O vírus da revolta se espalha na América do Sul: depois do Equador, o Chile

Moreno-Piñera1

Depois do equatoriano Lênin Moreno (esquerda), agora é o chileno Sebastian Pinera que enfrenta a ira popular por causa da aplicação de políticas ultraneoliberais, 

Depois da acachapante revolta popular que forçou o presidente Lênin Moreno a retroceder e revogar o seu pacote de medidas ultraneoliberais que aprofundariam as dificuldades dos trabalhadores e da juventude do Equador, agora é o Chile que está enfrentando uma forte mobilização social contra aumentos nas tarifas di metrô de Santiago.

Em um sinal explícito que reconheceu a força da revolta popular, o presidente Sebastian Piñera fez valer uma legislação herdada da ditadura militar de Augusto Pinochet para tentar sufocar a insurgência popular, decretando o chamado “estado de emergência”  para colocar as forças militares no centro da tentativa de controlar a revolta popular.

fogo onibusÔnibus incendiado por manifestantes em Santiago de Chile. A revolta iniciada pelo aumento das tarifas de metrô reproduz os acontecimentos recentes no Equador. 

Curioso notar que a empresa de eletricidade italiana Enel também foi alvo das manifestações e teve sua sede como palco de um grande incêndio em meio às fortes mobilizações que ocorriam nas ruas de Santiago.

Curiosamente a mídia corporativa brasileira está dando uma cobertura minúscula à revolta popular no Chile, reproduzindo um modelo de mutismo midiático que já foi aplicado na cobertura da insurreição ocorrida no Equador.

Se levarmos em consideração que muito pouco está sendo mostrado sobre as eleições que estão ocorrendo em diversos países sul americanos onde os partidos que defendem políticas ultraneoliberais estão correndo o risco de derrotas acachapantes, a começar pelo presidente argentino Maurício Macri. 

Em minba opinião, a combinação de insurreições popular e derrotas de candidaturas com vieses ultraneoliberais estão sendo está sendo ocultada porque são uma espécie de mau exemplo para os trabalhadores e para a juventude do Brasil. É que aqui, apesar de todos os retrocessos e derrotas impostas contra os direitos sociais e trabalhistas, ainda permanecemos em um absoluto estado de inércia política.  Assim, qualquer cobertura mais correta do que estão ocorrendo em nosso entorno deve estar sendo vista como indesejável aos donos dos meios de comunicação que estão entre os poucos vencedores das políticas antipopulares que estão sendo aplicadas pelo governo comandado pelo presidente Jair Bolsonaro.

Em outras palavras, estamos recebendo uma cobertura pífia por um aparente medo de que o vírus da revolta popular também se instale no Brasil, com os mesmos resultados que estão sendo vistos em toda a América Latina. O problema é saber se ocultar as fortes mobilizações contra as políticas ultraneoliberais será suficiente para impedir que a população brasileira saia da atual inércia para a ação política.

Finalmente, não deixa de ser curioso que o Chile que vem sem sendo apontado pelo presidente Jair Bolsonaro como um modelo de sucesso da direita latino americana esteja agora no olho do furacão político que engolfa a América do Sul neste momento. 

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