Observatório dos agrotóxicos: com mais 28 agrotóxicos aprovados, governo Bolsonaro alcança 278 liberações em 2020

 

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O Diário Oficial da União publicou no dia de ontem (20/08) o Ato No. 48 de 2020 por meio do qual o Ministério da Agricultura, comandado pela “musa do veneno”, a ministra Tereza Cristina (DEM/MS), liberou mais 28 agrotóxicos, totalizando 278 apenas em 2020, chegando a 781 “novos produtos” liberados para comercialização no já abundante mercado de agrotóxicos do Brasil.

Analisando a origem dos países que sediam o fabricante primário de cada um dos produtos liberados, o Ato 48 trouxe uma novidade que é a dominância do Brasil, seguido pela China (ver gráfico abaixo).

Países fabricantes

Essa diferença em relação a todos os atos promulgados anteriormente pelo governo Bolsonaro foi o fato de que no Ato 48 consta a aprovação de 10 agrotóxicos de natureza biológica, área em que os fabricantes nacionais ocupam a primazia no mercado brasileira. Mas é interessante que apesar de todos esses agrotóxicos de base biológica, o Ato No. 48 ainda trouxe 8 agrotóxicos proibidos pela União Europeia, perfazendo 28,6% do total de produtos liberados, montante que é bastante próximo da costumeira taxa de aprovação de produtos proibidos na UE que é em média de 30%. (ver gráfico abaixo).

Um aspecto interessante é que os herbicidas continuam sendo o tipo mais comum de agrotóxico aprovado no Brasil. Mas o Ato 48 também trouxe uma forte concentração de nematicidas, todos de base biológica. Os nematóides vem se tornando uma das principais tipos de alvos do uso de agrotóxicos no Brasil, muito em função do tipo de agricultura baseado em grandes extensões de monoculturas (ver gráfico abaixo).

função agrotóxico

Um aspecto que a leitura do Ato No. 48 também propiciou foi notar que cada vez mais existem discrepâncias na hora de alocar o grau de toxicidade humana dos produtos aprovados, com vários sendo aprovados sem sequer serem classificados. Além disso, dada a modificação nos critérios de definição de risco para a saúde humana, as classificações de toxicidade ambiental apresentam níveis de maior risco. Tal parece decorrer dos critérios de classificação que foram modificados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária no ano passado, quando o risco de morte risco de morte passou a ser  único critério para classificar a toxicidade de um produto no Brasil.

Nessa toada de liberações de produtos altamente tóxicos, muitos deles proibidos pela União Europeia, e em meio à pandemia da COVID-19, o Brasil caminha firme para se tornar uma zona de sacrifício para onde as grandes fabricantes de venenos agrícolas enviam produtos que estão sendo “faseados” em outras partes do mundo. Simples lógica do lucro sobre a saúde humana e do meio ambiente.

Para quem desejar baixar a base com os agrotóxicos liberados pelo Ato No. 48, basta clicar  [Aqui!]. Já quem desejar baixar a base completa para todos os agrotóxicos liberados em 2020, basta clicar [Aqui! ].

Brasil: aumento repentino de novos registros de agrotóxicos pelo governo Bolsonaro

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Por Akela News

São Paulo. No Brasil, sob o governo do presidente de extrema direita  de Jair Bolsonaro, há um surto de novos registros de agrotóxicos – explica Larissa Bombardi, professora e pesquisadora do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo em um vídeo recém-publicado . Bombardi é considerada uma dos cientistas mais talentosas na área de agrotóxicos do Brasil. No vídeo, ela descreve algumas das principais características dos altos níveis de substâncias altamente perigosas que foram recentemente aprovadas nos primeiros 18 meses do governo Bolsonaro, ou seja, desde o início de 2019.

É enorme o aumento nas aprovações de agrotóxicos em relação ao governo do Partido dos Trabalhadores (PT), que foi derrubado por um golpe parlamentar em 2016, e que registrou cerca de 98 novos agrotóxicos anualmente desde 2003. Metade dos 680 novos registros entre o início de 2019 e o final de junho de 2020 são herbicidas, um terço de inseticidas e um sexto de outros venenos. Dos 113 ingredientes ativos de agrotóxicos contidos nos 680 produtos, um terço está proibido na União Europeia (UE) devido à sua alta toxicidade para os seres humanos e o meio ambiente.

Como exemplo dos sete “venenos agrícolas” mais vendidos no Brasil, a professora Bombardi destacou o ingrediente ativo acefato, um inseticida proibido na Europa desde 2003.  O acefato é neurotóxico e citóxico (tóxico para as celulas) e danifica os embriões no útero das mães. O herbicida atrazina fabricado pelas empresas químicas Syngenta (Suíça) e Bayer-Monsanto, que é ilegal na UE desde 2004 e na Suíça desde 2007, também causa câncer de Parkinson, de estômago, de próstata, de ovário e linfático, bem como a síndrome de  Non-Hodgkin (a outro tipo de câncer). Além disso, a autoridade de homologação brasileira, a ANVISA, realizou uma curiosa reclassificação da toxicidade de todos os agrotóxicos vendidos no Brasil em agosto do ano passado, em que a toxicidade de muitas substâncias anteriormente classificadas como “altamente tóxicas” foi significativamente rebaixada e, portanto, minimizada.

Segundo Marcos Pedlowski, professor associado da Universidade Estadual do Norte Fluminense, o problema não existe apenas para os brasileiros, mas também para todos os países que importam os produtos tóxicos que o Brasil produz em seus latifúndios voltados para a exportação.

Christoph Then, da organização alemã Testbiotech, especializada em agrotóxicos e engenharia genética, há muito tempo critica o fato de 30 a 40 milhões de toneladas de soja serem importadas para a UE de países como o Brasil, mas também da Argentina e dos Estados Unidos, a maioria geneticamente modificada e que seria pulverizada maciçamente com misturas de herbicidas. Essas misturas de herbicidas contém glifosato e outros herbicidas altamente tóxicos. A safra importada é regularmente poluída com resíduos correspondentes. Até mesmo a Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA) concluiu que os dados disponíveis são insuficientes para avaliar os riscos para a saúde dos consumidores na UE.

De acordo com Pedlowski, o governo Bolsonaro também aproveitou a oportunidade para “passar a boiada” na área de aprovação de agrotóxicos. Desde que o vídeo da professora Bombardi foi publicado na semana passada, mais 29 agrotóxicos já foram aprovados pelo Ministério da Agricultura, sob a direção da Ministra da Agricultura, Tereza Cristina, conhecida pela sociedade civil como “Musa do Veneno”.

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Este artigo foi publicado originalmente em alemão pela Akela News [Aqui!].

Observatório dos Agrotóxicos: com mais 6 produtos técnicos, governo Bolsonaro totaliza 753 liberações em 20 meses

proibidosAgrotóxicos proibidos  pela União Europeia são campeões de vendas no Brasil, incluindo o famigerado Acefato que é neurotóxico, citotóxico e genotóxico

Nem o caos sanitário, político e econômico em que o Brasil está afundado neste momento para o ímpeto do governo Bolsonaro de liberar mais agrotóxicos para serem consumidos no Brasil.  Com a promulgação do Ato de No. 46 de 05 de agosto 2020, publicado no Diário Oficial da União no dia 10 de agosto, o Ministério da Agricultura lançou mais 6 agrotóxicos na forma de produtos técnicos, totalizando incríveis 753 liberações desde janeiro de 2019, sendo 250 em 2020.

Dos 6 agrotóxicos aprovados, 5 estão proibidos pela União Europeia, incluindo o famigerado inseticida Acefato que têm sido associado a diversas doenças graves (ver figura abaixo). Completando a lista dos “proibidões” liberados pelo Ato 46 estão o Dibrometo de Diquate (Herbicida), o Ciproconazol (Fungicida) e a Piroxasulfona (Herbicida).

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O curioso é que todos esses produtos já tiveram outras versões liberadas pelo governo Bolsonaro, o que reforça o fato de que no Brasil estão sendo despejados agrotóxicos que estão perdendo mercados em outras partes do mundo, o que nos transforma em uma espécie de “zona de sacrifício” de produtos proibidos em outras partes do mundo. 

Esta prática de introduzir cada vez mais produtos que já estão com patentes livres no mercado mundial não tem, contudo, servido para baratear o custo dos agrotóxicos, o que demonstra, mais uma vez, que o discurso do governo Bolsonaro, também nesta área, não condiz com a realidade.  

Assim, enquanto os fabricantes de agrotóxicos proibidos fazem festa, os brasileiros estão cada vez mais sendo expostos a substâncias altamente tóxicas e causadoras de doenças graves.

Quem desejar baixar a lista de agrotóxicos liberados pela Ato No. 46, basta clicar [Aqui!], e as lista total para 2020 [Aqui!].

Governo Bolsonaro faz a festa dos fabricantes de venenos agrícolas, mostra publicação chinesa

agrotoxicos lucrosGoverno Bolsonaro está “passando a boiada” e fazendo a festa das grandes fabricantes de venenos agrícolas

O site especializado “AgroPages“, editado na China, publicou ontem informações sobre o momento altamente lucrativo por que passam os fabricantes de agroquímicos (um eufemismo usado para não explicitar a presença de venenos agrícolas na agricultura das Revolução Verde) no Brasil.  Segundo informou a publicação chinesa,  a venda de agroquímicos (agrotóxicos, quer dizer)  no Brasil resultou em uma receita de US$ 13,7 bilhões em 2019, o que foi 5,8% superior ao ano de 2018, representando um recorde no setor.

Por outro lado, a Agropages notou que o mercado de agrotóxicos do Brasil é altamente concentrado. Em função disso, a receita total das dez principais empresas líderes (incluindo multinacionais) atingiu US$ 11,392 bilhões, representando 83,2% de todas as vendas do mercado brasileiro de agrotóxicos em 2019.  

De acordo com uma pesquisa realizada pela AgroPages, as 10 principais empresas agroquímicas locais geraram US $ 1,069 bilhão em vendas em 2019, representando 7,8% de todo o mercado. A Nortox, a única empresa local a aparecer na lista geral do ranking (que inclui multinacionais), ficou em primeiro lugar na lista das 10 principais empresas agroquímicas brasileiras. A receita da Nortox aumentou 18%, para US $ 342 milhões em 2019. O crescimento foi impulsionado pelo lançamento pela Nortox de seu fungicida Mancozeb, além de outros seis lançamentos de pesticidas em 2019.

A aceleração do registro e liberação comercial de agrotóxicos pelo governo Bolsonaro foi apontado como positiva para o setor,  já que segundo a “Agropages” isto incentiva as empresas locais a registrar e lançar mais produtos. Isso explica, por exemplo, porque as vendas da Nortox S/A tiveram um aumento expressivo nos dois últimos anos. A Agropages informa ainda que outras duas empresas que registraram crescimento de dois dígitos são a ALTA e a CropChem LTDA (a figura abaixo mostra o ranking das 10 maiores fabricantes de agrotóxicos no Brasil em 2019).

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No caso da CropChem, isto ocorreu após a empresa obter 19 registros em três anos, o mesmo tendo acontecido com a   Ourofino Agrociência que associou o crescimento dos lucros  da empresa à aprovação de novos agrotóxicos após a colheita de 2018/2019 e começaram a gerar receita no ano passado.

Algo que está mais evidente no relatório anual da Agropages sobre o mercado de agrotóxicos na América Latina [Aqui!] é que muitas dessas empresas que hoje concentram as vendas em nosso continente nada de têm de local, sendo braços de grandes fabricantes mundiais de agrotóxicos ou ainda que sejam “locais” têm parte do seu controlado por corporações multinacionais. A publicação chega a classificar este tipo de empresa como sendo “campeões ocultos”, citando o caso de corporações japonesas como a Sumitomo, a Nippon Nohyaku e a Mitsui (que detém parte do capital da Ourofino Agrociência, 3a. maior vendedora de venenos agrícolas no Brasil em 2019).

Mas nem tudo é alegria para os fabricantes de agrotóxicos. É que em uma postagem de hoje surge a informação de que a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), informo que as importações brasileiras de agrotóxicos totalizaram 270.101 toneladas no primeiro semestre de 2020,  representando uma queda de 6,3% em volume em comparação com os primeiros seis meses do ano passado.  O Brasil teria comprado 130.558 toneladas de ingredientes ativos, queda de 7% e 139.542 toneladas de produtos formulados, queda de 5,6%, entre janeiro e junho de 2020.  Mesmo, considerados os valores envolvidos, o Brasil comprou US$ 2,118 bilhões no primeiro semestre de 2020, um aumento de 2,1% sobre US$ 2,075 bilhões no mesmo período de 2019. Os ingredientes ativos somaram US$ 735,264 milhões, uma queda de 4%, enquanto formulados os produtos cresceram 5,6% no valor de US $ 1.383 milhões em compras brasileiras do exterior. 

Todas essas informações apontam para a crescente dependência da agricultura de exportação do uso de venenos agrícolas, muito deles proibidos em outras partes do mundo, e com preços cada vez mais altos. Essa situação coloca em xeque o discurso da ministra da Agricultura, Tereza Cristina (DEM/MS) no sentido de que a enxurrada de aprovação de novos agrotóxicos visa eliminar produtos altamente tóxicos e ultrapassados e diminuir o custo financeiro arcado pelos agricultores brasileiros. 

A única coisa que parece estar ocorrendo mesmo é o aumento do lucro fabuloso das fabricantes de veneno. Simples assim!

Observatório dos Agrotóxicos: no meio da pandemia, governo Bolsonaro aprova mais 21 produtos técnicos

chuvaEm plena pandemia, o governo Bolsonaro aprova mais produtos altamente venenosos para uso na agricultura brasileira, incluindo o polêmico herbicida Dicamba

Para quem pensa que a crescente pressão internacional para que o governo Bolsonaro adotar medidas de proteção ambiental serviu para arrefecer os ânimos dentro do Ministério da Agricultura comandado pela “musa do veneno”, a ministra Tereza Cristina (DEM/MS), melhor pensar de novo. É que a edição Oficial da União publicado no último dia 09 de julho trouxe no seu interior o Ato No 39 de 06 de julho de 2020 por meio do qual foram liberados 21 novos agrotóxicos na forma de produtos técnicos (aqueles que são base para a produção das mais diversas formulações) para comercialização no Brasil, elevando o total de agrotóxicos liberados em 2020 para 206 (o que completa a impressionante quantidade de 709 agrotóxicos liberados em pouco mais de 18 meses de governo.

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Agrotóxicos liberados pelo governo em 2019 e até 06 de julho de 2020*

Dentre os agrotóxicos liberados pelo Ato No 39  está o polêmico herbicida Dicamba, da multinacional alemã Bayer, que está proibido pela justiça dos EUA, mas que foi autorizado neste ato para importação junto à empresa indiana Gharda Chemicals Ltd.  Além do Dicamba, outro composto proibido, mas agora pela União Europeia, é o inseticida Bifentrina, este produzido por outra empresa indiana,  a Bharat Rasayan Limited. 

Aliás, o Ato Ato No 39 tem duas características interessantes: 1) a primeira é que India e China monopolizam a produção dos agrotóxicos, com 11 e 10 produtos sendo produzidos, respectivamente, nestes dois países,  e 2) o fato que 42,8% dos produtos liberados possuem princípios ativos proibidos pela União Europeia. Entretanto, o Dicamba que ainda vendido legalmente na União Europeia, está como já foi apontado sob intenso escrutínio pela justiça dos EUA por causa dos danos causados em cultivos que não são geneticamente manipulados para serem aspergidos com este herbicida originalmente produzido pela Bayer.

Outro “proibidão” que teve uma novo produto aprovado é o inseticida neonicotinóide Tiametoxam a quem tem sido relacionado efeitos danosos à saúde das abelhas, sendo considerado em determinados círculos como um “bee killer” (ou em bom português, um assassino de abelhas).  

Mas os problemas não param nos agrotóxicos já citados, pois 18 dos 21 produtos são considerados como altamente tóxicos para o meio ambiente. Por outro lado, dada a nova forma de classificação adotada pela Anvisa, o grau de toxicidade desses produtos para a saúde humana ficou escondido por detrás da curiosa definição “O perfil toxicológico foi considerado equivalente ao produto técnico de referência”. Isto equivale a efetivamente não informar qual é a toxicidade dos mesmos.

Como se vê, a sede por agrotóxicos venenosos por parte do latifúndio agroexportador parece ser mesmo infinita. O problema é que com essa enxurrada de agrotóxicos altamente venenosos, em breve as pressões sendo feitas contra o desmatamento na Amazônia, em breve também incluirão o nível de resíduos dessas substâncias nas commodities agrícolas. Isto sem falar no fato de que desmatamento e intensificação do uso de agrotóxicos são uma espécie de “Rômulo e Remo” do agronegócio brasileiro.

Quem desejar acessar a planilha contendo os agrotóxicos liberados pelo Ato No 39, basta clicar [Aqui!], enquanto que para baixar a planilha completa para o ano de 2020, basta clicar [Aqui!].

 

Enquanto a boiada passa, governo Bolsonaro apresenta versão “para inglês ver” do agronegócio predatório

Ricardo-Salles-e-Tereza-Cristina-1024x585Dupla bem azeitada: enquanto Ricardo Salles deixa a porteira escancarada, Tereza Cristina continua passando a boiada.

Diga o que se disser da ministra Tereza Cristina, também conhecida como a musa do Veneno, ninguém pode dizer que ela não é uma pessoa que comanda o ministério da Agricultura do governo Bolsonaro com o devido grau de criatividade, no melhor estilo do mascate que vende gelo para esquimó.

Vejam abaixo, por exemplo, o vídeo produzido pelo Ministério da Agricultura em língua inglesa para vender uma imagem de responsabilidade ambiental e de alta inovação tecnológica da setor agropecuário brasileiro.

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Este vídeo não existe

Se não soubéssemos do números recordes de desmatamento que estão ocorrendo em todos os biomas florestais brasileiros e da enxurrada de agrotóxicos altamente venenosos que foram liberados sob a batuta de Tereza Cristina, as imagens lúdicas e potencialmente inebriantes que são mostrados no vídeo fariam até os mais aguerridos dos críticos vacilarem por um momento.

O problema é que nós e o resto do mundo sabemos que essa vídeo pago pelo dinheiro público apresenta uma versão para lá de fantasiosa da realidade, e que brevemente os rolos de fumaça que subirão na Amazônia brasileira tratarão de mostrar a distância entre a propaganda e a realidade.

Mas vá lá. se algum incauto caia na conversa e resolva investir em uma agricultura que só existe nos estúdios que produziram a miragem acima, Tereza Cristina e sua equipe poderão continuar passando a boiada pela porteira que Ricardo Salles deixou aberta.

Le Monde faz matéria sobre Tereza Cristina, a “Madame Desmatamento”

Tereza Cristina madame desmatamentoTereza Cristina, a “Madame Desmatamento, no seu escritório no Ministério da Agricultura em Brasília. 

Os leitores do jornal francês “Le Monde” foram premiados hoje com uma ampla matéria sobre os feitos da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, a quem o jornalista Bruno Meyerfeld conferiu, com rara felicidade, o título de “Mme Déforestation”, ou “Madame Desmatamento”.  Essa matéria apresenta Tereza Cristina como o “rosto respeitável de um governo de loucos”, mas nem por isso menos responsável pelos números estratosféricos de desmatamento que vão marcar o ano de 2020 como um dos piores desde que o acompanhamento foi iniciado para medir a perda anual de florestas na Amazônia brasileira.

tereza cristina le monde

Um número que deverá causar espanto aos leitores franceses é o dos 1.202 km2   de floresta tropical que desapareceram nos primeiros quatro meses de 2020,  o equivalente a mais de 1.400 campos de futebol por dia.  Este valor recorde de desmatamento, ressalta a matéria, ocorreu no meio da estação das chuvas, e se soma aos 10.000 km2 destruídos no ano passado.

Bruno Meyerfield também informa na matéria o apelido de “Musa do Veneno” que Tereza Cristina ganhou enquanto ocupava o posto de líder da famigerada “Frente Parlamentar da Agricultura (FPA), mais conhecida como “bancada ruralista”, onde defendeu com unhas e dentes a aprovação desenfreada de agrotóxicos altamente venenosos, coisa que agora ela faz com incrível celeridade enquanto segura a caneta de ministra da Agricultura.

Um ponto que é marcado na reportagem é a fala de Tereza Cristina no sentido de que ela é ouvida por Jair Bolsonaro, que lhe dá “total liberdade para expressar sua opinião”.  Até onde essa liberdade total vai é sempre uma questão a se medir, mas não há dúvida que Tereza Cristina vem realizando com maestria o papel duplo de fazer avançar os interesses daqueles que se beneficiam com o avanço o processo de desmatamento que, muitas vezes, agem juntos com os produtores de agrotóxicos que são despejados nas áreas que estão perdendo florestas.  Não é por outra razão que Tereza Cristina favorece por um lado a liberação de um número recorde de agrotóxicos banidos na União Europeia e, por outro, se posiciona de forma inequívoca na defesa da “MP da Grilagem de Terras”. 

Por tudo que aparece na matéria do “Le Monde” é que considero um equívoco deixar Tereza Cristina operando tranquilamente no segundo plano que ela escolheu, enquanto toda a atenção é jogada sobre o improbo ministro (ou seria anti-ministro) do Meio Ambiente, Ricardo Salles.  É que objetivamente, Ricardo Salles vem jogando o papel de “boi de piranha” e não de “passador de boiada”, já que é Tereza Cristina quem operacionaliza a ação devastadora do latifúndio agro-exportador sobre nossos ecossistemas naturais.  Mas, felizmente, sempre há um “Le Monde” da vida para nos mostrar isso, já que a mídia corporativa brasileira prefere se omitir em nome de seus próprios interesses.

 

Observatório dos Agrotóxicos divulga lista completa dos 147 agrotóxicos liberados até 01 de Abril de 2020

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Como havia adiantado,  organizei o “Observatório dos Agrotóxicos” para continuar informando a todos os interessados sobre a marcha das aprovações de novos agrotóxicos pelo governo Bolsonaro. Lembro que em 2019, o Ministério da Agricultura (MAPA) atingiu a impressionante marca de 503 agrotóxicos liberados para o mercado brasileiro.

Mas aparentemente a ministra Tereza Cristina está disposta a estabelecer um novo recorde de liberações em 2020, pois com cinco atos publicados até o dia 01 de abril, o MAPA já totaliza 147 “novos” agrotóxicos nos primeiros 92 dias do corrente ano. Isso demonstra que nem a pandemia da COVID-19 está servindo para diminuir a avidez em despejar no mercado brasileiro uma série de produtos “genéricos” de agrotóxicos já disponíveis no mercado. 

Noto ainda que a nova metodologia de avaliação dos riscos sobre a saúde humana e o meio ambiente que está sendo utilizada pelos órgãos responsáveis pelo processo de liberação de agrotóxicos no Brasil (i.e., Anvisa, IBAMA e MAPA) criou uma situação peculiar, pois a maioria dos agrotóxicos aparece como mais potencialmente tóxicos para o meio ambiente do que para a saúde humana, o que modifica os padrões que existiam antes das modificações impostas na forma de classificação dos agrotóxicos pelo governo federal.

Também é importante salientar que se consolida a hegemonia de empresas chinesas no oferecimento das versões genéricos de agrotóxicos que já existem no mercado brasileiro. O detalhe é que esses agrotóxicos “genéricos” abarcam uma quantidade significativa de produtos banidos nos países que os desenvolveram originalmente. Tal fato indica uma articulação entre corporações localizadas nos países centrais e empresas chinesas  para mover a produção dessas substâncias indesejadas nos países centrais para a China que, depois, as comercializa com países produtores de commodities agrícolas como o Brasil e a Argentina.

Quem desejar acessar a base de dados, contendo os 147 agrotóxicos já aprovados em 2020, basta clicar [Aqui! ].

Observatório dos agrotóxicos: governo Bolsonaro libera mais 46 produtos

agrotóxicos chuva

Apesar das evidências existentes de que existe uma ligação direta entre o modelo de agricultura industrial e a ocorrência de pandemias como a causada pela COVID-19, o governo Bolsonaro mantém-se firme na liberação de agrotóxicos para serem usados, em grande maioria, nas grandes extensões de monoculturas de soja, milho e cana-de-açúcar.

Tanto isto é verdade que, por meio do Ato No. 26 de 01 de abril de 2020, foram liberados mais 46 agrotóxicos para uso no Brasil. Mais tarde divulgarei a lista completa desses 46 produtos e a base atualizada dos agrotóxicos já aprovados em 2020 que já alcança um “grande total” de 147 aprovados apenas entre 1 de janeiro e 01 de abril.

Dois detalhes interessantes sobre essa nova lista de aprovações. A primeira é a presença de 17 agrotóxicos de natureza biológica. A segunda é aprovação de várias versões do herbicida 2,4-D  que é fabricado pela multinacional estadunidense Dow Chemical Co.

Por isso é que eu digo que o caos aparente no interior do governo Bolsonaro pode não passar disso mesmo, aparência. É que enquanto os brasileiros estão lutando por suas vidas em meio à pandemia da COVID-19, o Ministério da Agricultura comandado por Tereza Cristina segue firme no seu intento de nos transformar numa imensa banheira tóxica para onde as corporações multinacionais destinam proibidos em seus países-sede.

 

Em meio à pandemia, governo Bolsonaro liberou mais 53 agrotóxicos em março

Pesticide Spraying in Tea Estate in Kerala

Acabo de verificar que nem a pandemia da COVID-19 está servindo para arrefecer o ímpeto do governo Bolsonaro para liberar mais 53 agrotóxicos por meio dos Atos 17 e 22. Com isto, o total de agrotóxicos liberados somente em 2020 chegou a 101, o que somado aos 503 liberados em 2019.   Com essas novas liberações, o governo Bolsonaro totaliza incríveis 604 agrotóxicos liberados em apenas 15 meses de mandato.

Nos próximos dias irei liberar a base completa para o ano de 2020, mas posso adiantar que nos atos 17 e 22 foram liberados consta um “campeão de preferência” que é o Glufosinato de Amônia, um herbicida proibido pela União Europeia.  O caso do Glufosinato de Amônia é ainda mais peculiar quando se verifica que na lista dos 18 produtos liberados pelo Ato 22, este agrotóxico apareceu 9 vezes.

Mais peculiar ainda no caso do Glufosinato de Amônia é notar que a empresa chinesa “Hebei Veyong Bio-Chemical Co., Ltd.” é a principal fornecedora do Glufosinato de Amônia para esta lista de aprovações (sendo que 7 das formulações aprovadas serão fornecidas exclusivamente por essa empresa).

De toda forma, o que se vê é que dentro do caos aparente em que o Brasil está imerso neste momento, a aprovação de agrotóxicos altamente perigosos, e banidos em outras partes do mundo, segue seu curso firme.