seu segundo mandato, Barack Obama, que havia aprovado a instalação de uma colmeia no gramado sul da Casa Branca, lançou uma iniciativa para promover a saúde das abelhas e outros polinizadores.

Mas Rebecca Riley, diretora jurídica do programa de natureza do Conselho de Defesa dos Recursos Naturais, disse que a agência falhou no passado em considerar adequadamente o impacto potencial de suas aprovações de agrotóxicos em animais em extinção – algo que toda agência federal deveria fazer.

“EPA há anos tem ignorado este requisito da lei”, disse ela.

Isso levou a uma série de ações judiciais, como uma que a NRDC apresentou em 2017, pedindo a um tribunal federal para desocupar os registros de quase 100 produtos que contêm um dos vários inseticidas que são prejudiciais a várias abelhas, borboletas, pássaros e insetos. Esse caso continua sem solução, mesmo quando o caso separado do Centro de Segurança Alimentar levou a EPA a retirar alguns agrotóxicos do mercado.

“Esta é uma vitória tanto para o estado de direito quanto para abelhas, pássaros e outros animais selvagens impactados por esses agrotóxicos”, disse Riley sobre o último caso. “Mas a realidade é que existem centenas de agrotóxicos no mercado. Então, isso é importante… mas não se livra do perigo”.

Brady Dennis contribuiu para este relatório.

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Este artigo foi publicado originalmente em inglês pelo “The Washington Post” [Aqui!]

Brasil consome 18% dos agrotóxicos do mundo, mesma porcentagem dos Estados Unidos

Relatório da ONG Public Eye mostra que a Syngenta despeja no país 32% de seus produtos classificados como “extremamente tóxicos”; multinacional fica na Suíça, país que não autoriza o consumo interno desses pesticidas

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Foto: Pixabay

Por Maria Lígia Pagenotto para o site “Desacato”

O Brasil e os Estados Unidos se igualam no consumo de agrotóxicos, apesar da diferença de população e da área agrícola cultivada. Os dois países respondem por 18% do total de pesticidas utilizados no mundo, segundo relatório da organização não governamental suíça Public Eye divulgado ontem (22), com dados de 2017.

A distribuição por países é completada pela União Europeia, com 13% do total, e por China e Argentina, com 11% cada. Menos de um terço dos agrotóxicos (29%) são consumidos por todos os demais países do mundo.

Public Eye organizou dados sobre agrotóxicos por países. (Imagem: Reprodução)

Brasil, China e Argentina representam cerca de 40% do total de agrotóxicos consumidos em 2017, corroborando a tese da Public Eye de que mais da metade do uso de pesticidas no mundo ocorre em países de baixa e média renda. Estados Unidos e União Europeia somam 31%.

Esses números foram estimados pela organização a partir de dados da indústria e das estatísticas oficiais de cada país.

SYNGENTA VENDE NO BRASIL 51 PRODUTOS PROIBIDOS NA SUÍÇA

A Public Eye chama atenção para os produtos fabricados pela multinacional Syngenta, com sede na Suíça, uma das principais indústrias de agrotóxicos qualificados como “extremamente tóxicos”.

Em 2017, a empresa faturou, de acordo com a ONG, US$ 3,9 bilhões. O Brasil tem expressiva participação nesse mercado, como mostra o relatório, intitulado “Lucros de Alto Risco – como a Syngenta fez bilhões vendendo pesticidas tóxicos“.

Protesto na Suíça contra a Syngenta. (Foto: Dominik Plüss/Public Eye)

O levantamento da Public Eye mostra que cerca de um terço dos produtos disponíveis para venda na Syngenta corresponde à classe de substâncias altamente perigosas classificadas pela Pesticides Action Network, a PAN, uma rede internacional de ação contra os pesticidas.

Das substâncias altamente tóxicas produzidas pela empresa (quinze, segundo a ONG), 32% são consumidas no Brasil – o país que mais compra essa classe de venenos. Os Estados Unidos respondem pela fatia de 19% do consumo desses produtos; em seguida estão Argentina, 6%; China, com 4%; e França, com 2%.

Cinquenta e um dos 120 ingredientes ativos de pesticidas produzidos pela Syngenta comercializados em vários lugares, inclusive no Brasil, não estão autorizados para uso na Suíça, por conta do impacto que provocam na saúde e no meio ambiente.

EM 1990, PAÍS CONSUMIA 3% DOS AGROTÓXICOS NO MUNDO

Os números relativos ao Brasil apontam franca ascensão do consumo de agrotóxicos. Em 1990, o país respondia por apenas 3% dos volumes globais, estimado em 1,8 milhão de toneladas. Desse total, 75% estava concentrado em países de alta renda. Em 30 anos, o consumo mundial subiu para 3 milhões de toneladas ao ano. O relatório mostra que o crescimento nesse período se deu justamente em países de baixa renda.

Ativistas do Greenpeace em campanha contra o glifosato na Europa. (Foto: Greenpeace)

No Brasil, o emprego de agrotóxicos hoje é nove vezes maior do que em 1990, colocando o país como o maior usuário do mundo, ao lado dos Estados Unidos, com cerca de 540 mil toneladas de pesticidas aplicados em 2017.

Se depender do governo, o Brasil tende a se manter à frente desse ranking. Somente nos cem primeiros dias na Presidência, Jair Bolsonaro, por meio do Ministério da Agricultura, aprovou 152 novos agrotóxicos. De Olho nos Ruralistas contou em março quais são as empresas beneficiadas por essas liberações, das mais conhecidas, como a própria Syngenta, às mais desconhecidas.

Os dados mostram ainda que cerca de 370 mil toneladas de pesticidas “altamente tóxicos” foram pulverizados na produção agrícola do Brasil  em 2017 – o que corresponde a aproximadamente 20% do uso mundial. Entre esses produtos, três são classificados pela PAN como cancerígenos, dois são acusados de causarem problemas endócrinos e outro de provocar doenças congênitas.

O relatório divulgado serviu como base para uma nova denúncia pública da Public Eye contra a Syngenta. A principal acusação é que a empresa lucra com a venda de substâncias altamente tóxicas para países como o Brasil (o maior comprador), enquanto na Suíça esses pesticidas não podem ser comercializados.

1/4 DOS MUNICÍPIOS TEM ‘COQUETEL’ DE VENENOS NA ÁGUA

Os agrotóxicos no Brasil contaminam também a água: resíduos de pesticidas foram encontrados em 86% das amostras de água potável testadas em 454 municípios com uma população de 33 milhões de habitantes, conforme relata a ONG. Um nível de contaminação muito superior ao encontrado na Suíça ou em outros países da União Europeia.

 

Embalagens de agrotóxicos no Rio Santa Maria da Vitória, no Espírito Santo. (Foto: Reprodução)

Nessas localidades, apenas 0,1% das amostras de água potável ultrapassa o limite de 0,1 microgramas por litro, enquanto no Brasil 12,5% dos resultados dos testes encontraram resíduos de pesticidas acima dessa concentração.

Outro dado alarmante do relatório: um coquetel de 27 substâncias tóxicas foi encontrado, com regularidade, num período de quatro anos, na água potável de 1.396 municípios municípios brasileiros. Sete dessas substâncias são atualmente vendidas pela Syngenta no Brasil.

Dos mil tipos de agrotóxicos identificados em todo o mundo, 310 são classificados como extremamente perigosos pela PAN. A indústria de agrotóxicos, de forma geral, lucra 42% com a venda dos pesticidas mais prejudiciais à saúde – segundo o documento da Public Eye, isso equivalia, em 2017,  a US$ 22 bilhões.

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Este artigo foi originalmente publicado pelo site “Desacato” [Aqui!]

Syngenta lucra no Brasil com venda de agrotóxicos proibidos na Suiça

Três milhões de toneladas de agrotóxicos são espalhados a cada ano em todo o mundo, especialmente no Brasil. Em seu relatório publicado na segunda-feira, a Public Eye acusa a Syngenta de ganhar bilhões de francos com produtos proibidos na Suíça.

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A organização não-governamental (ONG) suíça Public Eye, fundada em 1968, realizou uma nova denúncia pública contra a Syngenta, companhia do mesmo país que produz agrotóxicos. A entidade afirma que o modelo de negócios da empresa se baseia na venda de substâncias altamente tóxicas, vedadas pelas autoridades da Suíça.

O posicionamento da Public Eye, veiculado pela rede pública de comunicação RTS, ocorreu esta semana após uma liberação recorde de novas substâncias pelo governo Jair Bolsonaro (PSL). O Brasil, segundo a ONG,  cumpre um papel fundamental nos negócios da Syngenta. 

A entidade afirma que, de todos os agrotóxicos vendidos no mundo, 310 são qualificados como extremamente perigosos pela Pesticide Action Network (Rede de Ação sobre Pesticidas, em inglês). Pelos cálculos do Public Eye, 42% das receitas da indústria de agrotóxicos são provenientes da venda desse tipo de veneno, o equivalente a 22 bilhões de francos suíços, na estimativa de 2017. 

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Mercado brasileiro representou 32% das vendas de agrotóxicos extremamente perigosos da Syngenta em 2017.

A Syngenta é parte importante deste montante: de acordo com a ONG, de 32 substâncias que a empresa comercializa, 15 são extremamente perigosas. “Apenas em 2017, estimamos que a Syngenta tenha lucrado 3,9 bilhões de francos com substâncias extremamente perigosas”, afirmou Geraldine Viret, porta-voz da Public Eye, à RTS. 

O Brasil ocupa uma posição crucial no modelo da Syngenta. Daqueles 3,9 bilhões de francos, 32% foram obtidos com a venda para o Brasil, que o ocupa o primeiro lugar nas vendas de extremamente perigosos, seguido pelos EUA. 

“No Brasil, a agroquímica e o agronegócio podem tudo. E as empresas como a Syngenta também. Lá, há cada vez mais e mais estudos mostrando as taxas de mal formação congênita, as taxas de câncer e de outras doenças crônicas muito elevadas em regiões nas quais a maior parte dos agrotóxicos são empregados”, apontou Viret. 

Roman Mazzota, diretor da Syngenta na Suíça, afirmou que, apesar da liberação brasileira de produtos vedados no próprio país, a regulação no Brasil é tão rigorosa quanto no país que sedia a companhia.

“É verdade que as autoridades brasileiras chegam a uma conclusão diferente. Eu não nego isso. Mas o fato de as autoridades brasileiras decidirem de forma diferente do que o Public Eye teria gostado não significa que as autoridades brasileiras sejam incapazes”, rebateu. 

* Colaborou Rafael Tatemoto.

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Esta matéria foi originalmente publicada pelo jornal Brasil de Fato [Aqui!]

Governo (Bolsonaro) concede em março mais 35 registros de agrotóxicos; já são 121 produtos liberados no ano

Com média de um agrotóxico liberado por dia, governo Bolsonaro permitiu a comercialização de 28 produtos “extremamente tóxicos”; novidade na lista, alemã Basf foi condenada em 2013 pela intoxicação de 1.068 pessoas, incluindo 59 mortes

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Por Bruno Stankevicius Bassi, de Brasília

Enquanto a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, terminava sua excursão pelos Estados Unidos convidando empresários locais a investir no agronegócio brasileiro, sua equipe continuou trabalhando pela liberação de novos agrotóxicos. Publicado no Diário Oficial no dia 21 de março, o Ato nº 17 do Departamento de Sanidade Vegetal e Insumos Agrícolas concedeu registro a 35 novos rótulos, que passam a ter licença para comercialização em todo território nacional.

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Em Nova York, Tereza Cristina pediu mais investimentos no agronegócio. (Foto: Divulgação/Mapa)

Dentre eles, seis pertencem à classificação toxicológica mais elevada, a classe I, que compreende os produtos considerados “extremamente tóxicos” à saúde humana.

Desde janeiro, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) aprovou 121 novos registros, uma média de mais de um agrotóxico por dia. E vem mais por aí: publicado um dia antes, o Ato nº 16 incluiu outros trinta produtos na fila de registro.

Na semana passada, o observatório contou a história das empresas responsáveis pelos agrotóxicos “extremamente perigosos” que chegam à nossa mesa. Confira na reportagem: “Conheça as empresas que pediram os novos pesticidas ‘extremamente tóxicos

MULTINACIONAIS ENCABEÇAM A LISTA

Das 25 empresas que integram a lista de concessões publicada pelo Ministério da Agricultura, 20 tiveram outros produtos liberados em 2019. Entre elas, estão as seis empresas que receberam autorização para agrotóxicos classe I.

Campeã de registro de produtos “extremamente tóxicos” em 2019, a suíça Syngenta estreará a marca Switch no mercado brasileiro, nome comercial do fungicida cyprodinil, indicado para o cultivo de soja, algodão e girassol, além de frutas como laranja, morango, pêssego e uva. O produto também é usado na produção de itens básicos da alimentação dos brasileiros, como feijão, alface e tomate.

Em dezembro de 2018, a Syngenta foi condenada pelo assassinato do camponês Valmir Mota de Oliveira e pela tentativa de assassinato da sem-terra Isabel Nascimento de Souza, atacados por seguranças contratados pela empresa em um campo de experimentos com transgênicos, no município de Santa Tereza do Oeste (PR).

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Alvo de protestos no Brasil e no mundo, Syngenta aprovou mais um agrotóxico em março. (Foto: Katarine Flor/BdF)

Outra multinacional a registrar agrotóxicos de risco elevado foi a Arysta Lifescience do Brasil. A empresa dos Estados Unidos recebeu permissão para a venda do Celebrate, uma versão do herbicida clethodim, usado nas monoculturas de soja e algodão. Comprada pela Arysta em 2005, a sul-africana Volcano Agrociência Indústria e Comércio de Defensivos Agrícolas Ltda recebeu autorização para comercializar o inseticida Cartarys, classificado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) na classe II, como “altamente tóxico”.

Também oriunda dos Estados Unidos, a Albaugh Agro Brasil Ltda é responsável pelo pedido de uma nova formulação a partir do 2,4-D, um dos princípios ativos do “agente laranja” – usado como arma química durante a Guerra do Vietnã.

Assim como o glifosato, o 2,4-D já foi banido em diversos países e, desde 2006, está em processo de reavaliação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas, segundo o Mapa, provavelmente será mantido. Junto à Nufarm e à Corteva Agriscience, a Albaugh Agro Brasil encabeça a “Iniciativa 2,4-D”, um grupo de lobby que vem pressionando o governo brasileiro pela manutenção do produto no mercado.

Na semana passada, um estudo encomendado pelo Ministério Público de Santa Catarina encontrou resíduos de 2,4-D no abastecimento público de água de três municípios do estado.

ATO LIBEROU AGROTÓXICOS BANIDOS DENTRO E FORA DO BRASIL

A relação de empresas que aprovaram produtos “extremamente tóxicos” é completada por três companhias brasileiras. Dona de 6 registros em 2019, a Nortox S.A. foi citada em um relatório sobre envenenamento de indígenas na T.I. Guaiviry, no Mato Grosso do Sul. No último ato assinado pelo Mapa, a empresa paranaense recebeu a liberação para o larvicida Piriproxifem, usado por agricultores no combate à praga da mosca-branca.

Utilizado no meio urbano para o controle do mosquito Aedes aegypti, o produto foi proibido no Rio Grande do Sul em 2016, após um estudo desenvolvido por pesquisadores argentinos indicar uma possível relação com malformações congênitas em bebês, especialmente a microcefalia.

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Utilizado no combate à dengue, larvicida piriproxifem foi associado a casos de microcefalia no RS. (Foto: Reprodução)

Baseada em São Paulo, a consultoria AllierBrasil Agro Ltda recebeu a licença para comercialização do Captain 500 WP, que utiliza o princípio ativo captan, amplamente utilizado como fungicida foliar em frutas e hortaliças. Em 2015, o Ministério Público de São Paulo solicitou à Justiça a “imediata proibição” de todos os produtos feitos à base do captan, após testes de laboratório identificarem a ocorrência de câncer em ratos e camundongos submetidos ao fungicida.

Ela não foi a única empresa de assessoria a receber autorização para produtos “extremamente tóxicos”. Mais uma empresa de São Paulo, a Biorisk Assessoria e Comercio de Produtos Agrícolas Ltda detém o registro do inseticida Clorpirifós, fabricado pela indiana Gharda Chemicals.

Pertencente ao grupo dos organofosforados – responsável pela maior parte dos casos de intoxicação aguda por agrotóxicos no Brasil e no mundo – o Clorpirifós foi alvo de uma decisão recente da Justiça dos Estados Unidos. Em agosto de 2018, a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos recebeu a ordem de banir o produto em prazo de 60 dias após estudos terem identificado danos permanentes causados ao cérebro de bebês, mesmo sob exposição mínima ao inseticida.

GIGANTE DO SETOR, BASF TAMBÉM REGISTROU NOVO PRODUTO

Entre as empresas que receberam concessões por meio do Ato nº 17, apenas cinco ainda não haviam tido registros outorgados em 2019. Entre elas está a Basf S.A., 3ª maior produtora de agrotóxicos e sementes transgênicas do mundo, que recebeu a autorização para comercializar o Veldara, uma combinação entre os fungicidas piraclostrobrina e fluxapiroxade, classificada pela Anvisa como “medianamente tóxico”.

Em 2013, a multinacional alemã foi condenada a pagar uma indenização coletiva de R$ 200 milhões em decorrência da exposição prolongada de 1.068 pessoas aos agrotóxicos do grupo Drin (Aldrin, Dieldrin e Endrin). Elaborados a partir de substâncias cancerígenas, os produtos causaram a intoxicação aguda de funcionários e vizinhos da fábrica da empresa em Paulínia (SP), comprada da Shell em 2000, causando a morte de 59 pessoas.

Dois anos antes, a empresa havia sido autuada pela Anvisa após reprocessar 113 mil litros do agrotóxico Opera já vencidos ou próximos da data de vencimento.

A lista das “estreantes” em 2019 é composta pelas empresas Proregistros Registros de Produtos Ltda, Isagro Brasil Comércio de Produtos Agroquímicos Ltda, Ferbru Participações S.A e Ballagro Agro Tecnologia Ltda.

Nos primeiros noventa dias do ano, a empresa que mais registrou agrotóxicos foi a israelo-chinesa Adama Brasil S.A., com sete rótulos, dois deles “extremamente tóxicos”. Ela é seguida pela belga-espanhola Tradecorp do Brasil Comércio de Insumos Agrícolas Ltda, com sete registros. Completam a lista a alemã Helm do Brasil Mercantil Ltda, a chinesa Rainbow Defensivos Agrícolas Ltda e as brasileiras Nortox S.A e Plurie Soluções Regulatórias Ltda, com seis registros cada.

No quesito toxicidade, a campeã é a Syngenta, a multinacional suíça comprada por uma estatal chinesa, que teve três agrotóxicos classe I liberados pelo Mapa. Ao todo, entre janeiro e março, foram registrados 28 produtos deste nível, um recorde em comparação aos anos anteriores.

O aumento progressivo no registro de pesticidas no Brasil vem acompanhado de impactos severos para a saúde pública. Entre 2007 e 2017, foram notificados cerca de 1.900 mortes relacionadas ao uso de agrotóxicos, além de 40 mil casos de intoxicação aguda.


Esta reportagem foi originalmente publicada pelo site “De olho nos ruralistas: Observatório do agronegócio no Brasil” [Aqui!]

Agrotóxicos fazem pássaros perder peso e o rumo em seus voos para se reproduzir

Segundo pesquisas, os agrotóxicos que estão matando e alterando o fluxo migratório de diversas aves são os mesmos que exterminam abelhas no mundo todo, pondo em risco a reprodução vegetal

GARY KRAMER/US FISH AND WILDLIFE SERVICE

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Por Rede Brasil Atual, Redação

São Paulo – Os prejuízos dos agrotóxicos à saúde e ao meio ambiente não têm mesmo limites. Além de serem os principais responsáveis pelo desaparecimento de inúmeras espécies de abelhas em todo o mundo, colocando em risco a polinização para reprodução de mais de 70% das espécies vegetais, os agroquímicos neonicotinóides também estão por trás do adoecimento, morte e alterações no senso de direção de aves migratórias. É o que revela uma pesquisa das universidades de Saskatchewan e de York, no Canadá.

Segundo o estudo divulgado em boletim da revista científica Nature, no início de novembro (clique aqui para ler), os pesquisadores capturaram pardais de coroa branca (zonotrichia leucophrys) durante migração do sul dos Estados Unidos e parte do México para o Canadá. E os alimentaram com milho tratado com doses baixas e altas de imidacloprida, da classe dos neonicotinóides, fabricado principalmente pela Bayer, e clorpirifós, um organofosfarado produzido pela Dow.

Após o experimento, os pesquisadores observaram que os pássaros do grupo controle mantiveram massa corporal e preservaram sua orientação norte-norte, conforme a direção de seu fluxo migratório. Já os que receberam imidacloprida exibiram perda significativa nas reservas de gordura e massa corporal conforme as dosagens recebidas. E os tratados com clorpirifós não tiveram prejuízos sobre a massa corporal, mas danos significativos na orientação.

Os resultados, segundo os cientistas, sugerem que as aves selvagens que consomem o equivalente a apenas quatro sementes de canola tratadas com imidacloprida ou oito grânulos de clorpirifós por dia, ao longo de três dias, podem sofrer comprometimento físico, tão importante para os voos, além de atrasos de migração e direção migratória inadequada. Consequentemente, estão com maior risco de mortalidade e menos chances de se reproduzir.

O plantio e a aplicação dos agrotóxicos ocorrem na primavera, período em que as aves estão migrando para o norte e param nas plantações para se alimentar e seguir jornada.

Ao jornal inglês The Guardian, os cientistas afirmaram que os resultados das pesquisas são considerados “dramáticos”. Não é à toa que em 2013 a União Europeia proibiu três neonicotinóides devido a riscos inaceitáveis ​​para abelhas e outros polinizadores. E está em análise a proibição total. O Canadá também está considerando uma proibição total. Os danos ambientais causados por produtos estão embasando argumentos em prol da redução do uso desse agrotóxico.

Atualmente, os pesquisadores canadenses avaliam os níveis de inseticidas no sangue das aves, para medir o nível de contaminação. Eles também estão analisando dados de aves marcadas com radio. Mesmo com doses menores de neonicotinoides, parece haver prejuízos à sua orientação durante a migração.

Não é de hoje que os agrotóxicos são suspeitos de causar o declínio das populações de pássaros em áreas de cultivo agrícola.

Em julho, o mesmo The Guardian publicou reportagem em que discutia a associação entre o inseticida agrícola mais usado no mundo e o desaparecimento de aves migratórias, durante o voo, por perder o senso de direção. E mesmo a interferência do veneno na saúde de pássaros, levando-os à perda de peso e à morte.

E citava uma pesquisa publicada na revista Nature, de cientistas da Universidade de Tadboud, na Holanda. Em 2014, o grupo holandês associou os neonicotinóides a danos e morte em outras formas de vida selvagem além das abelhas.

Os pesquisadores queriam conhecer as causas da diminuição de pássaros nas zonas rurais da Europa e América do Norte nas últimas décadas. Chegaram à conclusão de que as populações de aves decaíram mais acentuadamente nas áreas onde a contaminação por neonicotinóide era mais alta.

ONU

O fim do uso de agrotóxicos na agricultura é recomendado pela ONU. Em março passado, dois integrantes do Conselho de Direitos Humanos da organização, Hilal Elver e Baskut Tuncak, defenderam a criação de um tratado global para regulamentar e acabar com o uso desses produtos. Eles defendem práticas agrícolas sustentáveis em prol da saúde humana. Para os especialistas, os padrões atuais de produção e uso de pesticidas são muito diferentes em cada país e causam sérios impactos aos direitos humanos.

Em seus relatórios, eles citam pesquisas que mostram que os agrotóxicos causam cerca de 200 mil mortes por envenenamento a cada ano em todo o mundo. Quase todas as fatalidades – 99% delas – ocorrem em países em desenvolvimento, onde as legislações ambientais são frágeis.

FONTE: http://www.redebrasilatual.com.br/ambiente/2017/12/agrotoxicos-matam-passaros-e-podem-fazer-aves-migratorias-perder-senso-de-direcao

A praga dos agrotóxicos vai piorar: governo Temer vai afrouxar regras para produtos entrarem e ficarem no mercado brasileiro

agrotoxicos

O Brasil é desde 2008 o maior consumidor mundial de agrotóxicos, e no nosso país ainda estão sendo utilizados produtos que foram banidos em outras partes do mundo, incluindo a China.   Um artigo que publiquei em 2012 com resultados sobre uma pesquisa realizada por dois grupos de pesquisa da Universidade Estadual do Norte Fluminense mostrou que a presença de agrotóxicos banidos era significativa, colocando em risco agricultores, sistemas aquáticos e os consumidores dos produtos saídos de roças que se tornaram completamente dependentes do uso desses venenos [Aqui!].

Mas como no Brasil governado por Michel Temer todo veneno é pouco, agora descobri que o ministro/latifundiário Blairo Maggi está preparando um criminoso afrouxamento nas regras que permitem que agrotóxicos entrem e permaneçam no mercado [Aqui!].

Sob a desculpa de dar “segurança aos produtores e aos consumidores destes venenos agrícolas”, Maggi e seus colegas ruralistas estão propondo uma mudança que à primeira vista parece mínima, mas que tornará mais fácil para que um dado produto seja autorizado para comercialização no Brasil. É que em vez de “perigo” que se relaciona ao grau de toxicidade de um dado produto, a proposta que está em gestação passará a medir os agrotóxicos em termos de “risco” que tem mais a ver ao grau de exposição que se tenha ao mesmo. 

A questão parece mínima, mas não é. Como já observei em estudos de campo por mais de uma década,  raramente as regras que supostamente minimizam o risco são seguidas por uma série de fatores, sendo a minimização do tempo gasto na aplicação dos produtos a que considero a principal.

Entretanto, a mudança mais grave é que nas novas regras, Governo vai mudar regras para registro de novos agrotóxicos, produtos já autorizados a serem comercializados não precisarão passar por um processo de reavaliação nem ser banido do mercado. O problema é que muitos produtos que já foram largamente utilizados, como foi o caso do D-D-T, foram posteriormente identificados como causadores de graves danos à saúde humana e aos sistemas naturais.  Além disso, como as regras estão sendo objetivamente afrouxadas para permitir que novos produtos que são ainda mais tóxicos do que os disponíveis sejam mais rapidamente avaliados e liberados, a perspectiva que se abre é de um verdadeiro apocalipse químico no Brasil, principalmente nas regiões ocupadas por largas extensões de monocultura.

O mais dramático dessa situação é que outras partes do mundo já estão se afastando desse modelo de agricultura que depende tão fortemente dos venenos agrícolas, com experiências avançadas de agricultura ecológica se dando em muitas partes do mundo, incluindo a União Europeia.  Enquanto isso, o Brasil, seus trabalhadores rurais, e a população que consome a produção que é obtida com um uso altíssimo de venenos agrícolas parecem destinados a serem utilizados pelas corporações multinacionais que os vendem a ser uma espécie de “zona de sacrifício” onde serão despejados produtos que o resto do mundo não quer mais.

A Monsanto e a Syngenta/ChemChina certamente agradecerão os bons serviços de Blairo Maggi e Michel Temer.