Universidades estaduais sob ataque: com dois meses de salários atrasados, Alerj decide realizar CPI revanchista

pezão

A situação do estado do Rio de Janeiro é inusitada sob todos os aspectos, principalmente se considerarmos que atualmente temos 5 conselheiros do Tribunal de Contas fazendo companhia na cadeia para um ex 9des) governador e vários dos seus ex (des) secretários. De quebra, ainda tivemos o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) sendo conduzido a ferros para depor na sede da Polícia Federal para oferecer informações sobre seu suposto envolvimento no mesmíssimo caso de corrupção que levou os conselheiros do TCE para atrás das grades.

Mas mais inusitada do que isso somente a Comissão Parlamentar de Inquérito  (CPI) que foi instalada pela Alerj e que foi publicada no dia de hoje pelo Diário Oficial do Estado (ver reprodução abaixo).

cpi revanche

Esta CPI tem como objeto declarado “apurar dados referentes à folha de pagamento do quadro permanente de pessoas, bem como informações sobre o pagamento de bolsas e auxílios aos servidores das universidades estaduais do Rio de Janeiro“.

Antes que alguém se alegre ingenuamente com a possibilidade de que finalmente a Alerj resolveu se mexer para apurar as condições dramáticas em que se encontram centenas de servidores que estão ainda sem seus salários de Fevereiro e o décimo terceiro salário relativo ao ano de 2016, aviso logo que não é isso.

É que como informa a jornalista Berenice Seara em seu blog no jornal “EXTRA”, o objetivo desta  CPI é “apurar denúncias de irregularidades na folha de pagamento da universidade e no pagamento de bolsas e auxílios a servidores (Aqui!).” Ou seja, além de não pagar os salários em dia, os aliados do (des) governo Pezão na Alerj querem impor uma  investigação que, tudo indica, eles logo passarão, especialmente após a sinalização de que há algo de muito esquisito nas relações entre determinados deputados e a Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor)

Outra evidência sobre a real natureza desta CPI é dado por quem fez o pedido de abertura da comissão,, que foram os deputados  Gustavo Tutuca e Paulo Melo, ambos do PMDB. Para quem não se lembra, Tutuca esteve à frente da Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia (SECTI) e sua gestão foi essencialmente inócua, incolor e inodoro.  

Agora, no papel de  um dos guardiões dos interesses de seu padrinho político, o ainda (des) governador Luiz Fernando Pezão,  Tutuca aparece com essa CPI que possui um viés claramente revanchista, pois a reitoria da Uerj tem sido um verdadeiro calo no sapato dos planos de privatização que estão por detrás do abandono imposto pelo (des) governo Pezão ao sistema estadual de ciência e tecnologia.

Com base na experiência que tenho como professor da Uenf desde 1998, posso adiantar que essa CPI é mais uma daquelas que servem apenas para constranger (ou pelo menos tentar) aqueles que incomodam os (des) governantes de plantão. Até porque desviar dinheiro de salário e bolsas é praticamente impossível, visto que esta é uma área em que o dinheiro gasto obedece a critérios bastante claros, ao contrário do que ocorre, por exemplo, na licitação de grandes obras.

Interessante notar que se os deputados Gustavo Tutuca e Paulo Melo decidiram instalar essa  CPI com algum objetivo de constranger as reitorias das universidades estaduais, o plano pode ir completamente na direção contrária. É que, com todos os eventuais erros que possam existir dentro das universidades, é a Uerj que hoje está com um imenso telhado de vidro exposto, e com tendência a piorar ainda mais nas próximas semanas.

Agora, para resolver a crise salarial dos servidores que é bom, os deputados não vão fazer nada de positivo, o que é totalmente coerente com as pouco lustrosas trajetórias que eles construíram na política fluminense.

 

Universidades públicas, analfabetismo político e a Síndrome de Estocolmo

Brecht O Analfabeto Político (1)

Reza uma lenda urbana que  as universidades brasileiras são locais intrinsicamente críticos onde marxistas malévolos doutrinam jovens para que abracem suas causas ultrapassadas. Como professor universitário há quase 20 anos, posso afirmar sem medo de errar que essa noção realmente não passa de lenda.  As universidades brasileiras são e sempre foram conservadoras, mas a onda produtivista imposta pelos órgãos de regulação e fomento como a CAPES e o CNPq causou um forte retrocesso no pouco que havia de ação crítica que ali existia. Por isso, poucos são os pesquisadores que se colocam fora da bolha onde quantidade  de artigos publicados sabe-se lá onde é sempre preferível a uma ação reflexiva e crítica voltada para formar quadros mais capazes de atuar sobre os gigantescos desafios sociais e ambientais que assombram o nosso rico/pobre país.  

O resultado é que estamos assistindo de camarote o desmanche do sistema universitário público brasileiro quase sem nenhuma resistência dentro das universidades.  Vejamos, por exemplo, o caso das três universidades estaduais do Rio de Janeiro (Uenf, Uerj, Uezo) que foram colocadas num completo estado de penúria por um (des) governo cuja legitimidade está jogada na sarjeta.  Entretanto, mesmo com salários atrasados e sem perspectiva de pagamento por causa da roubalheira que correu solta a partir de 2007 sob o comando do hoje presidiário Sérgio Cabral, não se vê uma reação sólida por parte de quem deveria dar o exemplo de que não se trabalha de graça.  Ao contrário, o que cada vez mais aparece é um ambiente que mistura desespero com resignação.

E, pior, como observador privilegiado do que acontece na Uenf, vejo ainda colegas que mesmo beirando a insolvência financeira insistem na pregação de que não se pode fazer greve porque isto causaria mais evasão estudantil.  Explico essa conjuntura que mistura letargia e marasmo a uma espécie de Síndrome de Estocolmo, onde os que estão sendo também vítimas da política de destruição do (des) governo do Rio de Janeiro se colocam como potenciais cúmplices caso decidam lutar pelos seus direitos.

A questão é explicar como se produziu essa variante da Síndrome de Estocolmo. Em minha opinião ela decorre de um forte analfabetismo político que caracteriza principalmente os docentes que, até recentemente, se colocavam acima dos dramas mundanos que assolam a maioria dos brasileiros pelo singelo fato de possuírem um título de doutor.  Agora que se veem assolados por uma crise que não ajudaram a criar, a maioria não sabe como reagir simplesmente principalmente por causa de seu analfabetismo político.

Como vivenciei outros ambientes acadêmicos fora do Brasil, já vi que em outros países há um reconhecimento objetivo de que os professores universitários são apenas um segmento privilegiado da classe trabalhadora, mas que cada vez mais experimentam os dissabores de serem proletários. Entretanto,  no Brasil ainda há uma recusa para aceitar essa situação que deveria ser óbvia.

A solução para esta Síndrome de Estocolmo, bem como para a ausência da necessária defesa das universidades públicas, naturalmente passa pela superação deste analfabetismo político. Nesse sentido, se adotarem esse caminho as universidades poderão ser um pequeno laboratório de um processo mais amplo pela qual a sociedade brasileira passar.  No caso específico da Uenf,  adotar o caminho do questionamento e da crítica será ainda uma chance histórica dela se reencontrar com os elementos fundacionais que foram pensados por Darcy Ribeiro.

Mas é preciso ter em mente que as características letárgicas que apontei em relação às universidades estão, sem nenhuma surpresa, também presentes no resto da nossa sociedade. Basta ver como os sindicatos não reagiram devidamente ao vergonhoso projeto de terceirização que acabou sendo aprovado com folgas na Câmara dos Deputados.

Agora, uma coisa é certa: se as universidades públicas quiserem ser um exemplo no processo de transformação que precisamos vivenciar no Brasil, e no Rio de Janeiro especificamente, precisam começar a se mexer logo. É que os seus inimigos no sistema político tramam todos os dias como privatizá-las. Se demorarmos a reagir, o futuro que estes inimigos das luzes já está traçado e posso adiantar que não é nada belo.

(Des) governador Pezão acirra ataque à Uerj e mostra que o poço do Rio de Janeiro não tem fundo

O (des) governador Luiz Fernando Souza, o Pezão, já tem um lugar cativo no memorial que um dia será construído para mostrar os políticos que ajudaram a construir um dos capítulos tenebrosos da história do Rio de Janeiro.  Mas Pezão continua trabalhando duro não para resolver os problemas que ajudou a criar em conjunto com o seu mentor político, o hoje hóspede de luxo do complexo prisional de Bangu, o ex (des) governador Sérgio Cabral.

É que após afundar as três universidades estaduais do Rio de Janeiro numa profunda crise financeira, Pezão agora resolveu cortar 30% dos salários dos professores e servidores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) pelo fato da instituição não ter iniciado ainda as aulas dos seus múltiplos cursos de graduação (Aqui!, Aqui! e   ).

Essa decisão que é claramente ilegal é também imoral e antiético. A ilegalidade fica por conta da subtração de salários por uma retomada de aulas que só não ocorreu porque, em função das dívidas milionárias acumuladas desde o ano passado, não existem empresas interessadas em prestar serviços terceirizados de limpeza e segurança na Uerj. O resultado, como tem sido mostrado amplamente pela mídia corporativa, é a transformação dos diversos campi da Uerj em locais insalubres e, portanto, impróprios para a presença de grandes contingentes de pessoas. Isso também torna essa decisão em um ato imoral e antiético.  Isto sem falar das dividas milionárias que continuam crescendo de forma exponencialmente, e que prejudicam centenas de famílias que ficaram completamente desprotegidas com a falta do pagamento de salários dos servidores terceirizados da Uerj, um processo que se estendeu por mais de seis meses até que as empresas simplesmente sumissem do mapa, deixando seus trabalhadores a verem navios e passando necessidades financeiras.

O fato é que essa ameaça visa apenas constranger não apenas a reitoria da Uerj, mas também as reitorias da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) e da Universidade Estadual da Zona Oeste (Uezo) para que haja as atividades sejam supostamente mantidas, sem que para isso o (des) governo do Rio de Janeiro tenha que sequer pagar os salários que vem atrasando constantemente desde meados de 2016.

E a situação do pagamento dos salários (ou mais claramente a falta disso) é que torna a decisão do (des) governador em uma completa bizarrice. É que até hoje (24/03), o (des) governo do Rio de Janeiro não se deu ao trabalho de sequer divulgar um calendário (por fictício que fosse) para o pagamento dos salários de fevereiro/2016, os mesmos dos quais ele ameaça abocanhar 30% dos profissionais da Uerj. Em outras palavras, Pezão está ameaçando cortar 30% de Zero, o que se não fosse trágico seria completamente bizarro. Mas há de se convir que pelo menos neste quesito o (des) governador Pezão está inovando. É que não me recordo de ter visto antes qualquer (des) governante ousando cortar salários que estivessem atrasados!

Por mais inócuo que possa parecer, a situação das universidades estaduais do Rio de Janeiro demanda que todas as sociedades científicas brasileiras, começando pela Academia Brasileira de Ciências e pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), venham a público denunciar o que está sendo feito pelo (des) governador Pezão para destruir instituições que são parte importante do patrimônio público fluminense. Aliás, não apenas as sociedades científicas, mas também de organizações importantes como a OAB e o CREA

A questão da defesa das universidades públicas não pode ficar restrita no âmbito dos que vivem dentro de seus muros.  É que os danos presentes e futuros que decorrem desta verdadeira tentativa de assassinato das universidades estaduais causarão danos irreversíveis às várias gerações de cidadãos fluminenses.  

Feira de Ciências da UENF: um ato de resistência contra o projeto de privatização do (des) governo Pezão

20170311_110411

O Centro de Convenções da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) foi palco hoje de uma poderosa demonstração de que a população do Norte e Noroeste Fluminense, especialmente a sua juventude, entendem a importância que a universidade do Terceiro Milênio, criada por Darcy Ribeiro, possui para um futuro melhor para todos.  E como dizem os portugueses… foi bonita de se ver a festa, pá!

É que em pleno sábado ensolarado, centenas de estudantes e pais puderem interagir com estudantes e professores para ver de perto algumas mostras das múltiplas atividades de ensino, pesquisa e extensão que são desenvolvidas na Uenf. 

Este slideshow necessita de JavaScript.

Mas é importante ressaltar que esta Feira de Ciências foi um ato de resistência contra a política de privatização que está sendo executada pelo (des) governo Pezão contra o sistema de universidades estaduais que além da Uenf, também inclui a Uerj e a Uezo.

Abaiixo uma declaração que dei para a comunidade  UENF-resiste que foi criada na rede social Facebook para disseminar a mensagem de resistência contra o (des) governo Pezão.

Erro
Este vídeo não existe

 

 

O secretário dentista e o que sua presença à frente da SECTI diz dos rumos da ciência fluminense sob o (des) governo Pezão

Grassa na internet uma acalorada discussão sobre a qualidade da dissertação de mestrado do novo secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação (C,T&I)  do Rio de Janeiro,   o deputado estadual e cirurgião dentista Pedro Fernandes, o qual foi aprovada na Escola Brasileira de Administração Pública e Empresas (EBAPE) da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro  É que  segundo se diz nas redes sociais, das 205 páginas do trabalho, 10 são de elementos pré-textuais e mais de 150 páginas de anexos.  

pedro-fernandes-3

Curioso com o que estaria inserido na dissertação ,e principalmente nas 40 páginas que compõe o corpo principal da dissertação, acessei o arquivo disponibilizado pela “Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas” (Aqui!), e confirmei o que estava sendo disseminado. Em outras palavras, não era um caso de  “Fake News”.

Além disso, apliquei ao trabalho o mesmo tipo de rigor que aplico como professor nas bancas que venho participando em diferentes instituições que possuem mestrados acadêmicos. Obviamente o trabalho em si não atenderia critérios mínimos para ser aprovado em um mestrado acadêmico. Mas também é preciso notar que o secretário Pedro Fernandes cursou o que se denomina normalmente de “Mestrado Profissional” , e na nomenclatura adotada pela EBAPE/FGV seria um “Mestrado Executivo”. Em outras palavras, a  régua nesses casos é colocada mais para baixo. O que eu não esperava é que fosse tão para baixo. Um detalhe que pode ser encontrado na página da EBAPE/FGV é o custo desse “mestrado executivo” é que o seu custo para a turma de 2017 é de salgados R$ 77.983,34! (Aqui!)

Ultrapassada a questão da qualidade da dissertação, também consultei o CV Lattes do secretário Pedro Fernandes (Aqui!) e me deparei com uma produção que efetivamente não se mostra minimamente adequada para alguém que tem a obrigação de governar uma secretária que é responsável por cuidar para que o Rio de Janeiro continue sendo um dos principais lócus da produção científica nacional.  Aliás, sequer para receber uma bolsa de Iniciação Científica da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ).  Interessante ainda notar que o secretário Pedro Fernandes sequer se deu ao trabalho de atualizar o seu CV Lattes, já que a versão atualmente depositada na base de curricula do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) data do dia 24/02/2016, onde o “endereço profissional” apontado é o da Assemblria Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

pedro-fernandes-1

Em outras palavras, como no caso recente do bispo da Igreja Universal, Marcos Pereira, que iria ser o ministro da Ciência e Tecnologia, o secretário Pedro Fernandes é outro que não possui a envergadura intelectual para dirigir a pasta que ocupa. E aí vem a questão básica: por que então ocupa? No caso do  (des) governo Pezão, essa presença evidencia o total descaso com os destinos da ciência fluminense, especialmente porque o secretário anterior, Gustavo Tutuca, também não possuía o capital acadêmico minimamente necessário para estar à frente da SECTI.

Uma das explicações para a ida de Pedro Fernandes para a SECTI foi facilitar os arranjos necessários para a aprovação do chamado “Pacote de Maldades” do (des) governo Pezão que já alcançou a primeira vitória que foi a privatização da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (CEDAE) pela Alerj . Mas devem existir outras, visto que Pedro Fernandes vem tentando demonstrar um desenvoltura na aplicação de medidas de arrocho nas universidades estaduais e demais órgãos ligados à sua secretária, coisa que Gustavo Tutuca nunca efetivamente demonstrou.

Mas sejam quais forem as razões para o cirurgião e deputado Pedro Fernandes estar à frente de uma secretaria que deveria ser estratégica e não é tratada enquanto tal,  o fato é que este fato reflete o completo descaso do (des) governador Pezão com o sistema fluminense de ciência e tecnologia.  Simples assim!

Finalmente, há que se conceder o fato de que o secretário Pedro Fernandes é uma pessoa transparente.  É que na última segunda-feira (20/02), mesmo dia em que seus colegas da Alerj aprovaram a privatização da CEDAE, ele postou na rede social Facebook um “selfie” dentro de um avião informando que estava viajando para a França por uma semana para completar o seu doutorado na Universidade de Rennes, sabe-se lá em qual campo disciplinar (ver abaixo) . Alias, curiosamente não há qualquer menção a esse aventado doutorado no CV Lattes do secretário Pedro Fernandes.

pedro-fernandes-2

E isso no meio de uma situação que as universidades estaduais (Uenf, Uerj e Uezo) e as escolas da rede Faetec estão enfrentando graves dificuldades para retomar seus semestres acadêmicos, e os servidores da pasta estão amargurando salários atrasados e parcelados. Em sua defesa, o secretário Pedro Fernandes respondeu a um comentário que se seguiu à postagem dizendo que mesmo da França continuará acompanhando o cotidiano da SECTI. Os pais e os estudantes das universidades e escolas técnicas estaduais devem estar se sentido bem reconfortados com essa informação do secretário… Ou não!

Reunidos em assembleia, professores da Uenf aprovam atividades de resistência e pedido de impeachment do (des) governador Pezão

20170201_1609201

Reunidos em assembleia na tarde desta 4a. feira, os professores da Universidade Estadual do Norte Fluminense avaliaram e aprovaram uma série de atividades para avançar o processo de luta contra o ataque que vem sendo realizado contra as universidades estaduais pelo (des) governo Pezão.

Uma das decisões se refere à realização de uma atividade que permitirá a que a população do Norte e Noroeste Fluminense, em especial a da cidade de Campos dos Goytacazes, possa ver de perto os projetos de pesquisa e extensão que estão sendo realizados na Uenf.

Os professores também decidiram que irão participar dos atos que estão sendo convocados pelo MUSPE para derrubar o pacote de maldades do (des) governo Pezão que inclui a privatização da CEDAE e a redução de salários.

A principal decisão política da assembleia foi a aprovação da preparação do pedido de impeachment do (des) governador Luiz Fernando Pezão por causa dos seus atos destrutivos contra a Uenf e as universidades estaduais.

Finalmente, os professores também decidiram manter o estado de greve como uma sinalização da sua disposição de lutar contra o projeto de desmanche das universidades estaduais pelo (des) governo Pezão.

Após a tomada dessas decisões, várias comissões foram formadas para implementar as decisões aprovadas na assembleia.

A Uenf resiste!

Erro
Este vídeo não existe

Superaumentos para barcas e trens e falência programada das universidades estaduais: entenda o modus operandi do (des) governo Pezão

Os jornais “EXTRA” e “O GLOBO” fizeram nesta terça-feira (24/01) uma dobradinha que ajuda até o mais ingênuo dos habitantes do Rio de Janeiro a entenderem o modus operandi do (des) governo Pezão: enquanto uma mão coloca tudo nos cofres das corporações, a outra tira tudo do serviço público que é deixado à mingua para eventual privatização.

Primeiro, comecemos com a capa do jornal “EXTRA” que nos informa que o (des) governo Pezão vai conceder parrudos aumentos de 21% e 13% de aumento nas tarifas de barcas e trens, respectivamente, sob a alegação de que as empresas concessionárias “estão mal das pernas”.

extra-1

Não custar lembrar que tanta a “Barcas S/A” e a “SuperVia” não apenas são duas das beneficiárias da farra fiscal promovida pelos (des) governos de Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão, mas também possuem outros mimos que são bancados com o dinheiro do contribuinte. Agora, sob a alegação de baixas margens de lucro, o (des) governo Pezão dá esses superaumentos.  Melhor faria se examinasse com lupa os livros contábeis e as práticas operacionais destas duas empresas que possuem a fama de serem péssimas prestados de serviços. Mas não, em vez de fiscalizar, o (des) governo Pezão continua tratando as duas empresas de forma generosa, muy generosa.

Agora, vamos à matéria do “O GLOBO”, assinada pelo jornalista Rafael Galdo, para vermos que no caso das universidades estaduais tudo o que não há por parte do (des) governo Pezão é generosidade. Aliás, o que a matéria mostra claramente é que está ocorrendo uma espécie de falência programada das universidades, já que o (des) governo Pezão deve hoje em torno de R$ 402 milhões à Uenf, Uerj e Uezo (Aqui!). 

extra-2

As consequências desta falência programada são abordadas com clareza na matéria do ‘O GLOBO” , entre elas a ameaça de que as universidades não possam sequer iniciar seus semestres letivos por absoluta falta de recursos.

Na verdade, o que é revelado com clareza nesta diferença de tratamento dispensada pelo (des) governo Pezão a concessionárias e universidades estaduais é o modus operandi do (des) governo Pezão. E esse modus operandi é claramente de uma receita ultraneoliberal que coloca todas as energias em fortalecer as corporações privadas em detrimento de investimentos em áreas estratégicas como é o caso do ensino superior público e, por consequência, no desenvolvimento científico e tecnológico de médio e longo prazo do Rio de Janeiro.

É essa forma de distribuir recursos públicos que precisa ser denunciada de maneira firme e sem rodeios. É que, como mostra um artigo do jornalista Herton Escobar que acaba de ser publicado pela revista Science  (Aqui!), o risco que corremos no Rio de Janeiro é de perder grupos de pesquisas inteiros em função da evasão de cérebros cansados das incertezas geradas pela receita ultraneoliberal do (des) governo Pezão.

Assim, não basta resistir, há que se partir para a ofensiva contra a falência programada das nossas universidades estaduais, patrimônio da população do Rio de Janeiro.

Movimento de defesa da Uenf e suas razões estratégicas

uenf-resiste

Abaixo posto um vídeo que foi criado para fortalecer o movimento em defesa da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) que, como as outras universidades estaduais fluminenses (Uerj e Uezo), se encontra sob um ataque avassalador por parte do (des) governo comandado por Luiz Fernando Pezão.

Mas o mais importante do conteúdo desse vídeo não é denunciar a condição precária que foi criada dentro das universidades estaduais para, muito provavelmente, depois privatizá-las sob a alegação de que o estado não possui condições financeiras de financiar suas atividades de ensino, pesquisa e extensão.

Para mim o elemento mais importante que este vídeo traz é realçar as contribuições essenciais que universidades públicas trazem não apenas no plano material com suas pesquisas que podem dinamizar a vida econômica, mas sim no plano da transformação das pessoas que por elas passam.

Assim, o crime que está sendo cometido contra a Uenf e contra suas co-irmãs Uerj e Uerj é de inviabilizar a existência de espaços públicos fundamentais não apenas para gerir novos processos produtivos, mas também de modelagem da capacidade crítica e criativa de que precisamos para alçar o Rio de Janeiro, e o Brasil por consequência, do profundo atraso social em que ainda se encontra em pleno Terceiro Milênio.

Por essas razões é que vamos resistir e defender a existência da Uenf, da Uerj e da Uezo. O (des) governo Pezão passará e as nossas universidades ficarão e cumprirão o seu destino manifesto.

Para quem quiser saber mais sobre o movimento de defesa da Uenf, basta clicar  (Aqui!)

Reitores das Ifes do RJ manifestam apoio às universidades estaduais

uenfuezouerj

Reitores das Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes) do Rio de Janeiro redigiram um texto em solidariedade a dirigentes e comunidades acadêmicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) e da Fundação Centro Universitário Estadual da Zona Oeste (UEZO). Estas instituições enfrentam uma grave crise pela falta de repasses financeiros por parte do governo do Estado, o que prejudica suas atividades de ensino, pesquisa e extensão. Por conta disso, os dirigentes das Ifes sediadas no Rio — entre eles a reitora da UFRRJ, professora Ana Maria Dantas — posicionaram-se em favor das estaduais, conclamando o governo “a uma efetiva ação de preservação desse patrimônio incalculável por elas representado, cumprindo o seu papel de provedor, com a responsabilidade que lhe foi confiada pela população”.

Leia, abaixo, o documento na íntegra.

Em defesa das universidades estaduais do Rio de Janeiro

Os Reitores das Instituições Públicas Federais de Ensino do Rio de Janeiro vêm a público externar a sua solidariedade aos dirigentes e à toda a comunidade acadêmica da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ, da Universidade Estadual do Norte Fluminense – UENF e da Fundação Centro Universitário Estadual da Zona Oeste – UEZO, em face à grave crise por que essas prestigiadas instituições vêm passando. A UERJ, com seus mais de sessenta anos de história, e a UENF, em quase 25 anos de funcionamento, têm propiciado uma contribuição relevante ao desenvolvimento da educação, com destaques nas diferentes áreas de conhecimento, o que as coloca em situação privilegiada no contexto das Universidades Públicas de nosso país. A UEZO, com uma história bem mais recente, tem oferecido à sociedade uma importante contribuição, sobretudo na área de formação tecnológica, em nível de graduação e pós-graduação, numa perspectiva de inserção regional em uma das áreas mais populosas da cidade do Rio de Janeiro.

A formação de profissionais altamente qualificados, a produção de pesquisa de ponta e a relevância de projetos de extensão realizados ao longo da história dessas Instituições encontram-se fortemente ameaçadas pela ausência de repasses financeiros por parte do Governo do Estado do Rio de Janeiro.

Educação, Ciência, Tecnologia e Inovação são estratégicos para o crescimento, desenvolvimento e soberania de uma Nação, o que significa que os investimentos públicos nessas áreas devem ser considerados prioritários, inclusive por permitir que a produção do conhecimento encaminhada à resolução de problemas econômicos e sociais seja um importante contributo à busca de soluções justas, em bases sustentáveis, para os graves problemas que se apresentam em nosso país.

Defender as Universidades Estaduais do Rio de Janeiro é defender os princípios fundamentais da nossa Carta Magna; é defender a história de milhares de jovens que se graduaram nessas Instituições e hoje contribuem para o progresso da Nação; é defender a dignidade de seus profissionais – professores e servidores técnicos – que oferecem à sociedade uma atuação pautada na dedicação e na qualidade do trabalho realizado e que, como tal, fazem jus à contrapartida que compete ao governo do Estado do Rio de Janeiro, através do pagamento da integralidade de seus salários. É defender os atuais estudantes que ingressaram nessas universidades em busca de uma formação que lhes permita atuar como profissionais e cidadãos e cuja materialidade depende dos investimentos financeiros em pessoal e em infraestrutura.

Com base nessas assertivas é que nos posicionamos em solidariedade às comunidades da UERJ, UENF e UEZO e conclamamos o governo do Estado do Rio de Janeiro a uma efetiva ação de preservação desse patrimônio incalculável por elas representado, cumprindo o seu papel de provedor, com a responsabilidade que lhe foi confiada pela população.

Estado do Rio de Janeiro, 19 de janeiro de 2017.

Ana Maria Dantas Soares – Reitora da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)

Carlos Henrique Figueiredo Alves – Diretor Geral do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (CEFET-RJ)

Jefferson Manhães de Azevedo – Reitor do Instituto Federal Fluminense (IFF)

Luiz Pedro San Gil Jutuca – Reitor da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO)

Oscar Halac – Reitor do Colégio Pedro II

Paulo Roberto de Assis Passos – Reitor do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ)

Roberto Leher – Reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Sidney Luiz de Matos Mello – Reitor da Universidade Federal Fluminense (UFF)

SBPC e ABC pedem a governador atenção às universidades estaduais do Rio de Janeiro durante crise econômica

Em carta a Luiz Fernando Pezão, as entidades alertam sobre a importância da Uerj, Uezo e Uenf para o desenvolvimento social e econômico do Estado

abcsbpc

A SBPC e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) encaminharam nesta segunda-feira, 16 de janeiro, uma carta ao governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, para manifestar preocupação com a situação financeira das universidades do Estado. No documento, as instituições pedem de atenção especial do governo para, além da Uerj (conforme documento encaminhado na última semana), duas outras universidades fluminenses: a Fundação Centro Universitário Estadual da Zona Oeste (Uezo) e a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf).

“UERJ, UEZO e UENF têm que continuar sua missão de formar profissionais para disponibilizar recursos humanos qualificados para que as instituições públicas e privadas e as empresas possam continuar funcionando a contento e progredindo. Ainda, as camadas mais carentes da população precisam continuar contando com os serviços de excepcional qualidade oferecidos por essas três universidades”, dizem a SBPC e a ABC na carta.

O documento pode ser acessado Aqui.

FONTE: http://jcnoticias.jornaldaciencia.org.br/1-sbpc-e-abc-pedem-a-governador-atencao-as-universidades-estaduais-do-rio-de-janeiro-durante-crise-economica/