A repressão aos professores: o ovo da serpente que ameaça a estabilidade política

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Os atuais governantes brasileiros deveriam prestar mais atenção no que andam fazendo com os professores. É que nos últimos anos, fruto da profunda precarização a que a educação pública tem sido submetida, os professores têm retornado às ruas para reivindicar melhores salários e condições adequadas de financiamento.  E em vez de mudarem seus rumos, a maioria dos que ocupam as cadeiras de governo tem se valido da repressão policial e da criminalização das lideranças sindicais para tentar conter as justas reivindicações que o movimento sindical tem levantado.

Mas o que os governantes podem ainda não ter percebido é que a repetição das cenas de violência contra os professores está gerando uma onda de indignação em amplos setores da população. E essa indignação não se limita à repressão que tem sido imposta aos professores, mas a algo mais básico: o valor dos salários que estes profissionais recebem para cumprirem a dura missão de educar.

Essa minha reflexão nasceu de encontros casuais com pessoas cujas profissões são ainda mais vilipendiadas pelo atual sistema de valorização salarial, mas que encontram espaço para se indignarem mais com a condição salarial dos professores do que com suas próprias. Recentemente ouvi declarações ultrajadas de um motorista de táxi e de um vendedor num mercado municipal acerca de quanto os professores estão sendo desrespeitados em sua nobre missão de educar.  Essas pessoas quase que se desculparam por estar me cobrando o valor dos serviços que prestavam ao saberem que eu era um professor. Mesmo a informação de que eu era um professor universitário, e que não ganha tão mal quanto professores fora do sistema universitário público, serviu para amenizar a indignação deles.

Desta situação eu depreendo que , ainda de forma inadvertida, os governantes que reprimem e pagam mal aos educadores conseguiram recolocar esta profissão num patamar que talvez só existisse quando a minha falecida avó ainda dava suas aulas no ensino primário em meados do século passado. E por causa disso é que eu me arrisco a vaticinar que num futuro próximo, os governantes, independente do partido em que estejam, vão acabar se defrontando com uma onda de indignação popular que deixará a atual fase de enfrentamento com os Black Blocs como uma lembrança de um tempo de paz e serenidade. E isso tudo porque estão agredindo e perseguindo os profissionais da educação. Mas nada disso deveria causar surpresa em quem conhece uma pouco da História. Afinal de contas, a nobreza francesa perdeu a cabeça por oferecer brioches a quem queria pão.

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