Site Quotidiano informa: atraso de pagamento de salários pode causar novo fechamento do Porto do Açu

Funcionários da Emtep Engenharia ameaçam fechar entrada do Porto do Açu

Trabalhadores estão com salários atrasados há dois meses e a empresa está se negando a pagar a rescisão. Os funcionários estão de aviso prévio até o dia 27 de abril.

Por Bruno Costa/bruno.costa@quotidiano.com.br
Uma nova mobilização de funcionários ligados às obras do Porto do Açu pode estar a caminho. Os funcionários da Emtep Engenharia, empresa contratada pela TMSA – que por sua vez é terceirizada da Anglo American/LLX Minas-Rio – para pintura industrial das estruturas das correias transportadoras que levarão o minério até os navios, pretendem fazer um protesto semana que vem na entrada do Porto.

Segundo funcionários, houve o rompimento do contrato devido ao baixo valor oferecido pela Anglo American pelos serviços prestados e os mesmos estão com salários atrasados há dois meses e a empresa está se negando a pagar a rescisão. Os trabalhadores estão de aviso prévio até o dia 27 de abril.

No início deste mês, funcionários da empresa de segurança Angel’s Vigilantes, contratada pela Anglo American, fecharam a entrada do Porto do Açu. Na ocasião, a questão também envolvia a recusa do pagamento dos direitos trabalhistas e uma reunião foi marcada no Sindicato dos Vigilantes onde um acordo foi firmado entre as partes. Para recebimento do valor devido, havia o precedente de os funcionários assinarem um documento abrindo mão das horas ‘in itinere’ e do horário de refeição.

A possível mobilização dos funcionários da Emtep Engenharia chega junto à reportagem do jornal mineiro ‘O tempo’ que também traz denúncias contra a Anglo American e empresas terceirizadas no que tange também aspectos trabalhistas. Segundo o jornal, entre julho e outubro do ano passado, um mecânico montador, contratado para as obras de implantação do projeto Minas-Rio, que inclui o maior mineroduto do mundo, ligando Conceição do Mato Dentro, região Central de Minas Gerais, a São João da Barra, trabalhou durante 88 dias seguidos, sem um dia sequer de descanso. Em 1º de agosto de 2013, um motorista que trabalhava na mesma obra começou sua jornada às 6 horas e só encerrou o expediente 20 horas depois, às 2 horas do dia seguinte. Quatro horas depois, novamente às 6 horas, já estava no batente de novo.

As denúncias levaram o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) a autuar a Anglo American, responsável pelo projeto do mineroduto, e mais três empresas que prestavam serviços para ela de forma terceirizada – Milplan, Enesa e Construtora Modelo – por trabalho análogo à escravidão. As histórias relatadas acima foram contadas por algumas das 185 vítimas, que eram submetidas a jornadas de até 200 horas extras por mês durante até cinco meses. As empresas vão contestar a autuação do Ministério do Trabalho e Emprego.

A equipe de reportagem do Quotidiano está buscando contato com as empresas envolvidas no caso da Emtep Engenharia.

FONTE: http://www.quotidiano.com.br/noticia-925/funcionarios-da-emtep-engenharia-ameacam-fechar-entrada-do-porto-do-acu

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