Servidor público apoiando Bolsonaro = frango fazendo propaganda para a Sadia

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Tenho visto uma série de manifestações feitas por servidores públicos de apoio a Jair Bolsonaro.  Das duas uma: ou esses servidores não examinaram a cartilha ultraneoliberal que o fundador do BTG Pactual Paulo Guedes promete implementar para exterminar o serviço público ou leram e não se importaram com o futuro dos seus cargos e salários.

Essa movimentação de servidores públicos em prol de uma agenda ultraneoliberal com elementos de nazifascimo é mais uma prova de que desse segmento não se deve esperar sempre que haja consciência sobre a função social do cargo público. 

O interessante é que se formos olhar de perto quem dentro do serviço público apoia Jair Bolsonaro e suas ideias que expressam uma espécie de nazismo tropical, veremos que muitos dos que o apoiam não são exatamente servidores modelo ou, tampouco, são pessoas que respeitam o direito alheio fora da sua repartição ou órgão púiblico. Tomando pelo meu próprio local de trabalho, posso dizer que algumas das piores figuras são hoje bolsonaristas desde criancinhas. E isto não me surpreende nem um pouco.

Mas não deixo de ficar com a sensação que daqui a pouco estes serão os mesmos a dizer que foram enganados por um estelionato eleitoral caso Bolsonaro seja eleito e comece sua “revolução” exterminando o serviço público, dando continuidade ao trabalho que Michel Temer não irá concluir.

 

Paulo Guedes quer congresso a la Pinochet para impor sua agenda ultraneoliberal

Já disse que deveríamos esquecer por alguns minutos a propaganda ideológica do deputado federal Jair Bolsonaro e nos concentrar no que seu guru econômico, o misto de banqueiro e articulista das organizações Globo, anda propondo para viabilizar a implantação uma variante ainda mais radical das políticas neoliberais no Brasil. 

Vejamos, por exemplo, a informação postada nos principais veículos da mídia corporativa que nos dá conta que Paulo Guedes está articulando uma fórmula que sufocará o direito da divergência dentro das bancadas no congresso nacional. A fórmula proposta por Paulo Guedes é simples e brutal:  todos os votos de uma bancada seriam computados integralmente a favor de um projeto se mais da metade dos parlamentares daquele partido votarem a seu favor, conferindo assim uma espécie de superpoderes aos líderes partidários [1].

Na prática, como se sabe que certas mudanças, especialmente aquelas que afetam os princípios estabelecidos pela Constituição Federal de 1988, são difíceis de ser consensuais dentro das maiores bancadas, Paulo Guedes está se adiantando e propondo que se estabeleça uma medida que sufoca a posição das minorias, já que independente da diferença de votos dentro da bancada, prevaleceria artificialmente a vontade da maioria.

O raciocínio de Paulo Guedes é explicitado nas reportagens, pois segundo ele a ideia seria facilitar a aprovação de projetos de um presidente sem maioria parlamentar [2]. Em outras palavras, a ideia é impor o mesmo tipo de concordância que foi vista no Chile sob a ditadura de Augusto Pinochet que juntou seu profundo autoritarismo e um receituário neoliberal, o qual foi imposto por uma maioria parlamentar extremamente obediente.

Há que se frisar que Paulo Guedes está anunciando que já o apoio de Rodrigo Maia (DEM) para este parlamento manietado pelo desrespeito à opinião das minorias.  Apesar de Maia já ter negado, pelo “tracking record” dele não seria surpreendente se ele vier a aceitar a proposta no futuro.

Por isso, repito, paremos de nos preocupar com Jair Bolsonaro, mas com aqueles que vão dar realmente as cartas no seu governo, começando por Paulo Guedes e sua equipe de economistas ultraneoliberais.


[1] https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/09/paulo-guedes-guru-de-bolsonaro-defende-superpoderes-a-partidos-na-camara.shtml

[2] https://oglobo.globo.com/brasil/economista-de-bolsonaro-defende-superpoderes-partidos-na-camara-23090553?utm_source=Facebook&utm_medium=Social&utm_campaign=O%20Globo

Troubles in paradise: EUA vivem epidemia de ataques em locais de trabalho

Para quem acha que a forma de organizar a vida dos trabalhadores e seus salários vigente nos EUA é o modelo a ser adotado no Brasil deveria ficar atento ao fato que apenas nesta última semana ocorreram, pelo menos, cinco incidentes envolvendo assassinatos e ferimentos graves realizados por pessoas nos seus locais de trabalho ou em estabelecimentos públicos.

O último incidente ocorreu em uma creche na cidade de Nova York onde dois pais e três bebês foram esfaqueados por uma funcionária do estabelecimento [1].  Mas ainda ontem (20/09), uma empregada da rede de farmácias Rite Aid matou três colegas de trabalho usando uma pistola Glock 9mm, antes de tirar a própria vida num centro de distribuição localizado na cidade de Aberdeen, condado de Hartford no estado de Maryland [2].

O ataque em Aberdeen, a pouco menos de 50 km a nordeste de Baltimore, seguiu dois tiroteios no local de trabalho que ocorreram na quarta-feira (19/09). Um homem abriu fogo contra a empresa de software onde trabalhava em Middleton, Wisconsin, ferindo várias pessoas antes de ser morto pela polícia [3]. Mais tarde naquele mesmo dia, outro homem entrou em um prédio municipal ao sul de Pittsburgh e atirou em quatro pessoas antes de se matar [4].

O fato é que a ampla desregulamentação dos direitos dos trabalhadores e a imposição de fortes cargas de trabalho com baixa remuneração estão gerando uma epidemia deste tipo de incidente em todo os estados que compõe os EUA .  Um dos elementos que certamente agravam isso é o fácil acesso a todo tipo de armamento de forma legal, inclusive rifles de assalto.

Imaginemos o que pode acontecer no Brasil se o próximo presidente da república for um defensor das medidas ultraneoliberais e do fácil acesso à armas como ocorre nos EUA.  Com toda certeza, deveremos assistir a muitos casos semelhantes aos que hoje ocorrerem na Meca do capitalismo desregulado.

 


[1] https://www.news.com.au/world/north-america/babies-stabbed-by-crazed-knife-attacker-in-new-york-city/news-story/7465693482e41e34b3e03ebf8eb14a2e

[2] https://www.nytimes.com/2018/09/20/us/maryland-shooting-aberdeen.html

[3] https://apnews.com/fa51a13022b348e680c89e0a0b0b7ed3

[4] https://www.nytimes.com/2018/09/19/us/masontown-shooting-judges-office.html

A Argentina é o Brasil amanhã?

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Até bem pouco tempo atrás as medidas ultraneoliberais inciadas em 2016 pelo governo do bilionário Maurício Macri  eram saudadas no Brasil como o exemplo a ser seguido em termos de ajuste econômico, venda de estatais e imposição de tarifas salgadas para saciar a forma de lucro das corporações multinacionais.

Pois bem, os últimos meses têm sido de completa derrubada das cânones ultraneoliberais na Argentina, e o país começa a se defrontar com a possibilidade cada vez maior de calote nas sua imensa dívida pública, o que fez com que o peso argentino se desvalorizasse de maneira rápida e impiedosa.

Com isso, estão voltando à cena argentina, os saques de supermercados como o mostrado abaixo que ocorreu em uma filial da rede Átomo na cidade de Mendonza,  que é capital da província de Mendoza na Argentina.

Como temos até banqueiro concorrendo às eleições presidenciais no Brasil, vamos ver que rumo vamos tomar.  Mas que ninguém se surpreenda se cenas semelhantes voltarem a acontecer no nosso país, caso insistam no receituário imposto pelo governo “de facto” de Michel Temer.

E Rafael Diniz segue firme nas pegadas de Pezão…

 

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Já notei mais de uma vez neste blog a alta semelhança entre as receitas ultraneoliberais que estão sendo aplicadas pelo jovem prefeito Rafael Diniz  (PPS) com aquelas impostas à população fluminense, especialmente os servidores públicos estaduais, pelo (des) governador Luiz Fernando Pezão.   As semelhanças estão por todos os lados, mas mais explicitamente no corte de políticas sociais e no tratamento dado aos servidores públicos.

Mas eu não imaginava que Rafael Diniz fosse reproduzir também o calote no pagamento do 13o. salário, mas não é que na 23a. hora o site da Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes anunciou o parcelamento deste crucial abono salarial!? [1]. De quebra, ainda colocou uma pitada de cinismo tão ao gosto do (des) governo Pezão ao anunciar o pagamento parcelado do 13o. salário como uma grande injeção de recursos na economia municipal. A coisa é tão descarada que me vi forçado a usar uma caneta corretora para informar aos leitores deste blog o que, de fato, está sendo empurrado goela abaixo dos servidores públicos municipais.

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Agora, se o jovem prefeito campista e sua equipe de menudos neoliberais acham que sua pequena peça de propaganda enganosa enganou por muito tempo, que pensem de novo. É que quase imediatamente após a publicação do anúncio disfarçado do parcelamento do 13o. salário,  já circulavam em grupos de Whatsapp formado por servidores da PMCG uma série de memes tecendo “homenagens” a Rafael Diniz (ver um deles abaixo). E servidores com quem conversei sobre essa decisão de parcelar o 13o. salário não esconderam sua indignação com a postergação da divulgação. É que muitos até já fizeram compromissos financeiros contando com o cumprimento do calendário salarial que agora foi jogado no lixo.

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Um dos meus interlocutores salientou ainda que, ao feito do (des) governo Pezão, havia prometido que a venda da folha salarial dos servidores municipais para o Banco Santander teria arrecadado recursos que seriam usados para justamente pagar o 13o. salário que agora vai ser parcelado.   O mesmo tipo de promessa teria sido feito com a parcela de Dezembro do fundo de participação especial dos royalties.  O que muitos estranhos agora é que a alegação é que inexistem recursos para honrar o pagamento integral do 13o. salário de 2017.

Mas uma coisa é certa: a gestão de Rafael Diniz foi extremamente consistente em seu primeiro ano: exterminou políticas sociais e agora promove este calote contra os servidores municipais. O problema é que a consistência aqui tem a ver com as fórmulas ultraneoliberais que têm sido aplicadas pelo (des) governo Pezão e não com o programa eleitoral com o qual se projetou um processo de mudanças para a cidade de Campos dos Goytacazes.

Agora, interessante esperar pelas manchetes da mídia corporativa local sobre este parcelamento com anúncio tardio. É que se fosse no ano passado, quando Rosinha Garotinho ainda governava Campos dos Goytacazes, certamente teríamos manchetes garrafais denunciando este parcelamento como o fim do mundo, especialmente para o comércio local.

Aliás, falando em Rosinha Garotinho, sempre se lembra de Anthony Garotinho que continua cumprindo sua ordem de prisão sem condenação. Desconfio que neste momento de pedidos natalinos, o pedido de Rafael Diniz e sua equipe é que Anthony Garotinho continue um longo tempo trancafiado. É que do jeito que anda a quebra de promessas que o ex-governador havia anunciado que ocorreriam, o risco de soltá-lo logo é de vê-lo sendo carregado em uma gloriosa volta olímpica pela cidade de Campos dos Goytacazes por eleitores arrependidos de Rafael Diniz que se sentem vítimas de um estelionato eleitoral. E esses, meus caros leitores, já são muitos e com tendência de aumentar ainda mais.

E antes que eu me esqueça ai vai minha síntese para a relação simbiótica que prefeito e (des) governador parecem estar mantendo: Diniz é Pezão e Pezão é Diniz. Simples assim.


[1] https://www.campos.rj.gov.br/exibirNoticia.php?id_noticia=42773

(Des) governo Pezão: a confusão como método para avançar sua receita ultraneoliberal

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De forma súbita o (des) governo Pezão anunciou a decisão de dar um alívio na situação calamitosa em que colocou mais de 200 mil servidores estaduais e pagar os salários de Maio, Junho e Julho. Essa notícia foi recebida com natural ceticismo já que esse (des) governo raramente cumpre o que anuncia nos sempre compreensivos veículos da mídia corporativa.

Acompanhando a situação dos diversos órgãos que pertencem à Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia, Inovação e Desenvolvimento Social (SECTIDS) já pude verificar um comportamento irregular nos depósitos, com determinados órgãos recebendo os meses de Maio e Junho e outros apenas a parcela restante de Maio.  Tal procedimento, evidentemente, pode ser relacionado ao caos que deve estar sendo implementar três folhas de pagamento ao mesmo tempo. Entretanto, dada a ficha pregressa deste (des) governo, o mais provável é que até neste momento esteja sendo aplicado algum tipo de justiça poética, punindo uns mais do que outros.

A verdade é que o (des) governo Pezão mescla ações de pura perseguição política com a mais básica incompetência. Nesta mistura de características quem acaba perdendo são os servidores da ativa e os pensionistas e aposentados do RioPrevidência. É que o mesmo tipo de parcimônia que é usada pelo (des) governo Pezão para decidir quem recebe ou deixa de receber não é praticada pelos credores que ficam batendo à porta dos servidores.

Além disso, o fato inegável é que o confisco salarial que vem sendo praticado de forma seletiva contra determinadas categorias é apenas mais um instrumento na guerra que o (des) governo Pezão executa contra o serviço público.  A estas alturas do campeonato não há como acreditar que qualquer coisa que ocorra no âmbito deste (des) governo seja fruto do acaso. Incompetentes sim, mas com um claro propósito, e este propósito é terminar o trabalho iniciado por diferentes (des) governos de coloração neoliberal que vem destruindo o Rio de Janeiro ao longo das últimas décadas.

Aos que já receberam os salários atrasados de Maio e Junho eu sugiro que façam o que estou fazendo: pagando contas e separando a maior parte do que foi depositado para o longo inverno adiante. E não nos iludamos com as lágrimas de crocodilo do (des) governador Luiz Fernando Pezão. Ele está apenas pensando em sua sobrevivência política e na consumação das tarefas que a ele foram outorgadas. 

 

Reinações de Pezão e Picciani: a privatização da CEDAE e o aumento da contribuição previdenciária são parte do ataque final contra o bem público

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Se um ser extraterrestre aterrissasse  no Rio de Janeiro neste momento certamente ficaria se perguntando como que um (des) governo tão marcado por pesadas acusações de improbidade, desvios de recursos públicos, e ações administrativas desastrosas poderia estar ainda no poder. E mais do que ainda estar no poder, este (des) governo poderia estar pretendendo privatizar a CEDAE, uma empresa estatal que produz lucros para o estado, e ainda aplicar uma tunga descarada nos salários dos servidores públicos.

Qualquer análise para explicar tal paradoxo tem que levar em conta o lugar estratégico que o Rio de Janeiro enquanto segunda economia da federação brasileira ocupa nos planos de recolonização da economia brasileira pelas potências centrais, a começar pelos EUA. É que se o receituário ultraneoliberal passar no Rio de Janeiro, outros estados com menor peso econômico e político não terão outro caminho a não ser aceitar o mesmo destino que o (des) governador Pezão e o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Jorge Picciani, querem impor de forma tão célere quanto autoritária.

Mas não este tipo de receita amarga não se aplica sem o apoio de atores de apoio que aqui incluem a mídia corporativa, os sindicatos patronais, e a justiça. Esses atores, cada um a seu modo, contribuíram e continuam contribuindo para que Pezão e Picciani possam ainda estar nos lugares de poder dos quais já deveriam ter sido arrancados, tantas são as evidências de que suas práticas politicas têm misturado interesses públicos e privados, sempre em benefício do privado.

Não há maior prova do que Pezão e Picciani já deveriam ter se juntado ao hoje desgraçado ex (des) governador Sérgio Cabral do que as visitas que já realizaram a ele nas instalações prisionais onde o mesmo se encontra.   Aliás, a visita de Jorge Picciani que a imprensa noticiou ter durado 3 horas levanta interessantes indagações  sobre o que teria sido tratado entre o presidente da Alerj e um ex (des) governador preso sob acusações de ter acumulado um “oceano” de patrimônio a partir de suas estratégias de aquisição de propinas (Aqui! e  Aqui!).

Entretanto, o papel da mídia corporativa não é menos importante, na medida em que a imensa maioria das matérias passa ao largo dos crimes cometidos por Sérgio Cabral para se concentrar na crise (seletiva) que os mesmos criaram. Aliás, quem pode esquecer toda a cobertura e proteção que Sérgio Cabral recebeu da mídia corporativa enquanto sangrava os cofres públicos? Como os donos dos veículos de mídia são acima de tudo capitalistas, qualquer ação que tomem para apoiar as medidas acordadas entre Pezão e Henrique Meirelles deveria ser vista com profunda desconfiança, especialmente a privatização da CEDAE e de outras autarquias. 

Já no caso da justiça, há que se apontar que na maioria das decisões relacionadas ao (des) governo Pezão a balança sempre tem pendido para o lado que possibilita a sua continuidade. Basta lembrar o arquivamento inicial da ação de improbidade  contra o (des) governador Pezão por não aplicar o montante estabelecido pela legislação na área da Saúde. Ainda que o Conselho Superior do Ministério Público tenha “desarquivado” recentemente esta ação, não há qualquer garantia que a mesma irá à frente  (Aqui!) .

Sob pena de parecer repetitivo, a única possibilidade de barrar os planos de privatização da coisa pública no Rio de Janeiro será a mobilização dos sindicatos de servidores e dos setores da sociedade civil que não querem que o Rio de Janeiro se torne uma vitrine da recolonização do Brasil.  E certamente o embate será duro e desigual, pois as forças que conspiram contra os bens públicos são poderosas e não terão o menor problema de abusar da violência contra quem resistir. Mas por isso mesmo é que não há espaço para recuar, pois as perdas pessoais e coletivas serão avassaladoras se esse plano de ataque ao público vier a prevalecer.

E acreditem quando eu digo que, no caso do (des) governador Pezão, se empurrar só um pouco, ele cai. Então vamos embora lá empurrar. O primeiro encontro é nesta terça- feira (01/02) na frente da Alerj.