Quem tem medo do rolezinho? Aparentemente, o promotor

De tempos em tempos vê-se a manifestação de órgãos que deveriam estar mais preocupados com questões mais importantes, mas que aproveitam o momento para mostrar um certa aura de utilidade. Esse parece ser o caso da ação do Ministério Público do Rio de Janeiro em Campos dos Goytacazes que, em atitude supostamente preventiva convocou a PM para coibir a realização de um “rolezinho” no Shopping Boulevard (Aqui!).

Se o douto promtor de justiça que emanou tal ordem já tivesse ido numa domingueira no mais fabuloso shopping campista já saberia que os rolezinhos ocorrem lá faz tempo. É que desprovidos de espaços públicos de lazer, os jovens campistas (especialmente aqueles que não tem dinheiro para ir para a Disney ou para a Europa) acabam encontrando no espaço privatizado do Boulevard aquele tipo de ambiente de congraçamento que uma cidade bilionária como Campos dos Goytacazes já deveria ter aos montes de forma pública, e não possui sequer um.

Aliás, eu que nem sou muito afeito ao trottoir privatizado que os ambientes de shopping centers oferecem aos cidadãos transformados em consumidores vorazes, penso que esse tipo de proibição acaba sendo gerando um efeito oposto e em potência redobrada. Aliás, a direção do Shopping Boulevard já até entendeu isso ao anunciar que não mudaria sua rotina por causa do anunciado “rolézinho”. Afinal, como educar a juventude nos “predicados” de consumir em ambientes climatizados se não for permitido o acesso? Aparentemente, aqui os agentes de mercado já entenderam que é melhor relaxar para deixar a juventude continuar gastando.

Por outro lado, em minha última passagem pelo Shopping Boulevard pude constar uma imensa multidão de jovens reunida e se manifestando em altos brados, sem que tivesse ocorrido qualquer quebra-quebra ou vandalismo. Nesse mesmo dia pude acompanhar o trabalho calmo e sereno dos próprios seguranças privados, sem que houvesse do lado de fora uma mísera patrulha da PMRJ.

Finalmente, numa região onde as violações dos direitos coletivos e individuais é tão marcante, é impressionante que ainda se perca tempo com manifestações de caráter político.

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