Rio Doce pós-TsuLama da Samarco: cadê a prometida ressurreição, Dr. Rosman?

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No dia 28 de  Novembro de 2015, o Prof. Paulo Rosman do COPPETEC/UFRJ deu uma entrevista à rede inglesa BBC com uma previsão que gerou muita polêmica nas redes sociais. Nessa previsão o Prof. Rosman indicou a sua crença numa eventual ressurreição do Rio Doce até o final deste mês de Abril, ou seja, cinco meses após a data da entrevista (Aqui!).

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As reações à entrevista dada pelo prof. PauloRosman à BBC sobre a situação criada pelo incidente da Mineradora Samarco em Mariana (Aqui!) não tardaram. Um membro da rede social Facebook resolveu inclusive criar um evento que ele denominou de “Dia da Ressureição do Rio Doce, segundo Paulo Rosman e o MMA”.

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Pois bem, ontem (28/4) completaram-se os cinco previstos pelo Prof. Rosman, a antecipada ressurreição do Rio Doce não se consumou. E, pior, notícias vindas das regiões atingidas pelo TsuLama da Samarco dão conta que as condições de recuperação dos ecossistemas atingidos continuam bastante lentas, até porque até hoje não foi interrompida a chegada de sedimentos aos sistemas aquáticos que desaguam no Rio Doce.

Além disso, o drama social causado pelo TsuLama tampouco se abateu, pois continuam os problemas com o abastecimento de água potável e persiste o abandono das famílias diretamente atingidas pelo incidente ocorrido em Bento Rodrigues.

Diante desse cenário todo, eu fico me perguntando se BBC vai procurar o Prof. Rosman para que ele nos esclareça porque a ressurreição do Rio Doce se transformou numa previsão furada. Já no caso da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira,  que havia prometido ações para mitigar os efeitos do TsuLama, é provável que a maior preocupação atual dela seja arrumar as gavetas com o iminente impeachment da presidente Dilma Rousseff.

E pensar que depois dessa tragédia toda a grande solução que está sendo preparada em Brasília é abolir o processo de licenciamento ambiental no Brasil.  Se isso se consumar, o mais provável que o TsuLama da Samarco seja apenas o primeiro de uma longa série de incidentes mortais. E ainda sem direito à ressurreição, seja dos mortos ou dos ecossistemas naturais.

Protesto das vítimas do TsuLama da Samarco fecha estrada em Regência

Protesto de moradores bloqueia entrada de Regência

 

👤Manaira Medeiros

 

Os moradores de Regência, em Linhares (norte do Estado), bloqueiam o acesso à vila desde às 20h30 dessa quarta-feira (27), por tempo indeterminado. O protesto é uma reação ao anúncio da Samarco/Vale-BHP de que irá retirar nesta sexta-feira (29) a base instalada na cidade após o crime do rompimento da barragem em Mariana (MG), além de encerrar o fornecimento de caminhões-pipa e o cadastramento para pagamento do auxílio-emergencial aos atingidos. A medida irá agravar a situação da comunidade, que perdeu suas principais fontes de renda e enfrenta graves problemas de abastecimento de água.

O bloqueio dos moradores é apenas para funcionários da Samarco e terceirizados. A empresa, quase seis meses após a maior tragédia socioambiental do País, ainda trata com descaso os impactados pela contaminação do rio Doce e do mar pela lama de rejeitos, o que decretou o fim da pesca artesanal e do turismo na vila, deixando as famílias sem fonte de subsistência e alimentação. 

Eles cobram da empresa que o pagamento do auxílio-emergencial definido pela Justiça aos pescadores e ribeirinhos seja ampliado a todos os moradores de Regência. “O crime afetou a cidade inteira”, enfatizou Pablo Ferreira, comerciante e morador da vila há oito anos. Segundo ele, 80% do comércio sofrem prejuízos, muitos estabelecimentos tiveram que fechar as portas, e os imóveis estão desvalorizados à metade. 

Pablo também denunciou que, mesmo entre os pescadores e ribeirinhos, há muitas pessoas sem receber o auxílio. Esse pagamento, como aponta, não deve chegar a 200 pessoas da comunidade, que tem cerca de 900 moradores. “Além de ser uma minoria, há relatos de que pessoas de fora estariam recebendo o pagamento, o que é injusto e revoltante”. 

A comunidade também relata casos de violência jamais registrados na vila antes do crime, inclusive roubos a mão armada e ameaças.

O problema da qualidade da água é outro ponto levantado pelos moradores. O abastecimento feito pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Linhares, como afirma a professora da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio (EEFM) Vila Regência, Luciana Souza, distribui para as casas uma água com coloração que varia entre ferrugem e azul escuro, com forte odor que lembra vegetação de brejo. 

Ela pontua que, nos últimos dois meses, os casos de crianças e estudantes com sintomas como diarreia, irritação nos olhos e náuseas aumentou consideravelmente na escola que trabalha. Ela cobra que essa coincidência seja investigada.

Na escola estadual e no Centro Educacional Infantil Municipal (CEIM) de Regência, a água do SAAE é utilizada somente para cozinhar. Para beber, os alunos têm disponível água mineral, graças a doações de entidades e movimentos sociais. “Dependemos de atos de solidariedade, a empresa nunca procurou a escola para isso”, afirmou.

A mobilização, além do pagamento de auxílio a todos os moradores, cobra a disponibilização da lista dos contemplados; soluções alternativas para captação de água, que não seja no rio Doce nem como é feito atualmente, no rio Pequeno (separados apenas por uma barragem), recurso igualmente impróprio para consumo humano; fornecimento de água mineral pela Samarco; e mapeamento hidrogeológico urgente da foz do rio Doce. 

O oceanógrafo Eric Mazzei, que é morador de Regência e integrante do Fórum Capixaba de Entidades em Defesa da Bacia do Rio Doce, alerta que a alternativa apresentada pelo poder público de captar água da Lagoa Nova, também não irá resolver o problema. “Primeiro, não há capacidade hídrica para suportar o abastecimento de todo o município, segundo, a lagoa também recebeu rejeitos da lama”, explicou. 

Ele defende a descentralização do uso dos corpos hídricos disponíveis na região para uso das comunidades, medida que garantiria não só um abastecimento de qualidade, como a menor exploração de cada corpo hídrico.

Os moradores, cerca de 150, aguardam a Samarco para uma reunião na própria vila, mas garantem que só deixarão o local após a empresa apresentar medidas efetivas. O SAAE já esteve na área do protesto, garantiu que a água é própria, e se comprometeu a investigar a situação de algumas casas, que serão listadas pela comunidade. 

FONTE: http://seculodiario.com.br/28438/10/moradores-bloqueiam-entrada-de-regencia-por-tempo-indeterminado

Então o que vocês querem é voltar a viver onde era o Bento? O que se escutou foi um sonoro e contundente “sim”

Por

Audiência pública debateu o tombamento do Antigo Bento Rodrigues. Na reunião, a única coisa que se via era a revolta dos atingidos e o sistemático descumprimento das leis brasileiras, dos acordos firmados em juízo e de qualquer código.

 

Ex-moradores, ainda proprietários de imóveis que sobraram ou nem sobraram, estão impedidos de chegar à vila e até mesmo de visitar as ruínas das suas antigas casas.

Foto: Gustavo Ferreira
Foto: Gustavo Ferreira

Texto por Tatiana Ribeiro de Souza¹

“Prezo insetos mais que aviões. Prezo a velocidade das tartarugas mais que a dos mísseis.Tenho em mim um atraso de nascença.Eu fui aparelhado para gostar de passarinhos.Tenho abundância de ser feliz por isso.Meu quintal é maior do que o mundo.”(Manoel de Barros)

Sob o pretexto de cuidar da segurança das pessoas que visitam o antigo vilarejo de Bento Rodrigues, a Samarco instalou um portão e controla os acessos ao local destruído por sua própria lama, no último dia 5 de novembro. Ex-moradores, ainda proprietários de imóveis que sobraram ou nem sobraram, estão impedidos de chegar à vila e até mesmo de visitar as ruínas das suas antigas casas.

Tal situação foi motivo das mais duras manifestações de revolta durante a audiência pública que, na última semana, debateu o tombamento do Antigo Bento Rodrigues. Talvez a mais incontida das moradoras, Mônica dos Santos, levantou-se ao gritos:

Por que nós não podemos entrar no Bento? Não podemos nem visitar! Na hora que a gente estava correndo da lama, ninguém foi lá.

 

A questão colocada pelos moradores é que eles não podem ingressar, mas as máquinas da Samarco lá estão sem nenhuma fiscalização de quem quer que seja. Prosseguindo seu desabafo, Mônica vaticinou: “Eu vou lá e entro a hora que eu quiser. Não tem homem que vai me impedir. Eu atravesso o rio. Esse é um direito que ninguém me tira”. O grito encorajou outros moradores a fazerem o mesmo na audiência. O que se ouviu foi uma catarse coletiva de choro e muita, muita revolta. Autoridades como o prefeito de Mariana, Duarte Júnior, e o presidente da Câmara de Vereadores da cidade, Tenente Freitas, entre outras, puderam ver e ouvir de perto o sofrimento.

Foto: Bruno Bou
Foto: Bruno Bou

Fato novo veio à luz no meio da reunião que estava lotada, principalmente, por gente simples, acostumada a viver em pequenas vilas que não existem mais. A ex-moradora contou que, no lugar onde ficava a sua casa, a Samarco está construindo o dique 54, sem qualquer autorização da sua família. Para a surpresa dos membros do Ministério Público e das representantes do Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional e do Conselho Municipal do Patrimônio Cultura de Mariana, as obras da Samarco para transformar Bento Rodrigues em barragem estão a todo vapor. O promotor de justiça interpelou imediatamente José Luiz Forquim, representante da Samarco, sobre aquelas afirmações. Obteve como resposta a informação de que as obras foram paralisadas.

“Mentira. A gente vai lá no alto do morro e vê tudo que vocês estão fazendo” gritaram da plateia.

Na tentativa de arrefecer os ânimos, a presidente do Conselho Municipal, Ana Cristina Maia, perguntou: “A construção do dique foi exigência do Ministério Público?”

Em resposta, José Luiz disse que tudo que a Samarco está fazendo foi acertado com o Ministério Público. Desta vez foi o representante do MP quem gritou “mentira!”

Na tentativa de explicar o inexplicável, o boi-de-piranha da Samarco disse que estão apenas fazendo sondagem, o que foi sucedido por outra interpelação do Ministério Público: “Vocês estão fazendo sondagens sem autorização? Nós queremos esclarecimentos a esse respeito!” Quando parecia que a ação criminosa da Samarco não poderia ficar mais exposta, as representantes do IPHAN e do Conselho Municipal revelaram que também não foram informadas sobre as tais sondagens. Deixaram claro: as autorizações dos respectivos órgãos são obrigatórias e insubstituíveis.

“A Samarco não pede autorização para ninguém”, gritaram mais uma vez da plateia.

“A fase dos curiosos com a tragédia já passou”, diziam os moradores. “A imprensa não se interessa mais por nós”: era o que se ouvia a todo momento, seja do povo do Bento, de Paracatu de Baixo (ambos distritos de Mariana), seja do povo do município de Barra Longa, à margem do rio Gualaxo do Norte, por onde desceu a lama da desgraça. No início de abril, os pesquisadores do Grupo de Estudos e Pesquisas Socioambientais – GEPSA, da Universidade Federal de Ouro Preto, visitaram Barra Longa e escutam uma queixa recorrente: “ninguém passa por Barra Longa, porque aqui não é caminho para lugar nenhum. Só vem para Barra Longa quem quer mesmo vir para cá, e depois de alguns meses da nossa tragédia ninguém se interessa mais”

Com o país inteiro hipnotizado pela crise política e pelo impeachment, são poucos os que ainda se interessam pelo destino das famílias que perderam seus parentes e amigos, suas casas, sua vila, seu passado e seu projeto de vida. A última palavra que surgiu com força na mídia veio da propaganda da Samarco, veiculada em horário nobre de televisão: “Fazer o que deve ser feito, esse é o nosso compromisso”

Uma situação surreal se instalou em Mariana, e algumas falas da audiência foram emblemáticas para perceber isso: “A Samarco chegou em cima do Bento, não foi o Bento que chegou embaixo da Samarco”. Isso deixa claro quem é que deve sair de onde está. Pode parecer esdrúxulo que a empresa tenha obtido autorização para se instalar em localidade que colocava em risco a vida de várias pessoas e do meio ambiente, mas não chega a ser surpreendente, porque sabemos como as empresas e o Estado operam numa economia capitalista. Além disso, o desejo histórico da Samarco de comprar a vila inteira de Bento Rodrigues e a insistência agora em se apropriar do cemitério de lama que virou aquele lugar revelam o que significa para a Samarco qualquer coisa que se coloque como obstáculo para os seus negócios: rejeito. O empenho da empresa, depois de tudo que causou com a sua irresponsabilidade criminosa, é para, finalmente, transformar o território do antigo Bento Rodrigues em parte da sua barragem.

Na reunião, depois de três horas, a única coisa que se via era a revolta dos atingidos e o sistemático descumprimento das leis brasileiras, dos acordos firmados em juízo e de qualquer código de ética que uma empresa possa ter. O discurso recorrente dos atingidos é que não gostariam de depender da Samarco para viver e que, mesmo recebendo migalhas, têm sido acusados pelos demais moradores de Mariana de serem preguiçosos e aproveitadores.

Eles só queriam que o dia 5 de novembro de 2015 nunca tivesse acontecido. “O meu pedido é que o Bento não vire barragem. Enquanto eu estiver viva isso não vai acontecer”, voltou a bradar a revoltada Mônica. Diante deste cenário, e precisando dar por encerrada a audiência pública, a presidente do Conselho Municipal de Patrimônio Cultural de Mariana, Ana Cristina, decidiu consultar a plateia: “Então o que vocês querem é voltar a viver onde era o Bento?” O que se escutou foi um sonoro e contundente “sim”.

Foto: Gustavo Ferreira
Foto: Gustavo Ferreira

[1] Professora Adjunta do Departamento de Direito da Universidade Federal de Ouro Preto e Coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisas Socioambientais – GEPSA

TsuLama pode ter efeitos ainda mais catastróficos se barragem romper em MG

Pressão de Rejeitos da Samarco Pode Romper Barragem da Usina em Minas

Segundo o Ibama, pelo menos 10 milhões de metros cúbicos de detritos estão pressionando estrutura da hidrelétrica na Zona da Mata mineira. Instituto descobriu também que afluentes do Rio Doce não foram mapeados por mineradora

Por Pedro Ferreira
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Um muro de 16 metros formado por rejeitos de minério da Barragem de Fundão, que se rompeu em novembro do ano passado em Mariana, na Região Central de Minas, se formou junto à parede da barragem da Usina Hidrelétrica Risoleta Neves, também conhecida como Candonga, que pode se romper por causa da pressão. Foi o que indicou levantamento feito pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama). Segundo o Ibama, a força dos rejeitos sólidos sobre a parede da usina é grande e oferece risco. Pelo menos 10 milhões de metros cúbicos de material estão forçando a estrutura da usina, que fica no município de Santa Cruz do Escavado, Zona da Mata mineira.
Por determinação do Ibama, o material já está sendo retirado pela Mineradora Samarco, dona da barragem que se rompeu. O período de estiagem contribui para o serviço, segundo o instituto. Ainda de acordo com o Ibama, se não fosse a usina o estrago provocado pela lama seria muito maior abaixo da barragem da hidrelétrica, onde ficou retida grande parte do material sólido. Depois da hidrelétrica, o estrago ocorreu apenas na calha do rio. Antes, a lama invadiu as margens e há necessidade de reflorestamento da mata ciliar.
O Ibama havia solicitado à Samarco um levantamento do impacto nos afluentes do Rio Doce, atingido pela lama da Barragem de Fundão. A mineradora relacionou 68 afluentes impactados, mas um novo levantamento do instituto verificou que pelo menos 15 outros cursos d’água ficaram fora da contagem e deverão ser incluídos na lista. O relatório do Ibama ainda não foi concluído e deve ser apresentado à mineradora em reunião marcada para a próxima quarta-feira.
FONTE:  http://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2016/04/15/interna_gerais,753502/pressao-de-rejeitos-da-samarco-pode-romper-barragem-da-usina-de-candon.shtml

Marinha recua e dados sobre o TsuLama serão tornados públicos

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Ontem fui questionado sobre a posição da Marinha de colocar sob sigilo os dados científicos gerados por seus pesquisadores no caso do TsuLama. Respondi, no melhor do meu conhecimento, que não concordava, mas que a tendência a tornar toda a pesquisa sobre o TsuLama “confidencial” estava aparecendo em outros casos.

Agora, aparentemente sob pressão da sociedade civil e da comunidade científica, a Marinha parece ter revertido essa posição e irá tornar os dados públicos. Essa publicização dos dados obtidos pelo navio Vital de Oliveira é fundamental para que a comunidade científica possa começar compilar um amplo banco de dados que liguem os efeitos no continente e aos das áreas costeiras.

Enquanto isso não acontece, a Samarco (Vale +BHP Billiton) continua se esquivando de pagar as multas ambientais já aplicadas, sem que se tenha notícia de qualquer esforço real para que isso ocorra, seja no plano dos estados ou do governo federal. Em suma, a Samarco e suas proprietárias continuam total e solenemente impunes!

Após críticas de ONG, Marinha retira sigilo de estudo sobre lama no Rio Doce

Pesquisadores tiveram dados negados pela Lei de Acesso; Marinha reclassificou documento

Da Agência Brasil

A lama da barragem da Samarco com rejeitos de mineração segue ao longo do Rio Doce em direção à foz, localizada em Regência (ES)Fred Loureiro/Secom ES

A Marinha do Brasil decidiu retirar o sigilo sobre um estudo realizado com o navio hidroceanográfico Vital de Oliveira. Em novembro de 2015, a embarcação foi utilizada para a produção de uma pesquisa nos arredores de Linhares, no Espírito Santo, sobre o impacto da lama de rejeitos que vazou após o rompimento de uma barragem da mineradora Samarco, no mesmo mês. A tragédia no município de Mariana, em Minas Gerais, levou poluição à bacia do rio Doce e ao mar no litoral norte do Espírito Santo.

A decisão da Marinha ocorre após a organização não-governamental (ONG) Transparência Capixaba contestar a falta de transparência em relação à pesquisa. “Pela Lei de Acesso à Informação, não há absolutamente qualquer motivo para que estas informações sejam consideradas sigilosas ou que envolvam a segurança nacional”, diz Edmar Camata, integrante da ONG. Ele entende que os resultados do estudo são relevantes para a sociedade e imprescindíveis para que se possa ter conhecimento dos danos que a tragédia causou.

A Transparência Capixaba pretendia questionar judicialmente o sigilo. “A ação natural voltada para obter uma informação pública é o habeas data [ação para o cidadão obter informações sobre ele próprio]. Mas estamos avaliando esse caso em detalhes. Talvez seja necessária primeiramente uma ação específica para derrubar o sigilo”, explicou ontem Edmar Camata.

A pesquisa foi realizada com o objetivo de subsidiar ações de recuperação ambiental de diferentes esferas do governo. A Marinha informou que, conforme tratado entre todos os envolvidos no processo de pesquisa, os resultados deveriam ser repassados aos órgãos ambientais, para então ser emitido um parecer técnico conclusivo.

Com o sigilo, somente a União poderia ter acesso aos dados levantados durante os próximos cinco anos. No entanto, a Marinha anunciou em nota que, “com o objetivo de ampliar divulgação do relatório técnico juntamente com a análise conclusiva, retirou o sigilo do documento, tornando-o ostensivo”.

Acesso à informação

A ONG Transparência Capixaba descobriu que os resultados do estudo estavam sob sigilo ao solicitá-los à Marinha. Na ocasião, foram informados de que, no dia 11 de janeiro de 2016, um termo de classificação havia sido publicado com o intuito de garantir que as informações ficassem restritas à União. Apesar do anúncio de divulgação do relatório, a ONG ainda não obteve o documento.

Segundo Edmar Camata, o episódio não é uma novidade. Ele destaca que tem havido, de forma geral, uma dificuldade para obter informações referentes aos desdobramentos do rompimento da barragem em Mariana. “Desde que ocorreu a tragédia, há uma déficit de informação muito grande. Quando começamos a demandar alguns órgãos públicos, notamos que havia um conluio das empresas e dos governos para negar informação”, criticou Camata.

A Agência Brasil também solicitou à Marinha o relatório e a análise técnica do estudo e aguarda uma resposta do órgão.

FONTE: http://noticias.r7.com/minas-gerais/apos-criticas-de-ong-marinha-retira-sigilo-de-estudo-sobre-lama-no-rio-doce-19042016

E no meio do impeachment, o TsuLama continua

Enquanto todas as atenções estão voltadas para as idas e vindas da tentativa de impeachment da presidente Dilma Rousseff em Brasília, o TsuLama causado pela Mineradora Samarco (Vale+ BHP Billiton) já completou cinco longos meses, sem que a empresa tenha se dado ao trabalho de conter a chegada de rejeitos que acabam chegando no Rio Doce.

O TsuLama da Samarco é a expressão mais clara de tudo o que está errado com o Estado brasileiro. Até hoje, apesar das mortes de moradores de Bento Rodrigues e do incalculável impacto sobre os ecossistemas naturais que existem entre Mariana (MG) e Linhares (ES), ainda não se tem notícia de que a Samarco tenha pago uma única multa ambiental.

Além disso, o propalado acordo assinado entre as mineradoras e o governo federal apenas serviu para atrapalhar o andamento dos múltiplos processos que existem em diferentes esferas do judiciário.

De quebra, os governos de Minas Gerais e Espírito Santo pouco ou nada tem feito para impor que os danos ainda impactando as vidas de centenas de milhares de pessoas tenham a devida contrapartida pela Samarco e suas proprietárias, a Vale e a BHP Billiton.

Diante desses fatos é que me parece que havendo ou não o início do processo de impeachment de Dilma Rousseff, estamos longe de assistir a anunciada ressurreição do Rio do Doce. Pior ainda, o que provavelmente continuaremos assistindo é a completa impunidade das corporações responsáveis pelo pior desastre mundial da mineração nos últimos 100 anos.

O desastre da Samarco: balanço de seis meses de impactos e ações

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No dia 5 de novembro de 2015, o rompimento da barragem de Fundão, da empresa Samarco no município de Mariana (MG), resultou no maior desastre deste tipo e em danos humanos e ambientais inestimáveis, atingindo dezenas de municípios em dois estados (MG e ES) e milhões de pessoas, com efeitos que irão se prolongar ao longo do tempo. O objetivo deste seminário é realizar um balanço dos primeiros seis meses dos impactos e das ações relativos ao desastre, envolvendo instituições de ensino e pesquisa; órgãos do governo; organizações da sociedade e movimentos sociais.
 

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FONTE: http://www.cpqrr.fiocruz.br/pg/o-desastre-da-samarco-balanco-de-seis-meses-de-impactos-e-acoes/

Enquanto nos enrolam com impeachment ou não, o TsuLama da Samarco continua em ação

Relatório sobre danos no Rio Doce é levado à OEA e capixabas protestam contra a Samarco

Por Leandro Nossa | lnossa@redegazeta.com.br

O documento detalha os problemas na qualidade da água, a contaminação de peixes e os prejuízos econômicos às comunidades do entorno do rio

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Foto: Bernardo Coutinho. Após a lama tóxica, paisagem do Rio Doce mudou

Um relatório sobre os danos socioambientais causados no Rio Doce após o rompimento da barragem de rejeitos da Samarco foi apresentado na Organização dos Estados Americanos (OEA), nos Estados Unidos, nesta sexta-feira (1º). Elaborado pelo Fórum Capixaba de Entidades em Defesa da Bacia do Rio Doce, que reúne 80 entidades, o documento detalha os problemas na qualidade da água, a contaminação de peixes e os prejuízos econômicos às comunidades do entorno do rio. Também nesta sexta, um protesto contra a Samarco foi feito em Vitória.

A ida a um organismo internacional é uma tentativa de aumentar a fiscalização sobre a Samarco e a cobrança de ações efetivas, segundo o coordenador da ONG Transparência Capixaba, uma das entidades organizadoras do relatório.

“Essas 80 entidades começaram a se mobilizar em âmbito internacional para que, por exemplo, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, que tem assento na OEA, possa dar visibilidade mundial a essa causa porque esse é um problema eterno que a sociedade vai enfrentar”, disse.

A falta de transparência na divulgação de detalhes do acordo firmado entre Samarco e suas acionistas Vale e BHP com os governos Federal, do Espírito Santo e Minas Gerais também é uma das reclamações presentes no relatório. De acordo com Camata, no acordo divulgado pelo governo mineiro, numa versão não assinada pelas partes e que está disponível no site da Advocacia Geral de Minas Gerais, há cláusulas controversas. Entre elas o abatimento do valor oriundo de decisões judiciais do valor total a ser depositado no fundo, estimado em R$ 20 bilhões.

Protesto

Também nesta sexta-feira (1º), o mesmo fórum que levou o relatório à OEA organizou uma manifestação no Centro da Capital. Aproveitando a data de 1º de abril, conhecida popularmente como o Dia da Mentira, cerca de 50 pessoas protestaram contra o que chamaram de “mentiras da Samarco”. Eles colocaram uma faixa em frente ao Palácio Anchieta e fizeram discursos contra a mineradora.

O gerente de Engenharia de Meio Ambiente da Samarco, Paulo César Siqueira, disse que respeita o direito de manifestação, mas ressaltou que a empresa tem agido com transparência e sem omitir dados. Sobre a ida à OEA, o gerente afirmou que a Samarco está aberta a possíveis esclarecimentos para a organização.

FONTE: http://www.gazetaonline.com.br/_conteudo/2016/04/noticias/cidades/3936565-relatorio-sobre-danos-no-rio-doce-e-levado-a-oea-e-capixabas-protestam-contra-a-samarco.html

TsuLama da Samarco: impunidade chega a 142 dias

SAMARCO

Maior crime ambiental da história do Brasil: 19 pessoas mortas, comunidades inteiras destruídas, lama tóxica que devastou toda a bacia do Rio Doce (uma das maiores do mundo) por mais de 600 km e continua a contaminar o oceano em extensão ainda impossível de calcular.

Acordo suspeito.
Ninguém na cadeia.
Nenhuma multa paga.
Nenhum plano concreto de recuperação do Rio Doce.
Total descaso com as milhões de pessoas afetadas direta e indiretamente.
A Samarco comprova ser incapaz de garantir a estabilidade de suas barragens, incluindo outros rompimentos neste período, com todo o complexo de Mariana comprometido.
Lama de rejeitos continua a vazar.
Deputados responsáveis pelo Novo Código da Mineração, elaborado em computadores advogados da Samarco e financiados por mineradoras, riem da nossa cara.
Impunidade absoluta.

FONTE: https://www.facebook.com/ministerioverdaderiodoce/