Após a quebra de Eike, quem é o pai da criança?

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Apesar do repentino interesse que a mídia corporativa está tendo pelos aspectos menos nobres da ação do ex-bilionário Eike Batista, parece que é chegada a hora de ver quem é que vai assumir as responsabilidades pelo rastro de destruição econômica, social e ambiental que ele deixou com o colapso de seu império de empresas pré-operacionais.

Dentre os muitos locais afetados por esse colapso e seus efeitos dantescos, o V Distrito de São João da Barra é certamente o que melhor sintetiza toda essa herança. Afinal, mexeu-se com a vida de centenas de famílias de pescadores e agricultores familiares, salinizou-se água e solos, e levou-se centenas de pequenos comerciantes à beira da bancarrota.

Agora que Eike Batista não está mais sendo vendido como o novo “Midas”, a questão que me parece fundamental é ver quem nos diferentes níveis de governo vai querer arcar com a pesada conta que ajudou a gerar. Os jornalões internacionais estão centrando o seu fogo no governo federal, mas é preciso lembrar que o principal fiador dessa aventura mal sucedida foi o governo do Rio de Janeiro, secundado de perto pela prefeitura de São João da Barra.  E o pior é que ainda não se viu nesses dois níveis de governo que estamos diante de um imbróglio de profundas ramificações para o qual não existem soluções fáceis.

Assim, quanto mais tempo se passar negando o problema, mais grave será o cenário que vai se montar em São João da Barra.  Como ninguém quer que o pior aconteça, mesmo porque os afetados pela bancarrota de Eike Batista já sofreram demasiadamente, há que se cobrar que os governantes parem de negar o óbvio e comecem a assumir suas responsabilidades de forma séria e inequívoca.

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