Capitalismo em convulsão agita os piores instintos da moral burguesa

Um dos aspectos mais peculiares e contraditórios da chamada “Globalização” foi o reforço das tensões locais e regionais, e a emergência de uma onda de uma forma de nacionalismo que incorpora todos os males da sociedade burguesa, incluindo xenofobia, misoginia e homofobia.  O maior símbolo desse nacionalismo foi a eleição do bilionário Donald Trump nos EUA. 

Mas não é apenas nos EUA que os bilionários resolveram tomar o controle do Estado para tentar aplicar uma forma brutal de quase retorno ao período que Karl Marx chamava de “acumulação primitiva”. É o vale tudo sendo transformado em política de governo, substituindo o discurso globalista que emergiu após a queda do Muro de Berlim e o subsequente desaparecimento da URSS.

Entretanto, como a história só repete como tragédia ou como farsa, essa reviravolta sob o comando de personagens que não hesitam em serem politicamente incorretos nada passa de mais uma tentativa dos capitalistas para estancar o apodrecimento do seu sistema econômico.  

Há que se lembrar de que o uso de estratégias de extrema violência já ocorreu em diferentes momentos de crise do Capitalismo, incluindo as duas grandes guerras mundiais e o surgimento de forças políticas que se fundavam no exercício da força extrema contra os trabalhadores como foi o caso do Nazismo na Alemanha e do Fascismo na Itália. Aliás, se voltarmos ao Século XIX poderemos verificar como as forças imperialistas atuaram na África, sendo o Rei Leopoldo II da Bélgica o maior exemplo do terror que foi aplicado para garantir a submissão das colônias.

O que me parece diferente nessa atual fase de convulsão do Capitalismo é que o uso do novo discurso nacionalista não sente a menor vergonha de pregar a supressão dos chamados direitos democrático que tanto foram usados para mostrar uma suposta superioridade moral contra a URSS. Aliás, depois das barbaridades cometidas pelas forças estadunidenses em Abu Ghraib e Guantánamo, essa superioridade já tinha ido pelo ralo mesmo.  Nessa mesma toada, a construção de um muro para separar os EUA do México nem causa qualquer enrubescimento na face dos falsos moralistas que ontem pregavam a derrubada de muros, e hoje não hesitam em construí-los. 

E o que falar da guerra na Síria e do apoio dado por governos nacionais a grupos ligados Al Qaeda e, por que não, ao Estado Islâmico.  Aliás, na guerra da Síria todos os lados envolvidos não hesitaram de rasgar todos os supostos compromissos com a dignidade humana.

Um aspecto que deveria preocupar aos brasileiros é que, curiosamente para um país de minoria branca, o Brasil também tem se mostrado um terreno fértil para a propagação desse discurso supostamente politicamente correta que tolera a proliferação de discursos de ódio contra os mais pobres, especialmente se estes são negros, mulheres ou homossexuais.  

Entretanto, dada a posição de economia dependente que o Brasil historicamente tem tido, a verdade é que não haveria como essa onda de ódio não chegasse por aqui sob uma cobertura de indignação com o sistema político. O fato é que sempre uma sociedade autoritária e segregada, e o que acontece agora é que setores mais ressentidos das camadas médias e altas não hesitam mais em mostrar o que realmente pensam. Assim, temos uma combinação clara entre a convulsão do sistema e o aumento da intolerância no plano nacional.

Quanto mais cedo os que não toleram a fluxo livre destas tendências autoritárias acordarem para essa ligação mais provável será a possibilidade de que essas forças desagregadoras das relações societárias sejam derrotadas. Mas se demorarmos muito a reagir, não há nenhuma razão para acreditar que não nos vejamos imersos num imenso reino de terror, seja no plano local, nacional ou global. 

Washington Post publica matéria para lembrar como a União Soviética salvou o mundo de Hitler

Soldiers raising the Soviet flag over the Reichstag, Berlin 1945 2

A matéria abaixo foi publicada pelo jornal “The Washington Post” e o seu titulo por si só já é memorável: Não esqueça como a União Soviética salvou o mundo de Hitler. A matéria é tão em rica em detalhes sobre como os soviéticos venceram a guerra na Europa e derrotaram o exército nazista que um coxinha mais desavisado poderia achar que está lendo russo e não inglês, e o jornal é o Pravda e não um dos principais periódicos estadunidenses.

Os número que a matéria apresenta sobre o papel da URSS na derrota de Hitler são incontestáveis. Por exemplo: para cada soldado estadunidense morto, 80 soldados russos deram sua vida combatendo os nazistas nos campos de batalha. Outro número assombroso é o fato de que a URSS perdeu 26 milhões de cidadãos na guerra contra Hitler, sendo que 17 milhões dos mortos eram civis.  A matéria também mostra que as perdas de soldados da URSS representaram 95% das perdas dos três aliados principais (URSS, EUA e Inglaterra)!

Além disso, até 1943 o avanço nazista causou a perda de dois terços da capacidade industrial da URSS. Além disso, em pelo menos 60% dos domicílios soviéticos houve a perda de um membro da família por causa da luta contra os nazistas.

Esses números são, convenhamos, impressionantes. E o mais revelador disso é que raramente se vê uma descrição tão detalhada do sacrifício feito pelos povos da URSS, já que foi na Europa que Hitler e a elite nazista mais investiram não apenas para dizimar os judeus, mas todos os povos que eles considerassem indignos, a começar pelos russos.

Por essas e outras que a parada que ocorrerá amanhã em diferentes partes da Rússia para celebrar os 70 anos da vitória sobre o Nazismo deveriam merecer um minuto de silêncio em todas as capitais mundiais, o que certamente não ocorrerá.  É que acima de tudo o Capitalismo forma gerações sem memória histórica, mesmo porque o Nazismo nada mais é do que uma forma mais degenerada de impor as relações capitalistas de produção. Só isso já explica todo o ódio que ainda permanece contra a URSS e, em especial, contra os russos!

 

Don’t forget how the Soviet Union saved the world from Hitler

By Ishaan Tharoor 

urss 1People look at photos on the “We have won!” memorial panel in Stavropol, Russia May 5, 2015. The panel shows the famous Soviet picture “Flag above the Reichstag” made from 4,222 portraits of defenders of their Motherland during the World War II from Stavropol, local media reported. REUTERS/Eduard Korniyenko

In the Western popular imagination — particularly the American one — World War II is a conflict we won. It was fought on the beaches of Normandy and Iwo Jima, through the rubble of recaptured French towns and capped by sepia-toned scenes joy and young love in New York. It was a victory shaped by the steeliness of Gen. Dwight D. Eisenhower, the moral fiber of British Prime Minister Winston Churchill, and the awesome power of an atomic bomb.

[What V-E Day was like in London for a U.S. airman on leave from the war]

But that narrative shifts dramatically when you go to Russia, where World War II is called the Great Patriotic War and is remembered a vastly different light.

On May 9, Russian President Vladimir Putin will play host to one of Moscow’s largest ever military parades . More than 16,000 troops will participate, as well 140 aircraft and 190 armored vehicles, including the debut of Russia’s brand new next generation tank.

It’s a grand moment, but few of the world’s major leaders will be in attendance. The heads of state of India and China will look on, but not many among their Western counterparts. That is a reflection of the tense geopolitical present, with Putin’s relations with the West having turned frosty after a year of Russian meddling in Ukraine. When Russia’s T-14 Armata tank broke down at a parade rehearsal on Thursday, the snickering could be heard across Western media.

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Russian soldiers are pictured next to the Reichstag building in this undated photo taken May 1945 in Berlin. (REUTERS/MHM/Georgiy Samsonov/Handout via Reuters )

Unfairly or not, the current tensions obscure the scale of what’s being commemorated: starting in 1941, the Soviet Union bore the brunt of the Nazi war machine and played perhaps the most important role in the Allies’ defeat of Hitler.  By one calculation, for every single American soldier killed fighting the Germans, 80 Soviet soldiers died doing the same.

Of course, the start of the war had been shaped by a Nazi-Soviet pact to carve up the lands in between their borders. Then Hitler turned against the U.S.S.R.

[What one Soviet soldier saw when he entered Auschwitz.]

The Red Army was “the main engine of Nazism’s destruction,” writes British historian and journalist Max Hastings in “Inferno: The World at War, 1939-1945.” The Soviet Union paid the harshest price: though the numbers are not exact, an estimated 26 million Soviet citizens died during World War II, including as many as 11 million soldiers. At the same time, the Germans suffered three-quarters of their wartime losses.

“It was the Western Allies’ extreme good fortune that the Russians, and not themselves, paid almost the entire ‘butcher’s bill’ for [defeating Nazi Germany], accepting 95 per cent of the military casualties of the three major powers of the Grand Alliance,” writes Hastings.

The epic battles that eventually rolled back the Nazi advance — the brutal winter siege of Stalingrad, the clash of thousands of armored vehicles at Kursk (the biggest tank battle in history) — had no parallel on the western front, where the Nazis committed fewer military assets. The savagery on display was also of a different degree than that experienced further west.

Hitler viewed much of what’s now Eastern Europe as a site for “lebensraum” — living space for an expanding German empire and race. What that entailed was the horrifying, systematic attempt to depopulate whole swathes of the continent. This included the wholesale massacre of millions of European Jews, the majority of whom lived outside Germany’s pre-war borders to the east. But it also saw millions of others killed, abused, dispossessed of their lands and left to starve.

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Russian soldiers are pictured on top of the Reichstag building in this undated photo taken May 1945 in Berlin.(REUTERS/MHM/Georgiy Samsonov/Handout via Reuters)

“The Holocaust overshadows German plans that envisioned even more killing. Hitler wanted not only to eradicate the Jews; he wanted also to destroy Poland and the Soviet Union as states, exterminate their ruling classes, and kill tens of millions of Slavs,” writes historian Timothy Snyder in “Bloodlands: Europe between Hitler and Stalin.”

By 1943, the Soviet Union had already lost some 5 million soldiers and two-thirds of its industrial capacity to the Nazi advance. That it was yet able to turn back the German invasion is testament to the courage of the Soviet war effort. But it came at a shocking price.

In his memoirs, Eisenhower was appalled  by the extent of the carnage:

When we flew into Russia, in 1945, I did not see a house standing between the western borders of the country and the area around Moscow. Through this overrun region, Marshal Zhukov told me, so many numbers of women, children and old men had been killed that the Russian Government would never be able to estimate the total.

To be sure, as Snyder documents, the Soviet Union under Stalin also had the blood of millions on its hands. In the years preceding World War II, Stalinist purges led to the death and starvation of millions. The horrors were compounded by the Nazi invasion.

“In Soviet Ukraine, Soviet Belarus, and the Leningrad district, lands where the Stalinist regime had starved and shot some four million people in the previous eight years, German forces managed to starve and shoot even more in half the time,” Snyder writes. He says that between 1933 and 1945 in the “bloodlands” — the broad sweep of territory on the periphery of the Soviet and Nazi realms — some 14 million civilians were killed.

 By some accounts, 60 percent of Soviet households lost a member of their nuclear family.

For Russia’s neighbors, it’s hard to separate the Soviet triumph from the decades of Cold War domination that followed. One can also lament the way the sacrifices of the past  inform the muscular Russian nationalism now peddled by Putin and his Kremlin allies. But we shouldn’t forget how the Soviets won World War II in Europe.

FONTE: http://www.washingtonpost.com/blogs/worldviews/wp/2015/05/08/dont-forget-how-the-soviet-union-saved-the-world-from-hitler/?tid=sm_fb