Luta contra o fechamento da Uenf está nas redes sociais

A situação catastrófica em que as universidades estaduais do Rio de Janeiro foram colocadas pelo (des) governo Pezão está provocando uma série de reações políticas que vão desde a manifestação das sociedade científicas até a criação de comunidades públicas em redes sociais. 

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Um caso exemplar é o da comunidade criada na rede Facebook que se intitula “UENF-Resiste Comunidade Acadêmica e Sociedade“. Esta comunidade é uma das muitas ferramentas que estão sendo utilizadas para fortalecer o movimento  em defesa  da a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf).

Uma das formas para colaborar com a comunidade é oferecer depoimentos  sobre a importância que  tem para o desenvolvimento científico e tecnológico do Rio de Janeiro, mais especificamente para as regiões Norte e Noroeste.

Desta forma, creio que seria interessante que quem puder e tiver interesse acesse a página oficial e deixe lá um relato sobre porque a universidade deve ser apoiada e defendida num momento tão crítico de sua jovem e vitoriosa trajetória.

Os interessados em conhecer a comunidade e deixar um depoimento, basta clicar (Aqui!)

 

Reitor emite nota sobre crise que ameaça paralisar atividades na Uenf

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À Comunidade UENF,

O ano de 2016 foi extremamente difícil. Ao longo do ano, vimos as condições de funcionamento da Universidade se deteriorarem, ao ponto de encerrarmos o ano sem o pagamentos dos salários e bolsas relativos a novembro bem como o 13º salário.

No início de 2016, alertamos para a precariedade da situação no Campus (Ofício 058/16). Em meados do ano nos dirigirmos diretamente ao Governador, alertando para o problema em questão além de apontar a responsabilidade do governo sobre acontecimentos futuros, fruto da falta de repasse de recursos (Carta de 19/07/16). Ao longo do ano, buscamos descontingenciar recursos orçamentários (Ofícios 041, 124 e 126/16), bem como solicitamos a publicação no DOERJ de diversos concursos em andamento (Ofícios 106, 172 e 191/16). Também nos pronunciamos contrários aos descontos periódicos no auxilio alimentação (Ofício 186/16).

Além do Poder Executivo, também denunciamos a situação e buscamos apoio da sociedade como, por exemplo, da Câmara Municipal (Ofício 051/16) e OAB (Ofício 048/16), entre muitos outros que renderam manifestações de apoio de 23 entidades, inclusive da ALERJ (Ofício 071/16), que doou R$ 1,5 milhões para a UENF.

Também nos manifestamos junto à Defensoria Pública (Ofício 072/16), ao TCE (Ofício 147/16) e, mais recentemente, ao Ministério Público (Ofício 184/16), sempre expondo de modo muito claro a situação calamitosa em que se encontrava a Universidade.

Atuamos também para melhorar o orçamento de 2017 (Ofício 117 e 122/16) bem como buscamos por emendas parlamentares (carta de 14/12/16).

Logo no inicio de Janeiro deste ano, mais uma vez, denunciamos as consequências da grave crise que atravessamos (Ofício 03/17).

Esses são alguns exemplos das ações e correspondências enviadas. Muitas outras atividades foram desenvolvidas, no intuito de dar visibilidade à situação, bem como promover o debate. Exemplo disto foi a reunião de uma delegação do CONSUNI com a Frente Parlamentar em Defesa da UENF, oportunidade na qual entregamos carta a todos os parlamentares (Carta de 28/06/16).

Além dos constantes debates sobre o tema no COLEX e no CONSUNI, foram realizadas três reuniões ampliadas do CONSUNI. Em uma delas, foi tomada a decisão de iniciar o 1º semestre de 2016, apesar da precariedade do serviço de vigilância, que havia entrado em greve e reduzido o efetivo. Com relação à segurança, a situação só não está muito pior devido às diversas reuniões com o comado da PM e GCM, que têm colaborado com a intensificação das rondas.

Esta Reitoria sempre se pautou pelo diálogo e defesa da UENF; também em 2017 será desta forma. Já temos um CONSUNI agendado para 10/02. Certamente estará na pauta o debate sobre as condições de funcionamento da Universidade.

Luís Passoni

Reitor da UENF

Correspondência do Reitor da Uenf sobre segurança interna é testemunho vivo do descalabro reinante nas universidades estaduais

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Não sei se foi intencional ou não, mas o conteúdo da CI UENF/REIT 001 de 03 de Janeiro de 2017 que leva a assinatura do reitor da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), prof. Luís Passoni, é um testemunho vivo do descalabro em que estão atualmente imersas as universidades fluminenses em função do completo abandono pelo (des) governo Pezão (ver abaixo).

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Demonstrando grave preocupação com a segurança interna, o reitor da Uenf pede a colaboração para que os membros da comunidade universitária evitem andar desacompanhados dentro do campus Leonel Brizola e permanecer desacompanhados em seus respectivos locais de trabalho.

Se estivéssemos falando de qualquer outra repartição do estado o assunto já seria gravíssimo, mas no caso de uma universidade onde a segurança pessoal é uma pré-condição para que as atividades intelectuais sejam exercidas com um mínimo de condição, essa correspondência representa o reconhecimento de que estamos chegando próximos da inviabilização completa do seu funcionamento.

Agora, me respondam, até quando a sociedade fluminense vai tolerar o desmanche de suas universidades públicas sem que haja a devida cobrança junto aos membros do (des) governo Pezão? É que as universidades são extremamente simbólicas no sentido de que entre suas obrigações está a de gerar saídas para a crise social, econômica e política em que fomos imersos por anos de completa desconsideração com o futuro do nosso estado por parte de um grupo de (des) governantes que literalmente trataram o Palácio Guanabara como uma extensão de suas propriedades privadas.

Finalmente, ainda que eu entenda a intenção do reitor da Uenf em pedir a colaboração de quem ainda está se arriscando a comparecer ao campus Leonel Brizola sob claros riscos pessoais, me parece que o pedido está mal direcionado. Melhor seria demandar logo no Ministério Público Estadual que as condições mínimas de segurança sejam garantidas por quem criou a situação insegurança, qual seja, o (des) governador Luiz Fernando Pezão e seu (des) secretário de Ciência e Tecnologia, o Sr. Gustavo Tutuca.

Reitoria da Uerj envia carta ao (des) governador Pezão alertando para o risco de cessação de todas suas atividades

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A reitora em exercício da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Maria Georgina Muniz Washington, enviou hoje uma carta ao (des) governador Luiz Fernando Pezão com um teor que revela a dramaticidade da situação a que sua instituição está colocada pela falta de verbas de custeio e do pagamento de seus servidores (ver imagem abaixo).

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E a mensagem da reitora em exercício da Uerj é clara: a instituição está sob risco de ter suas atividades interrompidas em todas suas unidades acadêmicas, seja no campus do Maracanã, ou nos outros localizados em diveras regiões do Rio de Janeiro.

Essa situação catastrófica é responsabilidade direta do (des) governo Pezão que vem impondo uma política de terra arrasada não apenas na Uerj, mas também na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) e na Universidade Estadual da Zona Oeste (Uezo). As três instituições passaram o ano de 2016 em graves dificuldades por causa do completo descompromisso do (des) governo Pezão com seu funcionamento.

Felizmente esta correspondência oficial da Uerj quebra um ciclo de silêncio por parte das reitorias das universidades estaduais e expõe o caos em que estas instituições fundamentais para o desenvolvimento científico e tecnológico do Rio de Janeiro foram colocadas por um (des) governo que parece apenas comprometido com as corporações privadas e suas organizações de classe como a Firjan e a Fecomercio.

Agora que a Uerj já tomou a vanguarda na defesa das instituições universitárias estaduais, espero que a reitoria da Uenf saia do silêncio sepulcral em que se colocou em meio a uma crise que tornou o campus Leonel Brizola um alvo preferencial para depredações, além de expor aos membros da comunidade universitária a riscos que até recentemente eram impensáveis.  E nem me parece preciso enfatizar que o risco de cessação das atividades é uma ameaça real que paira como um espectro ameaçador também sobre a Uenf neste momento.

E que fique claro de uma vez para todos, o (des) governo Pezão é um inimigo visceral das universidades estaduais e a tarefa de defendê-las é de todo cidadão que queira que o futuro seja completamente diferente da realidade atual.

 

Feliz ano velho: universidades estaduais do Rio de Janeiro sob o espectro da aniquilação em 2017

O ano de 2016 vai se encerrando de forma pouco memorável para o serviço público fluminense. Com parcela dos servidores ainda sem receber os salários de Novembro e sem notícias do pagamento do décimo terceiro salário, muitos estão sendo livrados da fome por causa da ação solidária de sindicatos e cidadãos.

Mas o drama dos servidores e aposentados é apenas a face mais óbvia de uma opção de governar para beneficiar o setor privado por meio de bilionárias, e mal explicadas, generosidades fiscais que, por sua vez, encobriram todo tipo de relação pouco republicana entre governantes e empresários. A verdade que não aparece claramente na cobertura superficial que a mídia corporativa nos oferece é que o serviço público do Rio de Janeiro está sendo zelosamente desmontado.

Apesar de não haver setor do serviço público que esteja sendo poupado da política de desmanche meticuloso que foi operado a partir do primeiro mandato do hoje aprisionado Sérgio Cabral Filho, um grupo de entidades que está bem próximo da implosão é o das universidades estaduais.  Dentro das três universidades estaduais (Uenf, Uerj e Uezo), a falta completa de verbas de custeio implicou no cancelamento ou precarização de projetos de pesquisa e extensão e na diminuição da qualidade das atividades de ensino.  Também como manter instituições tão sensíveis sem um centavo de verbas para custear suas múltiplas atividades? Pois foi isso que aconteceu na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) que chega ao final de 2016 com dívidas que beiram os R$ 20 milhões. E, pior, com a perspectiva de que em 2017 este estado de abandono seja aprofundado!

Uma das questões que mais causam perplexidade naqueles que labutam dentro das universidades é de como está sendo possível destruir, de forma tão fácil e despreocupada, instituições tão estratégicas para a formulação de qualquer tipo de saída positiva para a crise financeira e política que assola o Rio de Janeiro.  Por certo a indiferença dos (des) governantes de plantão por saídas reais para a situação que colocaram a segunda economia da federação brasileira é a principal causa, mas certamente não é a única.

Como alguém que está dentro da Uenf desde o início de 1998 já assisti de tudo um pouco na relação entre as universidades estaduais e os ocupantes eventuais do Palácio Guanabara. Mas não tenho dúvidas de que nada foi tão ruim quanto os últimos 3 anos quando o leme esteve nas mãos de Luiz Fernando Pezão. Eu desconfio que a natureza paroquial da forma de Pezão (des) governar, e que fica evidente quando se olha para o ocupante do cargo de secretário de Ciência e Tecnologia, o deputado Gustavo Tutuca.  É que além de credenciais pífias para comandar uma pasta tão importante, Tutuca manteve-se sempre como um desinteressado observador da crise implantada no sistema estadual de ciência fluminense.

Mas não deixemos a culpa pela ameaça de desintegração que hoje atinge as universidades estaduais. A verdade é que dentro delas não houve a devida resposta ao tamanho do ataque que está sendo realizado contra suas existências.  E o problema começa nas reitorias que parecem ter sido convencidas de que se fingir de mortas em nome de uma suposta normalidade é a única saída viável. Para piorar, os sindicatos de docentes e servidores não conseguiram formular estratégias que combinassem as demandas salariais com a defesa institucional, fato que se tornou uma imposição da luta sindical em tempos de ataque total por parte do (des) governo Pezão.

O fato de todas as previsões indicarem que os planos do (des) governo Pezão são de aprofundar a crise das universidades estaduais impõe a necessidade de que dentro das universidades e de outras instituições que compõe o sistema estadual de ciência e tecnologia haja uma completa mudança na atual atitude de passividade. E essa mudança de atitude passa por denunciar claramente as implicações para o futuro do Rio de Janeiro da falência das universidades estaduais, seja na formação de recursos humanos, na difusão de novos conhecimentos ou na formulação de políticas de desenvolvimento econômico.

E que ninguém se engane. Se a defesa das universidades estaduais não começar de dentro delas, não haverá salvação. Quanto antes reitorias e sindicatos entenderem isso, melhor. Do contrário, não haverá outra saída possível que não se preparar para o fechamento temporário para que se realize um completo processo de privatização. É que esse sempre foi o plano do (des) governo comandado pela dupla Sérgio Cabral Filho e Luiz Fernando Pezão.

(Des) governo Pezão avança seu projeto de privatização das universidades estaduais

No dia 28 de Fevereiro de 2016 publiquei a postagem “(Des) governo Pezão e seu script para as universidades estaduais: precarizar para depois privatizar” onde procurei traçar um perfil da relação entre a precarização que estava sendo imposta às nossas três universidades estaduais (Uenf, Erj e Uezo) e um eventual processo de suas privatizações (Aqui!).

Olhando em retrospectiva, o meu principal erro naquela postagem foi subestimar a velocidade em que a precarização se daria, a ponto de vislumbrar que ações para a privatização das universidades estaduais já devem estar sendo gestadas dentro do (des) governo Pezão.

O sinal mais evidente de que o (des) governo Pezão se prepara para uma desobrigação completa do financiamento das universidades estaduais é a Uenf que foi deixada sem um mísero centavo de custeio em 2016, e que não parece terá melhor destino em 2017. A verdade é que a Uenf funciona hoje apenas pela hercúlea teimosia de seus estudantes, professores e técnicos.

Mas como boa parte da verba de custeio que está empurrando a Uenf para frente está vindo de projetos de pesquisa dos professores, a diminuição do aporte de verbas via agências de fomento, e que vai piorar com a execução da PEC do Teto, vai secar esta última fonte de oxigênio que manteve a Uenf na UTI como paciente comatoso, mas respirando, ao longo de 2016.

Outro sintoma evidente de que o projeto de privatização do sistema fluminense de Ciência e Tecnologia já está em curso é a completa inoperância da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ). A crise da FAPERJ é tão grave que a fundação não vem honrando compromissos básicos como o pagamento de bolsas para estudantes! Além disso, centenas de termos de outorga relacionados a projetos de pesquisa aprovados pela FAPERJ foram transformados em meras cartas para Papai Noel, muitas das quais não foram atendidas já no Natal de 2015!

Agora quem pensa que a falta de verbas nas universidades estaduais é resultado da falta de recursos financeiros, pense de novo. É que basta olhar para os quase R$ 200 bilhões que foram dispensados para empresas e indivíduos na farra fiscal promovida a partir do primeiro mandato de Sérgio Cabral. Quem coloca tanto dinheiro na iniciativa privada, inclusive multinacionais poderosas como a francesa L´Oreal, está fazendo uma opção que não passa pelo desenvolvimento autônomo de ciência e tecnologia, mas sim pelo uso de pacote fechados e sem controle nacional. 

O mais perverso disso tudo é que no Brasil as corporações privadas investem pouquíssimo em desenvolvimento científico e inovação. E quando investem, os produtos gerados não são compartilhados com a indústria nacional. Assim, ao sucatear as universidades estaduais, o que o (des) governo Pezão está fazendo é assegurar que não haja desenvolvimento científico e tecnológico no Rio de Janeiro, condenando a todos nós a um futuro cada vez mais miserável.

Por último, está evidente que no interior das universidades estaduais está instaurado um estado de profunda apatia que beira a anomia institucional. O nível de prostração é tão grande que nem a falta de pagamentos de salários e bolsas é motivo para protestos públicos, quiçá o comprometimento da qualidade do ensino e da pesquisa. Ainda que essa anomia institucional esteja disfarçada pela manutenção de rotinas e cobranças burocráticas, não há como esconder que o estado dominante é de inação e apatia, como se tudo que está sendo feito pelo (des) governo Pezão seja algo, digamos assim, natural.

Diante de um quadro tão ruim, alguém pode me perguntar se ainda há salvação para a condição pública das universidades estaduais. A minha resposta é que sim, pois sempre existem saídas para qualquer problema. A questão é saber se haverá quem queira de dentro das próprias universidades enfrentar a realidade de frente para enfrentar o real projeto do (des) governo Pezão que é entregar as nossas universidades à iniciativa privada.  

Agora, que fique claro que a defesa das universidades estaduais deverá ser levado a frente por um leque mais amplo de indivíduos e instituições. Afinal, se as universidades públicas foram privatizadas, o prejuízo será compartilhado por toda a sociedade fluminense. 

 

Universidades estaduais são vítimas preferenciais do arrocho do (des) governo Pezão

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Há quem considere que as ações do (des) governo Pezão são fruto do próprio caos que ajudou a criar.  Um exemplo é o reconhecimento pelo próprio secretário estadual de Fazenda, Gustavo Barbosa, de que boa parte do pacote de 28 medidas criadas para arrochar salários e extinguir programas sociais que atendem os setores mais pobres da população fluminense será alvo de uma enxurrada de ações judiciais coletivas e individuais, as quais terão chances reais de sucesso dado o caráter inconstitucional que cerca parte dessas medidas.

Diferentes daqueles que vêem caos e desorganização, eu acredito que as ações do (des) governo Pezão são friamente calculadas e visam basicamente criar confusão, desilusão e, finalmente, abandono dos postos de trabalho por milhares de servidores. Afinal, como ficar em empregos cujos salários vão regredir quase uma década em termos de seu poder de compra? Não há compromisso social que resista, e muitos servidores (principalmente os mais graduados) vão migrar para a iniciativa privada ou mesmo para outros estados e mesmo para municípios.

Como algumas das medidas mais duras atingirão apenas os servidores do executivo (por exemplo, a extinção da gratificação por tempo de serviço), será nessa parte da máquina público que haverá a maioria da evasão. Para alegria geral dos donos das Organizações Sociais (OSs) que já abocanham bilhões anualmente com a venda de serviços de baixa qualidade para o setor público!

Eu vejo como quase inevitável o esvaziamento das três universidades estaduais (Uenf, Uerj, Uezo) que possuem corpos docentes com um número significativo de doutores. Esses profissionais, mas não apenas eles serão forçados a procurar outros locais para trabalhar, muitos fora do Brasil. Essa conseqüência terá efeitos duradouros sobre a possibilidade da retomada de um esforço concentrado pela criação de um genuíno modelo desenvolvimento econômico, pois desde 2008 o que se vê é uma aposta furada na atração de empresas via uma farra fiscal sem precedentes na história do Rio de Janeiro.

Ainda que pareça exagera, a desestruturação do sistema estadual de ciência, tecnologia e informação vai totalmente ao encontro dos (dês) governantes que hoje controlam o Palácio Guanabara. A aversão que sempre mostraram pelas universidades está sendo materializada neste momento por um sufoco financeiro inédito, mas será aprofundada com a expulsão de servidores técnicos e docentes das nossas universidades. Há que se frisar que o processo de evasão de cérebros já está sendo detectado em áreas como a da residência médica, visto a crise que cerca unidades importantes como o Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe) da Uerj.

A verdade é que o (des) governo Pezão, que colocou o neófito Gustavo Tutuca à frente da Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia, está apostando todas as suas fichas na destruição das universidades estaduais como uma forma de impor seu Neoliberalismo de rapina sobre a sociedade fluminense.  Não enxergar isso é se tornar uma presa ainda mais fácil para os que estão hoje trabalhando para inviabilizar instituições universitárias que já demonstraram ser um destino correto para investimentos públicos, dado o retorno que vem oferecendo ao longo do tempo.

Em função da grave ameaça que as cerca neste momento é preciso defender nossas universidades estaduais dos planos de destruição do (des) governo Pezão. Simples assim!

Uenf: uma nau à deriva

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A situação das universidades estaduais do Rio de Janeiro parece seguir um roteiro de desmantelamento inexorável. No caso da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), as contas acumuladas a partir de Outubro de 2015 já ultrapassam R$ 20 milhões em dívidas com concessionárias, empresas prestadoras de serviços terceirizados e fornecedoras de insumos básicos para suas atividades de ensino e pesquisa.

Após o retorno das aulas a situação de (in) segurança que se anunciava vem sendo confirmada por meio de furtos e assaltos que, felizmente, ainda não causaram nenhuma perda de vida dentro do campus ou no seu entorno.  Uma consequência prática dessa situação tem sido o desenvolvimento de uma cultura do silêncio que caracteriza a vida de comunidades pobres brasileiras que convivem diariamente com o perigo. Os estudantes que são o foco principal da violência parecem ter feito um pacto de não informar os eventos de violência com o medo de que a notificação torne ainda mais evidente a insegurança a que estão sendo submetidos, atraindo assim mais violência. 

Mas se há uma área em que se evidencia a profunda degradação nas relações humanas dentro da Uenf está na situação vexaminosa a que estão sendo submetidos os seguranças que a proteção patrimonial dentro das unidades da Uenf. Há quase cinco meses sem ter seus salários pagos (eu disse CINCO MESES!),  os seguranças vinculados á empresa K-9 não abandonam seus postos por medo de não seus direitos garantidos por abandono de emprego!  Se essa situação estivesse ocorrendo em alguma propriedade rural no interior da Amazônia é quase certo que uma força-tarefa já teria sido enviada para libertar esses trabalhadores. Mas como estamos no Rio de Janeiro e numa universidade pública, esse espetáculo dantesco de desrespeito e humilhação continua ocorrendo de forma impune.

Entretanto,  algo igualmente pernicioso ocorre naquilo que a Uenf deveria prezar mais, qual seja, a qualidade da educação que ele foi designada a oferecer. Sem recursos básicos para levar um ensino de qualidade à frente, o que se tem é um processo paulatino, mas firme de degradação, da formação de estudantes. É que está se corroendo pela base o projeto didático-pedagógico que foi idealizado por Darcy Ribeiro que unia a formação teórica com a prática desde o início da vida acadêmica dos estudantes de graduação. A verdade é que com o atual cenário de ausência total de verbas, o que ainda sobra do projeto de Darcy e Brizola reside na capacidade dos professores de captarem recursos para projetos de pesqauisa que acabam sendo utilizados nas atividades didáticas.

Todo esse desmantelamento da Uenf vem sendo meticulosamente ignorado tanto pelo executivo estadual comandado por Pezão e Francisco Dornelles, como pela Alerj.  Na prática, apesar de discursos de preocupação aqui e ali, não há nada de prático sendo feito para reverter a lógica perniciosa que combina uma farra fiscal que beneficia todo tipo de empresa, enquanto se deixa o serviço público em uma completa agonia.

Ainda que não esteja ainda claro para a maioria, os efeitos desta lógica dupla serão duradouros e afetarão as futuras gerações de cidadãos fluminenses. É que sem escolas, hospitais e universidades públicas de qualidade, a população ficará não apenas desprotegida no imediato, mas também desprovida de alternativas para que o futuro seja melhor. É que sem universidades que produzam conhecimento científico que sejam traduzidos em inovações tecnológicas, não haverá saída para o fosso em que fomos empurrados pelos seguidos (des) governos do PMDB.

A saída para este imbróglio residirá na capacidade das comunidades universitárias, incluindo a da Uenf, de resistir à essa lógica de desmonte da capacidade criativa que deve caracterizar o seu funcionamento, e de recusar uma suposta normalidade que combina sucateamento com desrespeito e desumanização das relações cotidianas. E isso vai requerer criatividade e disposição de luta para enfrentar o projeto de desmanche da Uenf. Felizmente, criatividade e disposição de luta não custam nada e não dependem do aporte financeiro do (des) governo Pezão. Então, mãos à obra!

Jornal Extra faz Raio-X da crise financeira causada por Pezão nas universidades estaduais

Em universidades do Rio, faltam professores e até tinta para imprimir provas

Bruno Alfano

Falta de professores, baixos salários, obras paradas… O corte de gastos do governo do Rio, que contingenciou o orçamento de praticamente todos os setores da administração pública, amplia problemas antigos das universidades estaduais — que podem chegar, ao fim do ano, com R$ 144 milhões a menos de orçamento.

O cenário atual já é complicado, segundo docentes e estudantes. A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) precisa de 572 professores concursados para começar o ano — sob o risco de disciplinas não serem abertas. O Centro Universitário Estadual da Zona Oeste (Uezo) funciona nos fundos de uma escola estadual, e, na Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf), professores alegam que precisam pagar até a tinta para imprimir as provas.

A situação mais grave é a da Uerj. Proibida pela Justiça desde o ano passado de contratar professores substitutos, a instituição precisa realizar concursos. O site da universidade exibe 245 abertos. Os outros 327 estão apenas autorizados.

— O semestre não começa sem estes professores. Várias disciplinas obrigatórias estão sem docentes — denuncia o presidente da Associação de Docentes da Uerj (Asduerj), Bruno Deusdará.

A universidade foi procurada, mas afirmou que, com a proximidade do carnaval, todos os funcionários estariam indisponíveis para dar explicações. Enquanto isso, os cerca de 23 mil alunos da instituição sofrem — e a falta de professores é só uma das faces da crise.

Maria Bubna, de 21 anos, está no terceiro período de Direito e recebe Bolsa Permanência de R$ 400. O benefício, no entanto, tem atrasado até 20 dias.

— Tem bolsista que mora na Baixada Fluminense e gasta os R$ 400 em passagem. Se ficar sem, não vem para a aula. A minha sorte é que moro aqui em frente — diz a jovem.

Para a equipe do EXTRA sair do sétimo andar da universidade, foi preciso gritar no vão do elevador. É que o botão não está funcionando, e só assim os ascensoristas sabem que há gente esperando.

A previsão de menos R$ 15 milhões no orçamento de 2015 já causou problemas para a Uezo. O reitor Alex da Silva afirmou que a construção do campus precisou ser interrompida. Hoje, a universidade funciona nas dependências do Instituto Educacional Sarah Kubitschek, um colégio estadual.

— Só devemos retomar as obras em maio. Por enquanto, está parada — afirma.

A obra, que custa R$ 18 milhões, começou em maio do ano passado, e, segundo o reitor, está em fase de terraplanagem.

Na Uenf, professores afirmam que o orçamento já está curto e a conta não deve fechar até o fim do ano. Marcos Pedlowski, membro do Conselho de Representantes da Associação de Docentes da Uenf, conta que já precisou até pagar tinta para a impressão das provas.

— O orçamento deste ano não deve dar — alerta.

De acordo com a pró-reitora de Graduação, Ana Beatriz Garcia, a contratação de mais 60 professores resolveria o quadro docente.

O Ministério Público do Trabalho vai investigar a falta de pagamento dos funcionários terceirizados da Uerj. A procuradora Valdenice Amalia Furtado já pediu esclarecimentos por escrito aos investigados.

Os funcionários da empresa Construir, responsável pela manutenção da universidade, ficaram até três meses sem receber o pagamento. Alunos de cursos como Direito e Serviço Social fizeram arrecadação de alimentos para ajudar os funcionários, já que alguns estavam sem dinheiro até para comprar comida e pagar contas.

Em uma reunião interna, o reitor Ricardo Vieiralves afirmou que vai romper o contrato com a Construir.

FONTE: http://extra.globo.com/noticias/rio/em-universidades-do-rio-faltam-professores-ate-tinta-para-imprimir-provas-15338514.html#ixzz3RoCWdvQw

Crise da Uerj é reflexo da crise do governo Pezão

Por Bruno Deusadará, Lia de Mattos Rocha & Paulo Alentejano

Especial para o UOL

 
A Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) é, sem dúvida, um patrimônio reconhecido da população fluminense, onde muitos dos nossos jovens desejam estudar. É fácil entender a importância da universidade em um Estado como o Rio de Janeiro, que concentra fixação de conhecimento e tecnologia, formação profissional de ponta e compromisso com a justiça social.

Essa lição, porém, parece não ter sido adequadamente compreendida pelo grupo que ocupa o Palácio Guanabara há algumas décadas. Basta ver o que tem levado a Uerj aos noticiários do país. Problemas financeiros e de infraestrutura gravíssimos assolam seus trabalhadores e estudantes, comprometem sua missão institucional e têm tornado difícil exercer o ensino, a pesquisa e a extensão.

As notícias mais recentes denunciam atraso significativo dos salários de funcionários contratados (de professores à equipe da manutenção) e das bolsas de estudantes, que esperaram até a terceira semana de janeiro por seus pagamentos.

Já em dezembro, a reitoria adiantou o recesso de fim de ano e funcionários terceirizados da limpeza entraram em greve por falta de pagamentos. No entanto, as dívidas do governo estadual com a Uerj são antigas, os professores efetivos têm salários pouco atrativos para uma carreira de nível superior, sem reajuste desde 2001.

As perdas acumuladas são da ordem de 80% e afetam de maneira mais dramática nossos colegas aposentados. Os professores também não conseguem progredir na carreira, mesmo depois de comprovadas todas as exigências legais para tal. Nessa conta, somam-se ainda problemas de infraestrutura, falta de professores, investimento insuficiente na assistência estudantil, entre outros.

A grave crise soma cifras a muita negligência. O governador Pezão teve a chance de se tornar o primeiro a aprender a lição. Uma emenda à Lei de Diretrizes Orçamentárias pretendia garantir 6% da receita corrente líquida do Estado para as universidades públicas, como já prevê a Constituição estadual.

Segundo dados apresentados à época pelo presidente da Comissão de Educação da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio), o deputado Comte Bittencourt, a aprovação dos 6% ampliaria em R$ 917 milhões os recursos para o ensino superior no Estado.

Atualmente, o governo fluminense destina R$ 1,3 bilhão para as quatro instituições de ensino superior do Rio, o que representa apenas 3,6% do orçamento de receitas correntes líquidas para 2015.

Vincular o orçamento das universidades a um percentual da arrecadação é uma medida adotada em São Paulo, cujas instituições estão entre as mais importantes do mundo. A conta é simples: quanto mais um Estado cresce economicamente, mais ele deveria investir em conhecimento e formação profissional qualificada.

Fernando Frazão/Agência Brasil

Funcionários de limpeza fazem greve na Uerj por falta de pagamento

No entanto, nem o governador Pezão, nem uma parte dos deputados estaduais ainda entenderam essa fórmula: o governador vetou essa emenda ainda no ano passado e, em seguida, o veto foi mantido com um placar de 29 deputados a favor da supressão e 15 contra (seriam necessários 36 votos para derrubar o veto).

O refrão de que “faltaria dinheiro” retorna agora com uma suposta queda da arrecadação do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e dos royalties do petróleo. Porém, reportagem do jornal O Globo (26 de janeiro) desmente a tese de redução da arrecadação, uma vez que, em 2014, foram recolhidos R$ 31,4 bilhões de ICMS e a previsão para 2015 é de uma arrecadação de R$ 33,6 bilhões.

Além disso, o aumento dos impostos federais sobre combustíveis e energia elétrica vai gerar também aumento do repasse para os Estados, compensando possíveis perdas com a redução dos royalties do petróleo. Ou seja, nem matematicamente se sustenta o refrão do governo estadual, repetido pela reitoria da universidade.

Não é uma conta, mas uma opção: isenção fiscal para inúmeras empresas, reduzindo a arrecadação potencial, e dinheiro dos impostos do povo fluminense destinado a medidas impopulares, como os equipamentos para os Jogos Olímpicos e a militarização das favelas e periferias. Investir em educação pública e de qualidade ficou fora dessa opção.

A Uerj é uma das universidades mais populares do Brasil. Foi a primeira a adotar o sistema de cotas e atende estudantes de todas as partes do Estado, seja nos campi da região metropolitana, seja em suas unidades do interior.

Mesmo com as dificuldades apresentadas, seus trabalhadores e estudantes têm se destacado em diferentes áreas do cenário científico nacional. É no sentido de defender esse patrimônio do povo fluminense que reivindicamos a destinação de 6% da receita corrente líquida do Estado para as universidades públicas estaduais e investimento em pessoal, com salários mais atrativos.

Somente investindo em ciência, tecnologia, educação pública e de qualidade que o Rio de Janeiro poderá romper com uma lógica de desenvolvimento ancorada na extração de recursos naturais que, sabemos, são finitos e poluentes. A lição é simples e o governador pode mostrar que aprendeu.

Em defesa da Uerj e do ensino público e de qualidade!

FONTE: http://noticias.uol.com.br/opiniao/coluna/2015/02/03/crise-da-uerj-e-reflexo-da-crise-do-governo-pezao.htm