Departamento de Filosofia da PUC-Rio emite nota sobre prisão de manifestantes

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Departamento de Filosofia da PUC-Rio a respeito das prisões ocorridas no último final de semana

“O Departamento de Filosofia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) vem por meio desta nota prestar sua solidariedade ao Departamento de Filosofia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e à docente e pesquisadora daquele departamento, Camila Aparecida Rodrigues Jourdan, bem como aos demais militantes políticos presos no sábado, 12 de julho.

A Profa. Camila Jourdan conquistou o respeito de nosso departamento, primeiro como aluna de mestrado e doutorado em nosso programa de pós-graduação, e em seguida por sua atuação na UERJ e em diversos eventos e fóruns da área de Filosofia. Além dela, estão entre os presos dois ex-alunos da PUC-Rio, Filipe Proença e Joseane de Freitas, esta atualmente jornalista da Empresa Brasileira de Comunicação.

A falta de clareza quanto ao motivo da expedição dos mandados, bem como seu timing (às vésperas de protestos marcados para a final da Copa do Mundo, e durante o final de semana, dificultando a atuação dos advogados) sugerem fortemente que estes indivíduos foram escolhidos, entre tantos outros que se mobilizam nas ruas e nas redes sociais desde o ano passado, como alvos de um gesto arbitrário de intimidação. Se este é o caso, trata-se de uma afronta inequívoca às liberdades individuais dos mesmos, bem como às liberdades de opinião e expressão de todos nós. É inadmissível que, num Estado de Direito, pessoas possam sofrer prisão temporária “preventivamente”, por atos que não cometeram, mas se presume que possam cometer; que vidas e reputações pessoais sejam expostas sem que exista motivação legal expressa para a ação do Estado; que o exercício do poder de polícia seja usado como forma de intimidar aqueles que manifestam sua posição política, seja nas ruas ou qualquer mídia; e que o respeito à diversidade de opinião e sua expressão seja relativizado pelos agentes do poder público.

Pela saúde da democracia brasileira, nos parece essencial que a colega Camila Jourdan e os demais presos sejam imediatamente postos em liberdade, bem como sejam revogados os mandados não executados; e que se apure as responsabilidades por trás deste e qualquer outro gesto que atente contra os preceitos constitucionais de liberdade de opinião e manifestação.”

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