Prefeito Wladimir, um lockdown “bem meia boca” não resolverá o problema

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Em face do avanço desenfreado dos casos de COVID-19 no município de Campos dos Goytacazes, o prefeito Wladimir Garotinho promulgou o Decreto 090/2021, onde notadamente está ausente qualquer menção à palavra “lockdown” ou palavra equivalente na língua portuguesa. As razões para isso aparentemente são múltiplas, indo desde a preocupação com os comerciantes locais até algum tipo de estranhamento com o governador em exercício do estado do Rio de Janeiro, o Sr. Cláudio Castro, e seu padrinho político, o senador Flávio Bolsonaro (PSL/RJ).

Mas ao ler o conteúdo do Decreto Municipal 090/2021 acabei concordando que a ausência do termo “lockdown” é até coerente, pois o que está expresso nos 12 artigos em que o mesmo se compõe não chega nem perto de ser o tipo de isolamento social que a situação requer.  Há até a incrível autorização para a continuação das reuniões em templos religiosos, ainda que restritos a 30% da frequência possível, o que, convenhamos, dificilmente vai ser monitorado.

O problema é que com a manutenção dos cultos religiosos, outros setores que estão mais atingidos pelo Decreto 090/2021 vão se sentir propensos a ignorá-lo, mesmo que funcionem com portas baixadas, já que sabem que quem baixa uma legislação como essa, dificilmente vai se colocar em campo para fazê-la cumprir. É aquela coisa do “me engana que eu gosto”.

A tragédia disso tudo é que sem um lockdown real que estabeleça medidas realmente duras para controlar o movimento de pessoas, a COVID-19 continuará seu passo mortal em nossa cidade. Se o prefeito Wladimir Garotinho estivesse mesmo afim de controlar o avanço da pandemia, o exemplo que seguiria seria o do prefeito de Araraquara, Edinho Silva, que adotou regras estritas de confinamento social e, com isso, conseguiu zerar a fila de espera para pacientes em sua cidade.

O momento que estamos atravessando requer medidas corajosas e que coloquem a saúde da população acima de todos os outros interesses, a começar os do “necrocomerciantes” que acham que são empresários, mas que não passam de empregados que exploram outros empregados.

A hora em que estamos metidos, muito em parte por causa da sabotagem contra as medidas de confinamento social lideradas pelo presidente Jair Bolsonaro, não tolera “lockdowns bem meia boca”.  O que precisamos, e não estamos tendo, é que realmente somente as atividades essenciais sejam autorizadas, e em horários muito mais restritos do que estão sendo permitidos por meio do Decreto 090/2021.

Bamburrando com água: gasto da Prefeitura de Campos aumenta em 40%, mesmo em período de pandemia

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Se há algo que não causa espanto é a capacidade aparentemente miraculosa da empresa “Águas do Paraíba” de continuar navegando em mar de almirante, enquanto a maioria de nós pega mar revolto.  Mas a matéria abaixo publicada pelo site jornalístico local, o ClickCampos, me faz pensar que sempre há lugar para novidade.

É que como os leitores do Blog do Pedlowski, em plena pandemia e com a maioria das repartições públicas sendo ocupadas por um número restrito de servidores, a conta da água da Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes deu um salto de 40%,, muito acima dos7,14% concedidos pelo ex-prefeito Rafael Diniz e mantidos pelo atual, Wladimir Garotinho.

Como diz a nota do “ClickCampos”, desse jeito a Águas do Paraíba, usando a linguagem dos garimpeiros, vai “bamburrar” , mas não será por acaso, mas sim pela contínua gentileza (usemos essa palavra na falta de uma melhor) dos governantes.

Repasse da Prefeitura para Águas do Paraíba aumenta em quase 40% no governo Wladimir

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Por Fabrício Nascimento para o site ClickCampos

As primeiras atualizações da Prefeitura de Campos no Portal da Transparência trazem dados que acendem o alerta para o contribuinte. Além de não revogar o aumento concedido para a empresa Águas do Paraíba de 7,14%, o Prefeito Wladimir Garotinho já pagou R$ 817.722 para a empresa de água e saneamento do município.

O valor é cerca de 38% mais alto do que o repasse feito pelo ex-prefeito Rafael Diniz no mesmo período em 2020, que foi de R$ 597.366. Cabe destacar que diversos órgãos da Prefeitura de Campos tiveram o seu funcionamento comprometidos em virtude da pandemia do novo coronavírus, o que deveria diminuir o consumo nos primeiros meses do ano.

No mesmo período, misteriosamente a empresa teve uma CPI que a investigaria sendo ‘engavetada’ na Câmara de Campos de maneira inexplicável.

Pelo visto, a empresa que apenas em 2019 teve lucro bruto de R$ 155 milhões na cidade de Campos, deve alcançar resultados ainda melhores em 2021.

Confira abaixo o extrato do pagamento publicado no Portal da Transparência:

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Este texto foi inicialmente publicado pelo site jornalístico ClickCampos [Aqui!  ].

Governo Wladimir Garotinho coloca profissionais da educação na linha de fogo da COVID-19

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Uma rápida leitura da matéria postada no portal oficial da Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes sobre a iminente adoção de um modelo “híbrido” para garantir o retorno às aulas presenciais na rede municipal de educação (pública e privada) já nos fornece o principal elemento de contradição do que está sendo imposto a milhares de servidores municipais da educação que serão obrigados efetivamente a voltar ao trabalho presencial. É que a reunião que decidiu o destino desses trabalhadores não foi presencial, mas na segurança da tela de computador (ver imagens abaixo).

Em termos da proposta que será implementada pela Secretaria Municipal de Educação, uma coisa salta aos olhos: afora as declarações protocolares de que cada escola criará uma tal “Comissão Pró-Saúde” para “monitorar o cumprimento dos protocolos estabelecidos, nada de concreto é indicado para garantir a chance zero de contaminação por parte de profissionais da educação e das crianças que frequentarão “hibridamente” as escolas públicas e privadas.

E isso em um momento que se sabe que pelo menos duas variantes com maior capacidade de contágio já estão presentes de forma comunitária no Rio de Janeiro (as originada no Reino Unido e em Manaus), e de que uma síndrome particularmente letal está se manifestando em crianças e adolescentes contaminadas pelo SARS-Cov-2 no Brasil e nos EUA.

Como sabemos que as condições de trabalho experimentados na rede pública são precárias para se dizer o mínimo, e inexistindo uma campanha de vacinação em massa orientada para os profissionais de educação, o que está se fazendo de maneira prática é colocar milhares de servidores, muitos deles com mais de uma comorbidade, na linha de frente de uma guerra onde o coronavírus está com a faca e o queijo na mão para vencer, causando ainda mais casos de contaminação e mortes.

Caberá ao SEPE-Campos dos Goytacazes defender a integridade e o direito à vida dos servidores da educação, pois não vejo a mínima disposição de qualquer outro ator para fazer essa defesa.  Aos profissionais da educação está sendo reservada uma sorte madrasta, da qual eles só escaparão caso estejam organizados e prontos para documentar e difundir informações sobre casos de contaminação e morte que certamente advirão de uma volta intempestiva ao trabalho presencial.

E há que se diga que repousará sobre os gestores que estão impondo essa volta fora de hora ao ensino presencial todas as responsabilidades sobre o que inevitavelmente virá nas próximas semanas e meses nas escolas de Campos dos Goytacazes. Depois que o caos emergir que ninguém se faça de inocente.

Em Campos dos Goytacazes, o servidor municipal está diante de uma escolha macabra: morrer de COVID-19 ou de fome

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Eu venho tentando não escrever muito sobre os caminhos percorridos pelo prefeito Wladimir Garotinho, já que eu lhe dei 100 dias de tolerância, mas existem ações “tão sem pé, nem cabeça” que não período de graça que resista. Esse é o caso do Decreto Municipal No. 059/2021 que determina a volta ao trabalho presencial de “servidores ou empregados públicos” maiores de 60 anos, conforme foi divulgado na página oficial do Sindicato dos Profissionais dos servidores Públicos de Campos (Siprosep) (ver imagem abaixo).

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A primeira questão que salta aos olhos é a determinação de servidores considerados como sendo parte dos grupos mais sob mais risco pela COVID-19 ao trabalho presencial, sem que haja qualquer garantia de que os ambientes de trabalho estarão devidamente higienizados. Além disso, há que se considerar que inexistindo o regime de Dedicação Exclusiva na Prefeitura de Campos dos Goytacazes, a proibição de que o servidor cumpra quaisquer “outras atividades laborativas presenciais, seja em locais públicos ou privados” beira a ilegalidade. É isto, lembremos, em um contexto em que existem milhares de servidores a quem a mesma prefeitura deve salários.

Também considero curioso que embora não tendo como garantir ambientes laborais completamente imunes à contaminação a um grupo servidores em grupo de alto risco e a quem deve salários, o prefeito Wladimir Garotinho ainda resolve se valer da ameaça de “deflagração de sindicância ou do processo administrativo disciplinar”, e ainda com ameaças de penalidades. aliás, alguém há que lembrar ao prefeitoladimir Garotinho que só é possível abrir processo administrativo disciplinar após a realização e conclusão de um processo de sindicância. Ou é isso, ou já se está antecipando a aplicação dos efeitos mais perniciosos da reforma administrativa que recentemente começou a tramitar no congresso nacional.  Aliás, fica parecendo que no governo de Wladimir Garotinho a reforma administrativa do governo Bolsonaro já entrou em vigência de forma antecipada.

Noto ainda que há uma estipulação de que o servidor que “não aceitar ser vacinado deverá retornar imediatamente ao trabalho” que, na inexistência objetiva de vacinas para serem aplicados em todos os servidores que assim desejarem, não passa de uma ameaça vazia e que se auto desmoraliza. E, pior, uma ameaça que só serve para acirrar ânimos e para criar um ambiente hostil para uma administração que precisaria ter os servidores fervorosamente comprometidos com o seu sucesso.

Quero aproveitar o tom do texto usado pelo Siprosep para divulgar uma medida que pode colocar em risco a vida de muitos de seus representados. Não noto nesse texto nem um tipo de crítica ao decreto, aliás, parece até que o sindicato é uma espécie de estafeta do prefeito quando oferece explicação em vez de crítica.

Finalmente, a minha dúvida é sobre o que se pretende dos servidores municipais, especialmente aqueles acima de 60 anos, quando se impõe um decreto como esse: querem que morram de COVID-19 ou de fome?

Derrama fiscal como ponte entre passado e presente em Campos dos Goytacazes

Image result for wladimir rafaelEm Campos dos Goytacazes, a ponte entre presente (Wladimir Garotinho) e passado (Rafael Diniz) está sendo construída com uma nova derrama 

Ainda me recordo dos primeiros dias do governo de Rafael Diniz (Cidadania) quando muitos de seus eleitores se sentiram enganados ao presenciarem o lançamento de uma verdadeira derrama que elevou os valores de diversos tributos municipais, a começar pelo IPTU e pela famigerada “Taxa de Iluminação Pública”, que enquanto vereador ele prometia extinguir. O que se viu após esse início que salgou as contas foi um governo que se preocupou em extinguir políticas sociais destinadas a proteger os mais pobres, enquanto as ruas ficavam esburacadas e sujas. O resultado desse processo foi uma fragorosa derrota eleitoral na qual o agora ex-prefeito quase perdeu para uma candidata que não possuía qualquer ligação com as oligarquias que historicamente dominam a vida política do município, a professora Natália Soares do PSOL.

Enquanto isso, a tônica da campanha eleitoral  de 2020 foi a necessidade de “gerar dinheiro novo” para retirar as finanças municipais da condição crítica em que se encontra.  Ali o candidato e prefeito eleito, Wladimir Garotinho (PSD), prometia que iria buscar dinheiro em Brasília e na capital fluminense, de modo a criar novas fontes de recursos para viabilizar a retomada do processo de desenvolvimento econômico. Aparentemente, o que o novo prefeito esqueceu foi de informar que entre as novas fontes de dinheiro novo viria da manjada aplicação de majoração de tributos municipais. Esquecimento compreensivo para candidatos, mas que se torna estelionato eleitoral quando aplicado.

Senão vejamos o que já fez o novo prefeito em termos de retomar a derrama como estratégia de geração de receita. Primeiro, ele manteve o curioso aumento de 7,14% das contas de água e esgoto, ganhando em troca a promessa de “caiar” as paredes do Canal Campos-Macaé. Depois disso, veio a elevação de 3% da contribuição dos servidores municipais ao seu fundo de previdência, o Previcampos, inclusive em um momento em que os aposentados estão com salários atrasados.

Agora, o contribuinte campista está se dando conta que pagará um aumento de 4,22% e com uma diminuição do desconto por pagamento em taxa única de 15% para 7%.  Neste caso, noto que não parece ser uma medida inteligente diminuir o bônus pelo pagamento “cheio”, pois isto não só diminuirá a quantidade de contribuintes dispostos a liquidar de uma só vez o imposto, mas como provavelmente aumentará a inadimplência, o que representará perda e não ganho de caixa.

Mas o essencial aqui é que todos esses aumentos ocorrem em um momento de agravamento da pandemia onde há um aumento sensível do número de famílias sem renda. Assim, as medidas de derrama fiscal adotadas não só não fazem sentido financeiro, como tendem a punir aqueles segmentos da população que já estão sem dinheiro sequer para comprar comida, que dirá pagar tributos municipais.

Eu havia entendido, por exemplo, que haveria um ganho de receita ao se diminuir os chamados cargos de DAS, mas observadores atentos das publicações do Diário Oficial do Município vem notando e anotando a nomeação de centenas de pessoas para ocupar posições na nova gestão municipal, o que contradiz frontalmente as promessas de campanha, ampliando a sensação de estelionato eleitoral antes que se chegue a 40 dias de uma gestão que promete ser difícil para uma liderança emergente como é Wladimir Garotinho.

O fato que está explícito é que em vez de se ver a vinda de dinheiro de fora (coisa que já se sabia era difícil pelo contexto de fortes restrições no estado e na federação), o que está se fazendo é onerar o contribuinte municipal, sem que haja qualquer garantia que isso vá melhorar as condições de funcionamento das unidades de saúde municipal e das nossas escolas. Se isso se confirmar, eu diria que a desilusão que já grassa forte em segmentos do funcionalismo municipal vai se estender rapidamente para os setores populares que elegeram Wladimir Garotinho para fazer um governo realmente diferente daquele realizado por Rafael Diniz. Mas com a ponte entre o passado e o presente sendo feita por meio de uma derrama fiscal, isto vai ficar cada vez mais difícil de ser cumprido. A ver!

Servidores municipais e o governo Wladimir: uma lua de mel fugaz

5 maneiras de superar o término do namoro - VIX

Esta postagem pode parecer uma continuidade da minha última sobre os servidores municipais sendo tratados como “Geni” no governo Garotinho, e realmente é. Mas tendo acabado de ouvir uma gravação que circula em grupos de Whatsapp, centrada na forma pela qual o vice-prefeito Frederico Paes é retratado pela sua forma de trato com os servidores, penso que a lua de mel entre o governo de Wladimir Garotinho e boa parte dos servidores foi tão fugaz quanto o casamento do cantor Fábio Junior com a atriz Patrícia de Sabrit.

Pesam para que a lua de mel esteja tendo um fim fugaz a impressão que já grassa entre um número considerável de servidores de que o vice-prefeito acha que está no comando de uma das usinas da Cooperativa Agroindustrial do Estado do Rio de Janeiro Ltda (Coagro), e que os servidores estatutários da Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes são cortadores de cana. Como há muito servidor municipal que teve gerações inteiras de suas famílias que padeceram com a catana da mão nos canaviais de onde os barões do açúcar retiraram suas fortunas enquanto deixavam para trás dívidas trabalhistas colossais, essa associação não é nada positiva não apenas para Frederico Paes, mas, e principalmente, para Wladimir Garotinho.

As próximas semanas, ainda que com um Carnaval pelo caminho, deverão ditar se a lua de mel fugaz não será transformada em um divórcio conturbado. Mas pelo que eu ouvi na gravação que me foi enviada, a coisa pode azedar bastante e bastante rapidamente.

Para evitar isso, duas coisas terão de acontecer: a primeira é que seja cessada a avidez que aparentemente está tomando conta do governo municipal de retirar direitos dos servidores que, afinal, carregam o piano nas costas. A outra seria, como já indicou Chico Buarque em relação a ministros, constituir um “secretário do Vai dar Merda”. Talvez assim, e somente talvez, o divórcio conturbado não se materializará. A ver!

O servidor municipal será feito de “Geni” no governo Wladimir Garotinho?

Não se deve jogar pedra na Geni | Opinião | Valor Econômico

Conversando com um amigo que considero uma das mentes mais astutas da cidade de Campos dos Goytacazes, ele me informou que eu talvez tenha de encurtar o prazo de cem dias que dei ao honorável prefeito Wladimir Garotinho (PSD). Prontamente perguntei a este interlocutor a razão da previsão, e ele me adiantou que depois de salgou em mais 3% a contribuição dos servidores municipais, o prefeito ainda em início de gestão estaria planejando um pacote de maldades direcionado especificamente para os servidores da área da saúde.

Meio pasmo perguntei se isso aconteceria ainda em meio ao alastramento da pandemia da COVID-19 que segundo previsões do ex-ministro da Saúde, Henrique Mandetta, tem tudo para virar uma tsunami por causa da variante amazonense do SARS-COV-2. A resposta foi tão direta quanto rápida: sim. A lógica que estaria guiando esse próximo ataque seria de executar um “pacote de maldades” nos primeiros seis meses de governo, para gerar dinheiro extra que então seria apresentado como “dinheiro novo”.

Pois bem, estará errando gravemente o prefeito Wladimir Garotinho se começar a tratar os servidores municipais, independente do setor em que atuam, como uma espécie de “Geni” (lembrando a famosa canção de Chico Buarque) onde todas as pedras são jogadas, enquanto os verdadeiros sugadores das receitas municipais continuam intocados.

A verdade é que são os servidores municipais que têm evitado que uma situação ainda pior tivesse se estabelecido no município de Campos dos Goytacazes.  O caminho a ser trilhado deveria ser o do fortalecimento da qualidade de trabalho e o respeito aos direitos que não estão sendo cumpridos.  

Aos servidores municipais, resta o caminho da organização e da pressão para que seus representantes sindicais atuem para defender direitos e impedir que ocorra uma regressão ainda maior na qualidade de vida de milhares de trabalhadores.

Os necrocomercadores da pandemia e sua insensibilidade social

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Assisto relativamente de longe a pendenga estabelecida entre os donos de estabelecimentos comerciais e a Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes acerca das necessárias medidas de isolamento social que foram adotadas para frear o agravamento da pandemia da COVID-19.  Se não estivéssemos vivenciando um forte agravamento de contaminações e mortes causadas pelo coronavírus, a discussão sobre abre e fecha o comércio seria meramente escolástica.

O problema é que estamos em meio a uma situação em que vídeos emitidos por médicos atuando na linha de frente do combate à pandemia da COVID-19 em Campos dos Goytacazes apontam, até de forma desesperada, para uma situação crítica em que inexistem leitos de Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs), e que muitos pacientes já não têm sequer como serem acolhidos nos hospitais da cidade.

Dessa forma, pressionar para manter estabelecimentos comerciais abertos é um convite a um agravamento ainda maior do que já está grave. Lamentavelmente, como no caso de Rafael Diniz, o prefeito Wladimir Garotinho aparentemente está escolhendo o caminho da espinha curvada, em vez de se posicionar como o líder que o município também precisa em um momento gravíssimo de nossa História.

Ao analisar os parcos argumentos oferecidos em prol da abertura de estabelecimentos que, em sua maioria, continuarão às moscas por falta de clientes, não posso deixar de observar que é falacioso afirmar que os estabelecimentos comerciais não são fonte de contaminação.  Qualquer um que percorrer a área comercial do centro de Campos dos Goytacazes verá que o máximo que se faz é oferecer álcool gel e medir a temperatura corporal dos clientes,  medida necessárias que estão longe de impedir a expansão do processo de contaminação.

Mas a grande questão é que para se chegar a um estabelecimento qualquer, o eventual cliente terá que usar transportes públicos precários e circular por ruas em que a maioria não porta máscaras. Assim, a pessoa pode até não se contaminar dentro de uma dada loja, mas isso não quer dizer que o funcionamento de atividades não essenciais não contribua para que haja um agravamento da pandemia. Isto sem falar nos próprios trabalhadores do comércio que, em sua maioria, é obrigada a usar transporte público para chegar ao trabalho.

Já está mais do que claro que as próximas semanas serão marcadas pelo agravamento dos casos de contaminação, o que ampliará ainda mais a pressão sobre unidades hospitalares já sobrecarregadas. Mas nada disso parece sensibilizar os necromercadores da pandemia.   Legal seria se quando a vacinação realmente chegasse, eles se recusassem a entrar na fila para dar lugar aos seus empregados. Mas já sabemos que isto dificilmente ocorrerá.

Um conselho grátis: Pague os salários dos servidores, Wladimir

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Mesmo distante de Campos dos Goytacazes neste momento, venho acompanhando o drama dos servidores públicos municipais que estão sem o pagamento de seus devidos salários. Como passei por este problema ao longo de 2017, nem preciso imaginar a situação dramática em que milhares de servidores cumpridores de seus deveres se encontram neste momento.

Assim, em que pese o prefeito Wladimir Garotinho (PSD) não ter sido eleito para fazer mágica, eu ofereço um conselho grátis para ele e sua equipe: paguem os salários dos servidores!

É que como já disse antes, conquistar as mentes e corações dos servidores será um elemento chave na realização de uma administração que faça o município de Campos dos Goytacazes começar a sair da crise aguda em que se encontra. Mas ninguém conquista mentes e corações de quem está com a barriga roncando.

Desde já hipoteco a minha completa solidariedade aos servidores públicos municipais de Campos dos Goytacazes.

Oráculo: o que esperar da partida de Rafael e seus menudos, e a chegada de Wladimir e seus secretários “experientes”?

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Good-bye Rafael, welcome Wladimir: saem os menudos e entram os experientes

A primeira coisa que quero dizer que se 2021 já me garantiu uma alegria essa se dá na certeza de que não terei mais de escrever sobre as políticas equivocadas do agora ex-jovem prefeito Rafael Diniz e seus menudos neoliberais. É que, confesso, esse blog não foi criado para acompanhar em micro-escala as idas e vindas da ação governamental no Brasil. Eu tenho pretensões de outra natureza para a utilidade deste espaço, e fazer o trabalho que deveria estar sendo feito pelo Ministério Público, pelo Tribunal de Contas, e por uma sociedade civil que deveria ser organizada nunca esteve nos meus planos. Foi o estelionato eleitoral de Rafael Diniz que me obrigou a dedicar atenção aos muitos equívocos que ele e seus menudos neoliberais cometeram ao longo de longuíssimos quatro anos (especialmente longos para quem é pobre e dependente da existência de empregos para não afundar na miséria extrema).

Ouvi com atenção o discurso de posse do novo prefeito Wladimir Garotinho, e avalio que ele acertou mais do que errou nas direções que sinalizou para a sua gestão. Se ele vai cumprir a promessa de governar olhando para frente e pensando na maioria da população só o tempo dirá.

Tenho a impressão de que ele terá um governo bem mais monitorado do que o de Rafael Diniz foi. Avalio que muito provavelmente teremos a volta de uma ação mais diligente do Ministério Público Estadual que andou estranhamente silencioso desde janeiro de 2017. Também não estranharei se ocorrer uma reativação da blogosfera campista que tinha dezenas de blogs funcionando para micro-monitorar o governo de Rosinha Garotinho, mas que entraram em um peculiar estado de letargia, com muitos dos blogueiros tendo suas verves críticas acomodadas em cargos de confiança no governo municipal. Com o fim, digamos, dessas oportunidades de colaborar com a gestão municipal, é quase certo que os blogueiros voltem a ser blogueiros, e Wladimir Garotinho se torne rapidamente alvo daquelas postagens apimentadas com as quais Rafael Diniz não teve de conviver. Por último, avalio que teremos a emergência de mecanismos de observação autônomos em relação a forças políticas tradicionais, mas que se ocuparão de fazer o básico que é ler o diário oficial do município de Campos dos Goytacazes para verificar como estará sendo gasto o ainda bilionário orçamento municipal.

Somando tudo isso, é quase certo que o escrutínio sobre o governo de Wladimir Garotinho será intenso, e ele terá que se ocupar da tarefa de garantir que seu governo, como a mulher de César, não seja apenas honesto, mas pareça honesto. Além disso, o novo prefeito terá de cumprir algumas metas básicas, mas estratégicas, para evitar que seu governo nasça sob a égide do descrédito, a começar pela reabertura do restaurante popular, a retomada de um sistema público de transporte minimamente operacional e, obviamente, por um uso mais eficiente dos recursos aplicados em saúde e educação.  E acima de tudo, que haja um esforço concentrado para deter o avanço da pandemia da COVID-19, garantindo inclusive a compra de vacinas com dinheiro próprio sem ter que esperar pelos hoje inviáveis suprimentos vindos do governo federal.

De minha parte, espero ter que me dedicar pouco neste blog no acompanhamento das ações do governo municipal, pois, como disse, avalio que teremos uma plêiade de candidatos a fazer isso, liberando este blog para outras searas. Agora, como vivo e respiro o ar que os mais de 500 mil campistas respiram, isso não quer dizer que serei omisso. Mas desejo ao novo prefeito toda a sorte do mundo, pois ele vai precisar dela. Por último, também desejo que ele realmente dê a necessária liberdade para seus secretários agirem tecnicamente na hora de decidir sobre os rumos que devem ser tomados para resolver os muitos problemas herdados. Agora, na hora que o calo apertar, que ele não se furte a ouvir a voz da experiência de um dos políticos mais astutos e de raciocínio ágil que existem no Brasil. Felizmente para o novo prefeito, se fizer isso, nem terá de ir muito longe, e ainda poderá conversar comendo um panetone caseiro.